Saturday, July 19, 2008

EXTRA! EXTRA!

INSTITUTO JOSÉ XAVIER DE GRANJA - VISTA DO
HALL DE EXPOSIÇÕES



O Diário do Nordeste de Fortaleza (Ceará, Brasil) publica em sua edição deste domingo (20/7/08) matéria sobre "Tesouros Históricos - Acervos particulares guardam memória do CE" na qual o papel do Instituto José Xavier de Granja, Ceará tem destaque.


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POEMAS BARRETO/XAVIER 32


JOSÉ BARRETO XAVIER (1903-1982)

O segundo filho varão do casal Elisa e Ignácio Xavier deixou manuscritos enfeixados em um volume a que deu o nome de Esmaltes e Camafeus e que, em sua maioria, não foram publicados. O poema abaixo transcrito faz parte dessa série.

I

Morena e formosa, de formosura a que dão relevo o irresistível da graça e a fascinação da bondade.

Sem dúvida o maior de seus encantos de jeune fille, é, por certo, o desses olhos que agora teriam, se eu fosse poeta, a exaltação de uma elegia comovida.

Na luz que deles dimana, feita de luar e veludo há estranhos mistérios e vagos encantamentos e parece que se reflete como no cristal de um espelho a divina transparência de sua alma.

Ora tristes, magoados e sombrios como dois crepúsculos; ora risonhos, cheios de vida e de mocidade, por eles transparecem as emoções desencontradas e diversas, de alegria ou de tristeza, de esperança ou de saudade da sua psiché encantada, nada disso ensombra ou diminui a simpatia envolvente de sua pessoa em que a delicadeza do trato cativante se casa à doçura e à meiguice de uma alma compassiva e serena.

Apesar de viver para os lados de S. Antônio, não é das mais fervorosas do santo a cujo culto parece preferir a devoção desinteressada do Cristo e da Virgem.

Será isso também mais uma prova da filosofia de serena indiferença a que tem disciplinado seu coração por cuja posse quem sabe quantas almas não se têm dobrado fervorosamente diante de S. Antônio na ânsia de um milagre em que o taumaturgo lhe (...) ao sol do amor a frieza glacial em que anda imerso.

1924

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Thursday, July 17, 2008

VISTAS DA GRANJA 54





AÇUDE GANGORRA - FOTOS DE JUNHO DE 2008

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Wednesday, July 16, 2008

O Povo da Malhadinha/O Povo da Granja 62


Raimundo do Espírito Santo - 4

O bisneto do Tenente Wolf

O velho Raimundo do Espírito Santo gostava muito de seu neto e mais ainda por ser ele descendente direto dos primitivos habitantes da Ibiapaba, pois que sua bisavó era índia pura. Ele também não negava achar de muita valia o menino ser filho de padre e bisneto de um guerreiro valão, o bárbaro Tenente Wolf. Com toda essa mistura de sangue nobre ele só não queria que o menino fosse ser caixeiro de loja na Granja. Não houve por onde evitar essa sina, pois a antiga Macaboqueira era um celeiro de comerciantes ricos e espertos que davam guarida a jovens ambiciosos, ou nem tanto. Quando o menino ficou taludinho sua mãe, que era de uma raça teimosa, mandou o menino, contra a vontade do avô, para aprender a ser homem de verdade com o Coronel. O garoto aprendeu tudo com ele só não a ganhar dinheiro.

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Tuesday, July 15, 2008

HISTORIETAS DO MEIO DA SEMANA 41


Seis horas, está na hora!

São seis horas e ele ouve um carro parar em frente e logo seguem dois toques breves da buzina. Ele sabe quem está lá e dá uma ordem com sua voz que está um fiapo:

- Ô Maria Inês vai lá fora e diz que eu vou já, que estou terminando umas coisas e vou num minuto.

A empregada, um misto de governanta e enfermeira olha pra ele e hesita em cumprir a ordem. Ele insiste e ela vai intrigada. Quando volta entra no escritório com um copo de suco de caju diet sem gelo que é como ele gosta, ou melhor, suporta. Maria Inês não traz mais as frutas cortadinhas com mel que ele tanto gostava. A dieta do Patrão, que é como ela o chama, está restrita a sucos e de vez em quando uma barrinha de cereais, também de baixas calorias. Ela não sabe mais o que fazer, pois ele está emagrecendo a olhos vistos, com olheiras e, para piorar não se cuida mais. Ainda há dois dias ela transmitiu pra ele o telefonema que atendeu:

- Patrão a Marcinha do salão ligou e disse que estava lhe esperando.

Ele tirou o olhar da tela do micro e balançou a cabeça em sinal de negação.

