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Monday, July 13, 2009

HISTÓRIAS DAS TERÇAS 61


Diálogo na Beira-mar

- Quê que há camarada?
- Oi, tudo bem contigo?
- Tem ido lá?
- Lá aonde, macho?
- Ué, na tua terrinha...
- É, vou sempre...
- E como é que vão as coisas?
- As coisas, como sempre, vão, mas o povo vai ficando...
- E o Chefão? Está mesmo com tudo agora?
- Tu sabe que ele sempre teve com tudo, não é?
- Mas agora, depois dessa confusão toda entre eles, como é que ta?
- O que eu sei é que ele ta muito alegre, aliás, sempre ta alegre!
- E porque essa alegria toda?
- Rapaz, as verbas federais e estaduais para reconstrução estão sendo liberadas e já chegando...
- E seria por isso a alegria? Deve ter mais alguma coisa...
- Ele ta recebendo todo o dinheiro e já ta de viagem marcada para New Orleans.
- Vai fazer o que lá?
- Vai botar um implante de dentes...
- Implante de dentes? Conta isso, macho!
- Pois é: dizem que um dentista lá ta fazendo miséria, pois põe uns dentes que são um sucesso...
- Ué, mas todo dentista pé-rapado aqui faz implante dentário. Precisa ele ir?
- O problema com o Chefão é que ele é sabido, mesmo! Ele achou três soluções pra seus problemas mais urgentes: 1) vai tomar uísque Jack Daniels em New Orleans, 2) vai por um dinheirinho em sua “savings account”, 3) vai fazer o implante que vai melhorar sua performance bucal.
- Não entendi essa última parte...
- Macho tu quer que eu desenhe?

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Thursday, October 16, 2008

O Povo da Malhadinha/O Povo da Granja 70


O sabido

Em casa, quando meninote ele lia Balzac no original, tocava algumas peças simples de Chopin e escrevia pequenos contos que seus irmãos liam e com os quais faziam propaganda dele como um futuro grande escritor. Quando foi para a Capital teve de decidir entre sua literatura e uma carreira técnica (será que literatura não é também técnica?), pois “as coisas” andavam ruins e seu pai não podia mais conseguir colocações para literatos e pianistas amadores. Ele completou os preparatórios para Química e teve que se dedicar a leituras técnicas: biologias, químicas, matemáticas, zoologias e o diabo a quatro. “Nessa época seus irmãos perguntaram se queria que lhe enviassem seus livros e ele lhes disse pelo amor de Deus, deixem-nos longe do meu pescoço, não quero mais ser guiado, animado e afogueado”. Mas, passados mais de cinqüenta anos ele abandona as ciências e técnicas e se envolve com Beethoven, Goethe, Baudelaire e outras sumidades. Ele só tinha uma preocupação: será que iria recuperar o “tempo perdido”?

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