Wednesday, April 30, 2008

O Povo da Malhadinha/O Povo da Granja 51


Fila no mercado


Havia uma fila na cidade. Não era fila de banco, nem fila do leite, nem fila para inscrição no “Bolsa Família”. Era uma fila bem diferente. As “meninas” do local tinham se organizado para ver quem ganhava o coração e outros órgãos do viúvo recém chegado. Quando ele soube disso sorriu e procurou aquela que organizava o certame:
- Se vocês se puserem em ordem e não quiserem passar umas na frente das outras eu aceito o jogo e vou “derrubando” uma por uma até dar cabo de toda a fila.

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Tuesday, April 29, 2008

HISTORIETAS DO MEIO DA SEMANA 30


Produto biodegradável

Trabalhava em um posto de gasolina e sempre aconselhava o “patrão” ou o “doutor” a colocara no tanque aqueles produtos para limpeza do motor. Nesse dia ele ofereceu ao doutor um produto novo, biodegradável, natural, sem nada de químico, finíssimo, maciinho, aveludado e punha um pouco entre os dedos para mostrar a maciez do mesmo:

- Olhe dotô num tem nem um carocinho, não!

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Monday, April 28, 2008

HISTÓRIAS DAS TERÇAS 20


A sardinha - Sardine

A pequena sardinha tornou-se objeto de interesse oficial. A Agência dos Peixes pretende incluí-la no programa de preços mínimos e fazer estoques reguladores. O Peixeiro-mor pediu ao Chefe da Zero-Cal que a incluísse no "Prato básico" e no "Maquilanche escolar". Todo esse interesse parece decorrer de estudos, que mostram ser a sardinha riquíssima em ômega 3, de alto valor protéico.

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Sunday, April 27, 2008

HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 73


Sapatos altos

A senhoria entra no quartinho e vê quatro mocotós saindo debaixo do lençol. Ela pergunta:
- O que é isso, Osvaldo?
Seu inquilino responde:
- Ela é a minha lavadeira.
- E de sapatos altos!?

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Friday, April 25, 2008

POEMAS BARRETO/XAVIER 20

LÍVIO BARRETO

BELA

Alta, franzina, erecta, o porte nobre e fino
De uma graça ideal de planta delicada...
Através do esplendor da renda perfumada
Emerge o seio firme, estonteador divino.

De uma graça felina e de risadas francas,
Ao olhar-nos o fulgor de seus olhos serenos
Faz lembrar em jardins de seiva e viço plenos
Dois miosótis azuis entre açucenas brancas!

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Thursday, April 24, 2008

Wednesday, April 23, 2008

O Povo da Malhadinha/O Povo da Granja 50

Uma lapa de homem

Aquela lapa de homem, de uns setenta anos bem vividos, usando um chapelão na cabeça, chegou e viu de longe uma fada: era uma jovem de uns vinte e cinco anos, morena, olhos escuros, todos os atributos em pé, que estava falando a alunos da escola local. O velho ficou babando; ele já estava bem alto, pois tinha passado a manhã com o Cumpáde Raimundo bebendo uma serrana das boas, e aí ele notou que a mocinha havia lhe escapado, tinha ido embora. Procura que procura, ele descobriu onde ela morava e bateu lá. Quando chegou foi logo apeando do cavalo e entrando na casinha, ela de longe o viu e levantou-se. Perguntou:
- O que o Senhor deseja? O velho Samuel ficou mudo, pois a voz da menina era mesmo de uma maciez total, parecia veludo. Ele gaguejou por alguns muitos segundos e respondeu:

- Eu queria me matricular na Escola da Senhora...

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Tuesday, April 22, 2008

HISTORIETAS DO MEIO DA SEMANA 29

Em tempos de dengue - In times of the dengue fever

Em uma forte campanha a favor do uso da própolis contra a dengue - ou seria da dengue contra a própolis? Afirma-se que, ao se tomar algumas poucas gotas diárias de própolis o mosquito nem se aproxima! Mas, em compensação a própolis é barata, o que confunde um pouco, pois se sabe que este é um inseto nojento e que pode transmitir doenças, quem sabe até mesmo a dengue. Ainda, pode-se prevenir a picada do mosquito pela ingestão de 30 gotas de tintura de própolis diluída em água ausente de cloro, e que esta (ou este) pode ser substituída por água de coco, bem geladinha.
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Monday, April 21, 2008