Daí a pouco ele levanta-se e sai com algumas folhas de papel na mão. Toma o elevador e, na calçada entra no carro vermelho cor de fogo que o espera.

- Bom dia!

Ella responde recriminando-o:

- Eu não lhe avisei que vinha hoje?!

- É, mas eu estava enviando umas mensagens. Agora tudo bem...

Ella pôs o carro em movimento e, no cruzamento acelerou com vontade e os dois desapareceram no carro.

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Monday, July 14, 2008

HISTÓRIAS DAS TERÇAS 31


Christine não responde

Toda vez que o carteiro passava e não deixava carta nenhuma para ele Ricardo lembrava-se de um parente seu que tinha a mania de escrever para vultos famosos de todo o mundo contando suas desventuras e pedindo ajuda para resolver seus casos. Passava-se com ele alguma coisa parecida, mas de certo modo, bem mais interessante e picante. Ele deu para escrever para jovens atrizes que apareciam em sites não recomendados da internet oferecendo às moças casa, comida e roupa lavada. Ele já havia escrito pra bem mais de uma centena, mas havia uma delas que ele punha fé que respondesse. Era a Christine uma loura de fechar o quarteirão; já fazia uns seis meses que ele havia escrito a primeira carta e outras se seguiram e até agora a danada não tinha respondido. Mas ele ainda tinha esperanças.

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Sunday, July 13, 2008

HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 84

Terminou no Café Java

Os rapazes formavam uma verdadeira manada de filhinhos de papai, bem uns seis. Eles saiam à tardinha, e iam atolar como diziam. Sempre a pé, algumas vezes iam de bicicleta. Ficavam nos passeios da Praça da Lagoinha a observar as garotas que circulavam em suas bicicletas reluzindo de novinhas. Umas não tinham mais do que quinze anos, cheias de beleza e de graça. De graça não, pois a Dinah, filha do Capitão chefe de Polícia provocou distúrbios intestinas ao Wellington. O caso foi que esse filho do Coronel Meton deu em cima da garota e os dois já estavam de caso: bilhetinhos pra lá, bilhetinhos pra cá até que um dos companheiros do moço atrevido deu com a língua nos dentes e o Capitão soube do que estava se passando. Ele obrigou a filha a lhe mostrar os bilhetes do Wellington e, mesmo sem lê-los chamou o rapaz para uma conversinha. Não houve como o garotão recusar o convite e o encontro se deu no Café Java, em plena Praça do Ferreira. O velho – o Capitão nem era tão velho assim – tomou todos os bilhetes, talvez uns dez e, na frente de todos amassou-os e obrigou o pobre do Wellington a engoli-los de goela abaixo. Nem um pega-pinto ele tomou pra ajudar a descer o papelório.
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POEMAS BARRETO/XAVIER 31


INÁCIO XAVIER FILHO (1921-1999).

Sensação Matinal.

Ontem fui feliz.
Os pássaros me dizem:
Nós também somos felizes.
Sinto de longe o perfume das rosas.
Gosto de espreitar os passantes
Na rua, do portão.
De repente passou uma moça...
Baixinha... Só tive tempo
De ver o cabelo, gingando...
Vestia amarelo e branco.
Mesmo assim de costas,
Via-se que devia ser bonita de frente!

26-11-87

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Thursday, July 10, 2008

VISTAS DA GRANJA 53


Lá na Rua Deputado José Xavier temos de tudo: temos energia elétrica, sinal de televisão, ...

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Wednesday, July 09, 2008

O Povo da Malhadinha/O Povo da Granja 61


Raimundo do Espírito Santo - 3
A missa do Padre Lobo

Ignácia e Raimundo do Espírito Santo ainda não haviam ido à missa rezada pelo novo padre da Matriz. Ele havia chegado há pouco tempo e já era famoso na cidade, pois diziam ser bonito e muito sabido. No domingo eles foram acompanhados pela filha Rosa – essa já havia ido a missas rezadas pelo Padre Lobo, pois esse era o nome do jovem sacerdote. Rosa sabia onde o padre morava e sabia também muitas outras coisas. Os três sentaram na segunda fila onde tinham cadeiras especiais, reservadas para a família.
A certa altura da celebração, antes do ofertório, o velho Raimundo do Espírito Santo cutucou sua mulher e disse bem baixinho para ninguém ouvir:

- Ignácia, aí tem... Você viu o Padre Lobo todo enxerido e vermelhão pros lados da Rosa?

