Wednesday, March 31, 2010

GRANJA, FAZER O QUÊ?


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Tuesday, March 30, 2010

HISTORIETAS DO MEIO DA SEMANA 123


DORMINDO COM OS INIMIGOS



Eles tinham uma casinha, agora quase uma tapera de tão decaída que estava. Eram tempos ruins que haviam se instalado e feito a família em pedaços. Só restaram alguns dos meninos e o casal já velho, mas combatente. Massambique tinha sua rocinha e era teimoso como o que, como foi toda a sua vida. Ele não queria ir embora pra cidade procurar o primo Inácio para ver se arranjava um emprego na rua. Enquanto isso ele ia vivendo, resmungando, teimando e brigando com todos. Certo dia ele chegou da roça, morto de cansado e deitou-se na rede do canto do alpendre. Quando tava agarrando no sono sentiu uma picada nas costas e disse:

- Ô Santinha você num bateu a rede, ela ta cheia de formigas...
Daí a pouco ele novamente falou, mas dessa vez deu um grito mais forte:
- Ô Santinha essas formigas que você deixou aqui são grandes comos todos...
Santinha não disse nada, pois estava acostumada aos reclamos do seu véio. O que ela ouviu foi um verdadeiro estralado de louças quebradas – parecia louça de xícara – e por fim o silêncio. Ela foi ver e o Massambique estava roncando. No outro dia, pela manhã, ele levanta e dá um grunhido como só ele sabia dar e diz: - Santinha vem cá ver eches bicho aqui. E eu pensei que fosse formiga grande. Quando Santinha e as meninas chegaram viram que a rede estava cheia de escorpiões enormes, todos mortos que o caboco tinha matado na rede pensando que eram formigas.



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Sunday, March 28, 2010

HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 165


A PINGA DO ANJO


Em um dos muitos socavões da Serra, lá pros lados da Passagem da Onça, mora uma família de muitas tradições. Seus membros vieram de terras vizinhas, mas castigadas pelas secas que tudo destrói. A família construiu um pequeno império assentado na produção de arroz e cana-açúcar. Nenhum açúcar ou mesmo rapadura saia dos engenhos do sítio, somente uma aguardente que se tornou afamada em toda a região. A pinga era vendida sob o nome de “A pinga do anjo”, nome que ninguém sabe de onde vinha. Isso até que uma turma de amigos do proprietário foi visitá-lo e descobriu por que ela tinha esse nome. Segundo o velho Tomaz o nome da pinga foi dado em homenagem à sua bisavó Irismar. Ela tinha um defeito de visão e quase não enxergava. Seu avô Ângelo dizia que ela, ao olhar em direção aos santos entronizados no pequeno santuário, lembrava um desses anjos barrocos que são reproduzidos em gravuras aos milhares.


A gravura é: “In Truth There Is Love” por Elvira Amrhein

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Saturday, March 27, 2010

CONTOS DA RIBEIRA 30


VIAGEM QUASE EXTRAORDINÁRIA


Pedro saiu da Ribeira e encontrou-se com sua amiga na Capital. Ele pretendia viajar pelo Velho Mundo e mostrar as belezas da antiguidade para ela. Essa viagem foi uma das muitas que Pedro Lobo fez ao Velho Mundo. Ele era fascinado pela História dos povos antigos principalmente os gregos e os romanos. Pedro se metia nas maiores enrascadas, pois que não falava nem uma das línguas dos países que visitava e se valia da linguagem das mãos e da face para se comunicar com os nativos. (...)


