Friday, July 03, 2015

O FIM DA CAPITALIZAÇÃO CONTINUADA


JR foi deitar tarde. Por muito tempo não conseguiu dormir e foi preciso tomar um comprimido para conciliar o sono, apagar. Também pudera ele havia jantado com a menina que tinha se tornado o tudo para ele. Risos de alegria, traduzindo uma felicidade, mesmo que fosse passageira. Há meses ele já tinha resolvido que a amava muito, apesar de inúmeros percalços. Enfim. Após algum tempo, longo, ele conseguiu conciliar seu sono com suas esperanças agitadas e dormiu. Acordou no inicio da manhã com o chamado de seu amigo pedindo para leva-lo até o Terminal próximo. Mais que depressa ele se troca e os dois saem. O "Pretinho" volta e ele começa a sonhar, no começo um sonho bom, lindo. Como adorava Bach era só o que se ouvia no ambiente e logo mais os acordes iniciais de um dos Concertos de Brandeburgo. JR ficou tão enlevado e se perdeu em sonhos atuais, vivências anteriores e sempre sonhos de eternidade. Subitamente, cruza a rua em que ele seguia um enorme carro de cor indefinida que não para ou diminui a velocidade. JR sente que havia chegado sua hora e que ele havia perdido o pouco que havia conseguido na noite anterior resultante da capitalização continuada.
10:00 03/07/15 209 palavras

Para Elisângela.

Leia mais!

Tuesday, June 30, 2015

FELICIDADE ETERNA

FELICIDADE ETERNA
Para o José

Dizem que, para ele, não há uísque, cachaça, absinto, vinho, - branco ou tinto -, Cabernet, Merlot, Romanée Conti - ou qualquer outra bebida que se compare com o escrever umas poucas e bobas linhas sobre acontecimento pitoresco ou não,  que tivesse sucedido com ele. Por exemplo: a mosca no café, os sonhos fantásticos e alguns nem tantos, os chistes reais, tudo o que seja bobagem acumulada por ele ao longo desses quase cem anos de vida boba. Ele poderia ter sofrido a maior decepção e, logo que começava a digitar no Evernote ou no Word e as palavras saiam com a coerência que ele queria ai sim: uma lapada do "The Famous Grouse" completava sua felicidade já quase eterna.

11:14 29/06/15  122 palavras

Leia mais!

A PONTE


Ela criou uma tremenda ojeriza a ele. O porquê disso nunca ficou esclarecido, mas em sua casa, escondida dos pais ela se contorcia de dor e remorso por ter sido tão brutal com o vellhote. Afinal ele não tinha nenhuma culpa de ter nascido no meado e ela no fim do século XX. Como sempre ele sabe a razão de tudo e não se importa mais. Para ele a vida não é mais tão bela, mas sempre um chorozinho aqui, um uisquinho ali, a visão de uma mulher bonita, de uma neta linda, de outro neto ainda mais sabido, não chega a compensar, mas também ainda não é motivo para pular da ponte.

08:19 30/06/15 134 palavras

Aos não tão velhotes do tipo Humbert Humbert.

Leia mais!

Monday, June 29, 2015

NA LIVRARIA DO SHOPING

NA LIVRARIA DO SHOPING
Para Beatriz
Jonas foi até a livraria "Book way" do Shoping Central. Passou os olhos no estande de livros novos e viu logo o "número Zero", de Umberto Eco. Pegou o pequeno volume e, sentado em uma das poltronas, começou a folheá-lo. Após 10  minutos estava dormitando. Acordou com o ruído da máquina de café. Levantou-se e foi pra casa. No dia seguinte volta a "Book way" e procura, mas não encontra o livro de Eco. Decide-se pelo volume 1 da "Cidade de Deus", de Santo Agostinho. Achou-o interessante e, sentado na mesma poltrona, descobre-se dai a pouco acordado pelo roçar do vestido de uma senhora que passava. Foi embora e voltou dois dias depois. Dessa vez ele entrou na livraria do "Bom caminho", especializada em obras de autoajuda. Resolveu pegar um livro de Alberto Cury e, só ao folheá-lo, sem mesmo ler coisa alguma, caiu num sono profundo. Acordou pela chamada da Maristela, a vendedora sua conhecida. Ela dizia ja serem 22:00 e se ele não desejava ir pra casa:
- Eu chamo um taxi para o Senhor.
- Ta certo! Obrigado minha filha.

