Tuesday, September 09, 2008

HISTORIETAS DO MEIO DA SEMANA 48


Academia de Retórica

Logo cedo o Reginaldo chegava ao cafezinho e lá encontrava o João tomando o seu. Ambos eram professores na Faculdade e o mais velho gostava de contar vantagens que, sempre se desfaziam como pó. O forte dele era o diálogo e iniciava o papo com declarações enfáticas e peremptórias:

R - Olha João, esse Obama é um sujeito que não merece confiança, pois sua origem não o habilita a comandar “o grande país do norte!”.
J - Que história é essa rapaz? O que é que tem a origem do homem?
R - Você não vê que ele aparenta uma coisa e parece ser outra?
J - Não. Eu acho que ele é um sujeito que tem controle do que diz.
R - É, pode ser. Mas, parece que ele não é unanimidade entre os próprios democratas...
J - Bom, pode ser, mas ele é senador e não apareceu nada que o desabonasse durante a campanha recente.
R - É pode ser...
J - Você vai ver Reginaldo, ele vai eleito e vai ser um grande presidente.
R - É. Talvez ele até chegue a se equiparar a Abraham Lincoln...
J - Escuta, a campainha para as aulas já está tocando, vamos.

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Sunday, September 07, 2008

HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 92


Ella quer o endereço da gente
She wants our address

O Zé foi ao velório do velho amigo lá na Rua do Azevedo. Ele não gostava de velório, mas quem é que gosta? Talvez a velhinha que lhe seguia na fila para assinar a lista de comparecimento ou presença, como é que se chama aquele papel onde as pessoas devem por seu nome, não a assinatura, pois se for um garrancho ninguém da família do morto vai saber que você esteve presente. Quando a velhinha viu que ele não havia posto seu, dele, endereço chamou-lhe a atenção:

- Escuta meu filho estou vendo que você colocou somente o seu nome, falta o endereço. Você não vai colocar onde você mora?

O Zé responde: - Não tia. Se eu escrever meu endereço vai ficar muito mais fácil d´Ella me achar.

A velhinha olha para ele, balança a cabeça para os lados, faz o sinal da cruz e sai dali às pressas sem ao menos ter escrito seu nome quanto mais seu endereço.

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Saturday, September 06, 2008

POEMAS BARRETO/XAVIER 38


INÁCIO XAVIER FILHO (1921-1999)

O BRINQUEDO

Ele: Você parece um brinquedo precioso
Que se tem na infância...
Eu tive muitos...

Ela: Brinque comigo, meu amante,
Pra afastar a mágoa desta vida...
Me tire da caixa de brinquedos
Que é este mundo,
Onde eu vivo soterrada...

Ele: Querida inocente! Os brinquedos
Se espatifam ou ficam velhos
Durante a brincadeira...

Ela: Não tem importância.
Aprenda a consertar ou polir
Brinquedos partidos ou usados...
Quero sentir as mãos deste menino
Travesso, no meu corpo,
E beijar-lhe a boca, agradecida!

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Friday, September 05, 2008

VISTAS DA GRANJA 60






Carnaúba antiga riqueza da Granja



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Thursday, September 04, 2008

O Povo da Malhadinha/O Povo da Granja 64


Raimundo do Espírito Santo – 6

O Chico na espreguiçadeira


O velho Raimundo foi até a cidade na sua carruagem que mais parecia uma lapinha de tão enfeitada que era. Ele ia visitar o seu neto Inaço que ainda era quase um menino e já tava ganhando muito dinheiro; dizem até que ele emprestava dinheiro a juro e comprava muito ouro, ninguém sabe o que ele ia fazer com tudo isso. O que ele ia fazer era reclamar do neto por causa do emprego que ele havia dado ao Chico, o filho dele com a Vicentina, e do qual os dois não gostavam. Parece que o Chico tinha de ficar o dia todo sentado numa espreguiçadeira lendo o jornal para ver se tinha alguma notícia sobre o Inaço.

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Wednesday, September 03, 2008

HISTORIETAS DO MEIO DA SEMANA 48


Culto a Benjamin Franklin

Como ele gostava de dinheiro! O Ray não gostava de gastar dinheiro. Ele amava as cédulas verdinhas, novas de dólares americanos. Ele as tinha em casa aos milhares, de todas as denominações, mas as de US$ 100, com a efígie de Benjamin Franklin era as de que mais gostava. O Ray tinha um cofre em casa, bem seguro. Todos os sábados, depois do almoço frugal, ele se punha ao lado do cofre e retirava suas notas de cem dólares e cuidava delas. Ele havia comprado um par de luvas de seda, uma escova especial, e mais outros apetrechos e com isso ele fazia uma limpeza em todas as suas notas. Ele dizia para seu filho que as notas adquiriam um pozinho que as faziam perder o valor. Sua mulher não acreditava nessa história e morria de raiva.