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Tuesday, July 08, 2008

HISTORIETAS DO MEIO DA SEMANA 40


Amor turvado

Clara (Luz da Aurora Boreal) e Valdemar (do Amor Divino) moravam no mesmo bairro da cidade e iam juntos ao colégio desde o curso primário. Logo que despontaram os primeiros sinais das diferenças sexuais a amizade de criança passou para um patamar especial e quando ficaram taludinhos passaram a namorar e daí ao casamento na igreja de São Pedro, com muitas festas, foi só um passo. Valdemar (do Amor Divino) passou a trabalhar no centro da cidade e tinha muitas oportunidades de conhecer pessoas interessantes, bem mais do que sua querida Clara (Luz da Aurora Boreal). Não é que ele conheceu uma linda moça, morena, com tudo em cima, como seus colegas diziam e logo se interessou por ela? Certo dia, na lanchonete onde almoçava bem perto do trabalho ele abordou a tal linda moça e logo lhe perguntou o nome. Ela lhe respondeu com o sorriso mais bonito que podia extrair de seus dentes recém implantados pela Dra. Sandra:

- É Joana da Paixão Luz... E o seu?

- Valdemar do Amor Divino...

Esse encontro entre o Amor e a Paixão turvou permanentemente a luz que iluminava a vida da jovem esposa de Valdemar do Amor Divino.

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Monday, July 07, 2008

HISTÓRIAS DAS TERÇAS 30


O galo pedrês

O Seu Miguel morava no Alto dos Pescadores e era conhecido como uma espécie de vidente ou coisa que o valha e interpretava sonhos. Recentemente foram a sua casa três cabos eleitorais de políticos da cidade: o Bebezinho, o Belezinha, e o Bileuzinho. O interessante é que eles foram no mesmo dia e cada um sem saber da intenção do outro. Quando lá chegaram pediram para falar com Seu Miguel, pois queriam contratá-lo para interpretar os sonhos que os “home”, seus patrões, tinham tido, constataram eles agora, no mesmo dia. O vidente diz que interpretará os três sonhos se eles mandarem tapar o buraco que tem bem em frente de sua casa e tirar os porcos que fazem plantão ao lado dela.

Os sonhos dos três candidatos eram espantosamente semelhantes: eles sonharam com um enorme galo pedrês que bicava os três. O animal dava bicadas incessantes ameaçando transformar aquela arrumação num mar de sangue. Seu Manoel disse que o galo pedrês era a representação do povo e dos anseios de liberdade e democracia e as bicadas significavam que a população estava se preparando para uma reação aos desmandos passados, presentes e futuros. O velho vidente adiantou que era impossível acabar com as bicadas do galo pedrês até que a cidade alcançasse um IDH civilizado.

Intrigado com sua própria interpretação Seu Manoel perguntou:

- Escuta aqui gente o que é esse tal de IDH que eu não sei?

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Sunday, July 06, 2008

HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 83



Aquele que faz esquecer = Causing to forget

Jorge leu na coluna do Júcio Nacional que o Malaquias está de volta à cidade, pois foi demitido do alto cargo que tinha na Universidade McBain. Uma das razões de sua demissão foi enviar e-mails em número exagerado (sic). O interessante é que logo após ter lido a notícia Jorge cruzou com esse camarada no Calçadão, isto é, logo pela manhã. Mesmo atrás de óculos escuros o sujeito o reconheceu e falou:

- Olá Jorge!

Este o olhou de través e não lhe deu resposta. Agora que o homem está por baixo descobre que eu tenho nome, pensou Jorge com seus botões. Incontáveis vezes o Malaquias, quando de férias, cruzava com ele e voltava o rosto para o lado oposto. Jorge lembra que o camarada devia-lhe alguma coisa, talvez um pouco de caráter, e nunca lhe pagou. Refletindo com calma, Jorge acha que poderia ter respondido ao cumprimento do tal dizendo:

- Eu te conheço? Quem é você?

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Friday, July 04, 2008

POEMAS BARRETO/XAVIER 30


INÁCIO XAVIER FILHO (1921-1999)

Cantigas de pássaros

Fim de semana no ar, quinta ou sexta-feira, de manhã...
Um pássaro canta:
De sete dias eu já me livrei...
Outro pássaro:
O nosso canto nos libertará...
Pouco nos separa na vida, da morte.
Todos os pássaros:
Ninguém se libertará da eternidade...

29-07-86

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Thursday, July 03, 2008

VISTAS DA GRANJA 52


A Rua do Azevedo, cujo nome atualmente é Rua Pessoa Anta é a mais extensa da cidade de Granja indo desde a Estação da RVC até o Alto dos Pescadores. No centro ela abriga diversos casarões antigos, como o Sobrado dos Gouveia e a Casa dos Xavier, entre muitos outros.

