Wednesday, October 22, 2014

OLHOS CHAMEJANTES



Deitado no catre imundo ele tentava dormir já pelo começo da manhã. Tinha passado a noite toda tentando conciliar o sono, mas nada. Continuava acordado como se fosse em uma manhã de quarta-feira quando ia às compras. Subitamente aquela figura de branco com uma cobertura na cabeça onde apareciam somente os dois olhos verdes quase incandescentes surge à sua frente. Sorria, estou certo, apesar de a boca não aparecer através da burca. Ela fazia gestos que ele traduzia por: "Vamos nos encontrar quando você sair daqui." Então desapareceu tão cedo como lhe tinha aparecido. Ele nunca mais a viu. Mas deixou marcas profundas. Procurou-a nas redes sociais e nada. 

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Monday, October 20, 2014

SONHO COM MILENA - HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA - 389

Despertou após ter tido um sonho longo e inquietante e interrompido por diversas vezes. Ricardo nunca lembrava de seus sonhos, mas esse parece ter sido especial. Em resumo, ele sonhara com Milena. Quem lhe conhece pode logo deduzir como esse sonho podia perturbá-lo. Ele resolveu contá-lo para o amigo Zé do Adolfo que dividia inquietações com ele. Logo ao vê-lo disse: - Ouve este sonho, rapaz. E começou a contar: “A cidade tinha uma linha de VLT que passava em frente a Casa. Logo que o trem passou eu fui até a casa dela pedir alguma coisa e ficou claro que ela estava mesmo interessada em mim. Milena me oferecia algo, acho que uma fruta, talvez do sítio da família. Fiquei postado em frente a ela e vi o Raimundo, seu tio, empurrando uma bicicleta apanhar umas frutas deixadas antes por ela em cima de um montinho de tijolos. Ele falava comigo e me desejava boa sorte e ia embora para sua fazenda. Milena me dizia que seu Pai tinha machucado  a mão. Em casa minha irmã Cildinha me entregava um exemplar do Estadão, enrolado em um plástico transparente, que acabara de chegar; outros exemplares mais velhos estavam na Loja. Eu não deixava de pensar na Milena e pretendia ir viver, casar com ela.”

- Zé será que tu pode interpretar esse sonho? 

- Cara tu ta lascado; vai mesmo casar com a menina...

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Monday, October 13, 2014

HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA - 388 MAIS UMA TENTATIVA D´ELLA

Ella apareceu com um aviso, um pio que só ele ouviu. Foi mesmo? Nada mais? Há dias que, feito uma águia, ou seria uma coruja, ela circula por onde ele anda. Ora na subida do morro, ora na subida para o Castelo. Preparava um bote (?). Subitamente, ao pé do morro do Castelo ele sentado em um banquinho de pedra de Lioz, sente sua presença. Não há muita conversa. Ella diz o que tem a dizer e ele diz o que vai fazer, que providências vai tomar. Não é um diálogo tenso. Passa a tormenta e ele vai para o Hospital. O Doutor avisa para todos sobre os procedimentos que vai seguir. A sala é muito clara e limpa e ninguém a vê, somente ele. Lá para as tantas Ella, num vôo rasante entre a parafernália de tubos, fios, luzes e comandos ela chega ao seu ouvido e diz: -Gajo de sorte! Médico bom! Vais embora, mas eu te alcanço logo. 


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Thursday, September 25, 2014

ATÉ AS PEDRAS SE ENCONTRAM

Após alguns anos sem se visitarem, nem mesmo se verem pelos shoppings, eles se encontram na Beira Mar.
- Oi Zé há quantos anos a gente não se ver rapaz!
-Pois é Chico, e morando na mesma cidade...
-Mas é muito bom a gente se encontrar, afinal.
-Pois é, por isso é que se diz que até as pedras se encontram...
-E se encontram mesmo! Disse o Zé.
-E tu tem certeza que elas se encontram?
-Tenho, pois já vi acontecer!
-Como assim?
-Olha, eu tava na beira do Rio em pleno meio dia quando notei que uma pedra escura, um seixo rolado, assim de um meio quilo, estava subindo pela areia da margem. Quando eu olhei com mais atenção vi que uma outra pedra, um pouco menorzinha começou a subir e com uma pressa maior do que a primeira. Fiquei de boca aberta por algum tempo e dai eu vi a pedra escura que ja tinha subido a ribanceira pular em cima da que vinha chegando!
-E o que aconteceu Chico?
-Daí foi aquele papoco danado, pois as duas parece que se gostavam e se aninharam uma na outra por um bom pedaço de tempo até que elas ficaram todas meladas de uma gosma preta fedorenta.
-E...
-Daí eu fui embora.
-Cara que história!?