21:14 27/06/15 189 palavras



Leia mais!

Sunday, June 28, 2015

SONHO REPETIDO 1 - Dedicado a Lih Tim

Embora não parecesse, ele se preocupava com sua idade crescente e as consequências disso. Em certa ocasião, ele com quase oitenta anos conheceu uma jovem muito bonita e cheia de vida. Sua juventude - ela tinha vinte anos - era um empecilho a uma aproximação maior entre os dois. Após muita conversa e planos os dois, de comum acordo, decidiram pedir ajuda a Nossa Senhora dos Amores não Resolvidos para ajudá-los. A ideia era pedir para ele o retorno rápido a uma idade próxima aos maduros quarenta anos e para ela um salto lento para os juvenis vinte e oito anos. O encontro se daria sobre a Ponte dos Suspiros onde o trem bala em que ele viajaria encontraria com o bonde velho em que ela seguiria para seu futuro. Enquanto isso fogos subiriam aos céus onde espocariam numa profusão de cores e sons.


21:05 26/06/15 151 palavras

Leia mais!

A MOSCA


JR, aliás, JX, aliás, JC, tinha acabado de acordar de seu sono de 15:00 (estranha escrita...) e pediu um cafezinho simples à Fransquinha. Ele estava no Forte e preparava-se logo para uma longa viagem para a Batuba.
- Chica eu queria uma xicrinha de café. Pode ser?
- Sim! Dr. Vou já passar um bem quente... Passado o café ela põe a bebida bem escura, assim como ela, e bem quente e o chama:
- Pronto Doutor... Ele senta-se a mesa, na cabeceira, lugar de seu Pai, mas agora sempre ocupado por ele. Pega a xícara com carinho, pois devota um amor especial ao Moka, mesmo que seja "3 corações" e não ainda um "Nespresso", põe um pouco de açúcar cristalino e passa um tempão enorme girando a colher para, mais do que adoçar a bebida de ancestrais árabes, dar-lhe tempo de pensar na sua vida de merda. Cansado dessa operação ele leva a pequenina xícara à boca e delicia-se com a bebida de gosto excepcional. Sempre pensando em sua vida, deixada para trás, ele vai sorvendo aos pequenos goles a bebida preta, doce e ainda quente. Lá pelo fim, avalia agora, ele sente alguma coisa sólida e a traz para a boca, para a região dos incisivos e "trabalha" o pequeno sólido com a língua, jogando-o de um lado para o outro, chupando-o com prazer. Cansado de não sentir a dissolução da "pedrinha de açúcar" encontrada em seu café ele aproxima os dedos indicador e polegar da mão direita e traz o "objeto" para o ar. Observa daqui, dali, gira e vê aquela massa ainda com forma apresentando finas garras e um corpo ainda resistindo às rodadas forçadas pela pequena colher no seio do líquido. Ele não precisa de nenhuma lupa para descobrir que se trata do cadáver de uma mosca. Sua reação não foi de susto ou raiva ou ódio, pois atualmente ele é uma pessoa do bem. Só faz o bem. Tomando o pequeno cadáver, levantou-se, foi ao vaso sanitário e jogou-o sobre a água usada e deu uma descarga reforçada. Como se preciso fosse.
10:09 28/06/15 351 palavras

Ofereço essa bobagem a Chica. 

Leia mais!

Saturday, June 27, 2015

POR FIM MELLE BATE À PORTA.