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Tuesday, September 02, 2008

HISTORIETAS DO MEIO DA SEMANA 47


O jardim da Precabura

Fontoura estava visitando um amigo lá pros lados da Lagoa da Precabura. A casa em que o Hermógenes morava com a família já servira de residência a eles, os Fontoura, em tempos passados. Ele havia entrado pelo jardim da bonita casa olhando para as plantas quando começam a chegar a casa pessoas conhecidas, mas não sem antes lançarem um olhar desconfiado para ele. Após algum tempo essas mesmas pessoas saem e o acusam de estar roubando as plantas. Logo depois aparece um policial, põe-lhe algemas e leva o Fontoura para o distrito onde o delegado começa a fazer-lhe perguntas estranhas e o acusa de estar roubando as plantas do jardim do Hermógenes. Ao final do interrogatório o Fontoura fica preso em uma cela com mais uns seis bandidos perigosos.

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Monday, September 01, 2008

HISTÓRIAS DAS TERÇAS 37


COMPLEXO AEREORODOHIDROFERROVIARIO DE ESTRELA.

Este era o nome dado ao projeto aprovado pelo governo para ser instalado na cidade. O custo nem foi avaliado, pois como as benesses deveriam ser distribuídas para muitos cabos eleitorais o governo não queria torná-lo público. Talvez só quando chegasse ao Tribunal de Contas. O grande problema encontrado logo no início foi fazer uma placa com esse enorme nome, além das demais indicações de quem patrocinava a grande obra. Os engenheiros do Serviço de Estética resolveram construir uma coluna de grandes proporções às margens do Rio, fazendo par com as enormes velas acesas na administração passada. A coluna foi feita em mármore vinda de Carrara, um lugar na Itália onde se produz essas coisas. A gravação das palavras foi feita por um artista local, especialmente contratado a peso de ouro. O Serviço de Estética o enviou a Roma para estudar a Coluna de Trajano a fim de se inspirar para gravar as frases e muitas cenas tiradas do quotidiano da cidade. Ficou uma beleza e está à espera da inauguração, assim que passarem as eleições.

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Sunday, August 31, 2008

HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 91


Plano funerário

- Olha, disse Ella, eu tenho uma idéia para você ir bem mais satisfeito a sua viagem.
- Que viagem?
- Ora! Sua viagem comigo, sabe?
- E que idéia é essa?
- Tenho um amigo no Papicu que tem um laboratório de prótese dentária associado ao “Vida Alegre”, um plano funerário também de sua direção. Você compra o plano e tem direito a fazer uma prótese das mais modernas que existem no momento.
- E daí, o que eu ganho com isso?
- Ora, quando eu vier lhe buscar você estará com um sorriso novo bem diferente desse horrível que você tem agora!
- E eu posso decidir depois?
- Presta atenção homem, você vai ser chamado daqui a pouco e ainda está pondo catinga?

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Friday, August 29, 2008

POEMAS BARRETO/XAVIER 37

RAUL SIQUEIRA XAVIER nasceu na Granja em 17 de março de 1902 e era filho de José Raimundo Xavier e Justiniana Siqueira Xavier. Ele era da geração de seus primos Barreto e, como eles, herdeiro da poesia de Lívio Barreto. Raul estudou em Fortaleza e, transferindo-se para o Rio de Janeiro, foi jornalista, poeta, crítico, tradutor e ensaísta. Era teosofista e especializou-se na tradução de textos orientais (Veda e Upanixade) tendo escrito livros sobre o assunto. Abaixo transcrevemos, de sua autoria, um



romance

se voltares perfeita
com o sangue aberto
na face pecadora,
receberás da minha mão direita
um punhado de cinza redentora.
verás no pó das searas
como o tempo escarnece
das virtudes raras.
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Thursday, August 28, 2008

VISTAS DA GRANJA 59

Vídeo apresentado pela TV Verdes Mares de Fortaleza sobre a Granja. A matéria traz também uma entrevista do Presidente do Instituto José Xavier.

(Agradecemos a TV Verdes Mares pela utilização dessa matéria).