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Monday, September 22, 2014

ESCOLA DE ATENAS - HISTORIETAS DE SEGUNDA- FEIRA 387

Toca o celular e Romualdo logo se apressa a atender, pois é da redação. O Chefe diz que ele deverá se dirigir a “Escola de antenas” para fazer uma matéria sobre o “Velho professor”. O camarada vai falar para um grupo seleto e eles precisam fazer a matéria para sair no Jornal da Noite. Essa historia de antenas e rotativas, como ele sabe, é importante para o noticiário e pode ser interessante para o público.

- Tudo bem Chefe, diz o Romualdo. Tô indo.

Ao chegar na  tal escola ele encontra um monte de velhotes trajando (?) roupas esquisitas e fazendo uma grande algazarra. Não foi difícil localizar o “Velho professor”, pois ele começava a descer os degraus acompanhado de seu amigo Pato.

Foi aí que Romualdo se encrencou e perdeu a matéria. Querendo entrevistar logo o “homem” ele tropeçou no “Seu Diógenes” e o deixou estendido nos degraus. A luz apagou e foi a maior confusão, pois todos os alunos da Escola o puseram para fora aos berros.

 

texto chamada continuação do texto/postagem
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Thursday, September 04, 2014

O DENTIFRÍCIO

Raimundinha comprou um dentifrício do tipo recomendado por seu dentista; custou os olhos da cara, mas segundo o odontólogo esse seria o santo remédio para seus dentes cariados. Quando chegou em casa foi logo ao banheiro para usar o tal. Pegou a escova, também novinha em folha e espremeu pra fora o troço. Subitamente a coisa saiu do dentifrício e se espalhou pela pia. Foi aquela meladeira toda e Raimundinha tentou fazer voltar parte para o dentifrício. Qual o que, pois por mais que ela tentasse a bicha não voltava para o dentifrício. A meladeira continuou e a menina não soube o que fazer. Lembrou-se do Otávio e gritou:


- Cara vem me ajudar a botar essa coisa aqui no dentifrício!


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Monday, September 01, 2014

QUANDO CHEGA O CIRCULAR 2 - HISTORIETAS DE SEGUNDA- FEIRA 386


Sentado no banco à espera do ônibus  ele sente a aproximação dela que passa sem o notar. Assim ele pensou, mas ela lançou - lhe, em um momento quase infinitesimal,  um olhar de interesse.  Ele a seguiu até vê-la tomar o Circular 2. Depois, por dois dias, ele a esperou no mesmo lugar. Ela não apareceu. No terceiro dia ele chegou meia  hora mais cedo e ficou sentado, inquieto. Finalmente ela apareceu e dessa vez deu-lhe um sorriso. Ele apressou-se e a seguiu  quando o Circular 2 chegou. Sentou-se ao seu lado e puxou conversa: 
- Vejo que você tem um livro. Gosta de ler? 
- Adoro. 
- Qual  autor você mais gosta? 
- Ah! Gosto muito do Roberto Cury... 
- Eu também.



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Thursday, August 28, 2014

UM SER ESTRANHO

Era um ser estranho.  Usava calça clara de sarja,  camisa cor de vinho rosé,  sandálias de couro cru, e meias pretas. Tudo isso vestindo um corpo franzino, encimado por um chapéu tipo Panamá com uma fitinha vermelha. Usava óculos de aviador da Segunda Guerra. Muitas vezes portava bengala, sem ter necessidade de uma. Nos shoppings era conhecido  das atendentes dos cafés e lojas de roupas e sapatarias. Vivia nas livrarias e quando saia de uma delas, portando um indefectível  livro, os  atendentes - não se chamam mais caixeiros - olhavam para ele desconfiados. Estaria levando algum livro sem pagar? Ele olhava de um lado para o outro esperando ser abordado. Saia com um passo apressado, entrava no café ao lado e pedia um macchiato. 

