Sunday, September 21, 2008

HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 94


Xeretando na Beira Rio

O rapaz caminhava pelo calçadão da avenida que margeava o rio, ou melhor dizendo a Avenida Beira Rio local. Logo a sua frente ia um grupo de senhorinhas da cidade e do qual ele queria se aproximar para ver se conseguia ouvir o que diziam. Na verdade ele queria era xeretar mesmo para, talvez descobrir algum segredo até agora bem guardado. Ele apressou o passo e dentro em pouco teve que controlá-lo, pois do contrário ultrapassaria as meninas. Ele apurou o ouvido e conseguiu captar:

- Aí ele diche...
- Aí ela diche...
- Ai ele diche...
- Aí ela diche...

O rapaz apressou o passou, pois de outra maneira perderia o café da pensão.

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Friday, September 19, 2008

POEMAS BARRETO/XAVIER 40


LÍVIO BARRETO (1870 - 1895)

NOTURNO


Por estas horas da noite,
Lentas e misteriosas,
Quando dos ventos o açoite
Arranca um frêmito às rosas,

E, pensativas, as almas
Se elevam, calmas, piedosas,
Ao sonho, piedosas, calmas,

Do crisol das fantasias
Sobem átomos risonhos:
As pombas das utopias,
As andorinhas dos sonhos.

Amor! Amor! Se despertas
Doiram-se os cimos medonhos
Das penedias desertas.

Velhos amores murmuram
Dentro do meu coração;
São almas presas, procuram
Ao luar a redenção.

E vão (constância que admiro!)
Do sonho à recordação
E da saudade ao suspiro.

Deus a suprema coragem
Uniu à suprema dor:
Dá-me heroísmo a sua imagem
Mas, mata-me o seu amor.

E a alma de luta em luta
Morre de horror em horror
E de cicuta em cicuta.

Velhos amores! Estrela
Das brumas do meu passado!
Brilha na sombra o olhar d´ela
Tão nobre... mas tão magoado!

Cobrem nuvens a amplidão,
Chora o mar desesperado...
Silêncio, meu coração!

-94-

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Thursday, September 18, 2008

VISTAS DA GRANJA 62




VISTAS DA GRANJA - SÉRIE ABANDONO E DESTRUIÇÃO 2

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Wednesday, September 17, 2008

O Povo da Malhadinha/O Povo da Granja 66


Cachimbo fedorento

O Presidente convocou o polímata para fazer uma viagem de circunavegação da província. Ele teria de, ao final da expedição apresentar um Relatório substancioso sobre as riquezas, comércio, agricultura e indústria e os costumes e usos do povo da província. Além da publicação sob a forma de livro desse relatório ele receberia uma gorda soma que lhe daria para viver alguns anos sem preocupações demasiadas. Aceita a tarefa e após alguns meses de seu início ele desembarca naquela cidade do norte, famosa por seus poetas. Em certa parte do relatório ele diz sobre esse burgo “(...) está cheio de cachorros sardentos e porcos que fuçam a lama acumulada nas ruas.” Ele diz também não ter encontrado nenhum homem ou mulher que fumasse um cachimbo decente, de madeira, todos fumam um horrível cachimbo de barro, que deixa um fedorento odor quando está sendo usado. O cemitério da cidade, então, era uma lástima, pois os túmulos estavam todos caindo aos pedaços e os cachorros vagueiam por entre eles. Ele também soube que a aula de latim, de responsabilidade de seu amigo Agapeto, havia sido transferida para outra cidade, pois por três anos não apareciam alunos. Enfim, Arlindo Batista, o polímata, nada encontrou na cidade que o agradasse. Na verdade ele encontrou, pois viu alguma coisa que o deixou extasiado: à beira do rio, ele enfim viu “a ponte, esse colosso de ferro, talvez a mais bonita do nosso Império.” Se aparecesse hoje ele notaria que nem a ponte de ferro, orgulho do povo local, escaparia de suas observações ácidas.

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Tuesday, September 16, 2008

HISTORIETAS DO MEIO DA SEMANA 49


Violação de túmulo

Estavam ele e seu chefe Quintchura no cemitério, à noite, e se preparavam com pás e picaretas para desenterrar o cadáver de uma pessoa conhecida, morta havia poucos dias. Parecia ser uma simples operação mecânica, mas nenhum deles sabia o que fariam com o cadáver depois que o retirassem da cova. Após cavarem e atingirem o caixão de madeira descobrem que o que estava sendo desenterrado era um espectrofotômetro bem antigo, um Beckman DU, talvez da década de quarenta. O aparelho estava todo enferrujado e envolto por uma espécie de chorume. O Quintchura abandonou a empreitada e foi para casa, pois teria de levar o filho mais novo ao circo. O discípulo, ele mesmo, sem sombra de dúvida, deixou a cova aberta e o espectrofotômetro ao ar livre e foi de ônibus para a casa da namorada.