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Wednesday, July 02, 2008

O Povo da Malhadinha/O Povo da Granja 60


Raimundo do Espírito Santo - 2
Do Arraial da Macaboqueira para a Vila Viçosa



O velho Raimundo do Espírito Santo lembra, ainda agora, buscando em sua espantosa memória, o episódio que viveu quando chegou a Serra. Ele e seus companheiros estavam sentados à beira do riacho, descansando da longa caminhada desde o Arraial da Macaboqueira. Subitamente eles ouvem passos na mata e, quando dão fé vêem uma mulher índia, muito jovem e muito bonita que os ameaçava com um tacape. Ameaçava por quê? Imaginou ele levantando-se para encará-la. Para sua surpresa ela começa a correr e ele decide seguí-la. A corredora foge por uma boa meia légua, serra acima, perseguida por Raimundo. Ao chegarem a uma corredeira, no alto, ele consegue derrubar a jovem índia que logo se aninha mansamente em seus braços dando origem assim a mais uma família na Serra.

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Tuesday, July 01, 2008

HISTORIETAS DO MEIO DA SEMANA 39


Peixinho vivo na sopa = A living little fish in the soup

Estava sentado à mesa tomando uma sopinha japonesa, um tipo de missô, quando um cidadão japonês aproximou-se trazendo o seu prato de sopa também. Começou a tomá-la fazendo ruído desagradável para mim. Observando bem eu vi, então, um pequeno peixe vivo nadando em seu prato de sopa e o cidadão tentando leva-lo à boca. Falei alguma coisa, reclamando daquilo, que era feio, falta de modos... Subitamente um compatriota do comedor de peixinhos toma as dores pelo outro e diz que eu tivesse mais respeito com os costumes deles, pois no Japão era assim, tradição...

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Monday, June 30, 2008

NOSSA SENHORA DO LIVRAMENTO DO PARAZINHO

A festa de Nossa Senhora do Livramento do Parazinho, nesta época do ano, na Granja, permite momentos de culto intenso e traz recordações e muitas saudades a todo granjense ausente de sua terra.
Mostramos aqui dois pequenos filmes feitos no dia da festa de junho de 2007 - a procissão - na impossibilidade de apresentar cenas deste ano.

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HISTÓRIAS DAS TERÇAS 29


Pensamento solitário

Como de costume ele caminhava meio distraído pelo calçadão. Cheio de pensamentos e diálogos solitários. Estava se encaminhando para o único “cyber café” da cidade para dar uma espiada em seus e-mails. Ao chegar à lojinha viu que ela estava acessando um micro, certamente lendo e-mails também. Ele deu boa noite, extensivo a todos e sentou-se à espera de uma vaga. Quando houve uma, ele sentou-se e começou a mexer no micro. Logo em seguida ela sai e dá boa noite sem ter-lhe dirigido a palavra além do cumprimento formal. Após a moça ter saído ele comenta com o jovem dono que as mulheres são engraçadas... O jovem responde:

-Vai atrás dela que ela está esperando por ti ali adiante.

Ele foi e qual não foi sua surpresa quando viu que lá estava ela, parecendo um anjinho barroco, esperando por ele, embaixo de um poste iluminado. Quando ele se aproxima para dizer alguma coisa acorda junto ao seu carro estacionado em frente ao Alfredo da Peixada, na Avenida Beira Mar...

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Sunday, June 29, 2008

HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 82


Mar Vermelho

O moço era um leitor obsessivo da Bíblia, principalmente do Velho Testamento. Uma das passagens de que mais gostava era a da fuga dos judeus do Egito, sob a liderança de Moisés. A travessia do Mar Vermelho, quando o Patriarca fez as águas se separarem, criando uma passagem para a multidão em fuga e em seguida o seu fechamento, causando a morte dos soldados do Faraó; essa história era o máximo para ele. Quando seu primeiro filho nasceu deu-lhe o nome de Moisés. Após alguns dias de reflexão ele achou que o nome do garoto não estava completo, pois ele tinha certeza que seu filho seria um homem “indo e voltando” e merecia um nome adequado. Voltou ao cartório e conseguiu acrescentar outro nome ao já registrado e que, segundo ele, traduzia a idéia da travessia feita pelo Profeta e seu povo e o futuro do seu filho: Moisés Sesiom.
(Obrigado André Newton M. Negreiros)

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Friday, June 27, 2008

POEMAS BARRETO/XAVIER 29


INÁCIO XAVIER FILHO (1921-1999).

