Thursday, July 31, 2014

O CARROSSEL

Saindo da Igreja, Carlão aproximou-se perguntando se conhecia o Mário. Não. Era do Lab? Nisso, Jorge vê Virna, séria, portando uma sombrinha colorida;  seu companheiro avisa que ela tem de ir para casa; a baixinha sorri e diz que vai casar com o bancário sobralense;  a bela dama fala que sua filha ganhou concurso de beleza; outra amiga confessa ter sido ele sua paixão; Roberto aproxima-se com dois bolsistas e tenta lhe dar cusparadas; o gaúcho sorri;  já é quase uma multidão e ele vai sendo envolvido; vê a menininha de cachos negros para quem fez versos sorrindo para ele;  girando loucamente aparece Dina, de Itaperuna, com seu colar de pedras reclamando da vida;  subitamente saem da Igreja, com seus sorrisos de frete, Anabolena e Anabilhar, as duas irmãs inseparáveis. De repente ele se vê na garupa da moto da doutora acompanhando os movimentos do carrossel. A festa ainda vai longe; olhando esse mar de gente ela sorri e diz:
- Deixa pra la...
Até hoje Jorge não conseguiu interpretar esse sonho.

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Monday, July 28, 2014

CHECK-IN - HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 381

Reinaldo acordou no meio da noite e tomou um susto. Lembrou que sua viagem de volta seria logo mais à tarde. Ainda não tinha feito o check-in e precisava preparar a mala. Levantou-se procurando o bilhete para confirmar o horário. Quando passou a vista sobre o documento verificou ser o voo somente no dia seguinte. Desconfiado ele lembrou ter marcado um encontro logo a sua chegada.  Esse encontro seria amanhã ou depois de amanhã? Achava que,  no final  acabaria perdendo o voo e o encontro. Reinaldo ligou para a companhia aérea.  Após muitas tentativas conseguiu falar com uma máquina. Esta informou que teria de ir até ao aeroporto e pedir a informação no balcão da companhia. Foi aí que sua neta de dez anos lhe disse:
- Vovô vamo fazer seu check-in eletrônico e daí a gente sabe com certeza quando que é mesmo seu voo. Dito e feito, os dois descobriram que o voo do velhinho seria no dia seguinte.




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Thursday, July 24, 2014

MAMÃE BATE NA BOQUINHA


Brincavam por toda a casa todos os dias. Era sempre uma correria danada, a procura um do outro.  Betinho sempre ganhava e Dito, dois anos mais novo, terminava a brincadeira chorando, seja por ter perdido, seja por ter batido em algum móvel que atrapalhava a correria. Nessas ocasiões ele xingava:
- Sua merda de cômoda! Sai do mei! Betinho,  mais experiente, dizia:
- Dito num diz nome fei senão a Mamãe te da uma palmada na boca. Isso era como jogar água na fervura.

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Monday, July 21, 2014

A MORADA DA CAATINGA - HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 380

A morada, afastada da cidade, era servida por muitos criados, de maioria negra, ex-escravos ou filhos ou netos de libertos que serviam aos patrões em tudo, a despeito da decadência generalizada. A mansão, isolada, foi mais ou menos protegida contra intrusos por algumas gerações. Entretanto, esses começaram a transpor os fossos e quebrar o isolamento das moças reclusas, que tocavam peças de Chopin, e liam romances de M. Delly ou mesmo obras “pesadas”, como as dos autores socialistas comuns à época. Alguns dos invasores, bárbaros e incultos, ganharam as moças com seu blá-blá-blá milenar, fácil e enganoso. Muitos pretenderam imitar os senhores, menos bárbaros, mas nunca conseguiram. Outros ainda se adaptaram às regras tradicionais se bem que a custos enormes. A morada, como era, deixou de existir. 

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Thursday, July 17, 2014

MISS


Com a cabeça abaixada ele mexia no iPhone, certamente no Face, a procura de algum post para curtir. Tomou um susto quando ela disse:
-Oi Seu Ricardo! O senhor por aqui? Seu Ricardo ficou mudo. Ele não soube o que responder. Ela então perguntou:
-Assustou-se? Desculpe... Ele continuava a mirar aquele rosto bonito. Sem saber o que dizer. Até que resolveu:

- Oi? Tudo bem?

