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Sunday, March 01, 2009

HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 116


E ele nem foi avisado...

Rodolfo Silveira Nogueira acordou cedo, pois queria ir ao cemitério como fazia eventualmente. Ele visitava os túmulos de sua esposa e de seus pais. No portão da frente comprava sempre dois buquês de cravos brancos e amarelos para colocar sobre os dois túmulos. Nesse especial domingo ele pediu três buquês e pagou com uma nota de vinte reais recebendo o troco de cinco. Pôs as flores no carro e seguiu para o cemitério onde colocou dois buquês sobre os túmulos de seus pais e mais adiante sobre o de sua esposa. Quando voltou para o carro ele vê o terceiro buquê, ainda não usado. Apanhou as flores e saiu maquinalmente, a procura do túmulo. Ao identificá-lo, Rodolfo as depositou cuidadosamente lendo a inscrição gravada no mármore branco: Rodolfo Silveira Nogueira – Nascido em 31/1/1929 - Falecido em 2/3/2009.

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Wednesday, September 17, 2008

O Povo da Malhadinha/O Povo da Granja 66


Cachimbo fedorento

O Presidente convocou o polímata para fazer uma viagem de circunavegação da província. Ele teria de, ao final da expedição apresentar um Relatório substancioso sobre as riquezas, comércio, agricultura e indústria e os costumes e usos do povo da província. Além da publicação sob a forma de livro desse relatório ele receberia uma gorda soma que lhe daria para viver alguns anos sem preocupações demasiadas. Aceita a tarefa e após alguns meses de seu início ele desembarca naquela cidade do norte, famosa por seus poetas. Em certa parte do relatório ele diz sobre esse burgo “(...) está cheio de cachorros sardentos e porcos que fuçam a lama acumulada nas ruas.” Ele diz também não ter encontrado nenhum homem ou mulher que fumasse um cachimbo decente, de madeira, todos fumam um horrível cachimbo de barro, que deixa um fedorento odor quando está sendo usado. O cemitério da cidade, então, era uma lástima, pois os túmulos estavam todos caindo aos pedaços e os cachorros vagueiam por entre eles. Ele também soube que a aula de latim, de responsabilidade de seu amigo Agapeto, havia sido transferida para outra cidade, pois por três anos não apareciam alunos. Enfim, Arlindo Batista, o polímata, nada encontrou na cidade que o agradasse. Na verdade ele encontrou, pois viu alguma coisa que o deixou extasiado: à beira do rio, ele enfim viu “a ponte, esse colosso de ferro, talvez a mais bonita do nosso Império.” Se aparecesse hoje ele notaria que nem a ponte de ferro, orgulho do povo local, escaparia de suas observações ácidas.

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Tuesday, September 16, 2008

HISTORIETAS DO MEIO DA SEMANA 49


Violação de túmulo

Estavam ele e seu chefe Quintchura no cemitério, à noite, e se preparavam com pás e picaretas para desenterrar o cadáver de uma pessoa conhecida, morta havia poucos dias. Parecia ser uma simples operação mecânica, mas nenhum deles sabia o que fariam com o cadáver depois que o retirassem da cova. Após cavarem e atingirem o caixão de madeira descobrem que o que estava sendo desenterrado era um espectrofotômetro bem antigo, um Beckman DU, talvez da década de quarenta. O aparelho estava todo enferrujado e envolto por uma espécie de chorume. O Quintchura abandonou a empreitada e foi para casa, pois teria de levar o filho mais novo ao circo. O discípulo, ele mesmo, sem sombra de dúvida, deixou a cova aberta e o espectrofotômetro ao ar livre e foi de ônibus para a casa da namorada.

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Sunday, March 16, 2008

HISTORIETAS DE SEGUNDA - FEIRA 67


Lápide - Tombstone

Em peregrinações por cemitérios do sertão o Major passou a colecionar inscrições em
lápides funerárias. Um dos exemplos mais belos exemplos que ele fotografou e anotou foi:

Aqui jazem os restos mortais de
Dona Antonia Maria José (* 9-11-1759 † 24-4-1815) e de seu amigo e companheiro Domingos Bispo Dos Santos (*. 10-8-1750 † 7-9-1822).
Saudades de sua filha Dona Maria Da Invenção Da Cruz.

Ao lado havia outra lápide, associada a essa, com a seguinte inscrição:

Aqui jazem os restos mortais de
Dona Maria Da Invenção Da Cruz (n 15-11-1790 m 22-4-1856)
Lembranças de seus filhos Berzon, Manon, Kanon e Raimunda.

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