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Sunday, September 14, 2008

HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 93


Professor de Ictiologia do Colégio Padrão

O moço era filho de um correligionário do Sertão e precisava urgentemente de um emprego. Levado ao Oligarca este decide nomeá-lo professor de Ictiologia do Colégio Padrão. O moço olha para o velho político e diz:

- Coronel eu não posso aceitar esse lugar. Eu nem sei o que é Ictiologia...
- Não se incomode não, moço! Ninguém, por aqui, sabe o que é isso. Pode ir e falar com o Dr. Pinto que ele lhe dá posse.

O moço do Sertão após ter tomado posse da Cátedra de Ictiologia e depois de ter lido alguns livros, como Historia Naturalis Brasilae de Markgraf, Historia Piscium de John Ray, começou a dar aulas. Após ter dado três aulas ele foi demitido, pois os alunos reclamaram ao Dr. Pinto que ele havia afirmado em classe que “as baleias desovam no Oceano Índico”.

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Friday, September 12, 2008

POEMAS BARRETO/XAVIER 39


LÍVIO BARRETO (1870 - 1895)

OS CRAVOS BRANCOS

Cravos brancos, cravos brancos como o leite,
Que as noivas levam para a Igreja ao ir casar,
Cravos da côr das escumilhas do corpete,
Brancos de espumas atiradas pelo mar.

Cravos brancos invejado pelos goivos,
Cravos brancos que de brancos dão vertigens;
Cravos que são como hálitos de noivos,
Beijos de noivos embaciando mãos de virgens!

Cravos brancos, cravos brancos, lágrimas d´anjo,
Cravos de Maio cor de leite de noivado;
Cravos de luar que sorri como um arcanjo
A meditar no seu castelo enamorado.

Ó cravos brancos! Brancas flores misteriosas,
Seios ireis agasalhar com vossas neves,
Seios macios como pétalas de rosas,
De carne rija, sangue quente e curvas breves.

Flores dormentes de volúpia e de desejos,
Sempre a sonhar presas aos seios das donzelas,
Amarrotadas pelo fogo de seus beijos
E sempre brancas, sempre puras, sempre belas!

Flores que as noivas levam presas na caçoula
Das mãos de arminho, cravos brancos, para o altar,
Para, ao voltar com as faces de papoula,
Dá-los às virgens para logo irem casar.

Cravos brancos como as mãos da minha amada,
Quando eu descer à terra fria, num caixão,
Desabrochai, brancos soluços d´alvorada,
Ó cravos brancos que plantei no coração.

Março - 93 (Poema dedicado a Waldemiro Cavalcante)

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VISTAS DA GRANJA 61




VISTAS RECENTES DA GRANJA - SÉRIE ABANDONO E DESTRUIÇÃO 1

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Wednesday, September 10, 2008

CADERNOS DO INSTITUTO JOSÉ XAVIER


Ignácio Xavier & Cia.


Será lançado no próximo sábado 13 de setembro o livro Ignácio Xavier & Cia. de autoria de José Xavier Filho e que faz parte da coleção Cadernos do Instituto José Xavier (Granja, Ceará). A obra trata de aspectos da vida e do trabalho desse comerciante que teve um papel importante no desenvolvimento da cidade de Granja até o fim da Primeira Guerra Mundial. O livro estará a vemda na sede do IJX e em livrarias de Fortaleza, ao preço de R$ 20,00.

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O Povo da Malhadinha/O Povo da Granja 65


João Danado, o briguento

Sabendo que seu pai, o briguento João Danado, havia deixado de pagar a pensão à sua mãe depois que havia separado desta, o moço corajoso foi procurar o velho na sua fazenda. Logo que viu o filho aproximar-se, João Danado que já tinha ouvido as conversas sobre suas intenções, gritou para ele:

- Cabra não chegue perto que você morre!

O filho não lhe deu atenção e continuou. Logo se ouviu um tiro de bacamarte e o moço caiu no chão banhado em sangue. O Danado chegou perto e, com mais dois capangas, tentaram terminar o serviço o que conseguiram sem antes o moço ter puxado de uma enorme peixeira e trespassado o coração do pai.