Agora ele estava viajando com essa amiga já fazia algum tempo. Acreditava estar acostumado com essa história de se hospedar em diferentes hotéis com seus apartamentos minúsculos, banheiros cromados, providos de sabões, cremes e o que mais, de camas com lençóis cheirosos, cafés gordos com frutas, presuntos, queijos, pães diversos, tudo diferente e gostoso. Mas este hotel de Corfu bateu todos, pois era muito estranho. Já no segundo dia, ao terminar o café, ele decide subir ao apartamento; apanha a chave do 223 na portaria, onde havia há pouco deixado-a e toma o elevador. No corredor do 2º andar ele procura o seu apartamento e não o encontra. Desce e dá uma volta pela portaria e sobe novamente. Talvez ele tivesse, tipo assim, passado em frente ao apartamento e não visto o número. Quando chega ao corredor, novamente não encontra o número. Ele resolve subir um lance da escada e procurar, mas não acha o 223; desce dois lances e também não o encontra. Como última tentativa de encontrar e de se encontrar, pois ele estava começando a acreditar ter sido abduzido por alguma entidade maligna que o queria em outro lugar, mas não em Corfu, Pedro desce até a portaria. Aí por trás do balcão estava um camarada com a cara do Mr. Spock da Jornada das Estrelas. Ele conseguiu evita-lo e procurou o boy que já o havia atendido anteriormente. Pedro com muita ansiedade e muito nervoso pergunta ao moço onde fica o apartamento 223 que ele não conseguiu encontrar por bem mais do que meia hora. O boy lhe responde: Veja Senhor, o hotel tem cinco elevadores que servem a diferentes apartamentos. O Senhor tem que tomar este aqui, disse apontando a porta de um dos elevadores. Aperte o botão “2” e, quando o elevador parar o Senhor sai e procura no corredor que o seu apartamento fica logo do lado direito. Seguindo as instruções do moço ele chega em frente ao apartamento e vê sua amiga apreensiva a sua espera (certamente) já por mais de vinte minutos.



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Friday, March 26, 2010

POEMAS BARRETO/XAVIER 107


O poema de LÍVIO BARRETO, abaixo transcrito, está publicado em “Dolentes”, seu único livro.


POEMAS ÍNTIMOS


A Weyne Coelho


Muita vez a cismar me fico horas perdido

Em teus olhos leais, meu único tesoiro!

E o meu ser se embriaga e tomba adormecido

Nas ondas triunfais do teu cabelo loiro.


E da cisma por sobre o lúgubre cairel

Tua imagem bendigo, a adoro-te, criança,

A ti que me orvalhas-te a murcha flor da esp´rança

E me saraste d´alma a ferida cruel!


Na abóbada sem luz da minha mocidade

Quando assomaste a rir, ó sol de minha crença!

Minh´alma ajoelhou e a noite da saudade

Mudou-se para mim numa alegria imensa!


E hoje, quando cismo, o coração ferido

Procura o teu olhar, meu único tesoiro!

E meu ser se embriaga e tomba adormecido

Nas ondas triunfais do teu cabelo loiro!


- 1893 –

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Wednesday, March 24, 2010

GRANJA, FAZER O QUÊ?


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Tuesday, March 23, 2010

HISTORIETAS DO MEIO DA SEMANA 122


O CHEIRO DO BAR DA LETINHA

O bar da Letinha era muito concorrido. Além de bebidas destiladas e das cervejas mais procuradas o bar tinha uns pratos muito bons: galinha caipira, buchada de bode, sarrabulho e diversos tipos de peixe entre os quais o cangati. O bar tinha um porém: um cheiro, ou melhor, um fedor insuportável. Em dias de muito calor sentia-se um cheiro de urina misturado com o cheiro de suor dos empregados da estrada e que faziam ponto lá até altas horas. A clientela mais antiga, composta de políticos de alta linhagem e grandes posses e jogadores de carta, estava já reclamando da proprietária dizendo que ela devia tomar providências. As providências que ela, a princípio, imaginou tomar foram proibir a entrada dos operários e uma melhor limpeza do mictório no quintal. Mas aí alguém sugeriu uma solução mais moderna, mais tecnológica. A Letinha seguiu o conselho desse amigo do peito, mesmo. Havia sido instalada na Capital uma companhia que utilizava tecnologia inglesa e importava produtos da China. A companhia vendia cheiros, cheiros naturais o mais possível. Era só testar e decidir que cheiro neutralizaria os do bar. Dito e feito. No dia aprazado para o teste os técnicos fecharam o bar e o banharam sucessivamente com cheiro de brisa do mar, cheiro de flores do campo e com o cheiro do plenário da Câmara. Outros cheiros foram testados, mas a Letinha optou pelo cheiro de flores do campo.

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Sunday, March 21, 2010

HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 164


NO LABORATÓRIO DE QUÍMICA

A algazarra na aula prática de Química era grande. Muitos gritavam que queriam ser o “Cloro” e outros que queriam ser o ”Sódio”. Zezito que tinha vindo do interior não compreendia o que se passava. Os meninos não se entendiam até que chegou o professor Grandeza para dar sua primeira aula do ano. Logo no início da preleção ele chamou o Alcidinho e o Arturzinho, meninos filhos de gente rica da Capital e já conhecedores das muitas tradições do Liceu. Ao primeiro ele nomeou “Cloro” e dizia ser ele um elemento volúvel, potencialmente muito perigoso e ao Arturzinho ele chamou “Sódio”, elemento realmente explosivo. O Professor Grandeza pediu aos dois que se dessem os braços e anunciou, para a turma embevecida, a presença, da molécula inteiramente inofensiva, o cloreto de sódio, o conhecido sal de cozinha!