Ricardo tinha no seu micro, laptop, celular e outros meios diversos, fotos dela guardadas já há meses. Ninguém sabia disso. Não era vício, mesmo por que ela comportava-se corretamente ao posar para o Facebook.  Ele não podia "mexer" em nenhum desses meios que uma foto, já conhecida há tempos, não aparecesse na tela de seu monitor e saltasse para a parede branca de seu quarto ou escritório. Aí ele podia, sempre, apreciá-la melhor: seus olhos chamejantes, seu cabelo de cores diversas, seu sorriso cativante. Só sua voz não aparecia.  Isso tudo nos últimos dias intensificou-se quando ele teve a certeza de que nunca mais a veria ou falaria com ela. Será que vai "aproveitar" os livros? O colar grande e os pendentes? Os vinhos que viriam com garrafas já abertas,  as viagens - havia duas em preparação - uma para o Rio, outra para Roma. Rio e Roma. Roma e Rio. Enfim. Melle bate à porta. É preciso atendê-la.


12:00 25/06/15 165 palavras

Leia mais!

Friday, June 26, 2015

Dar


Dizia ele:

- Meu filho desconfie da mania de dar, da mania de presentear. Todos aqueles que recebem têm certeza de que você quer algo em troca, mesmo que você jure de pés juntos o contrário. 

Leia mais!

CORTADORES DE UNHAS (62 palavras)

CORTADORES DE UNHAS
O Tio era tão conservador que, em 1962, em Los Angeles, comprou um cortador de unhas, de marca Trime, então, como agora, na moda,  e o conservou em bom estado por +50 anos. Recentemente, ele comprou um outro da mesma marca novinho em folha. Também ele já estava com quase oitenta anos...
07:21  26/06/15 (Dedicada a mim.)

Leia mais!

Wednesday, June 24, 2015

ONDE ESTÃO OS MEUS 22 ANOS DO RESTO DE MINHA VIDA?


Absorto na leitura de um pequeno livro de contos de Rubem Fonseca ele aguarda sua chegada, já há umas duas horas. Finalmente ela chega e ele logo lhe diz, assim de cara:
-Você me tomou 22 anos do resto de minha vida. 
-Eu? Que é isso, rapaz!
-Sim! 
-Você tá doido, completamente doido. Eu não sei a que você está se referindo. 
-É muito fácil fazer essa conta. 
-Pois eu não sei fazer. 
-Num instante você aprende. 
-Pois me ensine Doutor. Aliás, eu descobri no seu Face que você é Doutor mesmo! 
-Ih você anda xeretando o meu Face book. 
-Pois é... Todo mundo xereta todo mundo. Eu achei lá que você é Doutor em Ciências Iluminadas. É verdade mesmo? 
-Pura verdade. Por isso é que eu digo que você tomou 22 anos do resto de minha vida...
-Seu Doutor você ainda não explicou isso. É essa lenga lenga e nada... 
-Dá-se que você contou para mim uma meia-história.
-Como assim?
-Você me disse que estava meio casada e eu tomei isso como meio divorciada. Entende? Isso é como um copo com água que está cheio pela metade e vazio pela outra ao mesmo tempo. Acontece que você nunca descasou, só mesmo no Face!
-Isso não é verdade! Além do que quem manda na minha vida sou eu!
-Calma, calma... Eu poderia dizer que fui enganado por seu lindo sorriso, seus belos olhos e cabelos multicoloridos!
-Enganado não!
-Enganado no sentido de ser passado para trás por um meio fantasma. O pseudo fantasma de sua vida. 
-Num tem nada de fantasma ou  pseudo fantasma. Que besteira é essa?
-Você quer o número de celular dele?
-E qual é? 
-992704100. É o mesmo que o seu!
-Eu vou sair...
-Termina o cappuccino mocinha!
-Não. Vou embora. Vou para o Shopping.
-Então tá! E se possível traz de volta os meus 22 anos que você tomou. 

04:51 - 20/06/15


Leia mais!