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Tuesday, September 09, 2008

HISTORIETAS DO MEIO DA SEMANA 48


Academia de Retórica

Logo cedo o Reginaldo chegava ao cafezinho e lá encontrava o João tomando o seu. Ambos eram professores na Faculdade e o mais velho gostava de contar vantagens que, sempre se desfaziam como pó. O forte dele era o diálogo e iniciava o papo com declarações enfáticas e peremptórias:

R - Olha João, esse Obama é um sujeito que não merece confiança, pois sua origem não o habilita a comandar “o grande país do norte!”.
J - Que história é essa rapaz? O que é que tem a origem do homem?
R - Você não vê que ele aparenta uma coisa e parece ser outra?
J - Não. Eu acho que ele é um sujeito que tem controle do que diz.
R - É, pode ser. Mas, parece que ele não é unanimidade entre os próprios democratas...
J - Bom, pode ser, mas ele é senador e não apareceu nada que o desabonasse durante a campanha recente.
R - É pode ser...
J - Você vai ver Reginaldo, ele vai eleito e vai ser um grande presidente.
R - É. Talvez ele até chegue a se equiparar a Abraham Lincoln...
J - Escuta, a campainha para as aulas já está tocando, vamos.

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Sunday, September 07, 2008

HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 92


Ella quer o endereço da gente
She wants our address

O Zé foi ao velório do velho amigo lá na Rua do Azevedo. Ele não gostava de velório, mas quem é que gosta? Talvez a velhinha que lhe seguia na fila para assinar a lista de comparecimento ou presença, como é que se chama aquele papel onde as pessoas devem por seu nome, não a assinatura, pois se for um garrancho ninguém da família do morto vai saber que você esteve presente. Quando a velhinha viu que ele não havia posto seu, dele, endereço chamou-lhe a atenção:

- Escuta meu filho estou vendo que você colocou somente o seu nome, falta o endereço. Você não vai colocar onde você mora?

O Zé responde: - Não tia. Se eu escrever meu endereço vai ficar muito mais fácil d´Ella me achar.

A velhinha olha para ele, balança a cabeça para os lados, faz o sinal da cruz e sai dali às pressas sem ao menos ter escrito seu nome quanto mais seu endereço.

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Saturday, September 06, 2008

POEMAS BARRETO/XAVIER 38


INÁCIO XAVIER FILHO (1921-1999)

O BRINQUEDO

Ele: Você parece um brinquedo precioso
Que se tem na infância...
Eu tive muitos...

Ela: Brinque comigo, meu amante,
Pra afastar a mágoa desta vida...
Me tire da caixa de brinquedos
Que é este mundo,
Onde eu vivo soterrada...

Ele: Querida inocente! Os brinquedos
Se espatifam ou ficam velhos
Durante a brincadeira...

Ela: Não tem importância.
Aprenda a consertar ou polir
Brinquedos partidos ou usados...
Quero sentir as mãos deste menino
Travesso, no meu corpo,
E beijar-lhe a boca, agradecida!

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Friday, September 05, 2008

VISTAS DA GRANJA 60






Carnaúba antiga riqueza da Granja



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Thursday, September 04, 2008

O Povo da Malhadinha/O Povo da Granja 64


Raimundo do Espírito Santo – 6

O Chico na espreguiçadeira


O velho Raimundo foi até a cidade na sua carruagem que mais parecia uma lapinha de tão enfeitada que era. Ele ia visitar o seu neto Inaço que ainda era quase um menino e já tava ganhando muito dinheiro; dizem até que ele emprestava dinheiro a juro e comprava muito ouro, ninguém sabe o que ele ia fazer com tudo isso. O que ele ia fazer era reclamar do neto por causa do emprego que ele havia dado ao Chico, o filho dele com a Vicentina, e do qual os dois não gostavam. Parece que o Chico tinha de ficar o dia todo sentado numa espreguiçadeira lendo o jornal para ver se tinha alguma notícia sobre o Inaço.

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Wednesday, September 03, 2008

HISTORIETAS DO MEIO DA SEMANA 48


Culto a Benjamin Franklin

Como ele gostava de dinheiro! O Ray não gostava de gastar dinheiro. Ele amava as cédulas verdinhas, novas de dólares americanos. Ele as tinha em casa aos milhares, de todas as denominações, mas as de US$ 100, com a efígie de Benjamin Franklin era as de que mais gostava. O Ray tinha um cofre em casa, bem seguro. Todos os sábados, depois do almoço frugal, ele se punha ao lado do cofre e retirava suas notas de cem dólares e cuidava delas. Ele havia comprado um par de luvas de seda, uma escova especial, e mais outros apetrechos e com isso ele fazia uma limpeza em todas as suas notas. Ele dizia para seu filho que as notas adquiriam um pozinho que as faziam perder o valor. Sua mulher não acreditava nessa história e morria de raiva.