A foto é do Laboratório de Química da Universidade de Glasgow em 1864 tomada por um Professor Dionadi.

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Saturday, March 20, 2010

ANIVERSÁRIO DE NASCIMENTO DE BACH


Johann Sebastian Bach nasceu em 21 de março de 1685 em Eisenach (Alemanha). Bach é considerado um dos maiores gênios da música e é, certamente, o maior expoente musical de uma família de compositores famosos. Entre suas obras mais conhecidas estão os Concertos de Brandenburgo, as Variações de Goldberg, o Cravo Bem temperado, cantatas e inumeráveis peças de inspiração religiosa. Em sua homenagem mostramos uma pequena porção da Paixão segundo Mateus. Leia mais sobre Bach no artigo da Wikipedia sobre ele. continuação do texto/postagem







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A VIDA AVENTUROSA DE TROFIM VASEC EM DIVERSOS CAPÍTULOS – 2


A bodeguinha da Quatiguaba

Trofim Vasec decidiu que não entraria na Ribeira, ao invés disso, ele se dirigiu pras bandas da Serra para aventurar a vida no meio de gente rica das fazendas e dos sítios que lhe disseram haver muitos no município, lá pelo Pé da Serra. (...)


Depois de muito perambular em sua burra e puxando sua cachorrinha pelo interior no Para, Batuba, Quatiguaba, Barra, e por aí vai vendendo bugigangas e futricas resolveu se instalar em Quatiguaba mesmo. Ficava nas quebradas da Serra, mas era perto da Ribeira. Lá encontrou um cabra que estava metido num negócio de bodegueiro, mas estava perdendo muito dinheiro e por isso queria passar sua bodega adiante. O eslavo convenceu o cabra a lhe vender a bodega por um precinho justo e bem bom. A bodeguinha ficava na entrada da vila e, por alguns anos, vendendo cachaça falsificada, rapadura salgada, farinha mofada e também as bugigangas e futricas que trouxera, aumentou seu dinheirinho e passou a ouvir com mais atenção as histórias que os matutos ao procurarem molhar o bico lhe contavam.


A história que mais impressionou Trofim foi aquela que lhe contaram sobre o Padre Lobo. Nos tempos antigos esse padre desencaminhou uma menina da Serra e passou a viver com ela portas a dentro. O casal teve muitos filhos, mas Padre Lobo não lhes deu o seu nome. Ele inventou um nome de família e hoje seus descendentes são conhecidos por um sobrenome bem diferente. O russo ficou horrorizado com esse relato e dizia que na religião dele isso não seria aceito.


Ele soube que na Quatigaba os sacerdotes gostavam de viver de portas a dentro com as meninas mais bonitas da cidade. E os dois de quem seus novos amigos falaram ele viu que tiveram sucesso e formaram famílias importantes que migraram para a Ribeira propriamente. Ele ficava pensando se essas famílias criadas por esses padres, certamente, não seriam mais esclarecidas e não o aceitariam. Ele sabia dos seus dotes poéticos e que isso era muito valorizado na Ribeira.

Trofim Vasec resolveu pegar a estrada novamente.


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Friday, March 19, 2010

POEMAS BARRETO/XAVIER 107


O poema de LÍVIO BARRETO, abaixo transcrito, está publicado em “Dolentes”, seu único livro.

ÍNTIMA

Não sei que calma flutua
Em teu olhar,
Tão pura e tão poderosa,
Sagrada, misteriosa,
Tal como a calma da luz.
Ou como a calma do mar.

Muita vez minh´alma em pranto,
Amargurada,
Como um corça ferida,
Procura a fonte da vida
Na harmonia do teu canto,
Na unção da tua risada.

Pareces-me um ser aéreo,
Silfo ou anjo,
Que avistando a tua imagem
Pára o vento na ramagem...
Cerca-te um fluido, um mistério.
E é sagrado quanto abranjo!

