Thursday, July 30, 2015

REUNIÃO NA SAVANA


O chefe resolveu convocar reunião para sábado. Todos sabiam que o sábado  e o domingo eram dias apropriados para essas reuniões tão ao gosto do Homo sapiens. Na quinta fizeram uma lista dos que seriam convidados. Se não me esqueço de alguém aí vai a lista encontrada recentemente na Caverna do Pau Fininho por uma equipe de Harvard: Homo habilis, H. erectus, H. ergaster, H. floresiensis, H. neanderthalensis e outros mais. O chefe lembrou que a comissão não deveria esquecer Lucy, representante dos Australopithecus afarensis, que morava na Etiópia e gozava de muito prestígio e de sua amiga brasileira Luzia, de Lagoa Santa.
E qual a finalidade da reunião, logo em um sabadite e um dominguite? Perguntaram alguns.
Após alguma discussão ele revelou estarem passando por uma evolução acelerada. Acelerada? Perguntaram todos.
Daí ele falou:
- Há muita pressão de Melle e isso provoca uma maior atividade de Elle. Sendo assim será preciso ensinar alguns truques aos nossos companheiros para eles se livrarem dessa ação deletéria das duas.  
Também temos pressa. Talvez a indicação de alguns tópicos seja suficiente. Como:
1. Muita emoção resultando em crises de choro por qualquer motivo tolo, principalmente por parte das fêmeas,
2. Agressividade pela falta de atendimento a seus pedidos de utensílios, como machados,
3. Famílias inteiras que se desfazem por motivos simplórios,
4. Receio de enfrentar as travessias para o Norte e o frio consequente,
5. Medo de doenças e procura de curandeiros não diplomados.
Tudo isso provoca esse desequilíbrio que vemos atualmente. É preciso, portanto, tomar providências. Essa reunião será o inicio de uma revolução nos nossos costumes.
21:48 27/06/2015 332 palavras (Para Luana)




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Wednesday, July 29, 2015

REFRESCO DE ABACAXI


Ele pergunta a mocinha em visita a sua morada:
-Você gosta de cappuccino? 
-Sim. Gosto muito. 
-Eu também gosto. E de que mais você gosta? 
-Eu não saberia dizer, são tantas as coisas boas. Como um suco de abacaxi bem geladinho. Mas gosto muito de crianças. Meninos e meninas. Mais de meninos. Assim da  minha idade.
-E quanto anos você tem? 
-Só vinte e quatro. 
O velho virou-se para dentro de casa e falou:
-Dona Luiza traga um refresco de abacaxi aqui para a mocinha!


29/7/15 19:53 88 palavras

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Tuesday, July 28, 2015

O DOUTOR ALZHEIMER EM AÇÃO


Ainda outro dia aconteceu uma coisa interessante com ele. Tirava um cochilo antes do almoço e, talvez depois de uns dez minutos de descanso acordou com um sobressalto e olhou para o relógio. Este marcava 11:55. Daí ele deu um pulo e saiu gritando para os lados da cozinha:
- Já é meia-noite? Eu já jantei?
Como esse Roberto passou por diversos episódios de esquecimento, como o do nome da moça secretária de um amigo. Há um mês ele vai ao escritório do amigo para tratar de assuntos particulares. No primeiro dia ele foi atraído pela pessoinha e perguntou-lhe o nome. Ela falou:
- Angélica.
E era mesmo angelical. Dez minutos depois  ele saiu e ao despedir-se da moça disse:
- Até logo Patrícia.

Ela ficou tiririca! E com razão! Agora veja: o que Patrícia tem a ver  com Angélica? Ele tem certeza que o Prof. Alz esta rondando sua alma querendo, na certa, trazer Elle da próxima vez.

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Sunday, July 26, 2015

SEUS SONHOS ERAM UMA MIXÓRDIA


Ela era "danada", como diziam parentes e amigos. Não no sentido do vocábulo originado do latim de  amaldiçoado, perverso, ruim, aquele que foi condenado ao inferno. E por  que  a chamavam assim, algo de pejorativo, por si só, já maldoso? Na realidade era com carinho que todos diziam que ela era "danada": ela sabia de  tudo sobre a família, se metia em tudo, dava opinião sobre tudo. Terminava, sem muito cuidado, por ficar antipatizada por muitos. Agora essa sua "danação" tinha uma faceta interessante, pois ela  sonhava e sonhava muito ao mesmo tempo, assim dizia. Sonhava com muitas pessoas: parentes, ex-namorados, conhecidos e desconhecidos de tempos antigos e recentes. Era uma verdadeira mixórdia. O mais interessante é que ela contava para alguns serem esses sonhos todos embolados. Chamemos assim, embolados, pois ela sonhava com muitas pessoas ao mesmo tempo e acordava exausta, pois tinha de dar conta de todas as conversas que tivera com todos durante o curto espaço que levava, à noite, para sonhar.
Fortaleza 25/7/15; 18:41 ; 167 palavras. Para Edna