Tuesday, June 23, 2015

OLHO EM TORNO DO MEU ESCRITÓRIO E VEJO


Meus livros. Quem os vai limpar? Quem os vai organizar nas estantes já cheias? Império Romano, Cristianismo, Islamismo, tá faltando algo sobre Judaísmo. Ainda agora tento por alguma ordem nessas observações a respeito dos livros que tenho, comprei, ganhei. Olho e vejo dezenas de títulos sobre a fundação de Roma e o desaparecimento do Império Romano, desde o livro de Gibbon até análises mais modernas, populares, bem entendido. Após ter, como que enjoado de Roma e suas conquistas, passei para os Bárbaros: Gauleses, Celtas, Germanos e quase todo o resto. Vikings, Normandos, Francos, Bretões, Guerra dos Cem anos... A mania boba de somente ler livros de ficção científica no original inglês; terá sobrado alguma coisa voando pelo espaço intergaláctico? H. G. Wells, A. Huxley, Isaac Azimov, Poul Anderson... Poucos livros em francês - fui aluno premiado da Associação Franco Brasileira onde ganhei um primeiro prêmio (Prix d´excellence). Habilidade jogada fora pelo desuso. Mas, ainda li Balzac (Père Goriot) e um livro sobre Liautey, general francês que lutou no norte da África. O livro, assim, como o Père Goriot trazia dedicatórias de "Prix d´excellence a l'éleve...) escritas pelo Pomerat, francês,. namorado da prima Miriam. Já bem depois, mas nunca já tarde, virei-me para o Oriente em busca de entender as religiões monoteístas: judaísmo (pouca coisa, ainda projeto), catolicismo, islamismo. (Mas nunca me interessei por Budismo ou Confucionismo.) Bíblia (de Jerusalém), Alcorão. O Talmude está esperando; chegarei a tempo a  ele? Só Yahveh sabe. Cruzadas. Lutas sangrentas por Bizâncio/Constantinopla/Istambul/Jerusalém. Santos. São Pedro. Aquisição recente e ainda lendo Santo Agostinho: sua "Cidade de Deus". Planos e mais planos e não há mais lugar nas estantes. Centenas foram doados para filhos ou levados para o IJX na Granja, pensado inicialmente como a Biblioteca JXF. E as dezenas ou centenas de livros para presentear aos filhos, genros, nora, netos, "amigas", amigas, conhecido(a)s que gostam de ler e as que não gostam e dizem que gostam; alunos aplicados que prometiam um brilhante futuro...
Literatura brasileira, portuguesa (Camões), espanhola (Dom Quixote), latino americana (Vargas Llosa), pouca coisa norte americana (Hemingway). Israelaense (Amos Oz). Falta muita coisa...

As fotos antigas, impressas em branco e preto, papel glossy, em sua maioria de tamanho pequeno (seria 5×3 ?), tiradas com minhas duas Contaflex? 
(Uma roubada de minha mala no avião em uma das voltas de viagem a Europa; depois comprei outra igual em viagem a Berlim). E aquelas tomadas com as maquininhas da Kodak - não lembro o nome. E as de disco? E os accessórios para melhor aproveitar o potencial da Contaflex? Aonde estão? Ana os usou por algum tempo. E os milhares de slides tirados na California: Los Angeles, San Francisco; há uma foto minha em frente ao Oceano Pacífico, tirada pelo amigo perdido Reynaldo. E as fotos da Europa: Aberdeen, Durhan, Londres, Berlim, Munique, Praga, Roma, Veneza, Florença, Ravena, Milão... E os da Família? E das viagens a Granja, Rio, São Paulo, Brasília, Terezina, São Luiz, Pantanal, (Paulo e Maiza)? Tudo jogado, desarrumado! Sem a organização a mim mesmo prometida! Eu que me pretendia um verdadeiro "Caxias"... Certinho... O que vai acontecer às minhas latinhas e caixinhas acumuladas por anos a fio; recentemente com a colaboração e trocas com minha filha Ana...