E este amor ardente e puro
Que me inspiras
Tem tal força, tal encanto,
Tem tal poder, é tão santo,
Que em seu segredo, obscuro,
Tem o clarão de mil piras.

Basta ver-te, e o meu olhar,
Morto e vago,
Brilha, lampeja, se inflama,
Tem fulgor de viva chama
Como um sol a incendiar
A quietude de um lago.

Ah! como te adoro! Santa!
Meu clarão!
É tão profundo este amor
Como a Saudade e a Dor!
És a flor que se levanta
Das ruínas de um Coração.


- Camocim – 95 -


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ONU - DESIGUALDADE


Quatro capitais brasileiras estão entre as mais desiguais do mundo, diz ONU


Goiânia, Brasília, BH e Fortaleza só são menos desiguais que 3 africanas.
Número de moradores de favelas caiu 16% no Brasil, segundo relatório.

Veja texto de Carolina Lauriano Do G1, no Rio.


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Wednesday, March 17, 2010

GRANJA, FAZER O QUÊ?


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Tuesday, March 16, 2010

HISTORIETAS DO MEIO DA SEMANA 121


A PEIXARIA DO ZITO PEIXEIRO

O velório do Coronel começou cedo, aí pelas cinco horas da tarde, pois já fazia algum tempo que o velho havia morrido e os parentes quiseram tirar o corpo da sala da frente da Casa Grande. Demorar mais dava azar e o cheiro, com o calor que fazia... Eles preferiam expô-lo na Funerária. Quando bateu sete horas o Seu Zé Luiz deu demonstrações de que estava com muita fome. Aí acharam os presentes que era por causa do cheiro de peixe que chegava até eles vindo da banquinha do Zito Peixeiro, na calçada do outro lado da rua. A Marildes, sobrinha do Seu Zé Luiz atravessou a rua e comprou uns peixinhos e ela mesma os fritou na cozinha da Funerária.


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Monday, March 15, 2010

LIRA NETO


A BALA QUE MATOU MARCELA

In Crônicas da aldeia - Lira Neto


Eu não conhecia a empresária Marcela Montenegro. Mas sei muito bem quem é o autor do disparo que a atingiu: a nossa indiferença cotidiana. Isso mesmo. É exatamente isso o que você leu: quem atirou em Marcela foi nossa estupidez e nossa omissão. Todos nós somos os seus algozes.

Leia a continuação dessa crônica de Lira Neto em seu blog.


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Sunday, March 14, 2010

HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 163


O PROFESSOR EXPERIENTE

Os dois colegas foram a um congresso em que faria uma das conferências principais um famoso investigador alemão. Este havia sido o orientador de um dos dois. Estava o mestre Prof. V. Hoschhach dando palestra sobre “Nano-sequenciamento de oligonucleotídeos promissores”, apresentando sua larga experiência no assunto. Extasiado seu ex-aluno vira-se de lado para o amigo e comenta:
- O Prof. Hoschhach faz isso aí até dormindo!

Texto completo.


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Saturday, March 13, 2010

CONTOS DA RIBEIRA 29



CHINANAN E SEU PINTINHO ALADO

Toda a família viajou na carroceria; o pai, a mãe e a tia iam na boleia do caminhão do Milton para as Caraúbas para passar quinze dias. Era o tempo da festa de Nossa Senhora e quase toda a cidade se transportava para lá. Mal chegaram lá os meninos viram que os amigos do Grupo Escolar já haviam chegado e se espalhavam pela rua brincando. Eles iriam logo se juntar a eles para começar as traquinagens. (...)


