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Sunday, December 14, 2008

POEMAS BARRETO/XAVIER 51


MÁRIO BARRETO XAVIER granjense filho de Elisa Barreto Xavier e de Ignácio Xavier. Nasceu em 1906 e faleceu em 1969.

NOTURNO SEM NENHUM CONTÔRNO

A côr que eu mais admiro é a côr dos olhos fechados;
desabrocha, estrela do mar – vermelha, como sangue do meu coração!
As curvas azuis se afogam no mar morto e se transformam em amores de fórmas completamente maternais;
os vinhos é que não são vermelhos, são é roxos, mas nada lúgubres nem conventuais
são é roxo, sinceros e graves até mais não poder;
desespêros florecem incontornáveis
com (grandes) deslumbramentos
com grandes ahs! diante da própria beleza
e se afogam também;
as proibições se possuem umas às outras
num delírio da côr da coragem;
os projetos se apagam, mergulham nas corolas de rosas enormes, enormes
as rosas não têm fim, não têm cheiro, a côr é completamente própria
e pensam, pensam
depois ficam de outras cores;
os sonos ficam de pé
e dansam sem pressa
com uma incompreensão completa dos rítmos despeitados.
ah! a única côr que eu gosto é a côr dos olhos fechados.

--Ch.Mai o935—

Obs. O poema está transcrito sem nenhuma correção.

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Friday, September 19, 2008

POEMAS BARRETO/XAVIER 40


LÍVIO BARRETO (1870 - 1895)

NOTURNO


Por estas horas da noite,
Lentas e misteriosas,
Quando dos ventos o açoite
Arranca um frêmito às rosas,

E, pensativas, as almas
Se elevam, calmas, piedosas,
Ao sonho, piedosas, calmas,

Do crisol das fantasias
Sobem átomos risonhos:
As pombas das utopias,
As andorinhas dos sonhos.

Amor! Amor! Se despertas
Doiram-se os cimos medonhos
Das penedias desertas.

Velhos amores murmuram
Dentro do meu coração;
São almas presas, procuram
Ao luar a redenção.

E vão (constância que admiro!)
Do sonho à recordação
E da saudade ao suspiro.

Deus a suprema coragem
Uniu à suprema dor:
Dá-me heroísmo a sua imagem
Mas, mata-me o seu amor.

E a alma de luta em luta
Morre de horror em horror
E de cicuta em cicuta.

Velhos amores! Estrela
Das brumas do meu passado!
Brilha na sombra o olhar d´ela
Tão nobre... mas tão magoado!

Cobrem nuvens a amplidão,
Chora o mar desesperado...
Silêncio, meu coração!

-94-

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