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Monday, July 14, 2014

TALZINHO E SUA HERANÇA- HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 379


Preso em seu diamante Talzinho preocupa-se em voltar à vida. Seus companheiros terrenos fazem todo o possível para remediar essa situação angustiante. Galinha morta na encruzilhada;  ex-votos em Canindé e Juazeiro; consultas a videntes estabelecidas; cartas de tarô; até uma peregrinação a San Tiago de Compostela foi marcada para setembro próximo. Lá no alto, observando a cena, ele notava que sua turma poderia desaparecer caso não tomasse medidas sérias. Talzinho estava dando forças a seus aliados de agora, antigos opositores; o novo grito de guerra era “Nóis contra todo mundo”. Ele enviou uma mensagem pregando as novas ideias que, na realidade, não eram tão novas assim. Acompanhando a mensagem ele mandou enorme quantidade de uma substância especial. Essa droga, preparada por laboratórios nos Estadozunido, promovia a imediata adesão de antigos opositores a seus quadros. Além dessa nova substância Talzinho enviou instruções de como fazer coleta entre a riqueza local para financiar o partido durante o mandato de seu afilhado que ficara em seu lugar. Esse dinheiro seria também utilizado para a preparação de sua volta triunfal em outubro, afinal de contas toda sua gente era contra tudo e contra todos. 




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Thursday, July 10, 2014

Rosto da mulher através dos séculos





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O ANIVERSÁRIO DA TOINHA

Em qualquer reunião todos tocam a falar sobre os parentes e amigos que estão fazendo aniversário na data ou fizeram há pouco. Geralmente são mulheres que tomam a iniciativa. Nesta festa dizia uma:
-Pois bem!  Ontem foi o dia do aniversário do Tio Jotaeme, ele teria feito 101 anos!
-Eita! Pois é!  Ele nasceu em 13 e a mulher dele é mais nova, é Belinha o nome dela, não é? Ela vai completar, eu acho 93.
-E tu te alembra da Raimundinha? Ela se foi semana passada e só tinha 85.
-Era da mesma idade da Francisca!
-Amigona essa!
-E a Mariinha do Eduardo?
-Essa morreu ainda nova, no ano passado, tinha só 65.
-Ei! Quem quer bolo? Vamos cantar os parabéns! Gritou o Assis marido de uma delas, para o grupo das conversadeiras.
Todas se aproximaram da mesa onde estava o bolo da Toinha; era uma grande torta de morango com 89 velinhas. Essa torta fora comprada no bufe da Bárbara e custara uma fortuna. 




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Monday, July 07, 2014

ESCRAVOS DE AMARRAÇÃO - HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 378


O Coronel Hurst um escocês idoso, solteirão, tinha estabelecimento comercial em São Luís. Logo ao chegar de seu país fez grande fortuna em negócios com babaçu. Sua firma chegou a ter representantes em cidades portuárias próximas, como o Pará, Amarração e o Ceará. Além de sua dedicação ao comércio de babaçu ele tinha interesses na produção e comercialização de cera de carnaúba nessas províncias. O Coronel tinha também negócios com gado bovino, tendo montado grandes curtumes. Pouco tempo após ter chegado ele havia acumulado uma enorme fortuna representada por ouro,  terras, gados e escravos.

Certo dia ele recebe carta do Ceará informando que três dos escravos fugidos de sua fazenda em Amarração haviam sido presos. O Coronel Furtado avisa que poderá enviá-los para Amarração assim que o Delegado concluir o inquérito e o Coronel Hurst enviar dinheiro para cobrir todas as despesas. Incluindo aí o custo de cinquenta chibatadas que deverão ser aplicadas em cada um dos escravos. Ele terá que dar sua concordância por escrito e enviar tudo aos cuidados do Coronel Furtado. 


Logo a autorização chegou assim como o total de 90 mil réis que era o valor das despesas a serem feitas; aí estava incluído o preço do chicote novo que o Coronel Hurst queria que fosse entregue ao Chico da Maristela, seu amigão, para fazer o serviço.

