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Monday, May 25, 2009

HISTÓRIAS DAS TERÇAS 54


Chuvas e enchente na Várzea

Chovia muito lá fora, na várzea, onde mal se distinguiam os troncos das carnaubeiras que, em tempos de seca fechavam os caminhos. O candidato - o ex- e futuro candidato - refletia em voz alta e pedia, com o olhar concordância de seus cabos eleitorais que ainda o acompanhavam. O Bebé era o mais entusiasmado deles e balançava a cabeça para tudo o que o Moço falava. Ele dizia que agora, com essa enchente em todo o município, o Homem iria se lascar, pois certamente iria utilizar dinheiro do FUNDEB para fazer obras e desviar a maior parte para sua conta no Morgan Guarantee, em Nova Iorque. Ele seria processado, mas, certamente nada aconteceria. Aí o Moço completou:

- Mesmo se fosse, na próxima eleição, eu serei candidato novamente, afinal, tudo o que eu mais quero é ser Prefeito.
- Aí nóis vamo ganha mermo, Dotô... Disse o Bebé e foi apoiado por todos.
- Eu só quero quatro anos de mandato na Prefeitura para fazer minha base para me candidatar a Deputado Federal! Daí vocês vão ver...

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Wednesday, May 20, 2009

HISTÓRIAS DE JORGE RAPOSO 14

A mosca azul

Jorge estava muito esperançoso e entusiasmado com as possibilidades que se apresentavam. Após visitas mais frequentes à Várzea ele achava que sua popularidade estava aumentando entre as pessoas da cidade. Não que ele quisesse se candidatar a alguma coisa, longe disso, mas sabe lá o que reserva o dia de amanhã... Muitas pessoas conversavam com ele e daí ele acabou mesmo sendo mordido pela mosca azul. Seus amigos e ele pensaram logo que ele poderia se candidatar a prefeito, pois todos achavam que tinha o perfil para o cargo. Logo, logo eles se decepcionaram, pois o vereador mais importante do grupo do Homem estava fazendo propaganda do terceiro mandato para o atual prefeito e dizia alto e bom som em todas as rodas na Praça do Mercado:
"Não posso conformar-me que as leis impeçam que tenha continuidade a liderança desse homem. São poucos os líderes no mundo. De vez em quando surge um gênio. Esse é um gênio varzeano".
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Sunday, October 05, 2008

HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 96


Meu avião é um Cessna 172 Skyhawk

Eu guiava meu avião Cessna 172 Skyhawk pelas ruas da cidade quando, subitamente, ao passar em frente à casa de Seu Hugo, bati no carro do Prefeito, o Comendador Victório, que estava saindo da garagem. Ele nem notou e eu continuei e, logo adiante bati em um táxi azul e o motorista, o secretário da Prefeitura, chamou a polícia de trânsito. O chefe da patrulha foi logo me acusando de guiar o meu Cessna com os pneus carecas. O Comendador Victorio apareceu no local oferecendo um seguro total para o avião, mas eu recusei. O que fiz foi levantar vôo e continuar a viagem interrompida e não mais voltei.

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Monday, August 25, 2008

HISTÓRIAS DAS TERÇAS 36


Finas essências

Toda quarta-feira havia reunião da Câmara Municipal. Nessas ocasiões discutia-se, votava-se e aprovavam-se as leis que regiam a cidade. No entanto, muitas das leis não eram obedecidas no recinto da própria Câmara. Uma dessas foi aquela apresentada, em uma das últimas sessões, pelo vereador da situação, o Paulo Flatus, que proibia fumo, flatulências e bodum em recintos públicos, bares, bilhares, e quejandos. Além da proibição havia a obrigatoriedade de aspersão de perfumes de fino aroma no caso de ter alguém infringido a lei. A lei era, de cara, desobedecida na Câmara, pois seu presidente tinha o vício incurável de deixar escapar gases de muito desagradável odor e de ter reações extremamente violentas quando lembrado disso. Diziam que ele já havia matado bem uns seis e seus capangas outros tantos desafetos. Outro lugar em que a lei era também desobedecida era no prédio da Prefeitura, apesar de o Prefeito, ao mandar construir a nova sede, ter pedido a inclusão de uma pequena área junto ao seu gabinete para exercício flatulencial.

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Monday, May 05, 2008

HISTÓRIAS DAS TERÇAS 21


Conservante

O matutinho, eleitor do Prefeito, foi lhe pedir auxilio para comprar um caixão para enterrar o filhinho que havia morrido na noite do dia anterior. O Prefeito negou, pois não tinha mais verba, e ele, pessoalmente, também estava liso. Disse para o eleitor fiel que passasse amanhã, pois se tivesse ele arranjaria algum. O matuto olhou pra ele e disse:

- Pois o Sinhô mindê dois real pra eu comprar de sal.

- E pra que você quer sal, home?

- Pra eu salgar o bichim se não até amanhã ele fica podre...

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