Delírio Floral

Sobre a réstia azul da janela,
Somente uma leguminosa de flores amarelas
E um bouganville vermelho...
Tem-se saudade dos loendros floridos
Em profusão!... Seiva colorida:
Clorofila, xantofila, iritrofila...
(Rodofila?) Os loendros (espirradeiras),
Têm na cor muito da atração do amor!...

(14-06-87

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Thursday, June 26, 2008

VISTAS DA GRANJA 51

Cenas da festa de Nossa Senhora do Livramento do Parazinho (2007)






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Wednesday, June 25, 2008

O Povo da Malhadinha/O Povo da Granja 59


Raimundo do Espírito Santo - 1
O velho

O velho Raimundo - para piorar seu sobrenome era “do Espírito Santo” - se debatia com uma questão que, para a maior parte dos de sua idade não tinha importância alguma - ou assim pensava esse velho ranzinza de seus bons oitenta anos. Deitado na rede vermelha no alpendre de seu apartamento na Parquelândia ele não se conformava com o fato de que havia estudado, lido, viajado por toda parte só para, num átimo, que se aproximava a galope, ver (?) tudo jogado fora, destruído, despedaçado...

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Tuesday, June 24, 2008

HISTORIETAS DO MEIO DA SEMANA 38


Outono

Dizia o Secretário de Serviços Urbanos para o Secretário de Limpeza Urbana, (ou seria o contrário?):
- Você já notou que embaixo das tamarineiras da praça está cheio de folhas?
- Ora, são as folhas que caem...
- Sim, mas sujam a praça.
- Será que tem um remédio que faça com que as folhas não caiam?
- Não sei não, mas talvez tenha um bem barato.
- E qual é?
- A gente corta elas pelo tronco.

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HISTÓRIAS DAS TERÇAS 28


Competição acirrada

Os dois competiam pelo coração dos habitantes da Cidade. O Barão da Lagoa anunciava seu poderio indiscutível pelo sistema de rádio que dominava: ele havia feito isso e aquilo e agora faria mais disso e daquilo. Enquanto ele próprio ouvia toda essa lengalenga o Barão do Barrocão, fazia rodar pela cidade seu sistema móvel de propaganda – uma Monarca com um sistema de alto falantes – afirmando que ele ainda não havia feito isso e aquilo, mas tivessem confiança os munícipes, pois ele faria mesmo aquilo e isso depois de eleito.

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Monday, June 23, 2008

HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 81


Eu vim de "cômoda"

Entreouvido na Beira mar


- Seu Ricardo eu vim de "cômoda", pois o Doutor Felismino e a muié dele a Dona Márcia tavam tirando esticado na fazenda da Tapera e daí eu não pude vim, disse o jornaleiro para seu patrão.

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Saturday, June 21, 2008

VISTAS DA GRANJA 50


Vista da Igreja Velha e da Igreja Nova do Parazinho

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Friday, June 20, 2008

POEMAS BARRETO/XAVIER 28


LÍBIA BARRETO XAVIER (1904 – 1988). Bibi, como era conhecida, deixou alguns poemas inéditos. Mostramos aqui a “ELEGIA DE NOVEMBRO” resgatado de “Poemas esparsos”:


ELEGIA DE NOVEMBRO


Ó triste sol crepuscular,
Que frio estás!
Minh´alma geme a tiritar...
Que frio estás!

Ó pobres flores fenecidas,
Castos jasmins!
Sois como virgens falecidas...
Castos jasmins!

Ó todos vós que tanto amei,
Dormindo estais!
Em pranto vão vos chamarei...
Dormindo estais!

Ó vida minha, ó meu labor,
Que bom que te vais!
Leves também a minha dor...
Que bem te vais!

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Wednesday, June 18, 2008

O Povo da Malhadinha/O Povo da Granja 58


Minha neta chega hoje

O Velho, como lhe chamavam sem errar sobre seu estado (?), caminhava na Beira Rio demonstrando nervosismo. Ele batia com sua bengala nas pernas em um movimento cadenciado, nervoso. As meninas que caminhavam no mesmo horário, entre 6 e 7 da manhã, todos os dias, notaram essa alteração. A Silvinha, uma linda morena de seus 60 anos, resolveu falar com ele. O Velho responde à amiga:

- É minha neta que chega hoje ao meio-dia.
- Ao meio-dia, hoje? Mas não tem trem...
- Ela vem no hidro da Nyrba e chega em Camocim. Vou ter quer ir agora de automóvel. Vou no do Compadre Claudino.

