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Sunday, June 28, 2009

HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 132


Um enorme punhal sobre seu peito

Ele notava que Ella estava se comportando bem diferente; não mais aparecia flutuando sobre sua cabeça a sorrir com um ar zombeteiro. Mostrava ter maior controle sobre seus atos em relação a ele: não mais aquelas eternas ameaças que nunca se concretizaram. Foi então que, deitado após ter tomado somente duas taças de vinho sentiu – teria sido um sonho? - uma mocinha debruçada sobre ele descendo ferozmente um enorme punhal sobre seu peito.

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Monday, April 06, 2009

HISTÓRIAS DAS TERÇAS 48


Hermenegildo, Luciana e Ella

A enorme rede branca era pequena demais para sua inquietação noturna. Era quase um flagelo o que Hermenegildo sentia todas as noites procurando conciliar o sono. O pior é que ele sabia que, mesmo dormindo não se afastaria da imagem de Luciana. Ela lhe havia contado estar passando pelo mesmo problema. Para outra pessoa isso não seria motivo de preocupação, mas de alegria e satisfação e também de orgulho por terem eles encontrado algo que os casais, geralmente, buscam e dificilmente encontram que É a reciprocidade dos sentimentos. No entanto, agora, a situação parecia estar se modificando e certamente iria ser bem pior. Tudo tinha começado quando ele fora visitar seu Tio Alípio na Lagoa Santa e, deitado na grande varanda deixou-se embalar pela brisa noturna. Como sempre ele demorava muito a conciliar o sono. Mas, desta vez seus pensamentos, ou seriam sonhos, eram bem diferentes; apesar de Luciana ser protagonista deles Hermenegildo notou que a presença d´Ella se fez sentir por diversas vezes e sem motivo aparente. Ele não quis falar com ninguém sobre esses sonhos, mas ficou esperando um chamado súbito de sua amiga de longas datas. Será que Ella estava se sentindo desprezada? Talvez fosse isso. Ele iria investigar.

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Saturday, March 28, 2009

POEMAS BARRETO/XAVIER 65


LÍVIO BARRETO – O Lucas Bizarro da Padaria Espiritual em seu único livro – póstumo – "Dolentes" produziu este poema:

O único olhar

A Antônio de Carvalho

O único olhar que iluminou meu sonho,
Sonho de amor que me aclarou a vida;
Luar de crença do meu céu tristonho,
Rápida luz de estrela foragida,

Há quanto tempo, há quanto! No medonho
Subterrâneo da Ilusão perdida,
Não vem trazer-me, cândido e risonho,
A luz guiadora a esta alma combalida!

Outros olhares vejo noutro rosto:
Fluxuosos como o brando mar de Agosto,
E às vezes puros como um céu risonho...

Mas na minh´alma abandonada, pia
A estrige augura da melancolia
Chorando o olhar do meu primeiro sonho!

- 93 –

A ilustração acima é: By the Light of the Silvery Moon I
de Heinz Voss

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Sunday, March 15, 2009

HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 118


Sonhando juntos

Deitado Waldomiro acorda a menina ao seu lado e conta o sonho que tivera ainda há pouco: Os dois estavam namorando na Praça da Matriz e de repente ela dá um grito e diz: - Wal eu estou vendo a figura da mamãe, com uma colher de pau pra bater em mim e dizendo que eu estava me entregando a você, e de graça! Ele diz então pra ela: - Veja! Você está no meu sonho! Francisquinha diz estremunhada: - Não, Wal você é que está no meu, pois a única diferença é que, no meu, nós estamos na cama fazendo amor quando mamãe chega com um cabo de vassoura e bate com força nas suas costas.

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Saturday, December 27, 2008

POEMAS BARRETO/XAVIER 53


MÁRIO BARRETO XAVIER era bancário (Banco do Brasil) e trabalhou em São Paulo. Mário nasceu em Granja (1906) e era filho de Elisa Barreto Xavier e de Ignácio Xavier. Faleceu em São Paulo em 1969. Deixou somente poemas inéditos.

SONHO

Não quero limitações ao pensamento;
passo através dele e embarco no navio mágico do sonho...
Os desejos antípodas se abraçam na minha cabeça.
Catalizando tudo – a grande mulher branca.

Ó aquela brancura toda feita completamente de milhões de coisas
brancas muito mais brancas que a neve o leite e os
lírios que todos os poetas do mundo já acharam brancos!
Aquela brancura tão imensa, tão sem fim...
Brancura... brancura... brancura...

(Sem data, mas provavelmente de 1934).