HISTÓRIAS DAS TERÇAS 19


Coração-de-boi – Bull´s heart

O Doutor tinha dito que, mais cedo ou mais tarde ele precisaria de um transplante de coração, pois o seu estava pifando a olhos vistos. Aldrevando ficou preocupado, mas como disseram a ele que no Hospital da Telha uns doutores estavam utilizando técnicas modernas para fazer transplantes de órgãos foi até lá. Logo nos primeiros dias, após exames de rotina, o Dr. Sabeall mostrou-lhe uma enorme mangueira que ficava à beira da estradinha em frente ao prédio central e apontou-lhe uma manga que, ainda verde, pesava umas seiscentas gramas e disse:

- Fique de olho nessa manga, pois quando ela estiver quase madura, você a colhe e traz para nós implantarmos no seu peito, pois nela está se formando o seu futuro coração artificial.

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Sunday, April 20, 2008

HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 72


Conversa fiada

Estavam os dois amigos a caminhar na Beira Mar quando Carlinhos aproximou-se e foi logo dizendo:
- Vocês estão sabendo o que está se passando com o nosso amigo?
José Oscar e Jorginho disseram que não sabiam, não estavam a par, seria alguma doença grave?
- Não gente! Nada disso! É o Instituto deles, que está ruim das pernas!
- E por quê? Perguntou Jorginho.
- Rapaz eles estão precisando de suporte financeiro e por isso estão numa campanha danada para angariar novos sócios.
Eles disseram, quase ao mesmo tempo, vamos lá, vamos ajudar o IJX!

(Você pode transformar essa brincadeira em caso sério: peça informação de como associar-se pelo email do Instituto José Xavier (institutojosexavier@yahoo.com.br) OU acesse o seu site: http://institutojx.tripod.com/ OU deposite R$ 100,00 – custo da anuidade – na conta do IJX: Agência 3473-8, conta 17.828-4, Banco do Brasil, CNPJ: 06.347.847/0001-23).

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Friday, April 18, 2008

POEMAS BARRETO/XAVIER 19


ESPERA E CRÊ
de Lívio Barreto

Meu amor, meu amor! A nossa estrada
Como é cruenta! Como é dolorosa!
Só nossa crença guia-nos, e nada,
E nada mais, ó minha pobre rosa!

Do horizonte na bruma silenciosa
Não aparece a estância alva e sagrada
Que há de guardar tua alma carinhosa
Como um ninho uma pomba fatigada.

Pálida e triste, angélica e franzina –
Fitas o olhar na solidão imensa
E o desalento enubla-te a retina.

Espera e crê! Por entre a treva densa
Há de brilhar a estrela peregrina
Que há de guiar-nos pelo azul suspensa...

- Granja – 93 -

Foto: S. Miguel, Açores, Lagoa das Furnas

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Thursday, April 17, 2008

VISTAS DA GRANJA 40






RUA MAESTRO CIRO CIARLINI - Na cidade é uma rua de grande extensão que, somente nesse aspecto, representa bem a grandeza do Maestro fundador da Filarmônica Granjense. Ciro Ciarlini, viúvo, casou com Maria Barreto, também viúva, irmã do poeta Lívio Barreto. O Maestro está sepultado no cemitério de São João na cidade.

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Wednesday, April 16, 2008

O Povo da Malhadinha/O Povo da Granja 49


Herança

Eles estavam de casamento marcado, os banhos já estavam correndo e não havia, seguramente, jeito de ela não casar com o Níldio, filho do Seu Zequinha, além do que eles já haviam experimentado do fruto proibido. Como todas as moças de seu tempo ela queria logo ter o filho, mas tinha muitos medos. Um desses era que o menino, pois tinha de ser homem, concentrasse todas as cores dela e do Níldio, pois seus pais tinham a linda pele acobreada de seus antepassados da qual sobressaiam sinais tipicamente africanos. Ela recorreu a todas as comadres rezadeiras da Lagoa, da Beira-do-Rio e até do Alto, e todas elas deram-lhe um só conselho: tomar diariamente três colheres, das grandes, de sopa, de leite de magnésia. Era tiro e queda, o menino nasceria com a pele clara e com as feições do Príncipe de Gales.