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Saturday, July 25, 2015

JANUÁRIO E SEUS DEFEITOS



Ele era um caboclo forte como o pai. Mas, quem o conhecesse lembraria logo de sua mãe, uma verdadeira dama, como aquelas cujos retratos apareciam nas revistas estrangeiras. Agora ele tinha muitos defeitos e algumas qualidades. Dois desses, pois andavam sempre em dupla, eram odiar muito e gostar demais.

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CAFÉ COLOMBIANO

Na livraria ele mantinha sobre a mesa do café os livros que acabara de folhear. Não pretendia comprar nenhum deles, mas gastava seu tempo sorvendo um cappuccino colombiano recomendado por sua filha, enquanto passava as folhas de um bonito volume. Súbito aproxima-se O Intelectual, e apontando para um dos livros pergunta:
- Você gostou desse livro sobre Fortaleza? Ele mesmo aduziu: - É muito bom. Não acha?
- Ainda não o li; só fiz folhea-lo. Tem fotos lindas. E você? Gostou?
- Adorei.
- E ja o leu?
- Não. Mas vou fazê-lo logo.

 - Ahn! Disse o tomador de café. Então ta... E continuou a degustar seu café.

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Thursday, July 23, 2015

JANUÁRIO E OS GONZOS


Havia uma casinha no meio dos matos que ele nunca havia notado. Januário apeou do cavalo, subiu ao alpendre e abriu a porta. Entrou com os gonzos fazendo um barulho de ferrugem. Quando fechou a porta sentiu uma vontade enorme de sair para ouvir os gonzos novamente. Resultado é que não viu sentada em uma cadeira uma jovem exuberante que, certamente, esperava por uma palavra sua. E lá fora o sol cegava seus olhos. 

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Wednesday, July 22, 2015

DESCIDA DA SERRA - HISTORIETA


Eles desceram a Serra no carro preto novinho em folha. Pararam no primeiro restaurante que encontraram para ir ao banheiro. O velho, ao passar em frente ao um grupo de quatro homens fortes, se bem dizendo homens de ferro, viu um sinal que um deles fazia  em sua direção e cochichava para os companheiros de  mesa, indicando-o. Como não o conhecia julgou que ele estivesse querendo puxar conversa ou outra coisa. Mais que depressa o velho encarou o sujeito e perguntou: 
- O Senhor me conhece, deseja alguma coisa? O camarada nada disse, mas apontou para o seu chapéu tipo Panamá e disse:

- Eita que chapeuzinho esse  seu, hein? O velho olhou para os quatro  que, agora riam. E foi ao banheiro de onde voltou, depois de urinar quando molhou as mãos de urina, sem lavá-las em seguida. Ao passar pelo grupo estendeu a mão para todos que o saudaram com um aperto de  mãos agora mijadas. 

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Tuesday, July 21, 2015

SABADITES E DOMINGUITES CRUÉIS



Foi quase no meio da noite do Terceiro "sabadite" de Julho. Fazia um tremendo frio puxado por um vento forte. Ele sentou-se em sua cadeira de braços na varanda da casa e dormiu por 20 minutos. Isso foi o suficiente para quase lhe causar um sério problema. Acordou com um terrível mal estar e sentindo um frio de arrepiar. Foi preciso chamar seu escudeiro para ajudá-lo a levantar-se. Por meia-hora ele lutou contra um enregelamento de seu peito desprotegido. Foi somente no início do Quarto "dominguite" que se seguiu que ele ficou bem, após tremer por todo o corpo por mais de 40 minutos. Foi  nessa ocasião que ele enregelado ainda, tomou decisões simples para tentar viver os 22 anos que o Vitinho lhe previu. Vamos ver.