Olho para minha mesa e vejo os lápis: dezenas deles, agora com pontas feitas  com as maquininhas modernas. As canetas, não mais tanto as Bic, mas as Stabilo pelas quais me apaixonei, mas tive coragem de dar de presente na Granja todas as 24 de uma coleção trazida de  Munique há tempos. O estojo - caneta e lapiseira dourados - da Parker 51, "de ouro", presente de casamento de Socorro. As lapiseiras, desde os tempos do meu Pai na Booth Line: uma, branca com uma bandeira azul; ou seria o contrário? Os micros abandonados, "coisa de rico", no meio do caminho desde o primeiro com um único drive feito pela Cobra... Muitos deles doados a pessoas ou ao "museu" do Instituto... Os celulares não muitos, pois nunca aprendi a mexer neles... Mas tinha um Palm de última geração, mesmo! Os discos de vinil e depois as dezenas de CDs de cáubois jogados por aí... John Wayne, Clint Eastwood, o velho John McBrown, os espaguete - Franco Nero e muitos e  muitos outros. Perdi o interesse. Agora é Netflix. Séries infindáveis. Breaking Bad, Mad Men, Suits, Better Call Saul. E os CDs de música clássica cujo gosto me foi  instilado pelo Paulo Lincoln  que me deu um álbum com todos os concertos de Brandenburgo de autoria de um gênio alemão que até hoje sou viciado nele,  como se fosse uísque ou maconha. Agora ouço Bach no micro e importado pelo YouTube. Vou perder essas coisas e muito mais que vem pelo futuro, mas assim é a vida. Em compensação não vou saber! Novamente livros e mais livros comprados acima da capacidade de leitura. Outros, escritos por mim na tentativa de jogar todas as coisas que tenho dentro para fora a fim de respirarem. Não consigo jogar tudo, só partes, pois dá saudades. Minha (?!)  Ciência. Muitos livros no original Inglês, Darwin - interessante a memória foge aqui - e milhares, milhares de separatas lidas e digeridas deixadas, especialmente pelas meninas Kátia e Elenir, na sala que usei por anos a fio na UENF. Tudo jogadoTenho que chamar atenção de quem topar com esses escritos que não estão em Fortaleza, na Maria dos Anjos, nada que se refira a insulina, o meu bode expiatório expurgado dos meus  neurônios. O Maurício Silva entende mais dos mecanismos de ação da insulina do que eu agora. Eu que passei anos em busca de respostas para sua existência em plantas. 

E as pastas onde tenho guardado de um tudo: desde diploma de doutor - doutor mesmo Lilly, ex-musa -, até bula de remédio, passando por cópias de dezenas de declarações de Imposto de Renda e currículos plenos de títulos de trabalhos pretensiosos. Ufa! Isso passa por agendas anuais, talvez mais de trinta. Agora livres para curiosos folhearem e descobrirem fatos e acontecimentos sobre essa vidinha besta que Alessandra e Juliana, minhas grandes amigas e inspiradoras teimam em dizer que fez sentido e eu teimo em retrucar que não! Volto aos livros que tentei ler em alemão, só talvez para esnobar os especialistas em Inglês somente. Volto para o Inglês que me tem puxado para cima, muito. Com ajuda de Tamise, musa  do Wizard. Só não consigo acreditar que eu chegue um dia a ler "Ulysses", mesmo em tradução para o  Português, não terei tempo. Mas, "Dublinenses" li. É verdade com um
 pouco de dificuldade.

Interrupção em 09:43 de 17/05/2015

Recomeço em 15:00 de 18/05/2015

De algum tempo para ca minha vida está escondida em discos, CDs, disqutes, pendrives e discos rígidos: não sei nem avaliar quantos mega bites foram necessários para guardar os arquivos produzidos por mim. Estão também espalhados, por estantes, gavetas, caixas sem a menor organização. É, para mim um verdadeiro trabalho de hercúleo conseguir recuperar alguma coisa de que me lembre. Fica tudo para curiosos. Nesses arquivos estão segredos sob a forma de cartas,  fotos comprometedoras (do que? de quem?), fotografias para auxilio a sexo solitário,  de amigas, namoradas e paqueras, fotos científicas, para trabalhos e congressos e seminários. Enfim, uma quantidade enorme de documentos, pois tudo é documento. Em pacotes diversos, mais ou menos bem separados estão guardadas as cartas pessoais de Socorro escritas para mim quando eu estava fora do País ou de casa mesmo, na Granja ou outro lugar. Cartas colecionadas por Mamãe, por anos a fio, amarradas com fitinhas cor de  rosa e identificadas pelo ano. Poucas cartas de meu Pai; ele não escrevia muito para mim. Fazia bilhetes e recados quando eu fui (e mesmo antes) promovido a seu "representante" junto aos compradores de cera da "Praia" como a gente e outras pessoas chamavamos a região onde hoje é o "complexo Dragão do Mar".