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Tuesday, June 17, 2008

HISTORIETAS DO MEIO DA SEMANA 37


A máscara

Artur estava com problemas de sono, quase não dormia. Após uma série de exames os médicos recomendaram que ele usasse uma máquina moderna com uma máscara para prover ar a seus pulmões cansados. Ele comprou a tal máquina através de uma firma americana cuja representante na cidade chamava-se Hillary (C. Celle). Após ter aprendido a usar a máquina – missão de Hillary – Artur passou a usá-la todas as noites. Pouco tempo se passa quando certa noite ele acordou lá pelas três horas da madrugada e sentiu que havia alguma coisa de estranho. Após alguns minutos ele percebeu que a máscara havia caído e a bela, por que era a bela Hillary, estava com a dita cuja na mão preparando-se para colocá-la em seu rosto.

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Monday, June 16, 2008

HISTÓRIAS DAS TERÇAS 27


Caprinocutura

O Doutor Secretário de Agricultura da cidade estava preparando a exposição sobre cabras e bodes que ia haver no próximo sábado no Parque de Exposições. Em frente ao micro ele luta com as palavras que vai colocar em um grande cartaz que será posto logo na entrada do parque. Após perder algum tempo ele grita para a menina sabida ao lado:

Oh Rejane, “caprinocutura” é com ele ou sem ele?

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Sunday, June 15, 2008

HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 80


Retorno

Gilmar estava sentado em um bar, esperando o amigo na beira da calçada, olhando para uma porca e seus porquinhos fuçando em uma poça de lama bem ao lado. Quando o amigo chega, ele logo diz:

- Oi Joãzinho! Senta aqui! Faz tempo que a gente não se vê!

- É verdade faz muito tempo mesmo, uns vinte anos se não for mais. Lembro que eu ainda estudava no Colégio quando nos mudamos para Parnaíba. Já faz um tempão...

- Você quer tomar alguma coisa? Pergunta Gilmar enquanto faz sinal para o churrasqueiro que estava preparando espetinhos em uma grelha à beira da calçada. Bem perto de onde trabalhava o Nézinho Joãozinho viu um cachorro deitado no chão. O dono do bar chega e o Gilmar faz as apresentações:

- O João é da cidade e faz muito tempo que não vem aqui. Nézinho prepara uns churrasquinhos e traz uma cerveja bem geladinha para a gente comemorar!

O dono do bar vai buscar a cerveja e logo depois traz na mão os churrasquinhos pedidos e um potinho com farofa seca.

- Eu só lhe vi hoje de manhã, você chegou quando?
- Cheguei a três dias, no domingo. Vim com minha mulher e o meu filho.
- Já casou e já tem filho Joãozinho! É um progresso...
- É, mas eu já estou perto dos trinta. E você Gilmar, casou também? E tem filhos?
- Rapaz casei! E casei bem cedo. Por aqui todo mundo casa logo, num tem o que fazer...

Enquanto Gilmar fala passa um bicicleteiro anunciando, a toda altura, um forró no próximo sábado, de graça, pois é patrocinado pela Secretaria dos Esportes. O barulho diminui e Gilmar continua:

- Pois é rapaz eu não pude nem estudar mais, parei pela metade. Agora eu e a Detinha nós temos emprego na Prefeitura e o pai dela dá uma ajuda pra gente.
- Ah legal! Gilmar eu andei por aí visitando uns parentes e vi que a cidade continua a mesma do meu tempo, parece que não teve melhoria alguma? O que será isso?
- Olha Joãozinho melhorar melhorou, tem umas coisas que não tinha antes e agora tem. Tem as universidades que vêm dar aula aqui e logo, logo nós vamos ter engenheiros formados aqui, vamos ter professores de filosofia, de retórica, vamos ter advogados. É uma melhora danada.
- E o ensino fundamental, das crianças, vai bem? Li ainda outro dia que a cidade tem um alto índice de analfabetismo e o IDH é muito baixo. E parece que tem muita dengue. Será mesmo verdade?
- Olha Joãozinho quando chega nessas coisas de índice aí ninguém se mete. O “homem” não quer e eu estou com ele e não abro. Esses caras lá da capital aparecem aqui para xeretar nossa vida e saem falando mal da gente. Tudo de ruim acontece aqui, é o que eles dizem; não é verdade. Você pode rodar toda a cidade e não vai encontrar um graveto fora do lugar. Agora tem esse negócio dos buracos, mas isso é culpa do governo estadual que não soltou todas as verbas.
Joãozinho muda de conversa e pergunta:
- Gilmar a gente podia ir tomar um banho no rio amanhã, pular da ponte, você topa?
- Topo, vamo!

Os dois amigos terminaram de saborear o churrasquinho e a cerveja e saíram os dois depois de pagarem a conta ao Nezinho.