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Thursday, July 03, 2014

INSTRUÇÃO CLÁSSICA - HISTORIETA




Abelardo sempre quis ser instruído, sabido, mas nunca tivera tempo de ler os livros certos, indicados por professores ou amigos ou mesmo namoradas, como Heloísa, que eram  instruídas e sabidas e tinham passado por essas experiências já no colégio. Por isso mesmo ele deixou escapar muitas oportunidades de ler e apreciar, ou não, os chamados clássicos. Ele se lembra das oportunidades perdidas em mergulhar nas obras dos gregos e romanos bem como dos clássicos como Dante, Cervantes, Santo Agostinho,  São Tomás de Aquino e centenas de outros. Enquanto, isso seus amigos, mesmo sem ter aquela vontade ou necessidade intelectual de imergir no mundo clássico, faziam sucesso com citações e observações passageiras sobre eles. Só muito mais tarde Abelardo descobriu que eles liam muito, pois se dedicavam a passar os olhos de relance em resenhas, resumos e a ler orelhas de centenas de livros desses autores importantes editados recentemente.  O resultado disso foi que ele, já um velho sem muitas aspirações intelectuais, passou a surpreender os amigos lendo com sofreguidão os mais diversos autores do mundo clássico esperando que, em futuro próximo (?) fosse recompensado por um entendimento melhor da Vida.

#Historietas #AbelardoeHeloisa #classicos




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Monday, June 30, 2014

O BODE E O JUMENTO - HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 377


A fim de traçarem planos para o desenvolvimento da região estava reunida, no auditório,  com o coronel maior a fina flor da politicagem local . O prefeito da cidade pediu a palavra e falou:

- Eu sou da terra do bode e apresento nossas reivindicações, as dele e as nossas, para que sua presença seja mantida e seu leite, isto é, o das cabras, e sua carne, agora dos dois, sejam cada vez mais aproveitados. 

Houve palmas seguidas pelo pedido do prefeito da cidade vizinha que queria se manifestar. A contragosto o coronel concedeu-lhe a palavra e ele falou:

- Eu sou da terra do jumento e peço, a todo custo, que se proíba sua extinção pelos atropelamentos diários nas estradas. Os coitadinhos têm que competir com os ônibus e as vans no transporte intermunicipal e não são respeitados. Além do mais, peço também que seja proibido o uso do nome jegue que se  da ao nosso querido jumento em outras partes da nação.

Mais palmas foram ouvidas.  O coronel virou-se para sua secretária de assuntos gerais e pediu socorro. A dama séria falou:

- Os bodes e os seus irmãos jumentos são importantíssimos e fazem parte da cadeia produtiva em muitos dos pequenos municípios deste Estado. Certamente o governo vai desenvolver ações para estabelecer um plano que ajude e contemple as reivindicações dos nossos amigos prefeitos. Podemos até criar um slogan: “O bode dá carne e o jegue transporta”.

Ouviu-se um coro de: “Jegue não, jegue não...) #historietas #jegue #jumento #cabra


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Thursday, June 26, 2014

CÁLCULO INTEGRAL


O professor dava aula de Cálculo e daí o Carlos Ribeiro, aluno aplicado e bem-comportado, levanta a mão pedindo para falar. O professor faz sinal de positivo e o rapazote levanta-se e pergunta:
- Professor Wesley eu queria saber para onde essa matéria vai levar a gente.
- Como assim Carlos?
- O Senhor só fala em abstrações matemáticas...
- Meu jovem o estudo do Cálculo é muito importante até mesmo para as Ciências Sociais.
- Mas eu acho que o Senhor dá esse cálculo sem fim e sem graça e esquece os problemas que afligem os milhões que não têm o que comer e nem onde morar. Não seria bom que a gente fizesse uma visita de campo a um desses locais ocupados por pessoas necessitadas, aqui perto mesmo, para avaliarmos, talvez até calcularmos, as condições precárias em que vivem as pessoas de lá?
- Carlos Ribeiro, é esse o seu nome, não é? Você é filho do sócio majoritário da Imobiliária RBS, não?
- Sim professor.
- Pois eu me proponho acompanhar vocês até esse local se você se comprometer a doar um terreno, dos muitos que seu pai deve ter, para que se construa uma vila para abrigar essas pessoas. Que tal?

Carlos Ribeiro sentou-se e não mais interrompeu a aula de Cálculo Integral do Professor Wesley.