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Monday, August 25, 2014

RAIMUNDINHO E A CASCA DE BANANA - HISTORIETAS DE SEGUNDA- FEIRA 385

Diz o Raimundim excitado:


- Seu Pedo eu ia na Rua Velha quando vi uma mota que vinha
de frente e queria desviar do carro Fit pequeno e de uma  Escana e aí obrigou eu a pular pra calçada da Casa Grande. Caí em cima duma casca de banana curuda e bati as costelas no mei fii. Depois de dar uns grito de dor e de ninguém olhar pra mim atender vi o chofer
do carro pequeno fugir e o da Escana continuar pra rua do Mercado. Logo apareceu uma viatura da PR  que ficou atrevessada
na rua em frente da Escana. Os guarda saltaro para intimar o paraiba chofer da Escana.  Ele desceu das alturas e encarou os guarda
dizendo que eles arribassem, pois nada tinha acontecido; ele ainda teve a caridade de dar cem reais pros dois. Para o motoqueiro ele ainda mandou consertar o pneu furado. Agora pra mim não deu nada e eu to com as costas doendo desde onte onte que foi o dia da batida. 

Seu Pedo disse: 
- História grande Raimundim. Toma vinte reais e vai logo comprar
um remédio pras costas! 


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Thursday, August 21, 2014

PRIMEIRA AULA DE FACEBOOK

Seu Manuel queria aprender a mexer no "face". Daí alguém indicou ao velhinho um curso de Facebook nas Faculdades Reunidas, la no fim da Santos Dumont. Ele pediu informações e a mocinha que o atendeu, pois só podia ser uma, disse para aparecer na segunda-feira e dai começavam as aulas. As aulas, cinco ao todo, custavam 500 reais. Ele seria bem vindo.
-Ta certo. Na segunda-feira ele foi e logo encontrou a sala. O professor era um rapazinho metido a sabido que distribuiu folhas de papel com o teor da primeira aula. Estava escrito:

PRIMEIRA AULA.

-Kkkkkkkkkkkkkkkkkkk!!!
-kkkkkkkkkkkkkkkkkk!
-KKKKKKKK...
-Parabéns!!!!
-Hummmmmmm
-nã! kkkk
-LOL
-Amei mt!!!!!!!
-Lindos!!!
-Lindas!!!
-Lindooooooooooossssss!!!
-Lindaaaaaaaaaassss!!!
-Kkkkkkkknkn
-...hehehe
-Bom diiiiaaaaa...
-Hahaha...
-Vooooooooooooooooolta meu amor...
-CHOOOOOOOOOORA
- HUMMMMMMMMMMMMMMMMM
UHSAAHUHAUAHUAUHAHAUHUHUSHSAUHSAUAHSAUHASUSHUAHUH
SAUAHSUASHAUHSAAHUSAHAUHSUSAHASUHAUHASUHAUSAHUAHU
SAHAUHAUAHAUSHSAUHUSAHSAUHSAUHSAUSAHUSAHSAU
-ownnnnnnnnnnnnnnnnnn
-aaaaaaaaaa!
-eeeeeeeeeeeiiiiiiiiiiiiiiiiiihhhhhhhhhhhh!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
-HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!!!!

FIM DA PRIMEIRA AULA.

-Ja leu Seu Manuel? Agora é só começar  usar na sua página!

-Tá certo, menino!

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Monday, August 18, 2014

REUNIÃO NO BOTECO DO NUNES - HISTORIETAS DE SEGUNDA- FEIRA 384


Eles  se reuniam no boteco do Nunes, numa travessa da Figueiredo Magalhães, perto da praia. Tomavam cerveja enquanto discutiam algumas ideias. A última delas era explodir alguns pilares da  linha 8 do metro. 
- Explodir pra que? Pergunta um.
- Ora, pra causar confusão, ma, dizia o cabeça chata. 
- Depois de feita a coisa a gente sai correndo pra se esconder. 
- Na certa alguém da turma vai ser preso e vai jogar a culpa na oposição. 
- Oposição a que, ma? 
- Podia denunciar logo alguém pra ser metido em cana. 
- Só que esse ai pode ser da nossa tchurma que vai devolver a  acusação dizendo que outro camarada da oposição original era participante.

- Eita, ma! Vocês gostam mesmo de confundir a gente! Merda!

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Thursday, August 14, 2014

O CARRO NOVO DO TOINHO


-Oi Mãe!
-Só agora Rosinete?  Isso é  la hora menina!? Onde tu tava criatura?
-Eu tarra dando uma volta com o Toim. Era pra mim mostrar o carro novo.
-E é preciso demorar tanto?
-Nóis demo uma volta pela Praia do Futuro e pela Bera Mar...

-E o carro Rosinete?
-Mãe o carro é lindo mermo! Tem até roda de liga de magnésio!
-Menina, o magnésio que eu conheço é o das pastilhas de magnésia bisurada.
-Mãe tu não entende de nada...