Toda a meninada, nesse tempo da festa, passava as manhãs caçando canários com alçapões e calangos no laço; estes eram torturados em verdadeiros autos de fé inquisitoriais e seus restos jogados no mato para os gatos. Essas caçadas aconteciam principalmente nos quintais das casas que tinham a frente para rua principal e eram cheios de cajueiros e mangueiras. Os meninos trepavam nos cajueiros e ficavam pulando desses para os muros procurando os calangos. Quando se cansavam das caçadas desciam e atravessavam a estrada que dava para o cemitério, não para ver as almas como pensavam encontrar algum dia, mas para caçar os canários nas matas de marmeleiro que ficam depois dele. Nessas empreitadas passavam em frente ao abatedouro do Seu Zé Felício para ver se tinha alguma caveira de boi pregada no cajueiro da frente: o velho marchante usava o expediente de pregar a cabeça de um boi recém abatido no tronco do cajueiro para afastar os ladrões; ninguém acreditava que isso fosse possível, mas mesmo assim ele fazia. Um pouco antes do sol a pino eles iam todos tomar banho no açude que na época estava com água nova e não dava coceira. As mães de muitos deles não tinham a menor idéia de onde andavam ou do que faziam seus filhos nessas manhãs de brincadeiras; todos vestiam calças curtas com suspensórios feitos do mesmo tecido e sem nenhuma proteção, pois não existiam cuecas para meninos naqueles tempos, ao contrário das meninas que andavam mesmo só de calcinhas, geralmente imundas. Elas nunca os acompanhavam nas brincadeiras das manhãs. Após o almoço em casa, pois se não estivessem presente não comeriam - passariam por debaixo da mesa – eles se reuniam novamente, sempre em frente da casa do Jorginho onde tinha uma areia fofa, para brincarem de bila, triângulo e outros jogos dos quais as meninas tinham permissão de participar. Os jogos eram sempre disputados a dinheiro, melhor dizendo a cédulas de cigarro, pois era um verdadeiro vício a mania de colecioná-las; havia as valiosas, as muito valiosas e as pebas: essas eram Continental, BB, Colomy e outras, as valiosas eram Peito de Vaca, Hollywood e as muito valiosas eram as americanas Lucky Strike, Phillip Morris e por aí vai. Jorginho era um verdadeiro capitalista, no que diz respeito ao dinheiro de cédulas de cigarro, pois tinha fornecedores de carteiras de cigarros americanos e isso lhe dava uma vantagem grande. Os outros meninos trabalhavam com o volume, pois as cédulas menos valiosas eram encontradas aos montes. As bilas eram compradas na bodega do Vicente na cidade e eles tinham de trazer de lá, pois nas Caraúbas era mais difícil compra-las. As brincadeiras da tarde iam até a noite, entrando pela hora da janta o que novamente causava aborrecimento, pelo menos na casa do Jorginho, às empregadas como a Fransquinha que engrossava com a criançada por não deixar o quindim dela – o dito Jorginho – livre para o banho de cuia e a refeição.
Dos meninos que moravam na vila todos gostavam mais era do Chinanan; ninguém nem ele mesmo sabiam por que o chamavam assim, mas isso não importava, ele tinha os olhos amendoados como um verdadeiro indiozinho ou um chinesinho, daí talvez viesse a alcunha; ele já tinha uns nove anos, e era meio entanguido de modo que parecia ser bem mais novo do que os outros, da cidade, bem nutridos e bem lavados. Nele era tudo ao contrário: não comia e não tomava banho, mas no tempo da festa comia bem mais e tomava banho no açude o tempo todo; depois da festa parecia até um porquinho cevado e bem lustroso, ficava uma maravilha. Mas o moleque era sem vergonha, pois tirava prosa com todos os outros e até com os mais velhos; e todo o mundo gostava dele. Chinanan morava com sua avó que a todos os meninos e mesmo aos adultos parecia ser uma índia dessas que conseguiram sobreviver por séculos afora. A velha vivia de favores dos brancos que moravam na vila e, durante a festa emprestava seus conhecimentos culinários a algumas famílias da cidade que gostavam de comidas estranhas como galinha seca e à cabidela e beijus e bolos manuê e chá de burro e cuscuz e por aí vai. Ela ganhava um dinheirinho que dava para comprar roupas para os dois que bastariam até a festa seguinte. Chinanan não ia à escola, sua avó havia decidido que ele não precisava, tinha mesmo era que aprender a ganhar a vida, sem estudo algum. Os amigos gostavam de ouvir Chinanan contar suas histórias de aventuras fantásticas contadas nas rodas em frente da casa, principalmente a de Jorginho. Uma dessas histórias era a mais apreciada. O moleque tinha uma verdadeira fixação pelas viagens espaciais sobre as quais ele tinha-se inteirado ao ver fotografias em revistas e em sessões ocasionais do cinema do Chico Ponte que levava sua máquina para as Caraúbas no tempo da festa. Ele viu na Careta e ficou muito impressionado com a foto de um pequeno morcego preso a um foguete que estava pronto para subir ao espaço. Ele nem imaginava o que de ruim pudesse ter acontecido com o animalzinho, pois pensava em seu ídolo Batman para justificar seus anseios. Certo dia os companheiros descobrem que o menino tinha o hábito de mostrar seu pequenino membro e expandir lateralmente o saco escrotal numa imitação das asas de um pintinho, como ele dizia e falava que ele, pintinho, estava se preparando para uma viagem ao espaço. Todos os meninos, e as meninas também, adoravam ver o Chinanan fazer essa arrumação e por isso pediam ao menino para fazer morceguinho que era como os outros chamavam seu pintinho alado. Fza 1/8/09

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Friday, March 12, 2010

POEMAS BARRETO/XAVIER 106


O poema de LÍVIO BARRETO, abaixo transcrito, está publicado em “Dolentes”, seu único livro.