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CLIDERICO E SEUS AMIGOS


O amigo Oscar lhe dizia:
- Cliderico o negócio é o seguinte. Se tu tá afins de alguém tu dá uma cantada; ela não cai na tua. Mas tu repete até nove outras e se pelo menos uma delas cai na tua conversa tu já ganhou o dia...

Era um "sabadite" daqueles. O amigo olhava pra ele sentado em sua cadeira de balanço na varanda da casa da Serra ao sol das dez horas e balançava a cabeça e notava seu ar de incredulidade  e meio de esperteza. Daí Cliderico ouve o motor do carro roncar e passarem por sua cadeira os amigos Walte e Xico e Oscar os segue sem despedirem-se dele. Ele dá um sorrisinho amarelo e fecha os olhos. Eles talvez voltem para o almoço diz Dona Luiza; daí o Senhor sabe das novidades. 

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Sunday, July 19, 2015

JANUÁRIO VAI À PESCA

Pescar com bomba de dinamite era o seu fraco. Assim parecia. No domingo Januário saiu em seu barco, pretendendo jogar umas bombas no Poço Fundo, bem no meio do rio. A cada remada com o braço esquerdo, ele avançava um pouco e quando passava o remo para o braço direito e puxava a água, ele sentia, então, que voltava um pouco. Quando deu meio-dia, ele observou que não havia saído do lugar.  


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Thursday, July 16, 2015

VOVÔ FELIZ

Para Otamar

Há manias e manias, hábitos e hábitos, costumes e costumes. Entre  eles, um desses,  estabelecido fortemente era o de apaixonar-se por uma garota ainda inúbil, assim como uma Lolita, digamos tropical.
Romildo escolhia a candidata e a envolvia  entre suas redes de pesca bem postas. Para isso ele usava de artimanhas que, sempre davam certo. Dar mimos atraentes e caros, geralmente de prata ou ouro; esse o preferido. Ele especializou-se em dar livros, livros  a granel de autores nacionais e de fácil digestão. Ao fim do período da conquista ou incubação ele estava com a Lolita pronta para levá-la ao cinema, ao restaurante, ou a uma simples cafeteria.
Nesse momento amigos como o Ricardo ou o Jorge o alertavam sobre os perigos dessa abordagem. Com a idade que tinha, depois de pouco tempo, as pequenas Lolitas verificavam que o velho Romildo estaria fora de circulação dentro em breve. Além disso, elas sempre teriam uma reserva técnica de garotos de sua idade esperando pela autorização dos pais para conviverem sob o mesmo teto e iniciarem sua própria produção.
Nesse momento de verdade Romildo era afastado para assumir sua posição de vovô feliz.

23:13 25/06/15 - 195 palavras

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SABADITE E DOMINGUITE


Por que não falar "trágico" quando alguma coisa assim trágica acontece? Quando Evonildo folheou sua agenda preta ele notou que o dia da semana marcava "quinta-feira" e que  o próximo dia seria "sexta-feira" e o próximo então seria "sábado' e o próximo seguinte seria "domingo". Estes dois dias, sábado e domingo foram criados, quando das reformas do calendário por Julio César e pelo Papa Gregório XIII, gente importante, bem mais do que Evonildo. A esses dias foram atribuídas qualidades especiais. Em certos círculos eles ficaram conhecidos como "sabadite" e "dominguite". Em Latim, "Saturni dies" e "Dies Domenica".  Sua criação foi patrocinada por Melle, a grande atriz oitocentista, e por seu Mestre, o Dr. Freud.
Para Evonildo tudo, mas tudo, tudo de ruim acontecia em sabadite e dominguite. Ele nunca se habituou a esse sistema de nomenclatura. Até que um dia ele, no fim de um sabadite de julho de 2015 ele escorregou nas pedras do Canion do Itacolomy e nunca mais foi visto.
A tradição de  sabadite e dominguite permaneceu por muitos anos na região.

Para Ismael e Lira no Paula Pessoa.

16/07/15 08:40 175 palavras

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Tuesday, July 14, 2015

DIA FELIZ


-O que é um dia feliz? Perguntou JR.
-Não sei lhe dizer Senhor, respondeu-lhe seu interlocutor.
-Será aquele que você não tem contrariedades?
-Talvez, retruca JR.
-Ou então pode ser o dia que você vê se realizarem seus sonhos...
-Taí. Gostei dessa definição.