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Monday, August 11, 2014

BR X US OU US X BR - HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 383




-Eita! Agora é que são elas! Os US vão imitar o BR!
-Por quê?
-Lembra aquela fábula antiga?
-Qual?
-Aquela sobre uma guerra entre Pyndorama e US. Se  estes ganhassem Pyndorama continuaria a ser colonizada por eles e estaria tudo bem, o Império continuaria sua marcha. Mas, se acontecesse o contrário seria um problemão para Pyndorama, pois teriam de colonizar os US.
-Pois acho que não seria nada de problemão.
-Como assim?
-Pyndorama invadiria Maiami e outras praças com sacoleiros, Noviorque com churrascarias e negócios com ações em Uolistrite, Élei com atores do cinema nacional, Las Veigas à procura de caça níqueis,  Corolado, no velho oeste, com cavalos mangalarga e revólveres Taurus, Harvard a procura de socialistas,  e todo o Império à procura de Coca Cola verde e marijuana...
-E daí?
-E daí que a colonização dos US por Pyndorama não daria certo, pois ficaria em tudo por tudo como é agora e o Império do Demônio, contra todas as expectativas, continuaria por décadas ainda.
-Isso era o que a gente mais queria...

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Thursday, August 07, 2014

PAÍS DIVIDIDO


Anselmo pensava muito e achava que seu  país estava dividido. Ele andava muito preocupado com a situação caótica da saúde, entre outros setores. Para ele os serviços odontológicos estavam  muito precários, aliás, precários demais. Perguntavam-lhe: 
-E porque Seu Anselmo? Ele respondia com argumentos elaborados. 
-Veja você, botar um aparelho na boca, para ajeitar os dentes, custa pelo menos dois mil reais. Não tem quem possa pagar isso. Se você vai atrás de um cabo eleitoral ele diz que só pode dar mil reais. Quando você fala que vai procurar o povo do outro lado o tal cabo nem se incomoda: 
-Pois vai, home! Depois de algumas idas e vindas Anselmo diz para o cabo que vai aceitar mesmo os mil reais e diz:

-Olha camarada é só o meu voto, pois o da Fransquinha eu vou vender pra outro candidato. Os dois concordam que o país está mesmo dividido. Eles não têm dúvida.

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Monday, August 04, 2014

PYNDORAMA DA BEIRADA DO MUNDO - HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 382


Uma terra que vai desde a beira do mundo até o oeste de tudo aí esta Pyndorama. Plantas como jaboticabeiras, animais tipo antas simbolizam a nação. Ouro e prata não tem mais. Pyndorama é uma terra muito alegre e pacífica. Moacyr, nascido por ca tinha orgulho do país. Ele sabe que suas riquezas despertam a atenção de muitos. São países, capitaneados por estaduzunindenses, supostamente mais desenvolvidos, que suprem esta terra com cacarecos que fazem a alegria da população. Encoberto por essas ações o Império do Norte avança nas riquezas nativas. Terras aráveis, florestas, portos, estradas, hidroelétricas são cedidos provocando grandes prejuízos ambientais e econômicos. Programas de aculturamento cujas pontas de lança são escolas de línguas, o cinema, estações de rádio e televisão entre outros, provocam total dependência de nossa terra a normas do Império do Mal.
Moacyr imaginava poder liderar uma rebelião contra tudo isso. Mas isso parecia impraticável, pois a maioria das pessoas se deixava levar por chefetes inescrupulosos que se aproveitavam da falta de educação geral para manter a submissão ao Império. Ocorreu a Moacyr que ele poderia liderar um movimento que clamasse às populações dos eternamente espoliados que a duras penas ainda sobreviviam em Pyndorama: os afrodescendentes; os indiodescendentes e os descendentes desses dois aí. Ele contava também com a simpatia de muitos estrangeiros brancos e amarelos, simpatizantes da causa. Moacyr entusiasmou-se e passou a fazer contatos com autoridades de Pyndorama. Ele também apresentaria brevemente, em congresso, o resultado de seu trabalho. Sua iniciativa já tinha um slogan: “Abaixo o Império! O poder a todos os homo-descendentes de Pyndorama!”