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Wednesday, August 27, 2008

O Povo da Malhadinha/O Povo da Granja 67


Ele o olhou com seu olhar ausente

Jorge lembra-se bem que não foi submetido a eletrochoque como seu pai. Percorreu os consultórios de uma infinidade de psiquiatras e submeteu-se a diversos tratamentos químicos e outros alternativos. Um desses médicos, jovem promissor, com um viés acadêmico, pedia-lhe que deitasse no chão durante as sessões enquanto ele lhe fazia questionamentos. Ele viciou-se em psicotrópicos e antidepressivos. Após os longos anos ele, com ajuda do último dos psiquiatras com quem se tratou, conseguiu se safar de sua praga pessoal. É instrutivo notar que ao encontrar esse psiquiatra em uma festa, muitos anos depois, Jorge aproximou-se dele e, ao dirigir-lhe a palavra ele o olhou com todo o seu olhar ausente e falou:

-Eu não me relaciono com ex-pacientes.

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Tuesday, August 26, 2008

HISTORIETAS DO MEIO DA SEMANA 46


O gajo xereta

Seu vizinho estava de partida. Ia voltar para a terrinha, pois o País já não lhe agradava, como no princípio, quando tudo era sucesso e ele tivera enormes lucros. Ele anunciou que poria a venda muitos de seus trecos acumulados durante anos. Certo dia ela se enche de coragem e bate à porta para dar uma espiada no que o gajo tinha para vender. Em cima da mesa o Manoel tinha posto pratos, talheres, bijuterias, aparelhos diversos como um aparelho de DVD portátil, um barbeador alemão, uma máquina de fotografia digital Sony, uma calculadora de última geração, um iPod, um laptop Vaio, e outras coisas mais. Quando o Manoel a recebeu foi muito gentil e atencioso; ela era a vizinha que ele nunca, nestes anos passados no prédio, xeretara o que era seu esporte favorito. E ali estava ela no seu apartamento... Ele foi muito solícito e convenceu-a a levar um radinho, um barbeador alemão (para dar de presente a seu amigo...) e a máquina digital de 10 megapixels, um estouro. Acertado o preço das peças, que depois ela veria serem um pouco mais altos do que os do mercado, ela ficou de voltar com o dinheiro e pegar os objetos. Após alguns dias ela descobriu, quando aprendia a usar a máquina, que o aparelho dava a impressão de fazer um barulhinho quando se acionava o botão de exposição. Ela ouvia nitidamente um risinho e teve certeza que era o gajo que a estava xeretando de dentro da máquina.

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Monday, August 25, 2008

HISTÓRIAS DAS TERÇAS 36


Finas essências

Toda quarta-feira havia reunião da Câmara Municipal. Nessas ocasiões discutia-se, votava-se e aprovavam-se as leis que regiam a cidade. No entanto, muitas das leis não eram obedecidas no recinto da própria Câmara. Uma dessas foi aquela apresentada, em uma das últimas sessões, pelo vereador da situação, o Paulo Flatus, que proibia fumo, flatulências e bodum em recintos públicos, bares, bilhares, e quejandos. Além da proibição havia a obrigatoriedade de aspersão de perfumes de fino aroma no caso de ter alguém infringido a lei. A lei era, de cara, desobedecida na Câmara, pois seu presidente tinha o vício incurável de deixar escapar gases de muito desagradável odor e de ter reações extremamente violentas quando lembrado disso. Diziam que ele já havia matado bem uns seis e seus capangas outros tantos desafetos. Outro lugar em que a lei era também desobedecida era no prédio da Prefeitura, apesar de o Prefeito, ao mandar construir a nova sede, ter pedido a inclusão de uma pequena área junto ao seu gabinete para exercício flatulencial.

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Sunday, August 24, 2008

HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 90


O velhinho voador

Ele estava mais que acostumado a voar, isto é, viajar de avião. Não tinha mais aquela ansiedade que dá o medo de enfrentar o vôo. Essa ansiedade desapareceu depois que ele chegou à idade em que podia acompanhar senhoras grávidas e avozinhas, crianças e pessoas com necessidades especiais na hora de entrar no avião. Agora, parece que ninguém acreditava em sua idade. Justo naquele dia quando ele se preparou para acompanhar a fila dos velhinhos, grávidas e crianças, um camarada fortão puxou-o pelo ombro ameaçando-o de dar-lhe umas pancadas:

- O senhor está furando a fila!

Ele voltou para o sujeito e com um olhar raivoso disse:

- E os meus 75 anos não valem nada?

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Friday, August 22, 2008

POEMAS BARRETO/XAVIER 36


LÍVIO BARRETO (1870 - 1895)

PARA ALGUÉM

Da tua boca, encarnação do Belo,
Suspensa está minh´alma ansiosa e louca:
Suspenso está tudo que almejo e anelo
Da tua boca.

Do teu sorriso cândido e suave
Pende meu ser em ânsias, indeciso,
Sempre que escuto o doce canto da ave
Do teu sorriso.

Do teu olhar leal um raio implora
Minh´alma e canta quando o vê baixar,
Pois ela vive dessa luz, Senhora,
Do teu olhar.