NOTURNO

Nos altos céus a lua corre douda,
Quase morta, de susto estarrecida,
Com uns ares de loba perseguida.
A treva espreita. Uiva a tristeza em roda.

Conspira o vento pelos arvoredos
Passando a senha aos tristes conjurados.
Rosna a traição. É a noite dos segredos...
Cochicham para a lua os namorados.

Pia ao longe a coruja: é a sentinela,
Alerta! Pronto! (Como a noite é bela!)
Morre, vil! Por Jesus! Perdão, perdão!

Vibram ainda os merencórios ecos...
Sobre um leito de sonhos secos, secos,
Geme alguém no meu peito: - é o coração.

- 94 –


Gravura: Moon river por Hsi Tsu-Chang

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Wednesday, March 10, 2010

GRANJA, FAZER O QUÊ?




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Tuesday, March 09, 2010

HISTORIETAS DO MEIO DA SEMANA 120


OS ÍNDIOS DO IMBIRASSU

Lá pelos lados do Imbirassu há um local no Rio quase no meio da vila onde damas e cavalheiros tomam banho e se refrescam do terrível calor desses dias. Quando o viajante chegou viu aquela cena, ou aquelas cenas, espantou-se e foi procurar uma explicação. Ao perguntar o que estava havendo, o cidadão dono da venda que fica perto do tal banho lhe disse que era assim o costume desde muito tempo. Mais que depressa o visitante lhe perguntou se havia índios por lá, pelo Imbirassu. A resposta do cidadão foi que lá não tinha índio não e que se teve algum dia foi bem antes da descoberta do Brasil.


Figura: Lendas do Brasil_- Lanzellotti 4 (em: http://bruxaguinevere.blogspot.com/2009_03_01_archive.html)


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Sunday, March 07, 2010

HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 162


EXPERIÊNCIA CIENTÍFICA

A professora havia completado uma experiência demorada que lhe havia tomado boa parte do dia. Após limpar a bancada que usara vai até a pia de uso geral e começa a lavar as mãos, como normalmente fazia. Nisso chega-se a ela uma estudante que havia passado o dia rondando o laboratório, mas não tivera coragem de abordá-la. Agora ela pergunta, com coragem: - Professora o que a Senhora está fazendo? - Estou lavando as mãos...

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Saturday, March 06, 2010

CONTOS DA RIBEIRA 28


SOB O MANTO VERDE DA CARNAÚBA.

Sentado na poltrona do lado da janela no ônibus que o trazia da capital ele notou surpreso, logo que o veículo entrou nas primeiras ruas, o grande número de casas de morada, prédios escolares e outros prédios públicos, inclusive o do hospital, pintados de verde. (...)


Era mesmo um verde berrante. Ele virou-se e perguntou para a moça que vinha ao seu lado:

- Você está vendo isso? Tudo pintado de verde? O que será? Será que a tinta verde está mais barata do que as outras? A jovem olhou para fora e, confirmando sua observação disse:
- É verdade, Dr. Aristeu, eu já sabia disso faz alguns dias.

Agora tudo é verde. Antes a luz reinava, apesar de ser uma luz fraca e fria de vela. Mas como eram centenas, talvez até milhares, para muitos parecia que alguma claridade existia na Ribeira. Qual o que! O Povo vivia sob uma penumbra enorme, se é que se pode quantificar a penumbra. Agora tudo é diferente, tudo mudou, pois a pobre cidade está mergulhada sob um denso manto verde, verde clorofila.