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Thursday, July 31, 2014

O CARROSSEL

Saindo da Igreja, Carlão aproximou-se perguntando se conhecia o Mário. Não. Era do Lab? Nisso, Jorge vê Virna, séria, portando uma sombrinha colorida;  seu companheiro avisa que ela tem de ir para casa; a baixinha sorri e diz que vai casar com o bancário sobralense;  a bela dama fala que sua filha ganhou concurso de beleza; outra amiga confessa ter sido ele sua paixão; Roberto aproxima-se com dois bolsistas e tenta lhe dar cusparadas; o gaúcho sorri;  já é quase uma multidão e ele vai sendo envolvido; vê a menininha de cachos negros para quem fez versos sorrindo para ele;  girando loucamente aparece Dina, de Itaperuna, com seu colar de pedras reclamando da vida;  subitamente saem da Igreja, com seus sorrisos de frete, Anabolena e Anabilhar, as duas irmãs inseparáveis. De repente ele se vê na garupa da moto da doutora acompanhando os movimentos do carrossel. A festa ainda vai longe; olhando esse mar de gente ela sorri e diz:
- Deixa pra la...
Até hoje Jorge não conseguiu interpretar esse sonho.

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Monday, July 28, 2014

CHECK-IN - HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 381

Reinaldo acordou no meio da noite e tomou um susto. Lembrou que sua viagem de volta seria logo mais à tarde. Ainda não tinha feito o check-in e precisava preparar a mala. Levantou-se procurando o bilhete para confirmar o horário. Quando passou a vista sobre o documento verificou ser o voo somente no dia seguinte. Desconfiado ele lembrou ter marcado um encontro logo a sua chegada.  Esse encontro seria amanhã ou depois de amanhã? Achava que,  no final  acabaria perdendo o voo e o encontro. Reinaldo ligou para a companhia aérea.  Após muitas tentativas conseguiu falar com uma máquina. Esta informou que teria de ir até ao aeroporto e pedir a informação no balcão da companhia. Foi aí que sua neta de dez anos lhe disse:
- Vovô vamo fazer seu check-in eletrônico e daí a gente sabe com certeza quando que é mesmo seu voo. Dito e feito, os dois descobriram que o voo do velhinho seria no dia seguinte.




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Thursday, July 24, 2014

MAMÃE BATE NA BOQUINHA


Brincavam por toda a casa todos os dias. Era sempre uma correria danada, a procura um do outro.  Betinho sempre ganhava e Dito, dois anos mais novo, terminava a brincadeira chorando, seja por ter perdido, seja por ter batido em algum móvel que atrapalhava a correria. Nessas ocasiões ele xingava:
- Sua merda de cômoda! Sai do mei! Betinho,  mais experiente, dizia:
- Dito num diz nome fei senão a Mamãe te da uma palmada na boca. Isso era como jogar água na fervura.

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Monday, July 21, 2014

A MORADA DA CAATINGA - HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 380

A morada, afastada da cidade, era servida por muitos criados, de maioria negra, ex-escravos ou filhos ou netos de libertos que serviam aos patrões em tudo, a despeito da decadência generalizada. A mansão, isolada, foi mais ou menos protegida contra intrusos por algumas gerações. Entretanto, esses começaram a transpor os fossos e quebrar o isolamento das moças reclusas, que tocavam peças de Chopin, e liam romances de M. Delly ou mesmo obras “pesadas”, como as dos autores socialistas comuns à época. Alguns dos invasores, bárbaros e incultos, ganharam as moças com seu blá-blá-blá milenar, fácil e enganoso. Muitos pretenderam imitar os senhores, menos bárbaros, mas nunca conseguiram. Outros ainda se adaptaram às regras tradicionais se bem que a custos enormes. A morada, como era, deixou de existir. 

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Thursday, July 17, 2014

MISS


Com a cabeça abaixada ele mexia no iPhone, certamente no Face, a procura de algum post para curtir. Tomou um susto quando ela disse:
-Oi Seu Ricardo! O senhor por aqui? Seu Ricardo ficou mudo. Ele não soube o que responder. Ela então perguntou:
-Assustou-se? Desculpe... Ele continuava a mirar aquele rosto bonito. Sem saber o que dizer. Até que resolveu:

- Oi? Tudo bem?