14/07/15 20:10 46 palavras. Para Lih Tim

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MELLE ESTÁ SE ESTABELECENDO

 (Para Elisângela)


Ao fim de um ano inteiro ela começa a notar que seu amigo está perdendo o equilíbrio. Como assim? Perguntam e ela diz:
- Eu não sei. Só sei que ele fica trancado no quarto e não sai.
- E você  sai com ele quando pode?
-Não. Ele quase não ouve mais. E eu não quero ter pena dele. Isto é algo que o incomoda muito. Até poucos meses ele tinha ódio do que sabia iria acontecer.
- Ele ainda escreve?
- Sim! Ele está escrevendo uma história da colonização da Granja. E diz que vai publicar e com uma capa linda e bem colorida com figuras de índios, jaguatiricas, lagartos gigantes... Nessas horas dá uma alegria danada nele.

Fort  22:23 12/07/15  126 palavras

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Sunday, July 12, 2015

HISTORIETA CURTA (série nova)


(Para Lira)
-Seu Zé você tá gordo ou doido?!
-Eu? Não!
-Dern´a  última vez qui eu lhe vi você tá mais gordo... E parece que mais doido...
-O negócio é que eu estou sendo comido por dentro. O amigo vê só a casca! Por fora é só doidice.


Fort 16:50 11/6/15 - 48 palavras

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DESISTÊNCIA (série nova)



(Para Lih Tim)

-Tá desistindo de que home?
-Ora tu sabes!
-Não acredito nisso...
-Pois é!
-E quando foi?
-Agora mesmo...
-De novo não acredito camarada...
-Pois é!
-Sim. Pois é, pois é, pois é... E fica nisso...
-Tá bom. Mais uma dose tripla de Ballantine´s e eu te digo...
Tomada a dose ele fala solenemente:
-Vou me mudar pra  Serra...
-Assim, sem mais nada?
-E é preciso  home? Tenho que ir, pois de outro modo quem vai cuidar das estrelas do céu lindo de lá?
-Tá doido home?! (Será Melle?).
Fort 17:07 11/7/15 - 89 palavras

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Saturday, July 11, 2015

HOJE NÃO (série nova)




-Hoje não! Por favor!
-E porque não?
-E num é o aniversário dele?
-E daí! Ele tem que se acostumar com essas coisas!
-Cara tu ta te acabando já. Não precisa essa pressa!
-Tá bom, então. Logo pela manhã tu vai procurar Elle e mostra a porta da casa. Pode deixar o resto comigo.

Para JR - Fort 17:31 11/7/15 - 56 palavras

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Tuesday, July 07, 2015

PADRE PIERRE

PADRE PIERRE 
Para JXN

JR, JC, e JX, amigos de infância, formam um grupo de carteado e sempre perdem para os amigos no bar do Quelé. Eles não sabem o que fazer com as cartas que tiram no baralho e se embaralham mesmo. O assunto nestes encontros era sempre as garotas, apesar de nenhum deles ter tido sucesso com elas. Certa ocasião, durante o jogo, eles discutiam sobre elas. Sua experiência era mínima e acreditavam que morreriam sem encontrar seu par. Como eram todos católicos eles resolveram pedir auxílio ao Padre Pierre, desse tipo de padres da atualidade que gostam de gravar música sacra profana. Acontece que o Padre também tinha pouca experiência ou quase nenhuma no assunto e deu-lhes conselhos do tipo:
1. Olhem somente o necessário (?);
2. Fixem seus olhos nos delas sem invadir partes outras dos corpos;
3. Troquem poucas palavras;
4. Deem presentes simples, mas úteis como celulares ou mesmo roupas de que precisem ou não;
5. Não tentem descobrir onde moram;
6. Não perguntem como se deslocam para o emprego;
7. Perguntem que perfume usam no dia a dia;
8. Descubram se gostam  de tirar as sobrancelhas;
9. Investiguem se gostam de camarões, ou outros frutos do mar;
10. Investiguem também, e isto é importante, se apreciam vinhos;
- Se "acertarem" até sete dessas questões importantes seu sucesso entre as meninas está garantido, disse o Padre.
- Como você sabe disso tudo e nós não temos a mínima ideia de  como abordar ou tratar uma garota...
- Rapazes, esse é um grande problema! 

E foi embora rezar sua missa.

