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Saturday, July 04, 2009

POEMAS BARRETO/XAVIER 78


Abaixo o poema Núbil de LÍVIO BARRETO transcrito de “Dolentes”, seu único livro.

NÚBIL

Mais do que tudo eu amo o teu olhar
Tão doce e meigo, ó débil sensitiva,
Que traz minh´alma trêmula, cativa,
Absorta e muda à luz desse luar.

Dos teus anos o cândido alvorar
Tua alma de anjo faz modesta e esquiva;
Cerca-te um ninho de perfume e aviva
O meu amor profundo como o mar.

Ao céu azul das minhas esperanças,
Como orações de mães ou de crianças,
Sobem cantando as aves do meu sonho.

E o coração, por entre a sombra e o pranto,
Diz-me que te amo ardentemente, entanto
Que tu não me amas, com pesar, suponho!

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Friday, June 12, 2009

POEMAS BARRETO/XAVIER 75


LÍVIO BARRETO, o “Lucas Bizarro” da Padaria Espiritual, nasceu em 1870 e faleceu em1895, tendo deixado uma única obra, “Dolentes” (póstuma). O poema abaixo transcrito foi dedicado ao também granjense e membro da Padaria Espiritual, Arthur Teófilo cujo pseudônimo na agremiação era Lopo de Mendoza.

OH, DEIXA-ME CHORAR!

A Arthur Teófilo

Oh! Deixa-me chorar! não me despertes
Da letargia atroz do desalento!
Procuro ansioso a paz, o esquecimento;
Dormem meus sonhos pálidos e inertes;

Embalde d´alma carinhosa vertes
Consolações; nas roscas do tormento
Duvida e zomba o coração friorento
E à confiança antiga o convertes.

Foi-se-lhe o dia; vem a noite agora,
Noite infinita sem rubor de aurora
Jamais na torva e fria imensidade!

Que amarga e trágica irrisão, querida!
Tu que já foste o sol de minha vida
És o morto luar desta saudade!


Camucim – Junho - 94
(A gravura acima é Dawn de Alphonse Mucha)

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Friday, May 22, 2009

POEMAS BARRETO/XAVIER 72


O poema abaixo, de autoria de LÍVIO BARRETO, foi publicado Publicado em “O Pão” nº 19, de 1-7-1895 e, posteriormente, em os “Dolentes”:

CONTRADIÇÃO


Nem vale a pena contar
O meu profundo penar!

Viver de ave que doideja
Presa dentro de uma igreja.

Pois imagina, senhora,
Que eu prefiro a noite à aurora?

Mais: - prefiro às noites belas
Com seu rosário de estrelas...

As longas noites trevosas,
Profundas, silenciosas...

E nem te cause piedade
A minha agreste verdade!

Pois se és tu minha alegria
E eu não te vejo de dia;

Se pelas noites de luar
Nunca te posso falar

Prefiro a treva sem fim
Pois tenho-te junto a mim.

E se mais cedo me deito
Mais te tenho junto ao peito,

Para isso basta-me então
Abrir meu coração.

Pois se da desgraça o açoite
Leva a luz que me alumia,
Por ti, eu morro de dia
E ressuscito de noite.


Granja – 93 –
("Casal com seu gato vermelho" de C. Saatchi é o quadro mostrado acima.)

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