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Monday, July 14, 2014

TALZINHO E SUA HERANÇA- HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 379


Preso em seu diamante Talzinho preocupa-se em voltar à vida. Seus companheiros terrenos fazem todo o possível para remediar essa situação angustiante. Galinha morta na encruzilhada;  ex-votos em Canindé e Juazeiro; consultas a videntes estabelecidas; cartas de tarô; até uma peregrinação a San Tiago de Compostela foi marcada para setembro próximo. Lá no alto, observando a cena, ele notava que sua turma poderia desaparecer caso não tomasse medidas sérias. Talzinho estava dando forças a seus aliados de agora, antigos opositores; o novo grito de guerra era “Nóis contra todo mundo”. Ele enviou uma mensagem pregando as novas ideias que, na realidade, não eram tão novas assim. Acompanhando a mensagem ele mandou enorme quantidade de uma substância especial. Essa droga, preparada por laboratórios nos Estadozunido, promovia a imediata adesão de antigos opositores a seus quadros. Além dessa nova substância Talzinho enviou instruções de como fazer coleta entre a riqueza local para financiar o partido durante o mandato de seu afilhado que ficara em seu lugar. Esse dinheiro seria também utilizado para a preparação de sua volta triunfal em outubro, afinal de contas toda sua gente era contra tudo e contra todos. 




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Thursday, July 10, 2014

Rosto da mulher através dos séculos





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O ANIVERSÁRIO DA TOINHA

Em qualquer reunião todos tocam a falar sobre os parentes e amigos que estão fazendo aniversário na data ou fizeram há pouco. Geralmente são mulheres que tomam a iniciativa. Nesta festa dizia uma:
-Pois bem!  Ontem foi o dia do aniversário do Tio Jotaeme, ele teria feito 101 anos!
-Eita! Pois é!  Ele nasceu em 13 e a mulher dele é mais nova, é Belinha o nome dela, não é? Ela vai completar, eu acho 93.
-E tu te alembra da Raimundinha? Ela se foi semana passada e só tinha 85.
-Era da mesma idade da Francisca!
-Amigona essa!
-E a Mariinha do Eduardo?
-Essa morreu ainda nova, no ano passado, tinha só 65.
-Ei! Quem quer bolo? Vamos cantar os parabéns! Gritou o Assis marido de uma delas, para o grupo das conversadeiras.
Todas se aproximaram da mesa onde estava o bolo da Toinha; era uma grande torta de morango com 89 velinhas. Essa torta fora comprada no bufe da Bárbara e custara uma fortuna. 




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Monday, July 07, 2014

ESCRAVOS DE AMARRAÇÃO - HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 378


O Coronel Hurst um escocês idoso, solteirão, tinha estabelecimento comercial em São Luís. Logo ao chegar de seu país fez grande fortuna em negócios com babaçu. Sua firma chegou a ter representantes em cidades portuárias próximas, como o Pará, Amarração e o Ceará. Além de sua dedicação ao comércio de babaçu ele tinha interesses na produção e comercialização de cera de carnaúba nessas províncias. O Coronel tinha também negócios com gado bovino, tendo montado grandes curtumes. Pouco tempo após ter chegado ele havia acumulado uma enorme fortuna representada por ouro,  terras, gados e escravos.

Certo dia ele recebe carta do Ceará informando que três dos escravos fugidos de sua fazenda em Amarração haviam sido presos. O Coronel Furtado avisa que poderá enviá-los para Amarração assim que o Delegado concluir o inquérito e o Coronel Hurst enviar dinheiro para cobrir todas as despesas. Incluindo aí o custo de cinquenta chibatadas que deverão ser aplicadas em cada um dos escravos. Ele terá que dar sua concordância por escrito e enviar tudo aos cuidados do Coronel Furtado. 


Logo a autorização chegou assim como o total de 90 mil réis que era o valor das despesas a serem feitas; aí estava incluído o preço do chicote novo que o Coronel Hurst queria que fosse entregue ao Chico da Maristela, seu amigão, para fazer o serviço.

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Thursday, July 03, 2014

INSTRUÇÃO CLÁSSICA - HISTORIETA




Abelardo sempre quis ser instruído, sabido, mas nunca tivera tempo de ler os livros certos, indicados por professores ou amigos ou mesmo namoradas, como Heloísa, que eram  instruídas e sabidas e tinham passado por essas experiências já no colégio. Por isso mesmo ele deixou escapar muitas oportunidades de ler e apreciar, ou não, os chamados clássicos. Ele se lembra das oportunidades perdidas em mergulhar nas obras dos gregos e romanos bem como dos clássicos como Dante, Cervantes, Santo Agostinho,  São Tomás de Aquino e centenas de outros. Enquanto, isso seus amigos, mesmo sem ter aquela vontade ou necessidade intelectual de imergir no mundo clássico, faziam sucesso com citações e observações passageiras sobre eles. Só muito mais tarde Abelardo descobriu que eles liam muito, pois se dedicavam a passar os olhos de relance em resenhas, resumos e a ler orelhas de centenas de livros desses autores importantes editados recentemente.  O resultado disso foi que ele, já um velho sem muitas aspirações intelectuais, passou a surpreender os amigos lendo com sofreguidão os mais diversos autores do mundo clássico esperando que, em futuro próximo (?) fosse recompensado por um entendimento melhor da Vida.