Do teu amor a pérola mimosa
Meu coração inunda o fulgor;
Ah! Dá-lhe um pouco, ó pálida formosa,
Do teu amor.


Este poema foi publicado em O Pão, n. 21, de 1-8-1895.

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Thursday, August 21, 2008

Wednesday, August 20, 2008

O Povo da Malhadinha/O Povo da Granja 66


O Coronel e seus escravinhos

O Coronel estava muito preocupado, pois o Juiz e o Promotor o tinham convidado, bem como ao Jornalista e ao outro Coronel – este da Oposição – para formarem uma sociedade protetora dos negros e a favor de sua emancipação imediata. Sua preocupação se devia ao fato de que ele tinha uma meia dúzia de escravos, seus escravinhos, como ele dizia. Ele não podia deixar de atender ao convite do Doutor Juiz, mas para isso ele teria de vender seu lote de escravos. Mesmo assim, como a venda demorasse, ele ainda teve de lançar no seu balanço, na coluna de ativos, o valor dos seis escravos, dois contos de reis os seis. Felizmente ele conseguiu despachá-los para o Rio de Janeiro em consignação à firma H. Paes & Cia., especializada nesse tipo de negócios. Agora ele estava livre para secretariar a Sociedade Protetora e Emancipadora dos Escravos da Granja.

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Tuesday, August 19, 2008

HISTORIETAS DO MEIO DA SEMANA 45


Droga experimental

“Abre-se um caminho pelo qual seria possível interferir na memória já formada
nos seres humanos, disse ao jornal o doutor Augusto Romano, um dos membros do grupo de cientistas autores da descoberta”.

O Coronel Dr. Esperidião ao ler essa notícia animou-se. Com sua enorme influência e o seu não menor poder econômico ele conseguiu comprar, na Argentina, um suprimento dessa droga, ainda em fase experimental e que eliminava a memória. Ele pretendia empregá-la em suas atividades para fazer com que jovens eleitoras esquecessem o que ele costumava fazer com elas em seu escritório e já estava sendo motivo de muito falatório na cidade. Ele tinha certeza que com essa droga ele poderia traçar todas as jovens filhas de seus correligionários sem provocar nenhum trauma.

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Monday, August 18, 2008

HISTÓRIAS DAS TERÇAS 35


As tribunas

Ele era bem jovem quando foi estudar em Roma e queria ser um padre avançado em sua pequena cidade do interior. Sua permanência na Cidade Eterna, no entanto, parece que o ligou a um passado de sombras e foi de pouca valia para a cultura de sua região. Quando ele chegou e daí a poucos anos foi levado ao mais alto posto da hierarquia local de sua igreja mandou demolir as tribunas de todos os templos da diocese. Ele tinha receio que casais fossem fornicar sobre o assoalho das mesmas, fazendo ruídos na hora da missa e deixando traços de humores diversos.

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Sunday, August 17, 2008

HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 89


Eu me chamo Beckenbauer...

O moço fez sinal para a aeromoça e quando ela chegou ele pediu:
- Moça você tem algum comprimido para dor de ouvido?
- Tenho. Espere um instante que eu vou buscar. Ela volta, então, trazendo um pequeno envelope com um comprimido e um copo dagua. Passa para o moço e lhe pergunta o nome, pois de acordo com as normas da ANAC ela tem de registrá-lo:
- Qual é o seu nome? E ele:
- Beckenbauer. A aeromoça diz então:
- Não entendi. Como se escreve? E ele, já acostumado e todo cearense:
- Bê, é, cê, cá, é, ene, bê, a, u, é, erre.
- Ah! É difícil, depois eu escrevo...
Eu, que sentava ao seu lado, dirigi-me ao moço:
- Você pode me dar seu autógrafo? É para meu neto que gosta muito de futebol...

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Saturday, August 16, 2008

POEMAS BARRETO/XAVIER 35



LÍVIO BARRETO (1870 - 1895)

POBRE!


Diz essa gente que te vê curvada
Continuamente, ó meiga criatura,
Para o cesto da alvíssima costura,
Que és pobre, e que por isso és desprezada.

Por isso mesmo eu vejo-te acanhada
Entre outras buscando a mais escura
Penumbra, inútil para tanta alvura,
E p´ra tanta beleza ignorada.

Ignorada, sim, minha açucena;
Ignorância que me causa pena
E me faz rir ao mesmo tempo, louca!

Pois eu bem sei o quanto és rica, eu sei-o:
Se tens só duas pérolas no seio,
Tens um milhão de pérolas na boca!

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Friday, August 15, 2008

VISTAS DA GRANJA 57

OS CARNAUBAIS FORAM A RIQUEZA DA CIDADE. HOJE AS CRIANÇAS SÃO A ESPERANÇA.

