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Friday, September 19, 2008

POEMAS BARRETO/XAVIER 40


LÍVIO BARRETO (1870 - 1895)

NOTURNO


Por estas horas da noite,
Lentas e misteriosas,
Quando dos ventos o açoite
Arranca um frêmito às rosas,

E, pensativas, as almas
Se elevam, calmas, piedosas,
Ao sonho, piedosas, calmas,

Do crisol das fantasias
Sobem átomos risonhos:
As pombas das utopias,
As andorinhas dos sonhos.

Amor! Amor! Se despertas
Doiram-se os cimos medonhos
Das penedias desertas.

Velhos amores murmuram
Dentro do meu coração;
São almas presas, procuram
Ao luar a redenção.

E vão (constância que admiro!)
Do sonho à recordação
E da saudade ao suspiro.

Deus a suprema coragem
Uniu à suprema dor:
Dá-me heroísmo a sua imagem
Mas, mata-me o seu amor.

E a alma de luta em luta
Morre de horror em horror
E de cicuta em cicuta.

Velhos amores! Estrela
Das brumas do meu passado!
Brilha na sombra o olhar d´ela
Tão nobre... mas tão magoado!

Cobrem nuvens a amplidão,
Chora o mar desesperado...
Silêncio, meu coração!

-94-

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Friday, April 04, 2008

POEMAS BARRETO/XAVIER 17

Tenho a satisfação de apresentar mais um poema de Lívio Barreto, o “Lucas Bizarro” da Padaria Espiritual, fonte de inspiração de todos os poetas granjenses.


Que luta atroz a que eu sustento, quando
À noite velo no meu quarto, e escuto
O coração gemendo e blasfemando,
Órfão de tudo, sob os véus do luto.

Lá fora o vento passa esfuziando;
Cai o orvalho da noite; aqui, enxuto,
Lento, o silêncio desce, amortalhando
O meu tormento atroz e absoluto.

Abro um livro, passeio, fumo, escrevo,
Medito e sonho; e a minha noite levo
Insone, e deito-me ao romper da aurora.

Ergo-me pálido e desesperado
Do sono cataléptico acordado,
E vou, maldito, pela vida afora!

-93-

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