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Saturday, June 14, 2008

POEMAS BARRETO/XAVIER 27


LÍVIO BARRETO (1870 - 1895)

O mar, quando o vendaval açoita, irrita-se e vomita a
Praia a saliva do ódio – a espuma. O amor quando o
Ciúme o tolda, desfalece e lança do coração um a um
Os seus pungentes despojos: as illusões.

(Inédito)

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Friday, June 13, 2008

VISTAS DA GRANJA 49


DETALHE DA IGREJA MATRIZ DE NOSSA SENHORA DO LIVRAMENTO DO PARAZINHO

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Thursday, June 12, 2008

VISTAS DA GRANJA 48


A LUA SOBRE O AÇUDE DO PARAZINHO

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Wednesday, June 11, 2008

O Povo da Malhadinha/O Povo da Granja 57


Celular, atas e buracos na estrada

Ele acordou e logo viu que estava em uma cama de hospital com a perna direita enfaixada. Não havia ninguém no quarto e ele tentou lembrar por que estava ali. Ele havia saído de Cariré em sua Hilux preta guiada pelo Chiquinho – era o apelido do Francisco, motorista de muita prática na estrada – e vinha para Fortaleza. Lembra bem que a certa altura da viagem o Zezinho correndo feito um louco e falando ao celular com o aparelho na mão esquerda – não usava o viva-voz – desviava-se freneticamente dos buracos guiando com a direita. De repente ele vê vendedores de ata no acostamento e pede:

- Para aí Manézinho, quero comprar umas atas.

Após ter comprado atas bem maduras os dois voltam para a “deusa negra” e continuam a viagem. O Livinho retoma a sua luta com o celular na esquerda e com a direção na direita; ele abre uma das atas. Após ter expelido alguns caroços da fruta o que ele lembra é de ter falado:

- Larga o telefone Bonequinho, olha o buraco!

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Tuesday, June 10, 2008

HISTORIETAS DO MEIO DA SEMANA 36


Sonhos gravados

Deitada ao lado do marido ela pensava em maneiras de comprovar sua sabida infidelidade. Todo o mundo na cidade sabia que o Tibério a traía com Valéria. Ela já tinha rezado, mandado fazer despacho e o diabo a quatro. Uma de suas amigas a tinha aconselhado e até havia dado o número do telefone de uma mulher detetive da capital que certamente resolveria o seu problema. Ela estava com a tirinha de papel na mão e, com a luz de cabeceira acesa, lia:

“DETETIVE DE MULHER PARA MULHER AGENTE DESCOBRE TUDO + GRAVAMOS SEUS SONHOS – LIGAR PARA 85 3225 4127

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Monday, June 09, 2008

HISTÓRIAS DAS TERÇAS 26


Clara, a Bela

Toca a campainha. Ele pensa:
- É a moça que vem me vender a máquina.
Ao abrir a porta ele se depara com uma mulherona, alva como leite e bonita como o que.
- Pode entrar. Sente aqui. Como é seu nome?
- Carla e sou a vendedora e demonstradora da máquina. Vamos ver o funcionamento?
Miguel concordou e disse que ela poderia começar a explicação.
A bela moça começou sua exposição:
- Carla, você sabe que essa máquina é de última geração e só a nossa firma tem licença para vendê-la no Estado.
Continuando ela diz:
- Veja bem Carla, esse rotor aqui faz girar a berimbela que movimenta essa rodinha de plástico branco, bem aqui.
Ela foi mais adiante dizendo:
- Carla...
Ele a interrompeu:
- Escuta, você está falando com quem?
- Ah... É que eu só consegui aprender a descrição do funcionamento falando para mim mesma...
- Ahn... Vamos lá, disse Miguel para a linda moça.

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Sunday, June 08, 2008

HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 79


Apelo

Ao corrigir provas de Biologia Geral o professor deparou-se com o texto:

"Boa Correção! Não te esqueças que o Senhor, um dia, não muito distante, estava sentado aqui, nesta cadeira, na condição de Aluno! Obrigado”.

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Friday, June 06, 2008

POEMAS BARRETO/XAVIER 26


LÍBIA BARRETO XAVIER (1904 – 1988). O poema abaixo transcrito é uma obra resgatada de “Poemas esparsos” não publicados.