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Wednesday, August 13, 2008

O Povo da Malhadinha/O Povo da Granja 65


Muita mixaria

Sua fazenda produzia de um tudo. Lá tudo dava: arroz, feijão, milho, leite e carne, pois tinha umas vaquinhas, muitos bodes, carneiros, galinhas, capotes e perus. Tinha também algodão pra fazer as roupas. Tinha até cana para fazer rapadura e uma boa pinga. É verdade que faltava algumas coisas como gás para botar nos candeeiros, fósforos para acender estes e as lamparinas, pois eles não sabiam mais fazer fogo com os pauzinhos de tanto uso por seus avós. A fazenda, enfim, quase não precisava da velha cidade. Mas o velho tinha de ir lá, de vez em quando, pra vender uns bodes, galinhas, feijão e outros legumes e apurar algum dinheiro pra comprar essas bugigangas que eles tinham se acostumado a usar. Ele voltava com uma lata de gás na cabeça, e umas poucas coisas nos bolsos. Trazia também um maço bem grande de dinheiro, pois sempre do que ele apurava com a venda sobrava muito. Anos se passaram nessa usança e ele sempre punha o rolo de cédulas – contos de reis, barões, cabrais - nos buracos da taipa do seu quarto. E esquecia e todo mundo de casa também. Até que chegaram os planos e quando o velho morreu e os filhos se deram conta não tinha mais nada, tudo perdido, só o amigo colecionador de cédulas comprou por uma mixaria o que antes eram milhões.

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Tuesday, August 12, 2008

HISTORIETAS DO MEIO DA SEMANA 44

Sucateiros

- A nossa vila saiu na frente. Afirma a primeira voz.
- Como assim? Pergunta a segunda voz.
- Ora, todo mundo reclama, inclusive os colunistas sociais dos jornais do Ceará, que os coletores de lixo, maltrapilhos, mal-ajambrados, fazem suas coletas atrapalhando o trânsito e o ir e vir dos carrões em todos os lugares chiques. Nós já invetamos...
- Vai dizer que vocês passaram à frente da Capital!
- Pois é! Vamos licenciar todos os apanhadores que terão de usar uma farda verde piscina e seus carrinhos terão de ser pintados de azul real, amarelo canário, etc. de acordo com seu bairro. Os apanhadores terão de pagar, tipo assim, uma pequena taxa mensal que reverterá para um fundo de amparo que deverá manter uma casa de recolhimento. Para nós, é claro!
- Ah! Então tá bom! Encerra a segunda voz.
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Monday, August 11, 2008

HISTÓRIAS DAS TERÇAS 34

No fundo dos poços

Eduardo de Tal e Gilmar de Tal eram dois irmãos que moravam no Norte desde muito tempo. Seus pais tinham ido do Nordeste no tempo da borracha e o velho tinha ganhado muito dinheiro nos seringais do Rio Madeira. Sempre que havia eleições na cidade de seus pais, no Ceará, os dois irmãos ofereciam seus serviços e os de sua turma a fim de aumentar o cacife eleitoral do velho oligarca que era seu parente e muito amigo de sua família. Neste ano, quando o amigo, o famoso Talzinho, estava ameaçado de perder a parada, eles chegaram mais cedo. Reuniram-se com a equipe, formada pelos cabos eleitorais do parente e amigo, para decidir como seria a nova estratégia. Uma das principais medidas, coercitivas, naturalmente, foi posta em prática imediatamente. Consistia em afogar alguns membros da oposição nos poços de lama formados pelas chuvas nos buracos feitos pelo serviço de saneamento. Quando chegou o dia da eleição o Talzinho havia gasto somente uma pequena fração dos fundos reservados para a compra de eleitores. É escusado dizer que ele ganhou novamente a parada.
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Sunday, August 10, 2008

HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 88

Gauguin cubano

Sua barriguinha era mais que proeminente, mas ele nem ligava, era jovem e confiante no futuro brilhante que já estava às portas de seu laboratório. Melhor, já se instalara nele. Ocasionalmente ele tropeçava em uma palavra ou uma frase que um purista poderia corrigir, mas ninguém o fazia, nem puristas nem colegas. Certa ocasião, em uma palestra, a troco de pouca coisa, ele falou que foi “pra cima do computador” para escrever o texto dessa dita palestra. Durante sua fala ele disse ainda que “o grande pintor Gauguin que morou por muitos anos em Cuba pintava mulheres com dois seios enquanto que Picasso, o célebre pintor flamengo as pintava com somente um seio”.
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HOMENAGEM AO BLOGUEIRO


O blogueiro agradece a homenagem prestada por seus ex-alunos por ocasião do 59. Congresso Nacional de Botânica em Natal, Rio Grande do Norte.

