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Thursday, October 16, 2008

VISTAS DA GRANJA 66




Que me importa esta gente, se eu te adoro?
Se tu me amas, que me importa o mundo?
do poema A*** de Lívio Barreto, 1893.
VISTAS DA GRANJA - ABANDONO E DESTRUIÇÃO

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Friday, September 12, 2008

POEMAS BARRETO/XAVIER 39


LÍVIO BARRETO (1870 - 1895)

OS CRAVOS BRANCOS

Cravos brancos, cravos brancos como o leite,
Que as noivas levam para a Igreja ao ir casar,
Cravos da côr das escumilhas do corpete,
Brancos de espumas atiradas pelo mar.

Cravos brancos invejado pelos goivos,
Cravos brancos que de brancos dão vertigens;
Cravos que são como hálitos de noivos,
Beijos de noivos embaciando mãos de virgens!

Cravos brancos, cravos brancos, lágrimas d´anjo,
Cravos de Maio cor de leite de noivado;
Cravos de luar que sorri como um arcanjo
A meditar no seu castelo enamorado.

Ó cravos brancos! Brancas flores misteriosas,
Seios ireis agasalhar com vossas neves,
Seios macios como pétalas de rosas,
De carne rija, sangue quente e curvas breves.

Flores dormentes de volúpia e de desejos,
Sempre a sonhar presas aos seios das donzelas,
Amarrotadas pelo fogo de seus beijos
E sempre brancas, sempre puras, sempre belas!

Flores que as noivas levam presas na caçoula
Das mãos de arminho, cravos brancos, para o altar,
Para, ao voltar com as faces de papoula,
Dá-los às virgens para logo irem casar.

Cravos brancos como as mãos da minha amada,
Quando eu descer à terra fria, num caixão,
Desabrochai, brancos soluços d´alvorada,
Ó cravos brancos que plantei no coração.

Março - 93 (Poema dedicado a Waldemiro Cavalcante)

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Saturday, May 24, 2008

POEMAS BARRETO/XAVIER 24


LÍVIO BARRETO (1870 - 1895)

A VOLTA

Voltaste! Olha-me terna e longamente!...
Da derradeira lágrima chorada
Em minha face pálida e sulcada
Inda o sinal verás fundo e eloqüente.

À mágoa entregue de te ter ausente,
Minh´alma, há tanto tempo separada
Da tua, foi-se enferma e contristada
Se contraindo dolorosamente.

Mas, tu voltaste, ó pálida senhora,
E eu vi, levada na asa da alegria,
Minha tristeza funda e aterradora.

Não há dia que valha-me este dia,
Todo cheio das pompas e da aurora
Que o teu olhar angélico irradia

- 93 –

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Friday, April 25, 2008

POEMAS BARRETO/XAVIER 20

LÍVIO BARRETO

BELA

Alta, franzina, erecta, o porte nobre e fino
De uma graça ideal de planta delicada...
Através do esplendor da renda perfumada
Emerge o seio firme, estonteador divino.

De uma graça felina e de risadas francas,
Ao olhar-nos o fulgor de seus olhos serenos
Faz lembrar em jardins de seiva e viço plenos
Dois miosótis azuis entre açucenas brancas!

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Friday, April 18, 2008

POEMAS BARRETO/XAVIER 19


ESPERA E CRÊ
de Lívio Barreto

Meu amor, meu amor! A nossa estrada
Como é cruenta! Como é dolorosa!
Só nossa crença guia-nos, e nada,
E nada mais, ó minha pobre rosa!

Do horizonte na bruma silenciosa
Não aparece a estância alva e sagrada
Que há de guardar tua alma carinhosa
Como um ninho uma pomba fatigada.

Pálida e triste, angélica e franzina –
Fitas o olhar na solidão imensa
E o desalento enubla-te a retina.

Espera e crê! Por entre a treva densa
Há de brilhar a estrela peregrina
Que há de guiar-nos pelo azul suspensa...

- Granja – 93 -

Foto: S. Miguel, Açores, Lagoa das Furnas

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Friday, April 11, 2008

POEMAS BARRETO/XAVIER 18


INÁCIO XAVIER FILHO (1921-1999).

Ao tricentenário do nascimento de Bach (1685-1985).

Sou poeta e amante da música e letras clássicas. Por isso aproximei os gênios de Bach e Platão. O soneto abaixo foi escrito em 1978, (...).

Palavras do poeta na apresentação de deste poema publicado na coletânea “Poetas brasileiros de hoje – 1986” (em Shogun Arte), Shogun Editora e Arte Ltda, 1986, 119 pp, Rio de Janeiro

DIAS FINITÍMOS

Século de Péricles! Em Atenas
Transluz o facho aceso contra os Bárbaros,
Quando já nascera Platão, apenas...
Ancião o revelaria aos seus pósteros.

Século dezoito! A Alemanha em peso,
Eis assiste uma nova Renascença...
E jorra a luz do cravo sonoroso,
De João Sebastião Bach à tensa...

Do pensamento e som, gênios afins,
Ambos graves sectários da razão,
Cônscios da divindade nos confins.

Convivem na mente e no ouvido, aos próximos;
Origem de adorável confusão,
Do tempo esquecidos em dias finítimos.

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Friday, March 07, 2008

POEMAS BARRETO/XAVIER 15


RAIMUNDO MAURO OLIVEIRA FILHO, Maurinho (1949 -1980), filho de Raimundo Mauro Xavier de Oliveira e Leilah Frota de Oliveira, é o representante da quarta geração dos poetas Xavier/Barreto no blog.

INTERLÚDIO

Homem triste repousando no caixão roxo, suavemente morto.
Homem repousando no caixão roxo, suavemente morto.
Homem no caixão roxo, suavemente morto.
Homem roxo no caixão escuro, suavemente roxo.
Homem roxo-escuro no caixão negro, repousando suavemente morto.
Homem escuro no caixão negro, suavemente morto.
Homem negro no caixão, suavemente morto.
Negro no caixão, suavemente morto.
No caixão, suavemente morto.
Suavemente morto.
Suavemente...
Morto...

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Friday, February 29, 2008

POEMAS BARRETO/XAVIER 14


LÍVIO BARRETO XAVIER (1900 – 1988). Em entrevista a Almeida Salles, tornada livro – “Infância na Granja” – Lívio afirma: ”Fiz normalmente algum soneto ou balada, aos 17 anos, como algum poema, até em francês, perto dos 30 e depois dos 40. O resultado dessa atividade que não posso deixar de qualificar de poética não me dá, contudo, o direito de pretender o título de poeta”. Assim era Lívio Barreto Xavier.

NATUREZA MORTA

A natureza nos teus olhos arde
A natureza nos teus olhos morre

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