06:15 - 22/06/15 265 palavras

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VOVÔ FELIZ - HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 427

VOVÔ  FELIZ - HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 427
Para Otamar que diz: -Volta JR para as Historietas

Há manias e manias, hábitos e hábitos, costumes e costumes. Entre  eles, um desses,  estabelecido fortemente era o de apaixonar-se por uma garota ainda inúbil, assim como uma Lolita, digamos tropical. JR ficava a cargo da escolha da candidata e seu envolvimento  entre suas redes de pesca bem postas. Para isso ele usava de artimanhas que, sempre davam certo. Dar mimos atraentes e caros, geralmente de prata ou ouro. Mas ele especializou-se em dar livros, livros  a granel de autores nacionais e de fácil digestão. Ao fim do período da conquista ou incubação ele estava com a Lolita pronta para levá-la ao cinema, ao restaurante, ou a uma simples cafeteria, para um cappuccino.

Nesse momento amigos, como Ricardo ou Jorge, o alertavam sobre os perigos dessa abordagem. Com sua idade, depois de pouco tempo, as pequenas Lolitas verificavam que o velho JR estaria fora de circulação. Além disso, elas sempre teriam uma reserva técnica de garotos de sua idade esperando pela autorização dos pais para conviverem sob o mesmo teto e iniciarem sua própria produção.

Nesse momento de verdade JR se afastava para assumir sua posição de vovô feliz ou discípulo de Vulcano e Baco.

23:13 25/06/15 - 200 palavras

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Friday, July 03, 2015

O FIM DA CAPITALIZAÇÃO CONTINUADA


JR foi deitar tarde. Por muito tempo não conseguiu dormir e foi preciso tomar um comprimido para conciliar o sono, apagar. Também pudera ele havia jantado com a menina que tinha se tornado o tudo para ele. Risos de alegria, traduzindo uma felicidade, mesmo que fosse passageira. Há meses ele já tinha resolvido que a amava muito, apesar de inúmeros percalços. Enfim. Após algum tempo, longo, ele conseguiu conciliar seu sono com suas esperanças agitadas e dormiu. Acordou no inicio da manhã com o chamado de seu amigo pedindo para leva-lo até o Terminal próximo. Mais que depressa ele se troca e os dois saem. O "Pretinho" volta e ele começa a sonhar, no começo um sonho bom, lindo. Como adorava Bach era só o que se ouvia no ambiente e logo mais os acordes iniciais de um dos Concertos de Brandeburgo. JR ficou tão enlevado e se perdeu em sonhos atuais, vivências anteriores e sempre sonhos de eternidade. Subitamente, cruza a rua em que ele seguia um enorme carro de cor indefinida que não para ou diminui a velocidade. JR sente que havia chegado sua hora e que ele havia perdido o pouco que havia conseguido na noite anterior resultante da capitalização continuada.
10:00 03/07/15 209 palavras

Para Elisângela.

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Tuesday, June 30, 2015

FELICIDADE ETERNA

FELICIDADE ETERNA
Para o José

Dizem que, para ele, não há uísque, cachaça, absinto, vinho, - branco ou tinto -, Cabernet, Merlot, Romanée Conti - ou qualquer outra bebida que se compare com o escrever umas poucas e bobas linhas sobre acontecimento pitoresco ou não,  que tivesse sucedido com ele. Por exemplo: a mosca no café, os sonhos fantásticos e alguns nem tantos, os chistes reais, tudo o que seja bobagem acumulada por ele ao longo desses quase cem anos de vida boba. Ele poderia ter sofrido a maior decepção e, logo que começava a digitar no Evernote ou no Word e as palavras saiam com a coerência que ele queria ai sim: uma lapada do "The Famous Grouse" completava sua felicidade já quase eterna.

11:14 29/06/15  122 palavras

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A PONTE


Ela criou uma tremenda ojeriza a ele. O porquê disso nunca ficou esclarecido, mas em sua casa, escondida dos pais ela se contorcia de dor e remorso por ter sido tão brutal com o vellhote. Afinal ele não tinha nenhuma culpa de ter nascido no meado e ela no fim do século XX. Como sempre ele sabe a razão de tudo e não se importa mais. Para ele a vida não é mais tão bela, mas sempre um chorozinho aqui, um uisquinho ali, a visão de uma mulher bonita, de uma neta linda, de outro neto ainda mais sabido, não chega a compensar, mas também ainda não é motivo para pular da ponte.

08:19 30/06/15 134 palavras

Aos não tão velhotes do tipo Humbert Humbert.