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Tuesday, August 05, 2008

HISTORIETAS DO MEIO DA SEMANA 43

Candeeiros de cera

Caracala gostava de passear à noitinha pelas ruas da Capital acompanhado por um grande séqüito só para ver os candeeiros espalhados aos milhares por todos os bairros. Essas geringonças, inventadas por ele mesmo, produziam luz com velas de cera de carnaúba, ao invés de gás. Para quem reclamasse do fedor Caracala mandava dizer que pior eram as velas vendidas pelos contrabandistas no Forum Boarium que eram feitas com sebo de bode e este, quando queimava, dava um cheiro que espantava até os próprios, que pastavam calmamente nas ruas.
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Monday, August 04, 2008

HISTÓRIAS DAS TERÇAS 33


Um trato com Ella

Ella estava preocupada com Ricardo, pois notava que, nos últimos dias, ele andava muito assustado. Imaginava que ele estivesse com medo de ser chamado para a viagem que Ella mesma não sabia quando seria feita. Resolveu então propor-lhe um trato. Foi visitá-lo em uma noite de muito vento e muita chuva e o encontrou cuidando de sua coleção de borboletas. Após cumprimentos ligeiros Ella falou:
-Veja Ricardo, eu noto que você anda preocupado e só pode ser com a viagem. Não tenho meios de fazer você esquecer isso, mas eu lhe proponho um adiamento da partida se você concordar com uma condição. Topa?
-Bom acho mesmo que essa maldita viagem está me preocupando. Talvez um adiamento fosse bom... Aí eu posso cuidar melhor da minha coleção de borboletas, talvez aumenta-la... E também fazer um monte de outras coisas. E qual é a condição?
-É o seguinte: quando eu vier buscá-lo você deverá estar acompanhado da indiazinha e ela vai com você.
-Ah não! Não dá!
-Então, nada feito! Aí você vai viajar logo, logo.
Ricardo pensou um pouco e resolveu aceitar. Ele avaliou que, com a indiazinha, esse lugar para onde iria se tornaria um pouco menos insuportável.
-Ta certo, então. Aceito sua proposta.
Enquanto Ella ia embora Ricardo voltou a cuidar de sua coleção.

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Sunday, August 03, 2008

HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 87


O magnífico pavão

Quando ele notou que cruzaria com o chefe que vinha de cabeça baixa, mas sem olhar para os pés, preparou-se para cumprimentá-lo por sua nomeação para o mais alto cargo na Universidade. Ao chegar bem perto ele gritou de entusiasmo:

- Meus cumprimentos Magnífico!

Pois o cargo para o qual o homem havia sido nomeado era o de Reitor da Universidade de Várzea Vermelha (UVV) e, como se sabe os reitores são magníficos, embora alguns não tenham pescoço. O chefe não gostava de ser importunado em seus elevados pensamentos, mas abriu um largo sorriso acompanhado por uma nítida auréola que se abriu em torno de sua cabeça e que brilhava com as cores e formas das penas da cauda de um pavão.
(Baseado em idéia de um amigo)

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Friday, August 01, 2008

POEMAS BARRETO/XAVIER 34


INÁCIO XAVIER FILHO (1921-1999).

O poeta traduziu vinte Odes de Anacreonte diretamente do grego. Aqui apresentamos uma dessas:

6. De Si Mesmo. (XI).

Dizem as mulheres:
- Anacreonte estás velho;
Toma um espelho
E atenta bem, nem mais cabelos
Tens na fronte calva.
Não sei se tenho cabeleira,
Ou se na fronte me falta;
Mas sei de uma coisa:
Que aos velhos convém mais,
Gozar bem a folga,
Quão perto seja a Moira!

(3/11/73)

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Thursday, July 31, 2008

VISTAS DA GRANJA 56






Cancelas da Granja


Cancelas ou porteiras sãos grandes portões, de madeira ou metálicos, que guarnecem as entradas de uma propriedade rural. Estes têm a finalidade de controlar o trânsito de gado, pessoas e veículos. São também utilizadas em currais. (Cercado construído de pau-a-pique, pedra, madeira ou com o mesmo estilo de construção de cercas que serve para confinar o rebanho. É bastante usado no regime intensivo e semi-intensivo de criação.) Trata-se de uma invenção milenar, que pouco evoluiu com o tempo e que pode ser encontrada nos campos de praticamente qualquer país, em alguns de forma ainda bastante rústica.