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Tuesday, September 02, 2008

HISTORIETAS DO MEIO DA SEMANA 47


O jardim da Precabura

Fontoura estava visitando um amigo lá pros lados da Lagoa da Precabura. A casa em que o Hermógenes morava com a família já servira de residência a eles, os Fontoura, em tempos passados. Ele havia entrado pelo jardim da bonita casa olhando para as plantas quando começam a chegar a casa pessoas conhecidas, mas não sem antes lançarem um olhar desconfiado para ele. Após algum tempo essas mesmas pessoas saem e o acusam de estar roubando as plantas. Logo depois aparece um policial, põe-lhe algemas e leva o Fontoura para o distrito onde o delegado começa a fazer-lhe perguntas estranhas e o acusa de estar roubando as plantas do jardim do Hermógenes. Ao final do interrogatório o Fontoura fica preso em uma cela com mais uns seis bandidos perigosos.

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Monday, September 01, 2008

HISTÓRIAS DAS TERÇAS 37


COMPLEXO AEREORODOHIDROFERROVIARIO DE ESTRELA.

Este era o nome dado ao projeto aprovado pelo governo para ser instalado na cidade. O custo nem foi avaliado, pois como as benesses deveriam ser distribuídas para muitos cabos eleitorais o governo não queria torná-lo público. Talvez só quando chegasse ao Tribunal de Contas. O grande problema encontrado logo no início foi fazer uma placa com esse enorme nome, além das demais indicações de quem patrocinava a grande obra. Os engenheiros do Serviço de Estética resolveram construir uma coluna de grandes proporções às margens do Rio, fazendo par com as enormes velas acesas na administração passada. A coluna foi feita em mármore vinda de Carrara, um lugar na Itália onde se produz essas coisas. A gravação das palavras foi feita por um artista local, especialmente contratado a peso de ouro. O Serviço de Estética o enviou a Roma para estudar a Coluna de Trajano a fim de se inspirar para gravar as frases e muitas cenas tiradas do quotidiano da cidade. Ficou uma beleza e está à espera da inauguração, assim que passarem as eleições.

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Sunday, August 31, 2008

HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 91


Plano funerário

- Olha, disse Ella, eu tenho uma idéia para você ir bem mais satisfeito a sua viagem.
- Que viagem?
- Ora! Sua viagem comigo, sabe?
- E que idéia é essa?
- Tenho um amigo no Papicu que tem um laboratório de prótese dentária associado ao “Vida Alegre”, um plano funerário também de sua direção. Você compra o plano e tem direito a fazer uma prótese das mais modernas que existem no momento.
- E daí, o que eu ganho com isso?
- Ora, quando eu vier lhe buscar você estará com um sorriso novo bem diferente desse horrível que você tem agora!
- E eu posso decidir depois?
- Presta atenção homem, você vai ser chamado daqui a pouco e ainda está pondo catinga?

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Friday, August 29, 2008

POEMAS BARRETO/XAVIER 37

RAUL SIQUEIRA XAVIER nasceu na Granja em 17 de março de 1902 e era filho de José Raimundo Xavier e Justiniana Siqueira Xavier. Ele era da geração de seus primos Barreto e, como eles, herdeiro da poesia de Lívio Barreto. Raul estudou em Fortaleza e, transferindo-se para o Rio de Janeiro, foi jornalista, poeta, crítico, tradutor e ensaísta. Era teosofista e especializou-se na tradução de textos orientais (Veda e Upanixade) tendo escrito livros sobre o assunto. Abaixo transcrevemos, de sua autoria, um



romance

se voltares perfeita
com o sangue aberto
na face pecadora,
receberás da minha mão direita
um punhado de cinza redentora.
verás no pó das searas
como o tempo escarnece
das virtudes raras.
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Thursday, August 28, 2008

VISTAS DA GRANJA 59

Vídeo apresentado pela TV Verdes Mares de Fortaleza sobre a Granja. A matéria traz também uma entrevista do Presidente do Instituto José Xavier.

(Agradecemos a TV Verdes Mares pela utilização dessa matéria).