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Monday, June 29, 2015

NA LIVRARIA DO SHOPING

NA LIVRARIA DO SHOPING
Para Beatriz
Jonas foi até a livraria "Book way" do Shoping Central. Passou os olhos no estande de livros novos e viu logo o "número Zero", de Umberto Eco. Pegou o pequeno volume e, sentado em uma das poltronas, começou a folheá-lo. Após 10  minutos estava dormitando. Acordou com o ruído da máquina de café. Levantou-se e foi pra casa. No dia seguinte volta a "Book way" e procura, mas não encontra o livro de Eco. Decide-se pelo volume 1 da "Cidade de Deus", de Santo Agostinho. Achou-o interessante e, sentado na mesma poltrona, descobre-se dai a pouco acordado pelo roçar do vestido de uma senhora que passava. Foi embora e voltou dois dias depois. Dessa vez ele entrou na livraria do "Bom caminho", especializada em obras de autoajuda. Resolveu pegar um livro de Alberto Cury e, só ao folheá-lo, sem mesmo ler coisa alguma, caiu num sono profundo. Acordou pela chamada da Maristela, a vendedora sua conhecida. Ela dizia ja serem 22:00 e se ele não desejava ir pra casa:
- Eu chamo um taxi para o Senhor.
- Ta certo! Obrigado minha filha.

21:14 27/06/15 189 palavras



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Sunday, June 28, 2015

SONHO REPETIDO 1 - Dedicado a Lih Tim

Embora não parecesse, ele se preocupava com sua idade crescente e as consequências disso. Em certa ocasião, ele com quase oitenta anos conheceu uma jovem muito bonita e cheia de vida. Sua juventude - ela tinha vinte anos - era um empecilho a uma aproximação maior entre os dois. Após muita conversa e planos os dois, de comum acordo, decidiram pedir ajuda a Nossa Senhora dos Amores não Resolvidos para ajudá-los. A ideia era pedir para ele o retorno rápido a uma idade próxima aos maduros quarenta anos e para ela um salto lento para os juvenis vinte e oito anos. O encontro se daria sobre a Ponte dos Suspiros onde o trem bala em que ele viajaria encontraria com o bonde velho em que ela seguiria para seu futuro. Enquanto isso fogos subiriam aos céus onde espocariam numa profusão de cores e sons.


21:05 26/06/15 151 palavras

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A MOSCA


JR, aliás, JX, aliás, JC, tinha acabado de acordar de seu sono de 15:00 (estranha escrita...) e pediu um cafezinho simples à Fransquinha. Ele estava no Forte e preparava-se logo para uma longa viagem para a Batuba.
- Chica eu queria uma xicrinha de café. Pode ser?
- Sim! Dr. Vou já passar um bem quente... Passado o café ela põe a bebida bem escura, assim como ela, e bem quente e o chama:
- Pronto Doutor... Ele senta-se a mesa, na cabeceira, lugar de seu Pai, mas agora sempre ocupado por ele. Pega a xícara com carinho, pois devota um amor especial ao Moka, mesmo que seja "3 corações" e não ainda um "Nespresso", põe um pouco de açúcar cristalino e passa um tempão enorme girando a colher para, mais do que adoçar a bebida de ancestrais árabes, dar-lhe tempo de pensar na sua vida de merda. Cansado dessa operação ele leva a pequenina xícara à boca e delicia-se com a bebida de gosto excepcional. Sempre pensando em sua vida, deixada para trás, ele vai sorvendo aos pequenos goles a bebida preta, doce e ainda quente. Lá pelo fim, avalia agora, ele sente alguma coisa sólida e a traz para a boca, para a região dos incisivos e "trabalha" o pequeno sólido com a língua, jogando-o de um lado para o outro, chupando-o com prazer. Cansado de não sentir a dissolução da "pedrinha de açúcar" encontrada em seu café ele aproxima os dedos indicador e polegar da mão direita e traz o "objeto" para o ar. Observa daqui, dali, gira e vê aquela massa ainda com forma apresentando finas garras e um corpo ainda resistindo às rodadas forçadas pela pequena colher no seio do líquido. Ele não precisa de nenhuma lupa para descobrir que se trata do cadáver de uma mosca. Sua reação não foi de susto ou raiva ou ódio, pois atualmente ele é uma pessoa do bem. Só faz o bem. Tomando o pequeno cadáver, levantou-se, foi ao vaso sanitário e jogou-o sobre a água usada e deu uma descarga reforçada. Como se preciso fosse.
10:09 28/06/15 351 palavras

Ofereço essa bobagem a Chica. 

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