Texto adaptado de verbete em "http://pt.wikipedia.org/wiki/Curral"

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Wednesday, July 30, 2008

O Povo da Malhadinha/O Povo da Granja 64


Raimundo do Espírito Santo - 6

O túmulo do Padre Lobo
Certo dia seu bisneto apareceu-lhe em casa dizendo que queria saber onde o velho padre estava sepultado. Raimundo do Espírito Santo reuniu gente das redondezas com os mais diferentes sobrenomes como Magalhães, Santos, Vaz, Passos, Fontenele, Souza e outros todos interessados na vida e na morte do parente padre. Tocaram em direção ao Manhoso. Após muitas horas de caminhada eles chegaram ao velho cemitério, bem adiante da vila, onde os antigos diziam estar sepultado o Padre Lobo. Não era bem um cemitério, pois não havia propriamente túmulos e sim montes de pedras arranjadas sem nenhuma ordem indicando possíveis covas feitas há bem mais de cem anos. Havia pra mais de vinte amontoados e, em cinco desses havia sinais de que eram mesmo túmulos, com cruzes de madeira. Não sei por que eles decidiram voltar à noite. Ao retornarem, no escuro, eles notaram sobre um dos túmulos sem nenhuma marcação, uma luz azulada que se elevava tremulante e dava a impressão de ser a figura de um sacerdote puxando uma jovem potiguara pela mão.

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Tuesday, July 29, 2008

HISTORIETAS DO MEIO DA SEMANA 43


Sombras e figuras

Ricardo estava só em seu apartamento lendo e foi dormir bem tarde. Durante a madrugada acordou e viu a figura de uma mulher que se fundia à guarnição da porta e a cena era completada com muitas sombras e figuras humanas. Por mais que ele tentasse não conseguia associar essas figuras com alguém conhecido. Na tentativa infrutífera Ricardo dá um grito enorme e pronuncia palavras incompreensíveis (quem terá ouvido?). Foi aí que a figura principal desvaneceu-se e ele passou a ver uma outra pessoa com a cabeça inclinada sobre sua cama e que se confundia com a mancha vermelha da lâmpada piloto do televisor.

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Monday, July 28, 2008

HISTÓRIAS DAS TERÇAS 33


O moço de camisa vermelha

O moço já devia tê-lo visto antes, pois se pode dizer que ele o estava esperando. Sentado a uma mesa do restaurante, bem em frente ao corredor que dava para todos os quartos da pensão, estava aquela figura macilenta, vestindo uma camisa vermelha de malha. Ele o fitava insistentemente, mesmo quando Miguel se movimentava para tomar seu café em uma mesa bem afastada da dele. Após terminar sua refeição e sem que o moço de vermelho tenha deixado de acompanhá-lo com o olhar Miguel nota que o dito cujo não se encontra mais na sala. Ele se encaminha para seu apartamento sendo surpreendido pelo moço que o havia acompanhado silenciosamente até a porta. Miguel estaca e, ao por a chave na fechadura o moço, com um olhar de cabra morta se acerca e tenta dialogar:

- Você faz o que aqui?
- Sou representante.
- Você é de onde?
- Sou de Várzea Pequena.
- E como é o seu nome?
- Pedro, Pedro Silva. E o senhor, o que faz aqui?
- Vim fazer vestibular.
- Pra quê?
- Ciências sociais.
- Ta bom. Boa sorte.

Miguel bate a porta para fugir daqueles olhos lânguidos.

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Sunday, July 27, 2008

HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 86


Doutor eu tenho TOC?

Ela bateu à porta do consultório, toc, toc, toc, e esperou que a atendente viesse abri-la, pois ele não pegaria no trinco. Quando entrou o médico mandou-a sentar e ela mais que depressa foi batendo na mesa, toc, toc, toc, e dizendo:
- Doutor eu estou preocupada.
- Por quê?
- Você sabe que eu coleciono jornais antigos e agora passei também a me interessar por almanaques de propaganda, tipo Almanaque de Bristol, dos antigos. Você sabe que essas coisas vêm sempre com muita poeira e eu sempre lavo bem as mãos antes e depois de manuseá-los – umas duas ou três vezes.
- Ótimo! Você mostra que tem cuidado com a saúde.
- É doutor, mas eu também passei a lavar por fora e por dentro a banana que vou comer e quando vou enxugar as mãos eu sempre pego uma toalha limpa, tenho pavor das já usadas por outra pessoa...

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Friday, July 25, 2008

POEMAS BARRETO/XAVIER 33


LÍVIO BARRETO (1870 - 1895)

O amor é uma parasita que nasceu no coração da mulher
fazendo-a sublime; arraigou-se no coração do homem fe-lo
grande, espalhou-se por toda humanidade transformou-se.
Outrora dava-se, hoje vende-se.

