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Friday, June 12, 2009

POEMAS BARRETO/XAVIER 75


LÍVIO BARRETO, o “Lucas Bizarro” da Padaria Espiritual, nasceu em 1870 e faleceu em1895, tendo deixado uma única obra, “Dolentes” (póstuma). O poema abaixo transcrito foi dedicado ao também granjense e membro da Padaria Espiritual, Arthur Teófilo cujo pseudônimo na agremiação era Lopo de Mendoza.

OH, DEIXA-ME CHORAR!

A Arthur Teófilo

Oh! Deixa-me chorar! não me despertes
Da letargia atroz do desalento!
Procuro ansioso a paz, o esquecimento;
Dormem meus sonhos pálidos e inertes;

Embalde d´alma carinhosa vertes
Consolações; nas roscas do tormento
Duvida e zomba o coração friorento
E à confiança antiga o convertes.

Foi-se-lhe o dia; vem a noite agora,
Noite infinita sem rubor de aurora
Jamais na torva e fria imensidade!

Que amarga e trágica irrisão, querida!
Tu que já foste o sol de minha vida
És o morto luar desta saudade!


Camucim – Junho - 94
(A gravura acima é Dawn de Alphonse Mucha)

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Friday, June 05, 2009

POEMAS BARRETO/XAVIER 74


O poema abaixo é de LÍVIO BARRETO, publicado em seu livro póstumo “Dolentes”.

SPLEEN

Galé da vida, vou passando os dias,
Dias cruéis de desespero e tédio!
E da tristeza o rancoroso assédio
Mata-me n´alma a flor das alegrias.

Spleen constante, negras vagas frias
Da dúvida! Onde um bálsamo, um remédio?
Coração que naufraga, quem impede-o
De se afundar no mar das agonias?!

Fantástico mineiro, eu desço, à noite,
Ao fundo do meu ser, ao triste açoite
Do vento acerbo da Desolação!

Profunda queda! Perdição sombria!
Subo chorando ao monte da Utopia
Morta entre as ruínas do meu coração!

- 94 –
(A figura acima é uma reprodução do quadro The shade of the wind de David Graux.)

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Friday, May 22, 2009

POEMAS BARRETO/XAVIER 72


O poema abaixo, de autoria de LÍVIO BARRETO, foi publicado Publicado em “O Pão” nº 19, de 1-7-1895 e, posteriormente, em os “Dolentes”:

CONTRADIÇÃO


Nem vale a pena contar
O meu profundo penar!

Viver de ave que doideja
Presa dentro de uma igreja.

Pois imagina, senhora,
Que eu prefiro a noite à aurora?

Mais: - prefiro às noites belas
Com seu rosário de estrelas...

As longas noites trevosas,
Profundas, silenciosas...

E nem te cause piedade
A minha agreste verdade!

Pois se és tu minha alegria
E eu não te vejo de dia;

Se pelas noites de luar
Nunca te posso falar

Prefiro a treva sem fim
Pois tenho-te junto a mim.

E se mais cedo me deito
Mais te tenho junto ao peito,

Para isso basta-me então
Abrir meu coração.

Pois se da desgraça o açoite
Leva a luz que me alumia,
Por ti, eu morro de dia
E ressuscito de noite.


Granja – 93 –
("Casal com seu gato vermelho" de C. Saatchi é o quadro mostrado acima.)

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Friday, July 25, 2008

POEMAS BARRETO/XAVIER 33


LÍVIO BARRETO (1870 - 1895)

O amor é uma parasita que nasceu no coração da mulher
fazendo-a sublime; arraigou-se no coração do homem fe-lo
grande, espalhou-se por toda humanidade transformou-se.
Outrora dava-se, hoje vende-se.

(Inédito)

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Sunday, May 04, 2008

HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 74


Cirurgia Cárdio-Homeopática

Anos após sua filha Romilda ter casado, é que o Comandante soube que o seu genro Brício Fonteles IV é o único Professor-Doutor-Médico em Cirurgia Cárdio Homeopática pela Universidade do Brasil no Norte/Nordeste e quiçá no Oeste ou mesmo no Leste. Ou no Sul.

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