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Wednesday, August 27, 2008

O Povo da Malhadinha/O Povo da Granja 67


Ele o olhou com seu olhar ausente

Jorge lembra-se bem que não foi submetido a eletrochoque como seu pai. Percorreu os consultórios de uma infinidade de psiquiatras e submeteu-se a diversos tratamentos químicos e outros alternativos. Um desses médicos, jovem promissor, com um viés acadêmico, pedia-lhe que deitasse no chão durante as sessões enquanto ele lhe fazia questionamentos. Ele viciou-se em psicotrópicos e antidepressivos. Após os longos anos ele, com ajuda do último dos psiquiatras com quem se tratou, conseguiu se safar de sua praga pessoal. É instrutivo notar que ao encontrar esse psiquiatra em uma festa, muitos anos depois, Jorge aproximou-se dele e, ao dirigir-lhe a palavra ele o olhou com todo o seu olhar ausente e falou:

-Eu não me relaciono com ex-pacientes.

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Tuesday, August 26, 2008

HISTORIETAS DO MEIO DA SEMANA 46


O gajo xereta

Seu vizinho estava de partida. Ia voltar para a terrinha, pois o País já não lhe agradava, como no princípio, quando tudo era sucesso e ele tivera enormes lucros. Ele anunciou que poria a venda muitos de seus trecos acumulados durante anos. Certo dia ela se enche de coragem e bate à porta para dar uma espiada no que o gajo tinha para vender. Em cima da mesa o Manoel tinha posto pratos, talheres, bijuterias, aparelhos diversos como um aparelho de DVD portátil, um barbeador alemão, uma máquina de fotografia digital Sony, uma calculadora de última geração, um iPod, um laptop Vaio, e outras coisas mais. Quando o Manoel a recebeu foi muito gentil e atencioso; ela era a vizinha que ele nunca, nestes anos passados no prédio, xeretara o que era seu esporte favorito. E ali estava ela no seu apartamento... Ele foi muito solícito e convenceu-a a levar um radinho, um barbeador alemão (para dar de presente a seu amigo...) e a máquina digital de 10 megapixels, um estouro. Acertado o preço das peças, que depois ela veria serem um pouco mais altos do que os do mercado, ela ficou de voltar com o dinheiro e pegar os objetos. Após alguns dias ela descobriu, quando aprendia a usar a máquina, que o aparelho dava a impressão de fazer um barulhinho quando se acionava o botão de exposição. Ela ouvia nitidamente um risinho e teve certeza que era o gajo que a estava xeretando de dentro da máquina.

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Monday, August 25, 2008

HISTÓRIAS DAS TERÇAS 36


Finas essências

Toda quarta-feira havia reunião da Câmara Municipal. Nessas ocasiões discutia-se, votava-se e aprovavam-se as leis que regiam a cidade. No entanto, muitas das leis não eram obedecidas no recinto da própria Câmara. Uma dessas foi aquela apresentada, em uma das últimas sessões, pelo vereador da situação, o Paulo Flatus, que proibia fumo, flatulências e bodum em recintos públicos, bares, bilhares, e quejandos. Além da proibição havia a obrigatoriedade de aspersão de perfumes de fino aroma no caso de ter alguém infringido a lei. A lei era, de cara, desobedecida na Câmara, pois seu presidente tinha o vício incurável de deixar escapar gases de muito desagradável odor e de ter reações extremamente violentas quando lembrado disso. Diziam que ele já havia matado bem uns seis e seus capangas outros tantos desafetos. Outro lugar em que a lei era também desobedecida era no prédio da Prefeitura, apesar de o Prefeito, ao mandar construir a nova sede, ter pedido a inclusão de uma pequena área junto ao seu gabinete para exercício flatulencial.

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Sunday, August 24, 2008

HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 90


O velhinho voador

Ele estava mais que acostumado a voar, isto é, viajar de avião. Não tinha mais aquela ansiedade que dá o medo de enfrentar o vôo. Essa ansiedade desapareceu depois que ele chegou à idade em que podia acompanhar senhoras grávidas e avozinhas, crianças e pessoas com necessidades especiais na hora de entrar no avião. Agora, parece que ninguém acreditava em sua idade. Justo naquele dia quando ele se preparou para acompanhar a fila dos velhinhos, grávidas e crianças, um camarada fortão puxou-o pelo ombro ameaçando-o de dar-lhe umas pancadas:

- O senhor está furando a fila!

Ele voltou para o sujeito e com um olhar raivoso disse:

- E os meus 75 anos não valem nada?

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Friday, August 22, 2008

POEMAS BARRETO/XAVIER 36


LÍVIO BARRETO (1870 - 1895)

PARA ALGUÉM

Da tua boca, encarnação do Belo,
Suspensa está minh´alma ansiosa e louca:
Suspenso está tudo que almejo e anelo
Da tua boca.