(Inédito)

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Thursday, July 24, 2008

VISTAS DA GRANJA 55


OFERTA DE PROTEÍNA ANIMAL NA CIDADE - Não existe abate adequado e nem transporte ou venda higiênicos da carne abatida localmente. As fotos lembram como a comunidade ainda tem de avançar para resguardar seus interesses e sua saúde.

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O Povo da Malhadinha/O Povo da Granja 63

Raimundo do Espírito Santo - 5

Wolf - Ladrão de cavalos

O velho Raimundo do Espírito Santo não gostava muito dessa história, aliás, não gostava nem um pouco. Ele não acreditava nela, mas em ocasiões especiais ele não se incomodava que os netos a contassem. Era aquela que dizia ter seu avô, o Sargento-Mor Wolf, perdido o emprego. E ele perdeu o posto, por ter sido descoberto roubando os cavalos do Terço de Cavalaria Paga estacionado em Russas, no qual servia. Não houve advogado que o livrasse da prisão do Limoeiro.

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Tuesday, July 22, 2008

HISTORIETAS DO MEIO DA SEMANA 42

A sinuca do Seu Mateus

Ele viu a Maria chegar e dizer-lhe baixinho:

- Jorginho sua mãe ta lhe procurando já faz é tempo.

- Já vou! E saiu correndo pra casa, só a um pulo do bar.

- Que é que você tava fazendo no Bar do Seu Mateus?

- Nada, Mamãe, só tava lá um pouquinho...

Na verdade ele estava ao lado da sinuca nos fundos do bar. O velho vendia bebidas, refrescos, bolachas e uma porção de bugigangas e tinha essa sinuca. Jogar sinuca era proibido para ele, mas ela o fascinava: o pano de feltro verde, as bolas de cores, a lousa para marcar, tudo lhe dava vontade de jogar. Nunca passou por sua cabeça que aquele simples bater de bolas coloridas traria problemas para sua “cultura”. Mas os de casa pensavam assim; não sua mãe, ela não era Raposo, seus motivos talvez fossem de ordem religiosa. Sem nunca ter pegado num taco, ele acostumou-se a ver os outros jogarem e, quando muito, anotar na lousa os pontos feitos. Ele não podia ficar muito tempo, pois a mãe o controlava bastante.

Quando chegou, a janta já tava na mesa. Se ele demora mais um pouco ficaria sem almoço, pois a regra de sua mãe era: quem não estivesse em casa na hora do almoço passava por “debaixo da mesa”.
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Monday, July 21, 2008

HISTÓRIAS DAS TERÇAS 32


Gêmeas fraternas

Muitos estudantes apareceram para a entrevista. Duas garotas muito bonitas e atiradas foram as últimas a aparecer. Elas eram sobralenses e mostravam ter uma boa formação. O professor quis saber mais sobre elas:

- Vocês são de onde? - De que família? - Gostam daqui? E por aí vai. Quando elas estavam saindo ele espantou-se com a semelhança das duas e perguntou:

-Vocês são parentas? Uma delas respondeu:

-Sim, somos gêmeas, hi, hi, hi!

-Vocês são muito bonitas! E elas, em uníssono:

-Obrigada!

Foi neste momento que o professor apaixonou-se, não por uma, mas por duas garotas. A primeira foi descartada logo, pois a segunda se intrometeu e empurrou a irmã para fora da competição. Joana, a primeira, era bonita, mas tinha algo diferente e isso o preocupou. Já Diana era muito feminina, muito agressiva, nada a incomodava; falasse quem quisesse, entrava no seu gabinete sem bater, a qualquer hora, para conversar, aliás, não conversar, mas para pedir alguma coisa. Ele se retorcia com uma paixão abrasadora, ela notava, dava-lhe mais corda. Dizia-se, sem muito segredo, que metade do “povo” da Escola achava que eles tinham um caso e que a outra metade tinha certeza disso. Essa paixão durou algum tempo até Diana terminar o curso e ir embora.

Jorge levantou-se de sua rede vermelha após ter dormitado até quase o meio-dia e, com um sorriso, foi tratar de preparar alguma coisa para comer. O domingo seria longo e solitário.

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Sunday, July 20, 2008

HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 85


No Zoologisches Garten - Am Zoo

Pedro visitava um zoológico, para ser mais preciso era o Zoologisches Garten, em Berlim. Ele aproximou-se das grades de uma jaula onde estavam um cachorro imenso, malhado de preto e branco e um macaco verde que se jogaram sobre ele e o lamberam, amigavelmente... Alguém ao lado disse, presumivelmente em alemão, que eles não faziam mal a ninguém. Quando Pedro, sem entender coisa alguma, afastou-se, um deles, - o macaco verde ou seria o cachorro malhado? -, perguntou para ele, em português brasileiro: - Você vem amanhã?

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