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Sunday, November 30, 2008

HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 104

Sonho de verão

Ricardinho tem sonhos fantásticos e os divide com os amigos mais chegados, pois ele é um verdadeiro bocão e conta tudo o que lhe acontece, de dia e de noite. Eles o ajudam e se divertem com o trabalho de organizá-los em diversas classes e tipos. Pois bem, a primeira classe era: sonhos sonhados, isto é, os sonhos noturnos, que ele os tem dormindo como todo mundo e sonhos acordados, sonhados tidos durante o dia. Estes eram bem mais numerosos e bem mais perigosos. O Ricardinho tinha a tendência de acreditar que seus sonhos diários, que aconteciam normalmente como diálogos em todos os lugares e oportunidades, poderiam, ou melhor, estariam a um passo de se transformar em realidade. Um dos que mais gostava era aquele que ele alimentava de levar aquela viúva, grande proprietária de terras no interior, de passarem um mês inteiro em Roma, visitando lugares históricos e sagrados. O detalhe é que ele nunca havia trocado sequer uma palavra com a gentil senhora. O sonho esboroou-se quando, aparentemente, ela deixou de caminhar na Beira-Mar. E como ele não sabia onde ela morava nem tinha o número de seu telefone foi o fim de mais uma viagem à Itália.
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Tuesday, October 14, 2008

HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 97


A mulher pedia por socorro

Sentados à mesa de um bar eles ouviam Jorge contar um sonho, como ele sempre fazia. Este era um sonho estranho: ele guiava por uma estrada e atingia uma curva onde se assentava uma grande pedra, bem na margem esquerda, ele sempre pensava, quando passava no trecho, que alguém poderia bater nessa pedra, nesse dia ele ouviu um barulho enorme e, ao voltar-se, viu muitas pessoas correndo e uma cabeça de mulher inclinada para fora de uma camioneta pequena, nitidamente desacordada e ele pensava que ela havia morrido, mas ouve alguém chamando socorro, logo depois esse alguém estava conversando com a mulher dizendo para ela que todo mundo pensava que ela havia morrido.

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Tuesday, July 29, 2008

HISTORIETAS DO MEIO DA SEMANA 43


Sombras e figuras

Ricardo estava só em seu apartamento lendo e foi dormir bem tarde. Durante a madrugada acordou e viu a figura de uma mulher que se fundia à guarnição da porta e a cena era completada com muitas sombras e figuras humanas. Por mais que ele tentasse não conseguia associar essas figuras com alguém conhecido. Na tentativa infrutífera Ricardo dá um grito enorme e pronuncia palavras incompreensíveis (quem terá ouvido?). Foi aí que a figura principal desvaneceu-se e ele passou a ver uma outra pessoa com a cabeça inclinada sobre sua cama e que se confundia com a mancha vermelha da lâmpada piloto do televisor.

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Tuesday, June 03, 2008

HISTORIETAS DO MEIO DA SEMANA 35



Sonho de limpeza

Augusto estava lavando o chão do apartamento: jogava água e esfregava com um pano. Subitamente ela aparece e começa a colaborar com a limpeza. Ele sobe em uma mesa e daí passa para cima de um móvel mais alto. E continua a jogar água provocando o aparecimento de dezenas de baratas. A dama diz que vai sair e, por isso, baixou o tom do telefone. Ele pergunta por que e ela lhe responde que o síndico havia pedido. Ela sai sem se despedir e ele imagina que ela vá para a festa de comemoração do aniversário da filha. Augusto continua a limpeza, ajudado agora por Otávio que diz ainda ter muito tempo. Durante todo o desenrolar dessa cena havia uma criança de uns oito anos, Júlia, observando a cena sem dizer palavra.

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Monday, June 02, 2008

HISTÓRIAS DAS TERÇAS 25


Rede vermelha

Galdino sonhou ter perdido sua carteira, camiseta e umas moedinhas logo que chegou à Lagoa Torta. Resolveu voltar para casa sem procurar os objetos perdidos. Deita-se em sua rede, dorme e novamente sonha. Sonhou que havia vendido um carro para uma amiga tendo esta lhe dado três cheques de valores diferentes. Quando acordou achou-se em uma casa de taipa, à beira do rio, que tinha uma parede suja de fuligem e as outras pintadas de tal maneira que aparentavam sujeira. Ele volta então para a lagoa em busca dos objetos perdidos, mas mesmo na barraca chique do francês ele não os encontra. Galdino toma então um ônibus e desce na esquina da casa do Seu Bernardinho e encontra um senhor, bem vestido que lhe diz:

- Esse pessoal é doido. Alguém perdeu esses três cheques preenchidos e assinados.

Ele pediu para ver os cheques e quando o senhor os mostrou ele viu que eram aqueles que havia recebido de sua amiga em pagamento pelo carro. Galdino convenceu o senhor que os cheques lhe pertenciam e guardou-os. Ao chegar a casa e contar a história meteu a mão no bolso e não mais encontrou os cheques. Como estivesse muito cansado resolveu deitar em sua rede vermelha no quarto de cima. Após algum tempo ele foi despertado por um grande foguetório que vinha do comício do PTN, na Praça da Matriz, para o qual ele havia sido convidado.

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