Do teu sorriso cândido e suave
Pende meu ser em ânsias, indeciso,
Sempre que escuto o doce canto da ave
Do teu sorriso.

Do teu olhar leal um raio implora
Minh´alma e canta quando o vê baixar,
Pois ela vive dessa luz, Senhora,
Do teu olhar.

Do teu amor a pérola mimosa
Meu coração inunda o fulgor;
Ah! Dá-lhe um pouco, ó pálida formosa,
Do teu amor.


Este poema foi publicado em O Pão, n. 21, de 1-8-1895.

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Thursday, August 21, 2008

Wednesday, August 20, 2008

O Povo da Malhadinha/O Povo da Granja 66


O Coronel e seus escravinhos

O Coronel estava muito preocupado, pois o Juiz e o Promotor o tinham convidado, bem como ao Jornalista e ao outro Coronel – este da Oposição – para formarem uma sociedade protetora dos negros e a favor de sua emancipação imediata. Sua preocupação se devia ao fato de que ele tinha uma meia dúzia de escravos, seus escravinhos, como ele dizia. Ele não podia deixar de atender ao convite do Doutor Juiz, mas para isso ele teria de vender seu lote de escravos. Mesmo assim, como a venda demorasse, ele ainda teve de lançar no seu balanço, na coluna de ativos, o valor dos seis escravos, dois contos de reis os seis. Felizmente ele conseguiu despachá-los para o Rio de Janeiro em consignação à firma H. Paes & Cia., especializada nesse tipo de negócios. Agora ele estava livre para secretariar a Sociedade Protetora e Emancipadora dos Escravos da Granja.

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Tuesday, August 19, 2008

HISTORIETAS DO MEIO DA SEMANA 45


Droga experimental

“Abre-se um caminho pelo qual seria possível interferir na memória já formada
nos seres humanos, disse ao jornal o doutor Augusto Romano, um dos membros do grupo de cientistas autores da descoberta”.

O Coronel Dr. Esperidião ao ler essa notícia animou-se. Com sua enorme influência e o seu não menor poder econômico ele conseguiu comprar, na Argentina, um suprimento dessa droga, ainda em fase experimental e que eliminava a memória. Ele pretendia empregá-la em suas atividades para fazer com que jovens eleitoras esquecessem o que ele costumava fazer com elas em seu escritório e já estava sendo motivo de muito falatório na cidade. Ele tinha certeza que com essa droga ele poderia traçar todas as jovens filhas de seus correligionários sem provocar nenhum trauma.

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Monday, August 18, 2008

HISTÓRIAS DAS TERÇAS 35


As tribunas

Ele era bem jovem quando foi estudar em Roma e queria ser um padre avançado em sua pequena cidade do interior. Sua permanência na Cidade Eterna, no entanto, parece que o ligou a um passado de sombras e foi de pouca valia para a cultura de sua região. Quando ele chegou e daí a poucos anos foi levado ao mais alto posto da hierarquia local de sua igreja mandou demolir as tribunas de todos os templos da diocese. Ele tinha receio que casais fossem fornicar sobre o assoalho das mesmas, fazendo ruídos na hora da missa e deixando traços de humores diversos.

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Sunday, August 17, 2008

HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 89


Eu me chamo Beckenbauer...

O moço fez sinal para a aeromoça e quando ela chegou ele pediu:
- Moça você tem algum comprimido para dor de ouvido?
- Tenho. Espere um instante que eu vou buscar. Ela volta, então, trazendo um pequeno envelope com um comprimido e um copo dagua. Passa para o moço e lhe pergunta o nome, pois de acordo com as normas da ANAC ela tem de registrá-lo:
- Qual é o seu nome? E ele:
- Beckenbauer. A aeromoça diz então:
- Não entendi. Como se escreve? E ele, já acostumado e todo cearense:
- Bê, é, cê, cá, é, ene, bê, a, u, é, erre.
- Ah! É difícil, depois eu escrevo...
Eu, que sentava ao seu lado, dirigi-me ao moço:
- Você pode me dar seu autógrafo? É para meu neto que gosta muito de futebol...

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Saturday, August 16, 2008

POEMAS BARRETO/XAVIER 35



LÍVIO BARRETO (1870 - 1895)

POBRE!


Diz essa gente que te vê curvada
Continuamente, ó meiga criatura,
Para o cesto da alvíssima costura,
Que és pobre, e que por isso és desprezada.