#Historietas #AbelardoeHeloisa #classicos




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Monday, June 30, 2014

O BODE E O JUMENTO - HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 377


A fim de traçarem planos para o desenvolvimento da região estava reunida, no auditório,  com o coronel maior a fina flor da politicagem local . O prefeito da cidade pediu a palavra e falou:

- Eu sou da terra do bode e apresento nossas reivindicações, as dele e as nossas, para que sua presença seja mantida e seu leite, isto é, o das cabras, e sua carne, agora dos dois, sejam cada vez mais aproveitados. 

Houve palmas seguidas pelo pedido do prefeito da cidade vizinha que queria se manifestar. A contragosto o coronel concedeu-lhe a palavra e ele falou:

- Eu sou da terra do jumento e peço, a todo custo, que se proíba sua extinção pelos atropelamentos diários nas estradas. Os coitadinhos têm que competir com os ônibus e as vans no transporte intermunicipal e não são respeitados. Além do mais, peço também que seja proibido o uso do nome jegue que se  da ao nosso querido jumento em outras partes da nação.

Mais palmas foram ouvidas.  O coronel virou-se para sua secretária de assuntos gerais e pediu socorro. A dama séria falou:

- Os bodes e os seus irmãos jumentos são importantíssimos e fazem parte da cadeia produtiva em muitos dos pequenos municípios deste Estado. Certamente o governo vai desenvolver ações para estabelecer um plano que ajude e contemple as reivindicações dos nossos amigos prefeitos. Podemos até criar um slogan: “O bode dá carne e o jegue transporta”.

Ouviu-se um coro de: “Jegue não, jegue não...) #historietas #jegue #jumento #cabra


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Thursday, June 26, 2014

CÁLCULO INTEGRAL


O professor dava aula de Cálculo e daí o Carlos Ribeiro, aluno aplicado e bem-comportado, levanta a mão pedindo para falar. O professor faz sinal de positivo e o rapazote levanta-se e pergunta:
- Professor Wesley eu queria saber para onde essa matéria vai levar a gente.
- Como assim Carlos?
- O Senhor só fala em abstrações matemáticas...
- Meu jovem o estudo do Cálculo é muito importante até mesmo para as Ciências Sociais.
- Mas eu acho que o Senhor dá esse cálculo sem fim e sem graça e esquece os problemas que afligem os milhões que não têm o que comer e nem onde morar. Não seria bom que a gente fizesse uma visita de campo a um desses locais ocupados por pessoas necessitadas, aqui perto mesmo, para avaliarmos, talvez até calcularmos, as condições precárias em que vivem as pessoas de lá?
- Carlos Ribeiro, é esse o seu nome, não é? Você é filho do sócio majoritário da Imobiliária RBS, não?
- Sim professor.
- Pois eu me proponho acompanhar vocês até esse local se você se comprometer a doar um terreno, dos muitos que seu pai deve ter, para que se construa uma vila para abrigar essas pessoas. Que tal?

Carlos Ribeiro sentou-se e não mais interrompeu a aula de Cálculo Integral do Professor Wesley.

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Monday, June 23, 2014

A COISA TA PRETA- HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 376

No tempo da Guerra todo mundo se interessava pelo que passava no "teatro de operações." Era nos campos do Velho Continente que se travavam as mais ferozes e decisivas batalhas entre aliados e adversários fascistas. Aqui se viviam tempos de insegurança e apreensão, pois ataques de comandos nazistas eram temidos por todo o litoral. Certo dia espalhou-se a notícia de que o Primeiro Ministro Churchill faria um importante discurso no Parlamento sobre o desenrolar da Guerra. Dizia-se também, infelizmente, que o discurso do grande homem não seria traduzido. E agora?  Temos que achar alguém que faça a tradução simultânea ou, na pior das hipóteses, faça um resumo ao final. Todos do grupo "Amigos da Democracia", comandados pelo Zé Maria, concordaram e logo chegaram ao nome do Professor Ernesto César para fazer o trabalho. Ele tinha um rádio de ondas curtas instalado em sua sala de visitas e isso facilitaria a empreitada.  Depois de muita conversa o Professor concordou em participar da reunião e fazer a tradução simultânea do discurso do grande estadista. No dia aprazado cerca de vinte democratas reuniram-se na sala do Professor em frente ao "capelinha" da Phillips esperando o discurso. O Professor César sentou-se em um banquinho bem ao lado do rádio quando a transmissão começou. Por entre os chiados e outros ruídos saídos do radinho nada mais se conseguia entender da fala de Churchill. No entanto, nada estava perdido, pois certamente o Professor César lhes esclareceria tudo ao final. Após quarenta minutos cessa a transmissão ultramarina e o ilustre professor volta o rosto para a plateia ansiosa e diz:
- Meus amigos o "homem" disse que a coisa ta preta!