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Tuesday, April 15, 2008

HISTORIETAS DO MEIO DA SEMANA 28


Feijoada transgênica

- Essa “história” de animais, plantas e microorganismos transgênicos foi, tipo assim, solucionada em uma de nossas universidades, e com enormes promessas, dizia, escandindo as palavras, o curioso.

- Como assim? Perguntou o colega também curioso, mas aborrecido com os modos do outro.

- Veja, durante um congresso recente, um pesquisador nativo leu (sic) um artigo em que fazia a seguinte observação: “... mais de 400 espécies de feijão foram criadas no nosso laboratório, em cerca de 20 anos; com esses resultados estamos prontos para resolver o problema da fome entre as populações desassistidas da região”.

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Monday, April 14, 2008

HISTÓRIAS DAS TERÇAS 18


Bolhinhas de sabão – Soap bubbles
(Variante 2)

Chovia muito e todos estavam molhados, pois a aula de campo tinha sido debaixo do maior toró. O ônibus os deixou debaixo das paineiras e foi só um pulo até a cantina e aí um bom café com leite, e pão passado com manteiga. O Biquara havia perdido o transporte, mas logo apontou lá no começo da estradinha; ele vinha num passinho miúdo, mas logo estava chegando. Sua pele era amarelada o que combinava com os cabelos louros, lisos e rebeldes. Ele sempre usava sabão Pavão, de barra mesmo, para assentar os cabelos rebeldes. A molecada viu que havia algo errado, pois o Biquara parecia estar flutuando. Quando ele chegou bem perto mesmo os colegas viram que, de sua cabeleira lisa saiam bolhinhas de sabão e estas pareciam fazê-lo flutuar suavemente, retardando seu passo.

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Sunday, April 13, 2008

HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 71


Notícia urgente

Legal & Surtido: Florácio Vales, que vem de fazer, com Gardênia, França e Ilhas Maldivas, confabulando relatório do que viu pra enviar aos amigos e amigas.

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Friday, April 11, 2008

POEMAS BARRETO/XAVIER 18


INÁCIO XAVIER FILHO (1921-1999).

Ao tricentenário do nascimento de Bach (1685-1985).

Sou poeta e amante da música e letras clássicas. Por isso aproximei os gênios de Bach e Platão. O soneto abaixo foi escrito em 1978, (...).

Palavras do poeta na apresentação de deste poema publicado na coletânea “Poetas brasileiros de hoje – 1986” (em Shogun Arte), Shogun Editora e Arte Ltda, 1986, 119 pp, Rio de Janeiro

DIAS FINITÍMOS

Século de Péricles! Em Atenas
Transluz o facho aceso contra os Bárbaros,
Quando já nascera Platão, apenas...
Ancião o revelaria aos seus pósteros.

Século dezoito! A Alemanha em peso,
Eis assiste uma nova Renascença...
E jorra a luz do cravo sonoroso,
De João Sebastião Bach à tensa...

Do pensamento e som, gênios afins,
Ambos graves sectários da razão,
Cônscios da divindade nos confins.

Convivem na mente e no ouvido, aos próximos;
Origem de adorável confusão,
Do tempo esquecidos em dias finítimos.

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Thursday, April 10, 2008

VISTAS DA GRANJA 39




Cheia do Rio Coreaú na Granja, 10 de abril de 2008




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Wednesday, April 09, 2008

O Povo da Malhadinha/O Povo da Granja 48


Cansado – Tired

O Ulion Cançado morava com sua mãe no “Dr. Privat” e trabalhava na Rede Ferroviária Cearense - ele era fiscal de linha - mesmo quando os trens já trafegavam somente uma vez por semana. A maior parte dos dias ele ficava deitado em sua rede de tucum a tomar fresca e esperar pela melhor, a viração da tarde. O pior com ele e que irritava sua mãe era que reclamava do salário, sempre baixo. Dona Floraci recomendava ao filho:

- Ulion beija os trilhos que a estrada é nossa mãe.