INFÂNCIA

Alvos e perfumosos jasmins de janeiro!...
Mal caídas as primeiras chuvas, desabrochavam
Numa eclosão fantástica de primavera precoce e rápida,
Amadurecida aos calores de dezembro.
Cobriam as sebes do jardim em ruínas
E vestiam de cortina alvinitente
Os velhos muros musgosos.
Cadeias de odorantes estrelas
Compunham os colares, rosários e coroas
Das noivas, das devotas e dos anjos;
E de macias pétalas cetinosas
Era o misterioso manjar das bonecas.
De puríssimos e frescos jasmins eram tecidos
Os leitos de noivados
E os berços dos recém-nascidos,
E buscava-se nos pistilos sugados gota a gota,
A deliciosa e mágica bebida das fadas.
Foram frios e níveos jasmins,
Com seu forte cheiro de vida e de morte,
Que cobriram as mãos gretadas e escuras
Daquela rendeira deitada em seu caixão.
E nas tardes de inverno, os barquinhos de papel,
Carregados pela enxurrada das sarjetas,
Esfacelavam-se nas poças lamacentas.

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VISTAS DA GRANJA 47





A LIBERDADE DO MELHOR AMIGO DO HOMEM NA CIDADE

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Wednesday, June 04, 2008

O Povo da Malhadinha/O Povo da Granja 56


Abelhas da Serra

O moço da Capital tomava fotos na Cachoeira das Palmeiras quando chegam duas jovens vestidas de preto que ficam por ali, observando. Logo elas se animam com o banho e talvez com a possibilidade de serem fotografadas – tiram a roupa ficando em suas peças íntimas. Começam a pular e a nadar no imenso e profundo poço formado abaixo da queda dágua; fazem todo tipo de estripulias até que uma delas chega perto dele e diz:

- Você não quer subir na serra pra tirar abelha?

O moço da Capital, curioso como só, aceita o convite e após alguns minutos de caminhada serra acima, a jovem estaca e tirando uma trouxinha de entre os seios diz:

- Trouxe fósforos?

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Tuesday, June 03, 2008

HISTORIETAS DO MEIO DA SEMANA 35



Sonho de limpeza

Augusto estava lavando o chão do apartamento: jogava água e esfregava com um pano. Subitamente ela aparece e começa a colaborar com a limpeza. Ele sobe em uma mesa e daí passa para cima de um móvel mais alto. E continua a jogar água provocando o aparecimento de dezenas de baratas. A dama diz que vai sair e, por isso, baixou o tom do telefone. Ele pergunta por que e ela lhe responde que o síndico havia pedido. Ela sai sem se despedir e ele imagina que ela vá para a festa de comemoração do aniversário da filha. Augusto continua a limpeza, ajudado agora por Otávio que diz ainda ter muito tempo. Durante todo o desenrolar dessa cena havia uma criança de uns oito anos, Júlia, observando a cena sem dizer palavra.

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Monday, June 02, 2008

HISTÓRIAS DAS TERÇAS 25


Rede vermelha

Galdino sonhou ter perdido sua carteira, camiseta e umas moedinhas logo que chegou à Lagoa Torta. Resolveu voltar para casa sem procurar os objetos perdidos. Deita-se em sua rede, dorme e novamente sonha. Sonhou que havia vendido um carro para uma amiga tendo esta lhe dado três cheques de valores diferentes. Quando acordou achou-se em uma casa de taipa, à beira do rio, que tinha uma parede suja de fuligem e as outras pintadas de tal maneira que aparentavam sujeira. Ele volta então para a lagoa em busca dos objetos perdidos, mas mesmo na barraca chique do francês ele não os encontra. Galdino toma então um ônibus e desce na esquina da casa do Seu Bernardinho e encontra um senhor, bem vestido que lhe diz:

- Esse pessoal é doido. Alguém perdeu esses três cheques preenchidos e assinados.

Ele pediu para ver os cheques e quando o senhor os mostrou ele viu que eram aqueles que havia recebido de sua amiga em pagamento pelo carro. Galdino convenceu o senhor que os cheques lhe pertenciam e guardou-os. Ao chegar a casa e contar a história meteu a mão no bolso e não mais encontrou os cheques. Como estivesse muito cansado resolveu deitar em sua rede vermelha no quarto de cima. Após algum tempo ele foi despertado por um grande foguetório que vinha do comício do PTN, na Praça da Matriz, para o qual ele havia sido convidado.

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Sunday, June 01, 2008

HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 78


Eleições na Vila de Tal

Aproxima-se o momento da mudança e dois partidos disputam o poder na Vila de Tal, o Partido de Tal (PDT) e o Partido Contra Tal (PCT). Talzinho, o chefe do PDT, está satisfeito, pois tem certeza que suas idéias mais uma vez serão vitoriosas. Ao contrário, o chefe e os companheiros do PCT estão apreensivos, pois se ganharem, como alguns institutos de pesquisam prognosticam, ele não tem a mínima idéia do que farão na administração da vila, talvez seguir as idéias de Talzinho.

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