Por isso mesmo eu vejo-te acanhada
Entre outras buscando a mais escura
Penumbra, inútil para tanta alvura,
E p´ra tanta beleza ignorada.

Ignorada, sim, minha açucena;
Ignorância que me causa pena
E me faz rir ao mesmo tempo, louca!

Pois eu bem sei o quanto és rica, eu sei-o:
Se tens só duas pérolas no seio,
Tens um milhão de pérolas na boca!

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Friday, August 15, 2008

VISTAS DA GRANJA 57

OS CARNAUBAIS FORAM A RIQUEZA DA CIDADE. HOJE AS CRIANÇAS SÃO A ESPERANÇA.

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Wednesday, August 13, 2008

O Povo da Malhadinha/O Povo da Granja 65


Muita mixaria

Sua fazenda produzia de um tudo. Lá tudo dava: arroz, feijão, milho, leite e carne, pois tinha umas vaquinhas, muitos bodes, carneiros, galinhas, capotes e perus. Tinha também algodão pra fazer as roupas. Tinha até cana para fazer rapadura e uma boa pinga. É verdade que faltava algumas coisas como gás para botar nos candeeiros, fósforos para acender estes e as lamparinas, pois eles não sabiam mais fazer fogo com os pauzinhos de tanto uso por seus avós. A fazenda, enfim, quase não precisava da velha cidade. Mas o velho tinha de ir lá, de vez em quando, pra vender uns bodes, galinhas, feijão e outros legumes e apurar algum dinheiro pra comprar essas bugigangas que eles tinham se acostumado a usar. Ele voltava com uma lata de gás na cabeça, e umas poucas coisas nos bolsos. Trazia também um maço bem grande de dinheiro, pois sempre do que ele apurava com a venda sobrava muito. Anos se passaram nessa usança e ele sempre punha o rolo de cédulas – contos de reis, barões, cabrais - nos buracos da taipa do seu quarto. E esquecia e todo mundo de casa também. Até que chegaram os planos e quando o velho morreu e os filhos se deram conta não tinha mais nada, tudo perdido, só o amigo colecionador de cédulas comprou por uma mixaria o que antes eram milhões.

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Tuesday, August 12, 2008

HISTORIETAS DO MEIO DA SEMANA 44

Sucateiros

- A nossa vila saiu na frente. Afirma a primeira voz.
- Como assim? Pergunta a segunda voz.
- Ora, todo mundo reclama, inclusive os colunistas sociais dos jornais do Ceará, que os coletores de lixo, maltrapilhos, mal-ajambrados, fazem suas coletas atrapalhando o trânsito e o ir e vir dos carrões em todos os lugares chiques. Nós já invetamos...
- Vai dizer que vocês passaram à frente da Capital!
- Pois é! Vamos licenciar todos os apanhadores que terão de usar uma farda verde piscina e seus carrinhos terão de ser pintados de azul real, amarelo canário, etc. de acordo com seu bairro. Os apanhadores terão de pagar, tipo assim, uma pequena taxa mensal que reverterá para um fundo de amparo que deverá manter uma casa de recolhimento. Para nós, é claro!
- Ah! Então tá bom! Encerra a segunda voz.
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Monday, August 11, 2008

HISTÓRIAS DAS TERÇAS 34

No fundo dos poços

Eduardo de Tal e Gilmar de Tal eram dois irmãos que moravam no Norte desde muito tempo. Seus pais tinham ido do Nordeste no tempo da borracha e o velho tinha ganhado muito dinheiro nos seringais do Rio Madeira. Sempre que havia eleições na cidade de seus pais, no Ceará, os dois irmãos ofereciam seus serviços e os de sua turma a fim de aumentar o cacife eleitoral do velho oligarca que era seu parente e muito amigo de sua família. Neste ano, quando o amigo, o famoso Talzinho, estava ameaçado de perder a parada, eles chegaram mais cedo. Reuniram-se com a equipe, formada pelos cabos eleitorais do parente e amigo, para decidir como seria a nova estratégia. Uma das principais medidas, coercitivas, naturalmente, foi posta em prática imediatamente. Consistia em afogar alguns membros da oposição nos poços de lama formados pelas chuvas nos buracos feitos pelo serviço de saneamento. Quando chegou o dia da eleição o Talzinho havia gasto somente uma pequena fração dos fundos reservados para a compra de eleitores. É escusado dizer que ele ganhou novamente a parada.
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Sunday, August 10, 2008

HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 88

Gauguin cubano

Sua barriguinha era mais que proeminente, mas ele nem ligava, era jovem e confiante no futuro brilhante que já estava às portas de seu laboratório. Melhor, já se instalara nele. Ocasionalmente ele tropeçava em uma palavra ou uma frase que um purista poderia corrigir, mas ninguém o fazia, nem puristas nem colegas. Certa ocasião, em uma palestra, a troco de pouca coisa, ele falou que foi “pra cima do computador” para escrever o texto dessa dita palestra. Durante sua fala ele disse ainda que “o grande pintor Gauguin que morou por muitos anos em Cuba pintava mulheres com dois seios enquanto que Picasso, o célebre pintor flamengo as pintava com somente um seio”.
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HOMENAGEM AO BLOGUEIRO


O blogueiro agradece a homenagem prestada por seus ex-alunos por ocasião do 59. Congresso Nacional de Botânica em Natal, Rio Grande do Norte.

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Tuesday, August 05, 2008

HISTORIETAS DO MEIO DA SEMANA 43

Candeeiros de cera

Caracala gostava de passear à noitinha pelas ruas da Capital acompanhado por um grande séqüito só para ver os candeeiros espalhados aos milhares por todos os bairros. Essas geringonças, inventadas por ele mesmo, produziam luz com velas de cera de carnaúba, ao invés de gás. Para quem reclamasse do fedor Caracala mandava dizer que pior eram as velas vendidas pelos contrabandistas no Forum Boarium que eram feitas com sebo de bode e este, quando queimava, dava um cheiro que espantava até os próprios, que pastavam calmamente nas ruas.
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Monday, August 04, 2008

HISTÓRIAS DAS TERÇAS 33


Um trato com Ella

Ella estava preocupada com Ricardo, pois notava que, nos últimos dias, ele andava muito assustado. Imaginava que ele estivesse com medo de ser chamado para a viagem que Ella mesma não sabia quando seria feita. Resolveu então propor-lhe um trato. Foi visitá-lo em uma noite de muito vento e muita chuva e o encontrou cuidando de sua coleção de borboletas. Após cumprimentos ligeiros Ella falou:
-Veja Ricardo, eu noto que você anda preocupado e só pode ser com a viagem. Não tenho meios de fazer você esquecer isso, mas eu lhe proponho um adiamento da partida se você concordar com uma condição. Topa?
-Bom acho mesmo que essa maldita viagem está me preocupando. Talvez um adiamento fosse bom... Aí eu posso cuidar melhor da minha coleção de borboletas, talvez aumenta-la... E também fazer um monte de outras coisas. E qual é a condição?
-É o seguinte: quando eu vier buscá-lo você deverá estar acompanhado da indiazinha e ela vai com você.
-Ah não! Não dá!
-Então, nada feito! Aí você vai viajar logo, logo.
Ricardo pensou um pouco e resolveu aceitar. Ele avaliou que, com a indiazinha, esse lugar para onde iria se tornaria um pouco menos insuportável.
-Ta certo, então. Aceito sua proposta.
Enquanto Ella ia embora Ricardo voltou a cuidar de sua coleção.

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Sunday, August 03, 2008

HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 87


O magnífico pavão

Quando ele notou que cruzaria com o chefe que vinha de cabeça baixa, mas sem olhar para os pés, preparou-se para cumprimentá-lo por sua nomeação para o mais alto cargo na Universidade. Ao chegar bem perto ele gritou de entusiasmo:

- Meus cumprimentos Magnífico!

Pois o cargo para o qual o homem havia sido nomeado era o de Reitor da Universidade de Várzea Vermelha (UVV) e, como se sabe os reitores são magníficos, embora alguns não tenham pescoço. O chefe não gostava de ser importunado em seus elevados pensamentos, mas abriu um largo sorriso acompanhado por uma nítida auréola que se abriu em torno de sua cabeça e que brilhava com as cores e formas das penas da cauda de um pavão.
(Baseado em idéia de um amigo)

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Friday, August 01, 2008

POEMAS BARRETO/XAVIER 34


INÁCIO XAVIER FILHO (1921-1999).

O poeta traduziu vinte Odes de Anacreonte diretamente do grego. Aqui apresentamos uma dessas:

6. De Si Mesmo. (XI).

Dizem as mulheres:
- Anacreonte estás velho;
Toma um espelho
E atenta bem, nem mais cabelos
Tens na fronte calva.
Não sei se tenho cabeleira,
Ou se na fronte me falta;
Mas sei de uma coisa:
Que aos velhos convém mais,
Gozar bem a folga,
Quão perto seja a Moira!

(3/11/73)

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