Ao descer na “Rodoviária do Bravura” ele continuava a ver que tudo estava mesmo verde. Conversando com o Senhor Bravura ele soube que havia sido baixada, nos últimos dias, uma determinação sobre a pintura dos prédios administrativos. Todos eles seriam, a partir de agora, pintados de verde-carnaúba; e foi dado um prazo de dois meses para que a obra ficasse completa. Alguém que ouvia a conversa entre os dois, aproximou-se e, com muito cuidado e com a voz bem baixa disse:

- Eu soube que também foi emitido um decreto estabelecendo que 75% das residências da cidade tenham suas fachadas pintadas com a essa cor que agora é símbolo do burgo. Se isso não for atendido haverá um aumento de 80% no valor da décima.

Em casa de seu tio ele descobriu, pela conversa de Seu Ricardo, que algumas residências e prédios de famílias nos diversos bairros da cidade, já se anteciparam e mandaram também pintar suas instalações interiores com um verde berrante.
Após o jantar quando todos puseram cadeiras nas calçadas e foram aproveitar a viração eles ouviram a Fransquinha, professora no Grupo, lhes contar que a Diretora havia mostrado as novas camisetas que seriam distribuídas aos alunos de toda a rede pública. A cor era verde-carnaúba, com o nome da escola em branco. Ele perguntou:

- E Fransquinha porque verde-carnaúba?
- É porque essa cor é agora a cor símbolo do município quando antes era laranja. - Tudo bem Fransquinha, mas porque usar essa cor símbolo agora?
- Bem Dr. Aristeu eu não sei lhe explicar bem. Parece que é por causa das carnaúbas que os homens grandes daqui descobriram que é uma coisa importante e eles parece que estão querendo fazer alguma coisa antes que uzamericano acabem com elas como andaram dizendo.


Março 2010


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Friday, March 05, 2010

POEMAS BARRETO/XAVIER 105


O poema de LÍVIO BARRETO, abaixo transcrito, está publicado em “Dolentes”, seu único livro.

ATRAVÉS DO SONHO


A Roberto de Alencar


Cerro os olhos de noite, enquanto o sono
Não chega, e deixo-me ficar sonhando
Neste abstrato e lânguido abandono

De quem com o coração vai conversando.

E como um triste e luminoso bando

De garças, sob o azul de um céu de outono,

Vão minhas utopias emigrando

Do altar aonde o teu amor entrono.


Trono de flores que a ilusão colora

Minuto por minuto, enquanto chora

O Coração no íntimo, sentido,


Aonde o teu amor mal pousa e aonde
Minha esperança última se esconde

Como um pássaro triste e malferido.


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Thursday, March 04, 2010

INSTITUTO JOSÉ XAVIER - ASSOCIADOS


CAMPANHA DE ADESÃO – 100 ASSOCIADOS


O Instituto José Xavier (IJX) de Granja (CE) deu início, neste mês de março, a uma campanha para adesão de novos sócios. A meta estabelecida, no momento, é o número de 100 Associados; nesta categoria o sócio contribui anualmente com R$ 100,00.
Como forma de agradecimento, o IJX, presenteia os novos Associados com publicações da Coleção Cadernos do Instituto José Xavier. Os Associados recebem anualmente Relatório das atividades do IJX além de terem seus nomes afixados em destaque na sede do Instituto.

Endereços para contacto: http://institutojosexavier.com.br/ institutojosexavier@yahoo.com.br


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Wednesday, March 03, 2010

GRANJA, FAZER O QUÊ?


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Tuesday, March 02, 2010

HISTORIETAS DO MEIO DA SEMANA 119


ACORDA LÍVIO BARRETO! LEVANTA ANTÔNIO AUGUSTO! SUSPIRA BEVILÁQUA! MOSTRA TEU VALOR PESSOA ANTA!


Com todo o calorão que estava fazendo o jeito mesmo era ir tomar uma cerveja no Bar da Lalinha. Logo que eles chegaram aproximou-se o Bob com diversas telas para mostrar sua mais recente produção. Não que os dois tivessem pedido isso ao rapaz, ele estava à espera de Talzinho para quem iria mostrar seus quadros novos. Bob foi mostrando seus quadros quando um deles disse:
- Esse dá uma idéia de alguma coisa de Picasso... Você conhece o Catalão, Bob?
– Quem é esse agora? O tal de Picasso eu sei que ele não sabia nem desenhar. A minha pintura é tipo assim um barroco metido a romântico, vocês concordam?
Fazer o quê? Pensaram os dois. E gritaram:
- Lalinha traz mais uma cerveja bem geladinha!


Texto completo. O quadro é: Três músicos de Picasso.

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