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Monday, June 23, 2014

A COISA TA PRETA- HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 376

No tempo da Guerra todo mundo se interessava pelo que passava no "teatro de operações." Era nos campos do Velho Continente que se travavam as mais ferozes e decisivas batalhas entre aliados e adversários fascistas. Aqui se viviam tempos de insegurança e apreensão, pois ataques de comandos nazistas eram temidos por todo o litoral. Certo dia espalhou-se a notícia de que o Primeiro Ministro Churchill faria um importante discurso no Parlamento sobre o desenrolar da Guerra. Dizia-se também, infelizmente, que o discurso do grande homem não seria traduzido. E agora?  Temos que achar alguém que faça a tradução simultânea ou, na pior das hipóteses, faça um resumo ao final. Todos do grupo "Amigos da Democracia", comandados pelo Zé Maria, concordaram e logo chegaram ao nome do Professor Ernesto César para fazer o trabalho. Ele tinha um rádio de ondas curtas instalado em sua sala de visitas e isso facilitaria a empreitada.  Depois de muita conversa o Professor concordou em participar da reunião e fazer a tradução simultânea do discurso do grande estadista. No dia aprazado cerca de vinte democratas reuniram-se na sala do Professor em frente ao "capelinha" da Phillips esperando o discurso. O Professor César sentou-se em um banquinho bem ao lado do rádio quando a transmissão começou. Por entre os chiados e outros ruídos saídos do radinho nada mais se conseguia entender da fala de Churchill. No entanto, nada estava perdido, pois certamente o Professor César lhes esclareceria tudo ao final. Após quarenta minutos cessa a transmissão ultramarina e o ilustre professor volta o rosto para a plateia ansiosa e diz:
- Meus amigos o "homem" disse que a coisa ta preta!



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Thursday, June 19, 2014

OLHO GRANDE E VERMELHO


O relógio da igrejinha ao lado ainda não tinha batido as doze pancadas quando ele foi deitar. Só depois de ver se as portas estavam trancadas de verdade é que ele deitou-se mesmo. Fernando tinha muito cuidado, pois as portas de sua casa estavam caindo aos pedaços devido aos cupins e também não tinham resistência nenhuma a ataques por pessoas mal intencionadas.  Fernando dormiu e logo acordou com o barulho de alguém forçando a porta bem ao lado de sua cama. Através de uma fenda na porta onde ficava antiga fechadura ele viu que alguém o olhava com um olho enorme, vermelho. O moço deu um grande grito que acordou sua mulher ainda costurando na sala da frente. Ela veio e Fernando lhe disse:
- Olha mulher vamos ter de trocar essas portas, pois elas não têm nenhuma segurança. Ele foi deitar-se novamente e logo dormiu. Um pouco depois viu o mesmo olho olhando para ele; era o olho de uma antiga empregada deles. Na certa ela queria fazer um susto ou mesmo entrar na casa arrombando a porta ao lado de sua cama. Novamente Fernando gritou e disse:
- Mulher traz a pistola! Não, traz logo o fuzil que já tem bala na agulha!  Sua mulher acordou com o enorme grito e chegou pra ele dizendo:
- Toma esse copo de leite e bebe que você dorme logo.



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Monday, June 16, 2014

VELHINHAS E SUAS VELINHAS - HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 375



Nenhuma de suas amigas velhinhas  presentes queria soprar as muitas (quase cem) velinhas de seu bolo de aniversário. Umas porque tinham receio de lançar suas dentaduras sobre o glacê branco e as próprias velinhas provocando um apagão passageiro, antes da hora, mas certamente constrangedor. Outras temiam lançar perdigotos sobre o belo bolo e talvez contaminar a delícia com animálculos residentes em suas bocas e demais vias aéreas. Eis que uma delas, afoitamente, assume o sopro, o sopro da partida, ou como algumas disseram o sopro do final. Todo mundo vê o esforço que ela faz e o temor que apresenta em seu rosto escavado ao preparar-se para isso. Por fim o sopro final e a escuridão total para a aniversariante que tem nictofobia (condição atestada por seu psiquiatra).

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Monday, June 09, 2014

HORIZONTE PRÓXIMO - HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 374


Esta estava sendo uma caminhada interminável para Azam, o filho mais novo da família Issui. Mas, após ter galgado muitos montes e descido muitas colinas repletas de obstáculos, alguns quase intransponíveis, ele encontrou-se em uma planície, aparentemente quieta. Azam conseguia ver adiante um rio correndo vagarosamente. Para esse rio ele se encaminhou e, após pouco tempo, encontrou um local tranquilo às suas margens. Sentou-se, pôs o cajado de lado  e comeu alguma coisa tirada da sacola. Após algum tempo cruzou o rio e logo retomou incansável, sua marcha. Encontrou ainda, pela frente, outros obstáculos difíceis de transpor, mas ele os encarou com tranquilidade. Azam venceu grandes distâncias e, finalmente, encontrou um local calmo à borda de uma floresta. Aí ele fez, novamente, uma parada e conseguiu repousar dormindo sem cuidados. Seguindo viagem novamente, ao fim de algum tempo, ele se deparou com outra planície sem qualquer sinal de atividade. Fitando o horizonte Azam não conseguia ver os limites dessa planície. Aí ele permaneceu por muito tempo esperando algum sinal que lhe indicasse ter sua caminhada chegado ao fim. A espera foi longa, mas não poderia ser interminável, ele sabia.



