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Wednesday, January 14, 2009

O Povo da Malhadinha/O Povo da Granja 82


Tempero

O Coronel, um homem bonachão, era proprietário de muitas terras de plantar e de muitos carnaubais. Todo verão contratava mão-de-obra adicional para cuidar do corte das palhas, transporte e demais operações típicas de um carnaubal produtivo. O Coronel pagava a diária comum e dava o almoço. Este era constituído somente de feijão, raramente um pedaço de toucinho. Certo dia, um caboclo mais corajoso reclamou que o feijão tinha muito gorgulho. Ele retrucou:

- Meu cabôco, o gorgulho é o tempero do feijão!

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Sunday, November 23, 2008

HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 103


Uma cascavel em Bristol

A princípio o velho coronel não acreditou no telegrama recebido do Cabo Submarino. O texto dizia que o Zeca tinha sido mordido por uma cascavel no quarto do hotel em que estava hospedado e estava muito mal, talvez não resistisse. Imagine acontecer isso em Bristol, na Inglaterra! Ele lembrava que o filho caçula, cursando o último ano de Medicina no Recife, havia sido convidado para assumir a Secretaria de Saúde e tinha aceitado, até por insistência dele. O menino não tinha durado muito no cargo, pois como se dizia à boca pequena, ele contrariava interesses fortíssimos, até mesmo os de seu pai. Ai largou tudo e foi fazer residência no St Peter´s Hospital em Bristol. E agora essa! O Coronel terminou seus dias convicto de que o prefeito tinha alguma coisa a ver com o aparecimento dessa cascavel no quarto de hotel ocupado pelo Zeca.

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Sunday, September 14, 2008

HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 93


Professor de Ictiologia do Colégio Padrão

O moço era filho de um correligionário do Sertão e precisava urgentemente de um emprego. Levado ao Oligarca este decide nomeá-lo professor de Ictiologia do Colégio Padrão. O moço olha para o velho político e diz:

- Coronel eu não posso aceitar esse lugar. Eu nem sei o que é Ictiologia...
- Não se incomode não, moço! Ninguém, por aqui, sabe o que é isso. Pode ir e falar com o Dr. Pinto que ele lhe dá posse.

O moço do Sertão após ter tomado posse da Cátedra de Ictiologia e depois de ter lido alguns livros, como Historia Naturalis Brasilae de Markgraf, Historia Piscium de John Ray, começou a dar aulas. Após ter dado três aulas ele foi demitido, pois os alunos reclamaram ao Dr. Pinto que ele havia afirmado em classe que “as baleias desovam no Oceano Índico”.

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Wednesday, August 20, 2008

O Povo da Malhadinha/O Povo da Granja 66


O Coronel e seus escravinhos

O Coronel estava muito preocupado, pois o Juiz e o Promotor o tinham convidado, bem como ao Jornalista e ao outro Coronel – este da Oposição – para formarem uma sociedade protetora dos negros e a favor de sua emancipação imediata. Sua preocupação se devia ao fato de que ele tinha uma meia dúzia de escravos, seus escravinhos, como ele dizia. Ele não podia deixar de atender ao convite do Doutor Juiz, mas para isso ele teria de vender seu lote de escravos. Mesmo assim, como a venda demorasse, ele ainda teve de lançar no seu balanço, na coluna de ativos, o valor dos seis escravos, dois contos de reis os seis. Felizmente ele conseguiu despachá-los para o Rio de Janeiro em consignação à firma H. Paes & Cia., especializada nesse tipo de negócios. Agora ele estava livre para secretariar a Sociedade Protetora e Emancipadora dos Escravos da Granja.

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Thursday, April 03, 2008

VISTAS DA GRANJA 38






Como as demais ruas da cidade a que tem o nome do Coronel José Antônio (de Oliveira) é também abandonada.

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Wednesday, March 12, 2008

O Povo da Malhadinha/O Povo da Granja 44


Carnaval no Rio - Carnival

O velho Coronel ia bem sentado no banco do Ford do Anselmo acompanhando as três filhas para assistir ao corso. Ele ia muito sério, segurando sua bengala encastoada e apoiando-a no queixo. Quando se aproximam da Avenida Central o carro para devido ao trânsito pesado, nisso um pierrô animado pula no estribo e diz para o malhadinha:


- O Coronel vai, mas vai contrariado! O Coronel grunhe:
- Oh diabo!

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