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Monday, July 13, 2009

HISTÓRIAS DAS TERÇAS 61


Diálogo na Beira-mar

- Quê que há camarada?
- Oi, tudo bem contigo?
- Tem ido lá?
- Lá aonde, macho?
- Ué, na tua terrinha...
- É, vou sempre...
- E como é que vão as coisas?
- As coisas, como sempre, vão, mas o povo vai ficando...
- E o Chefão? Está mesmo com tudo agora?
- Tu sabe que ele sempre teve com tudo, não é?
- Mas agora, depois dessa confusão toda entre eles, como é que ta?
- O que eu sei é que ele ta muito alegre, aliás, sempre ta alegre!
- E porque essa alegria toda?
- Rapaz, as verbas federais e estaduais para reconstrução estão sendo liberadas e já chegando...
- E seria por isso a alegria? Deve ter mais alguma coisa...
- Ele ta recebendo todo o dinheiro e já ta de viagem marcada para New Orleans.
- Vai fazer o que lá?
- Vai botar um implante de dentes...
- Implante de dentes? Conta isso, macho!
- Pois é: dizem que um dentista lá ta fazendo miséria, pois põe uns dentes que são um sucesso...
- Ué, mas todo dentista pé-rapado aqui faz implante dentário. Precisa ele ir?
- O problema com o Chefão é que ele é sabido, mesmo! Ele achou três soluções pra seus problemas mais urgentes: 1) vai tomar uísque Jack Daniels em New Orleans, 2) vai por um dinheirinho em sua “savings account”, 3) vai fazer o implante que vai melhorar sua performance bucal.
- Não entendi essa última parte...
- Macho tu quer que eu desenhe?

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Wednesday, June 24, 2009

HISTÓRIAS DE JORGE RAPOSO 17


Ricardinho toca gaita de boca

O neto costumava passar os sábados com ele. Eram muito apegados e, quando Jorge ficou com dificuldades para andar, tendo de usar uma bengala, ele gostava de ficar junto ao avô conversando, lembrando de quando ele era pequenininho e mimado por todos. Cresceu, mas os dois continuaram a se gostar. Ricardinho estava bem adiantado no colégio, “culégio” como teria dito seu pai sem que ninguém soubesse de onde ele havia tirado essa pronúncia para uma palavra tão banal. Talvez fosse devido ao tal “verniz cultural” do qual Jorge sempre tinha ouvido falar, mas não sabia o que fosse desde criança e que mais tarde, bem mais tarde, ele aprendeu que não era um simples verniz, mas uma tinta escura e bastante espessa. O menino fazia o primeiro ano do segundo grau em um colégio público, pois os particulares estavam cada vez mais caros. Ele gostava de música, qualquer tipo de música e fazia suas tarefas ouvindo alguma peça clássica ou alguma coisa de bossa nova, ou jaz, ou mesmo esses ritmos bem moderninhos de que o avô não apreciava. Em outros tempos diriam que o interesse do menino por música mostrava que o espírito musical dos Raposo – eles também tinham um espírito musical - havia encarnando nele. Tocava gaita de boca e estava tendo aulas de violão, se bem que suas tias esperassem que ele tocasse piano. Ricardinho também fazia natação e quando o avô caminhava, ele o acompanhava, de vez em quando, nos poucos quilômetros que costumeiramente o velho fazia na Beira-mar.

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Sunday, February 08, 2009

HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 113


Meu amigo Charles

Os amigos estavam em um bar, na Beira-mar. Começa um tumulto, uma briga e subitamente, alguém estava apanhando feio. Os outros pedem ao leão-de-chácara para acabar com a confusão. Ele é nosso amigo e consegue por fim à briga. Alguém do grupo toma pela mão aquele que estava apanhando e o apresenta a todos:

-Este é o Charles, meu amigo. Todos se entreolham, espantados. Charles morrera fazia muito tempo, poucos anos depois de formado.

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Sunday, November 30, 2008

HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 104

Sonho de verão

Ricardinho tem sonhos fantásticos e os divide com os amigos mais chegados, pois ele é um verdadeiro bocão e conta tudo o que lhe acontece, de dia e de noite. Eles o ajudam e se divertem com o trabalho de organizá-los em diversas classes e tipos. Pois bem, a primeira classe era: sonhos sonhados, isto é, os sonhos noturnos, que ele os tem dormindo como todo mundo e sonhos acordados, sonhados tidos durante o dia. Estes eram bem mais numerosos e bem mais perigosos. O Ricardinho tinha a tendência de acreditar que seus sonhos diários, que aconteciam normalmente como diálogos em todos os lugares e oportunidades, poderiam, ou melhor, estariam a um passo de se transformar em realidade. Um dos que mais gostava era aquele que ele alimentava de levar aquela viúva, grande proprietária de terras no interior, de passarem um mês inteiro em Roma, visitando lugares históricos e sagrados. O detalhe é que ele nunca havia trocado sequer uma palavra com a gentil senhora. O sonho esboroou-se quando, aparentemente, ela deixou de caminhar na Beira-Mar. E como ele não sabia onde ela morava nem tinha o número de seu telefone foi o fim de mais uma viagem à Itália.
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Tuesday, October 28, 2008

HISTORIETAS DO MEIO DA SEMANA 55


O Barão nas Árvores, o mesmo Barão Trepador.

Maikon veio de Penúmbria, em pleno Sertão Central, ainda analfabeto aos vinte anos. Não conseguiu emprego, mas uma gata que logo conheceu arranjou-lhe uma vaga pra “tomar de conta de carros” na Beira-Mar. A princípio ele dormiu nos bancos da praia, mas sentiu muito frio e desistiu descobrindo que podia ocupar a copa de uma castanholeira em frente a um hotel de bacanas. Na primeira noite foi muito incômodo, mas a partir daí acostumou-se, mesmo porque ele levou um colchão velho, apanhado no lixo. Com essa peça ele começou a mobiliar sua morada. A gata que morava em um esgoto próximo e de quem ele se tornou amigo deu-lhe uma gatinha para lhe fazer companhia. Os dois, a gatinha e ele, assistiam TV, apanhada no lixo também e que funcionava com energia puxada por meio de um gato. A gatinha tornou-se amiga e, vez por outra, subia pra morada arranhando o tronco e levando um resto qualquer de comida que os dois dividiam. A gata começou a ensinar-lhe rudimentos da língua e ele achava que podia ler jornal. Ele tinha até endereço com CEP e tudo de tal modo que podia receber correspondência de seus pais e essas propagandas oferecendo de um tudo e que vêm nas malas diretas. Maikon estava na castanholeira há um ano quando duas jovens pesquisadoras da Secretaria o encontraram, mas todo o povo da praia sabia onde ele morava com a gatinha. Após terem feito muitas perguntas elas deram entrevista ao jornal e disseram que sua Secretaria estava planejando uma ação imediata para identificar os moradores de rua, como ele e que em futuro muito próximo, depois de abrirem o devido processo, talvez um ano, ele poderia ser encaminhado para um abrigo, ele e suas gatas. Ao repórter Maikon afirmou que não deixaria sua morada de jeito nenhum, pois ali ele já tinha estabelecido um lar com sua amiga a gatinha. No dia seguinte, alguém que, havia lido a matéria no jornal identificou a castanholeira e, aproximando-se e querendo ajudar, chamou: - Barão, você precisa de alguma coisa?

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