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Thursday, June 05, 2014

NIM, A TERRÍVEL AGRESSORA

Ao examinar manuscritos deixados pelo Professor Dr. Wolfram Ricardo, antigo pesquisador do Instituto Tecnológico de Irautçuba, o também pesquisador Dr. Stefan Gotschein descobriu anotações feitas por ele sobre o cultivo do nim. Esses manuscritos, anotados em forma de diários, foram iniciados em abril de 2020. Nessa época o Professor Ricardo era considerado um dos maiores conhecedores do nim, de seus usos e de seu comportamento frente a diferentes ecossistemas. Já nessa época sabia-se que o nim era uma violenta invasora de ecossistemas frágeis. Tendo observado relatos enviados do campo e também feito observações próprias, o Professor Ricardo fez recomendações sobre o poderoso potencial de destruição do nim. Ele enviou essas recomendações para o Ministério da Agricultura, para o de Ciências, para o de Ecologia, para o da Saúde, para o de Assuntos Teológicos, enfim para todo o Gabinete (na época havia somente dez ministérios). As recomendações feitas pelo Professor Ricardo resumiam-se em um alerta: Se não erradicarmos o nim da Região haverá destruição de toda a vida num raio de dez quilômetros a partir de todo e qualquer exemplar dessa árvore. Por muitos anos o professor reiterou essas recomendações, mas nada se fez como é de costume no país da jabuticaba e do caju. Passados aproximadamente vinte anos dessa iniciativa os meios de comunicação, como jornais, revistas e noticiosos da TV e da web, começaram a publicar notícias sobre o abandono de fazendas, povoados e pequenas cidades, atribuído à presença de exemplares dessa árvore. Foi por volta de 2045 que se começou a notar a morte de gado bovino e caprino, porcino, asinino, muar, aves tipo galinhas e perus e outros animais pequenos. O desparecimento ou mesmo a morte, de humanos foi registrada já em 2060. É bom salientar que o Professor Gotschein e colegas descobriram os manuscritos do Dr. Ricardo em 2040; o cientista nada havia publicado sobre o assunto; somente estavam relativamente accessíveis seus relatórios detalhados. No recenseamento de 2080, feito a duras penas, pois pessoal para fazer a coleta de dados não foi facilmente encontrado, o resultado foi assustador. Os poucos recenseadores mostraram que 95% da população humana do Estado, comparando-se ao ano de 2010, haviam desaparecido. Lutavam por sua sobrevivência em meio às terríveis secas e ao agressor Azadirachta indica cerca de 45000 pessoas vivendo no alto das serras, ainda livres do terrível invasor agressivo.
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Sunday, June 01, 2014

O SISTEMA ESTÁ CAINDO - HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 373



O Sistema caiu!  Como?  Como caiu? Porque caiu? Essa era a pergunta que corria a cidade e o próprio país, de norte a sul. Nada se sabia sobre as razões pelas quais o Sistema havia caído. Alguns, menos afoitos, diziam ingenuamente que ele não havia caído, mas estava em perigo. E que um bom número de "hackers" estava sendo contratado para impedir a queda final. O fato é que aqueles que diziam ter o Sistema caído já comemoravam sua queda; os que tinham dúvida sobre isso rezavam e os que auxiliavam os "hackers" contratados para sustar sua queda comemoravam os pequenos sucessos obtidos.

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Thursday, May 29, 2014

E O DINO VAI PRA ONDE? - HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 372



Todo o povo da cidade ficou abalado, constrangido até, com a notícia. A verba para instalação do Museu Municipal, já reservada, teria que ser devolvida. Para quem? Será que chegaria aos cofres da Nação, de onde havia saído para os cofres do Banco? Ninguém acreditava nisso. Mas o caso é que a ordem veio de cima. Todos sabiam que um fóssil de dinossauro  
- Tapuiasaurus granjoi - havia sido encontrado em uma pedreira próxima e o Museu Municipal seria o local apropriado para sua exposição, pois dentro dos caixões em que se encontravam agora os ossos não era possível que continuassem. Iriam se desfazer em pó dentro dos próximos anos. Houve interferência do padre, do bispo, do juiz, do prefeito, do presidente da Câmara e de toda a sociedade. Todos diziam que o fóssil seria um ótimo exemplo para o ensino nas escolas do município. As petições chegaram ao Ministério e todas foram negadas. Qual seria o motivo da negativa? O Ministro interferiu pessoalmente dizendo que o estudo desses esqueletos antigos não estava afeto ao seu Ministério, pois não era de interesse para o ensino. Talvez no Departamento de Ciência Forense fosse possível encontrar uma sala adequada para abrigar o Dino. E ponto final.