Retomo em 19:24 de 02/06/2015

Agora mesmo, ouvindo a melodia (?) mais intrigante e bela, harmoniosa e celestial, fora dos eixos da normalidade, pensada e escrita pelo gênio JS Bach, a "Paixão segundo São Mateus", dá vontade de me acompanhar de Elle, ainda um pouco estranha, mas certamente  logo minha companheira. 

Retorno em 13:14 de 22/06/2015

Já chega. É pouco, mas por esses dias a vida me foi cruel. Mas tudo passa incluindo os 22 anos dados por meu neto e roubados. O Dr. A. bate à porta.

Retorno em 18:03 de 23/06/2015



Leia mais!

Sunday, June 21, 2015

A PEQUENINA JAGUATIRICA - HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 426 (mais de 8 anos de publicação semanal).

A PEQUENINA JAGUATIRICA - HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 426 (mais de 8 anos de publicação semanal).


A Prefeitura havia criado um pequeno Zoológico, melhor dizendo, um depósito de animais tomados de caçadores nas serras e sertões em derredor. Havia bichos e bichinhos. Entre  estes estava uma pequena jaguatirica que tinha apanhado muito do caçador que a havia prendido  lá pelas terras do Ibuassu. Acontece que era um animalzinho muito delicado e por isso havia sofrido nas mãos cruéis do Zé Pedro, la da Pedra Lascada. Parece que a bichinha queria liberdade e não compreendia que para ter isso era preciso lutar pelo que ela queria. Não adiantava iludir-se com histórias dos mais velhos e ir pela cabeça deles, como se diz. Para quem a observava nas tardes de domingo, dia de visitas, era muito triste vê-la pelos cantos tendo nos braços um bonequinho fardado de soldado. E triste, muito triste. 

Leia mais!

Sunday, June 14, 2015

CASAMENTO REAL – HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 425


Era uma vez um jovem retirante maltrapilho que cruzou com uma princesa na estrada. Ela mal olhou para ele, mas já com os olhos em brasa e ele sentiu que estava apaixonado.
Ela correspondia a essa paixão abrasadora e se detém para falar com o rapaz. A partir de então os dois se gostaram muito e se casaram pouco depois. Foi uma grande festa no Palácio do Rei Arthur, pai da Princesa.

Nove meses depois desses encontros e acontecimentos nasceram os Príncipes Oto e Rodolfo. E todos foram felizes para sempre.

Leia mais!

Sunday, June 07, 2015

NOS JARDINS DE HERCULANO - HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 424



...sentado em um  banco nos Jardim da Praça, em Herculano, em frente a Biblioteca de Lúcio Pisão, ele matutava sobre como não  acreditava no que estava pensando. Nunca havia se interessado por explicações filosóficas para seus sonhos ou atitudes. Este último sonho em que ele se via enredado nos braços de Elle, após sair dos braços de Melle. Ele se fixava no pensamento de que não há ninguém preocupado com ele. E isso parecia ser bom, muito bom. Depois seria o fim de que  ninguém conhecia coisa alguma, mas certamente, era melhor que tudo. 

Leia mais!