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Tuesday, April 08, 2008

HISTORIETAS DO MEIO DA SEMANA 27


Milagre - Miracle

Certo dia o Dr. J. Shancho, gerente do Banco Popular recebeu um e-mail estranho de um

Dr. K. Swahili, do National Bank of Somaziland. Na mensagem, o alto funcionário afirmava que o Dr. Shancho havia sido escolhido para investir 50% do valor do fundo secreto estabelecido no exterior pelo ex-presidente do seu país, antes de sua queda. Como este, após sua deposição, foi fuzilado o fundo ficou sem movimentação. O Dr. Swahili pedia ao Dr. Shancho que indicasse um banco de sua confiança para onde se fizesse a transferência; enviaria também um contrato para assinatura. Após abrir uma conta no próprio National Bank em nome de um laranja, Shancho enviou os dados solicitados e esperou. Após dois dias verificou que um depósito de dez milhões de dólares havia sido feito na tal conta do laranja, o Raymond Bishop do Rosário, seu amigo de velhos carnavais.

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Monday, April 07, 2008

HISTÓRIAS DAS TERÇAS 17


Feijão e feijões – Bean and beans

O Dr. Dorse, formado em Toronto, dizia ter estudado muitas espécies de feijão e entre essas ele destacava algumas de alta produtividade e que seriam importantes para implantação de programas de combate à fome. Um de seus discípulos perguntou-lhe, certa vez, só por curiosidade (sic), que espécies seriam essas. Dorse olhou-o de esguelha, mas concordou em relembrar:
- Ora, são o feijão caubói, feijão caupi, feijão caubi, caupibin. Essas são as espécies que eu estudei quando fiz meu pósdoque com o Prof. Hardbrain.

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Sunday, April 06, 2008

HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 70



O Bárbaro - The Barbarian

A Betinha correu para a sala gritando:

- Chega pessoal! Tem muita gente aqui na pracinha, está um alarico total, venham ver!

Todos correram para a pracinha em frente imaginando que o palhaço, chamado Alarico, estava fazendo propaganda do circo recém montado lá. O que acontecia era que o cachorro da Dona Mazé havia mordido o Mainha, um dos três palhaços do circo, e a meninada gritava, apupando os dois.



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Friday, April 04, 2008

POEMAS BARRETO/XAVIER 17

Tenho a satisfação de apresentar mais um poema de Lívio Barreto, o “Lucas Bizarro” da Padaria Espiritual, fonte de inspiração de todos os poetas granjenses.


Que luta atroz a que eu sustento, quando
À noite velo no meu quarto, e escuto
O coração gemendo e blasfemando,
Órfão de tudo, sob os véus do luto.

Lá fora o vento passa esfuziando;
Cai o orvalho da noite; aqui, enxuto,
Lento, o silêncio desce, amortalhando
O meu tormento atroz e absoluto.

Abro um livro, passeio, fumo, escrevo,
Medito e sonho; e a minha noite levo
Insone, e deito-me ao romper da aurora.

Ergo-me pálido e desesperado
Do sono cataléptico acordado,
E vou, maldito, pela vida afora!

-93-

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Thursday, April 03, 2008

VISTAS DA GRANJA 38






Como as demais ruas da cidade a que tem o nome do Coronel José Antônio (de Oliveira) é também abandonada.

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Wednesday, April 02, 2008

O Povo da Malhadinha/O Povo da Granja 47


Rapaduras meladas

O Chico Raimundo, veio da Malhadinha para trabalhar de caixeiro na bodega do tio. Contam que ele se estirava em uma cadeira preguiçosa, à porta do estabelecimento, lendo um jornal e, ao aparecer um freguês perguntando se tinha tal ou qual artigo ele respondia:

-Tem, mas não tem quem venda! Quando procuravam por rapadura ele dizia que elas estavam meladas e ele não iria melar as mãos...



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Tuesday, April 01, 2008

HISTORIETAS DO MEIO DA SEMANA 26


Peru Turkey

Festas para comemorar qualquer coisa havia sempre em sua casa, até parece que o casal gostava muito, mas se não fossem os amigos que as “contratavam” elas certamente não aconteceriam. Eu só sei que havia muita comida, bebida e música a toda hora e altura até cedo na manhã quando era servido um supimpa café. Muitas vezes a gente, - discípulos mais jovens -, se excedia na comilança e brigava, de verdade, pela carcaça de um peru que já havia sido consumido ou quase. O Queixada, todo despojado, e eu já éramos mestres, mas somente nessas presepadas, e certa vez fomos flagrados, já no fim da festa, escondendo a carcaça de um peru atrás de uma moita no jardim, para comer mais tarde na pensão da Dona Débora.

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