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A PÉS OU DE METRÔ



Seu Messias caminhava pela estrada quando encontrou um jumentinho ou jegue, como se diz nas altas rodas, pastando descuidadamente no acostamento.  O animal levantou a cabeçorra e, ao ver Seu Messias e encará-lo, não teve ideia alguma de qual fosse o destino do viajante, mas mesmo assim ofereceu-lhe o lombo liso. Ele o levaria até lá.  Seu Messias respondeu que não,  muito obrigado, não precisava, mas ele iria a pé mesmo. 
- O senhor tem certeza? Insistiu o jumentinho, pois era um jovem educado. 
- Sim, disse Seu Messias, pois se eu não for de metrô prefiro ir de pés.  E assim foi.

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Thursday, May 22, 2014

O BALEIA APARECEU



Nessa noite ele fora dormir no quarto dos fundos devido ao grande calor que fazia na casa. Acordou com um barulho na janela, aliás não era uma janela, mas a estante de livros em frente à sua cama. Alguém forçava a janela de vidro mostrando que queria entrar e dizer-lhe alguma coisa. Talvez  diretamente ou através de um telefone.  Ele viu ou imaginou que fosse sua mulher avisando-lhe sobre  algo a respeito da empregada de casa que havia saído. Quando acordou viu aquela figura de camisa branca e gravata borboleta e calça preta sorrindo para ele. Era o "Baleia" que tomava nota de um imaginário pedido feito por ele. Assustado jogou o lençol em cima da visagem que, felizmente, logo se desvaneceu.

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Monday, May 19, 2014

IDEIAS MORTAS - HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 371

Jorge sabia que um dia elas não viriam mais. Tinha certeza, pois ao longo dos anos vinham escasseando rapidamente. Elas faziam parte do que ele chamava "seu banco de ideias" e sabia que estavam diminuindo a cada dia. Além da queda quantitativa, a qualidade de suas ideias se deteriorava a olhos vistos.  Não mais as histórias da "Malhadinha", as do "Napoleãozinho", nem as bobagens batidas sobre gregos e romanos de antigamente lhe vinham à cabeça, nem mesmo as aventuras com "Ella". Atualmente, somente lhe interessam histórias violentas sobre os bárbaros, as cruzadas, a guerra dos cem anos, as guerras mundiais, a da Coreia, na qual ele foi atingido na cabeça por um estilhaço de granada que, ainda hoje lhe deixa tonto de vez em quando. Ultimamente, ele se interessa cada vez mais por política do Oriente Médio e da África. Como nunca lhe chamou atenção o processo de colonização de seu país sua atual situação caótica não lhe desperta qualquer interesse.   

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Thursday, May 15, 2014

ELA OU ELLA?



Seu Josias saiu da sessão de cinema preocupado. Passou pela livraria e comprou um dos últimos exemplares de um livro que lhe impressionara bastante, lido há pouco tempo, mas dado a uma amiga que sempre dizia gostar de ler. Ao reler a história constatou que a imagem de "Ella" continuava a ser muito forte para ele. No entanto, o filme que acabara de ver tinha abalado muito esse sentimento. A constatação de que "Ela", o sistema operacional OS da máquina por quem (?) Theodore se apaixona, tem a voz de Scarlett Johansson, provocou em Seu Josias um sério dilema: continuar cultivando a morbidez patrocinada por "Ella" ou deliciar-se em decifrar os sons emitidos pelo  OS/Scarlett Johansson?

