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Wednesday, March 04, 2009

DOLENTES - "POEMAS BARRETO/XAVIER 61" - CORREÇÃO


Corrigimos aqui uma informação errônia dada na postagem "POEMAS BARRETO/XAVIER 61" de 27/2/2009: os autógrafos "José Barretto" tanto podem ser do irmão do poeta, José Thiago Barreto, como de seu sobrinho e filho de Ordônio Barreto, José Pessoa Barreto; podem também ser de um e do outro.

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Friday, February 27, 2009

POEMAS BARRETO/XAVIER 61

O INSTITUTO JOSÉ XAVIER de Granja abriu inscrições para o V CONCURSO ANUAL DE REDAÇÃO dirigido a alunos do 5º ano do Ensino Fundamental ao 3º ano do Ensino Médio, regularmente matriculados em instituições de ensino do município. Os interessados em participar deverão fazer suas inscrições na sede do Instituto José Xavier (IJX), localizado na Rua Pessoa Anta, 564, Centro, Granja, Ceará. O tema do Concurso deste ano é o poeta LÍVIO BARRETO reconhecido nacionalmente como uma das figuras do Simbolismo em nosso País. Postamos aqui um manuscrito inédito do poeta, datado de 1/5/1888 e dirigido ao seu amigo Luiz Felipe de Oliveira. Mostramos também uma foto da página de rosto de seu livro póstumo "Dolentes" - um exemplar com o autógrafo de seu sobrinho José Barreto.





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Friday, September 12, 2008

POEMAS BARRETO/XAVIER 39


LÍVIO BARRETO (1870 - 1895)

OS CRAVOS BRANCOS

Cravos brancos, cravos brancos como o leite,
Que as noivas levam para a Igreja ao ir casar,
Cravos da côr das escumilhas do corpete,
Brancos de espumas atiradas pelo mar.

Cravos brancos invejado pelos goivos,
Cravos brancos que de brancos dão vertigens;
Cravos que são como hálitos de noivos,
Beijos de noivos embaciando mãos de virgens!

Cravos brancos, cravos brancos, lágrimas d´anjo,
Cravos de Maio cor de leite de noivado;
Cravos de luar que sorri como um arcanjo
A meditar no seu castelo enamorado.

Ó cravos brancos! Brancas flores misteriosas,
Seios ireis agasalhar com vossas neves,
Seios macios como pétalas de rosas,
De carne rija, sangue quente e curvas breves.

Flores dormentes de volúpia e de desejos,
Sempre a sonhar presas aos seios das donzelas,
Amarrotadas pelo fogo de seus beijos
E sempre brancas, sempre puras, sempre belas!

Flores que as noivas levam presas na caçoula
Das mãos de arminho, cravos brancos, para o altar,
Para, ao voltar com as faces de papoula,
Dá-los às virgens para logo irem casar.

Cravos brancos como as mãos da minha amada,
Quando eu descer à terra fria, num caixão,
Desabrochai, brancos soluços d´alvorada,
Ó cravos brancos que plantei no coração.

Março - 93 (Poema dedicado a Waldemiro Cavalcante)

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Friday, July 25, 2008

POEMAS BARRETO/XAVIER 33


LÍVIO BARRETO (1870 - 1895)

O amor é uma parasita que nasceu no coração da mulher
fazendo-a sublime; arraigou-se no coração do homem fe-lo
grande, espalhou-se por toda humanidade transformou-se.
Outrora dava-se, hoje vende-se.

(Inédito)

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Friday, May 30, 2008

POEMAS BARRETO/XAVIER 25


LÍVIO BARRETO (1870 - 1895)

RUÍNAS

Quando, solene e grave, a vigília angustiosa
Vem despertar a Dor que dorme no meu peito,
E vejo-te passar, pálida, silenciosa,
Triste visão gentil de meu sonho desfeito;
Oh meu altar de crença! Altar branco e risonho
Do meu amor que foi e não mais voltou, não!
Quando na insônia vens visitar-me suponho
Que és a mesma que eu trouxe a rir, no coração!

- Granja – Junho 93

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Saturday, May 24, 2008

POEMAS BARRETO/XAVIER 24


LÍVIO BARRETO (1870 - 1895)

A VOLTA

Voltaste! Olha-me terna e longamente!...
Da derradeira lágrima chorada
Em minha face pálida e sulcada
Inda o sinal verás fundo e eloqüente.

À mágoa entregue de te ter ausente,
Minh´alma, há tanto tempo separada
Da tua, foi-se enferma e contristada
Se contraindo dolorosamente.

Mas, tu voltaste, ó pálida senhora,
E eu vi, levada na asa da alegria,
Minha tristeza funda e aterradora.

Não há dia que valha-me este dia,
Todo cheio das pompas e da aurora
Que o teu olhar angélico irradia

- 93 –

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Friday, April 25, 2008

POEMAS BARRETO/XAVIER 20

LÍVIO BARRETO

BELA

Alta, franzina, erecta, o porte nobre e fino
De uma graça ideal de planta delicada...
Através do esplendor da renda perfumada
Emerge o seio firme, estonteador divino.

De uma graça felina e de risadas francas,
Ao olhar-nos o fulgor de seus olhos serenos
Faz lembrar em jardins de seiva e viço plenos
Dois miosótis azuis entre açucenas brancas!

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Friday, April 18, 2008

POEMAS BARRETO/XAVIER 19


ESPERA E CRÊ
de Lívio Barreto

Meu amor, meu amor! A nossa estrada
Como é cruenta! Como é dolorosa!
Só nossa crença guia-nos, e nada,
E nada mais, ó minha pobre rosa!

Do horizonte na bruma silenciosa
Não aparece a estância alva e sagrada
Que há de guardar tua alma carinhosa
Como um ninho uma pomba fatigada.

Pálida e triste, angélica e franzina –
Fitas o olhar na solidão imensa
E o desalento enubla-te a retina.

Espera e crê! Por entre a treva densa
Há de brilhar a estrela peregrina
Que há de guiar-nos pelo azul suspensa...

- Granja – 93 -

Foto: S. Miguel, Açores, Lagoa das Furnas

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