Sunday, May 31, 2015

MARIETA E GABRIEL - HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 423


Não havia na vila ninguém que entendesse o Gabriel. Ele apaixonou-se pela Marieta, mas até aí tudo bem; mas contra todos os costumes locais era uma paixão fadada ao insucesso. Insucesso, pois Gabriel tinha 25 anos e Marieta 65. Ninguém mesmo entendia esse caso, mesmo depois de umas duas rodadas de cerveja no Bar Sorriso do Quelé, nenhum dos amigos se aventurava a dar um palpite que fosse aceito pela rapaziada. Dinheiro não era, pois a moça - diziam ser ela ainda não tocada por mãos impuras - não tinha um tostão de mel coado e Gabriel era um pobretão de marca maior. O que os dois faziam para manter a relação acesa era um mistério total. Isso até que o Brilhante, amigo de todos, descobriu o segredo do casal. Digamos assim os dois tinham, aparentemente, um relacionamento normal: homem e mulher e mulher e homem. Acontece que o Brilhante descobriu, na Estrada Nova, o ninho dos dois passarinhos que abrigava muitos filhotes, uns saídos dos ovos recentemente e outros com a plumagem completa e luzidia. Todos faziam um sucesso enorme e o Brilhante, mais que depressa voou para o Bar Sorriso do Quelé para contar a novidade do que era uma espécie de filial do Cabaret da Maria Rosa nos limites da vila, escondido de todo mundo.  



Leia mais!

Sunday, May 24, 2015

O URSO NEGRO - HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 422


Havia, na Cidade Grande, um Jardim Zoológico e nele havia muitos animais diferentes, mas um, especialmente, era admirado por todos os visitantes. Era um urso negro vindo não sei de onde há muitos anos, talvez do Alaska. Não era jovem, já era velho. Pode-se chamar um urso velho de urso idoso? Vamos  chama-lo assim. Pois bem: estava o urso idoso em sua jaula quando viu aproximar-se uma jovem bem jovem e o olhou de frente e sorriu francamente. Ele logo sentiu uma claridade saindo de seus olhos castanhos e imediatamente aproximou-se do lado da grade em que a mocinha estava. Ela não arredou pé e ficou aguardando os movimentos da fera. Subitamente o urso negro levanta sua pata direita e alcança o colo cor de leite da mocinha. Muito devagar, pois ele pensava que a mocinha se assustaria com a afronta. Seria afronta ou ousadia? Ele continua a descer seu profundo decote e encontra um trevo de quatro folhas e uma estrelinha dourados que  brilhavam na escuridão. Ele baixa os olhos e encontra os dela e eles estão rindo. Pouco a pouco o urso negro se afasta e entra em seu refúgio solitário.  



Leia mais!

Sunday, May 17, 2015

O LIVRO DE JANUÁRIO - HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 421




Januário acreditava ser um literato e dos bons. Certa ocasião ele se propôs escrever um livro revolucionário e ao mesmo tempo muito simples. O livro constava de um texto corriqueiro que era acompanhado de seu invertido (espelho). Assim: “O moço estava apaixonado por uma jovem muito bonita” – “atinob otium mevoj amu rop odanoxiapa avatse oçom O”. Após ter escrito um texto de dez mil palavras ele o levou para seu amigo Mauro que produziu um belo livro. Januário acreditava que poderia lançá-lo na nova livraria da cidade. Acertou, pois seu texto foi elogiado, mas às escondidas, foi tratado com menoscabo. No dia do lançamento os organizadores montaram dois palcos um dedicado a uma apresentação favorável e o outro a uma desfavorável. Tudo foi um grande sucesso, mas nenhum exemplar do livro de Juvenal foi vendido.  Ele teve de dá-lo de graça.



Leia mais!

Sunday, May 10, 2015

ELE VAI E ELA VEM - HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 420




Jorge sonhou caminhando pela estrada acidentada que saía da cidade. Após algum tempo avista alguém que se aproxima em sentido contrário. Ele logo vê que é uma jovem caminhando ao seu  encontro. Ao se aproximarem estão mudos, nenhuma palavra é trocada e, no entanto, há, claramente, uma compreensão e como que uma troca de fluidos etéreos. Após momentos que pareceram meses ou anos cada um retoma seu caminho. Ela vai à busca de felicidade nos Elíseos, ao longe, e ele em direção ao Hades ali próximo.

Leia mais!