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Monday, May 12, 2014

NÃO TEM NADA, A FAZER É SÓ REZAR! - HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 370

Era uma dor de garganta danada e uma tosse cruel que o estavam, tipo assim, deixando incomodado. Ele chegou mesmo a ter febre durante a noite tendo decidido ir a Emergência do Hospital dos Simões. Lá esperou um pouco e foi chamado pelo painel eletrônico para ser atendido pelo Dr. Usnavi Laziz. 
-Bom dia...
-De que o señor se queixa?
Daí ele contou sobre sua noite em claro, sua tosse e febre. O doutor olhou pra ele e falou, enquanto escrevia:
-Você vai fazer essa tomografia e depois vuelve aqui. Logo, pois está chegando o fim do meu turno.
Ele conseguiu tirar a tempo a tal tomografia e voltou correndo ao consultório. Ao examiná-la o Dr. Laziz disse:
-Vou tirar sua pression e se ela não estiver boa eu vou lhe internar.
-Mas porque doutor? E quanto deu agora?
- Você não precisa a saber, para não se assustar, mas és o seguiente: se der qualquer cosa acima de 14 e abaixo de 6, você está lascado. E vai ficar na UTI até eu voltar amanhã para o meu plantão. Não tem nada a fazer é só orar, má!

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Thursday, May 08, 2014

JAPI E O VELHO



Não lembrava nada do passado. No presente nada lhe lembrava o que ocorrera fora de casa. A respeito do eterno futuro ele esperava por sua brevidade e que chegasse logo. Não lembrar, não saber, eram seu alimento. Esses pensamentos obtusos mantinham o velho vivo. Assuero gostava de, ao levantar cedo, tomar sua dose de vitamina na calçada, seja sob a forma de raios, seja sob a forma de um copo de bananada. Como já não conseguisse ler - isso só ele sabia - passava as manhãs brincando com o Japi até os dois cansarem. Ia dormir primeiro quem não pudesse mais latir, nem soltar mais ventos como estavam acostumados.
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Sunday, May 04, 2014

ELA FICOU EM CASA, POIS ESTÁ MUITO PESADA - HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 369

O moço aparentava ter uns trinta anos. Rosto limpo, bem vestido, camisa branca e calça escura impecáveis; portava um crachá que certamente dizia ser ele membro de alguma comunidade importante. Ele estava na fila do supermercado mastigando os últimos pedaços de alguma guloseima apanhada no balcão da padaria e sorvendo os últimos goles de um refrigerante "zero cal". Iria, certamente, pagar a despesa já feita com seu cartão corporativo. Sucede que a fila escolhida por ele era aquela reservada aos velhinhos e destituídos e senhoras em estado interessante. Mas ele não titubeou e ficou a espera de sua vez. O caixa falou que o atendimento era reservado a velhinhos, etc. e tal. O moço não se perturbou e informou ao caixa que sua senhora estava em estado interessante tendo permanecido em sua residência, e ele poderia muito bem utilizar suas prerrogativas sociais.  

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Friday, May 02, 2014

DITO PELO NÃO DITO


Todos os amigos de Adroaldo fossem eles do escritório, ou do colégio ou da universidade e mesmo parentes, conheciam bem o rapaz, seu comportamento, sua personalidade. E por isso sabiam que o moço passou a adotar modos, de certo tempo para cá, nunca vistos em seu meio. Adotar posturas de "punk" ficou comum para ele. Sempre aparecia com uma novidade, seja o cabelo colorido, roupas espalhafatosas e por aí vai. Agora todo mundo sabia que, na verdade, no íntimo, ele era um perfeito "nerd". Adroaldo sempre fora a favor do "Isso", mas quando a situação se agravou ele passou a apoiar o "Aquilo e o Aquilo Outro". Ao fim desse processo ele se encontrou perdido a procura de um muro onde subir do meio do matagal dos seus desejos não atendidos. Talvez logo ali em Utopia encontrasse alguma coisa.

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Sunday, April 27, 2014

GRACIANO, O RAPAZ VELHO - HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 368


Rapaz velho era como chamavam Graciano naquela época. Ele trabalhava como caixeiro, de sol a sol, no armazém do Coronel Emiliano. Quando terminava o expediente passava no bar do Quelé para tomar uma geladinha e jogar sete e meio. Lá pelas oito horas ia pra casa. Tomava uma sopa e logo se recolhia. Graciano era muito sonhador e todas as noites tinha sonhos violentos, pesadelos mesmo. Sempre sonhava brigando e apanhando de alguém. Nunca fazia papel de mocinho, sempre levava a pior. Entretanto, seus sonhos eram de dois tipos: aqueles em que se metia em brigas e os outros que ele mesmo dizia serem sonhos acordados. Quando, e isso era muito frequente, ele conhecia uma jovem logo se apaixonava por ela, mesmo que essa não ligasse pra ele. Graciano saia às ruas olhando pra cima e ficava tal qual um lobo uivando quando a noite era de lua cheia. Isso acontecia de tempos em tempos, isto é, quando não conseguia nada com uma jovem ele procurava outra para admirar e depois fitar a lua por horas seguidas.



