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Friday, January 30, 2009

POEMAS BARRETO/XAVIER 57


RAUL S. XAVIER (1902 – 1985)

HORAS

Quantas foram amadas
E quantas amei, num dia?...
Tantas louras alvoradas,
Dentro de mim eu trazia...

E quantas apaixonadas
Do fogo que n´alma ardia
Passaram, inebriadas
De desejo e fantasia?...

Todas se foram de leve,
As horas de vida breve,
Desfeitas, logo ao nascer,

Deixando só por lembrança
As cinzas de uma esperança,
Que não se pode esquecer...

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Saturday, January 17, 2009

POEMAS BARRETO/XAVIER 56


RAUL S. XAVIER (1902 – 1985)

SAUDADE

Tôda a minha desventura
De um mal sem nome provém,
De uma desdita sem cura,
Como a não teve ninguém.

É saudade que perdura
E de muito longe vem
Esta exquisita amargura,
Com sabor até de um bem.

É somente uma lembrança
Daquela vaga esperança,
Que o tempo há muito levou,

Da crença agora perdida,
De uma ilusão mal vivida,
Do que fui e hoje não sou.

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Monday, July 14, 2008

HISTÓRIAS DAS TERÇAS 31


Christine não responde

Toda vez que o carteiro passava e não deixava carta nenhuma para ele Ricardo lembrava-se de um parente seu que tinha a mania de escrever para vultos famosos de todo o mundo contando suas desventuras e pedindo ajuda para resolver seus casos. Passava-se com ele alguma coisa parecida, mas de certo modo, bem mais interessante e picante. Ele deu para escrever para jovens atrizes que apareciam em sites não recomendados da internet oferecendo às moças casa, comida e roupa lavada. Ele já havia escrito pra bem mais de uma centena, mas havia uma delas que ele punha fé que respondesse. Era a Christine uma loura de fechar o quarteirão; já fazia uns seis meses que ele havia escrito a primeira carta e outras se seguiram e até agora a danada não tinha respondido. Mas ele ainda tinha esperanças.

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