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Thursday, June 19, 2014

OLHO GRANDE E VERMELHO


O relógio da igrejinha ao lado ainda não tinha batido as doze pancadas quando ele foi deitar. Só depois de ver se as portas estavam trancadas de verdade é que ele deitou-se mesmo. Fernando tinha muito cuidado, pois as portas de sua casa estavam caindo aos pedaços devido aos cupins e também não tinham resistência nenhuma a ataques por pessoas mal intencionadas.  Fernando dormiu e logo acordou com o barulho de alguém forçando a porta bem ao lado de sua cama. Através de uma fenda na porta onde ficava antiga fechadura ele viu que alguém o olhava com um olho enorme, vermelho. O moço deu um grande grito que acordou sua mulher ainda costurando na sala da frente. Ela veio e Fernando lhe disse:
- Olha mulher vamos ter de trocar essas portas, pois elas não têm nenhuma segurança. Ele foi deitar-se novamente e logo dormiu. Um pouco depois viu o mesmo olho olhando para ele; era o olho de uma antiga empregada deles. Na certa ela queria fazer um susto ou mesmo entrar na casa arrombando a porta ao lado de sua cama. Novamente Fernando gritou e disse:
- Mulher traz a pistola! Não, traz logo o fuzil que já tem bala na agulha!  Sua mulher acordou com o enorme grito e chegou pra ele dizendo:
- Toma esse copo de leite e bebe que você dorme logo.



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Monday, June 16, 2014

VELHINHAS E SUAS VELINHAS - HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 375



Nenhuma de suas amigas velhinhas  presentes queria soprar as muitas (quase cem) velinhas de seu bolo de aniversário. Umas porque tinham receio de lançar suas dentaduras sobre o glacê branco e as próprias velinhas provocando um apagão passageiro, antes da hora, mas certamente constrangedor. Outras temiam lançar perdigotos sobre o belo bolo e talvez contaminar a delícia com animálculos residentes em suas bocas e demais vias aéreas. Eis que uma delas, afoitamente, assume o sopro, o sopro da partida, ou como algumas disseram o sopro do final. Todo mundo vê o esforço que ela faz e o temor que apresenta em seu rosto escavado ao preparar-se para isso. Por fim o sopro final e a escuridão total para a aniversariante que tem nictofobia (condição atestada por seu psiquiatra).

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Monday, June 09, 2014

HORIZONTE PRÓXIMO - HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 374


Esta estava sendo uma caminhada interminável para Azam, o filho mais novo da família Issui. Mas, após ter galgado muitos montes e descido muitas colinas repletas de obstáculos, alguns quase intransponíveis, ele encontrou-se em uma planície, aparentemente quieta. Azam conseguia ver adiante um rio correndo vagarosamente. Para esse rio ele se encaminhou e, após pouco tempo, encontrou um local tranquilo às suas margens. Sentou-se, pôs o cajado de lado  e comeu alguma coisa tirada da sacola. Após algum tempo cruzou o rio e logo retomou incansável, sua marcha. Encontrou ainda, pela frente, outros obstáculos difíceis de transpor, mas ele os encarou com tranquilidade. Azam venceu grandes distâncias e, finalmente, encontrou um local calmo à borda de uma floresta. Aí ele fez, novamente, uma parada e conseguiu repousar dormindo sem cuidados. Seguindo viagem novamente, ao fim de algum tempo, ele se deparou com outra planície sem qualquer sinal de atividade. Fitando o horizonte Azam não conseguia ver os limites dessa planície. Aí ele permaneceu por muito tempo esperando algum sinal que lhe indicasse ter sua caminhada chegado ao fim. A espera foi longa, mas não poderia ser interminável, ele sabia.



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