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Thursday, April 24, 2014

SANDÁLIAS SALVADORAS


Todos sabem que roubos e assaltos nas cidades grandes são coisas comuns. Agora o que aconteceu no apartamento do meu amigo Aldo  foi algo bem diferente. Em uma tarde de domingo ele ouviu barulho fora de casa e foi ver o que se passava.  Quando abriu a porta deparou-se com um jovem de cara limpa, com um revolver na mão. Entrou violentamente e foi logo perguntando pelo dinheiro que Aldo teria guardado no cofre. Aldo respondeu-lhe que não tinha dinheiro algum, nem dentro nem fora do cofre. O coisa ruim não se abateu até que descobriu onde estava o cofre e ordenou ao dono da casa que o abrisse. A princípio o amigo resistiu, mas depois viu que não adiantava, pois o moço estava inquieto e dai vocês sabem como é. Pegou a chave do cofre e o abriu na frente do ladrão e logo saiu do meio.   O cara meteu a mão e retirou um par de sandálias.
- O que é isso? Ta brincando comigo? Cadê o dinheiroo?
- Eu já disse que não tenho dinheiro!
- E o que quer dizer essas sandálias? Aldo respondeu rindo:
- Eu boto minhas sandálias aí no cofre porque meu neto pega elas e esconde. Quando eu preciso morro de procurar e não acho. Agora ele não pode mais escondê-las.
O ladrão deu meia volta e saiu do apartamento correndo.



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Tuesday, April 22, 2014

NA BODEGUINHA DA DONINHA É ASSIM - HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 367

Doninha, a dona da bodega da esquina, era uma filósofa. Ela observava, em seu comércio, que diziam ser o maior da redondeza, a atitude dos fregueses e comentava com alguns amigos ser muito difícil para o conjunto da população ou para muitas camadas do povo, comprar à vista, mas que quando se compra a prazo, tudo fica mais viável. Daí as cadernetas que ela mantinha desde muito tempo com os fregueses mais conhecidos. Alguns ficavam intrigados e perguntavam:

- Doninha e o que você faz com as cadernetas não liquidadas? E ela: - Ora, no final da tudo certo!

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Thursday, April 17, 2014

E ESSES PINGUIM?


Ricardo estava desesperado, tipo assim ele não sabia a quem recorrer para conseguir uma empregada. Foi até Catarina, onde morava seu primo Chico, para procurar uma. Nada conseguiu, mas o Chico, um velhote experiente deu-lhe um conselho:
- Olha Ricardo põe um anúncio tipo popular no jornal que eu aposto vai dar certo. Tu vai encontrar uma pessoa.
- E tu me ajuda a escrever o anúncio?
- Certo camarada!  Vamos lá: Escreve aí: PROCURA-SE DOMÉSTICA QUE DURMA. COM REFERÊNCIAS. R$ 1.500. TRATAR (085) .... .... Ficou bom? Ta tudo aí como tu queria?

- E esses pinguim pra que serve?

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Sunday, April 13, 2014

SONHOS E PESADELOS - HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 366


Joviano sonhava com sucessos impossíveis de acontecer ou obter. Sonhava noite e dia. Durante a noite sua especialidade eram os sonhos violentos que envolviam brigas e lutas, como aquele em que ele era xerife e atirava no bandido a quem perseguia. Tentava escapar das balas mortais rolando para baixo de carroças e terminava caindo da cama. Fazendo grande barulho ele chamava atenção das pessoas da casa e estas vinham acalmá-lo. Tudo voltava ao normal quando o dia raiava. Quando, à tardinha, saia para seus passeios Joviano tinha outro tipo de sonho. Estes eram mais elaborados. Geralmente sonhava com garotas de antigamente ou mesmo do presente. Eram episódios de relacionamento unilateral. A garota lançava uma centelha de interesse, mas algum tempo depois a recolhia. Para Joviano, entretanto, restava alguma coisa. Ele ficava por dias e meses remoendo diálogos solitários tentando levar os fatos a uma solução. Normalmente esta lhe era sugerida por alguma coisa como descobrir que a inspiradora de seus sonhos era comprometida ou muito jovem e só desejava ser gentil ou mesmo sofria de doença grave que queria encobrir. Tudo parecia terminar aí, mas logo recomeçava em outros cenários.  

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