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Friday, January 30, 2009

POEMAS BARRETO/XAVIER 57


RAUL S. XAVIER (1902 – 1985)

HORAS

Quantas foram amadas
E quantas amei, num dia?...
Tantas louras alvoradas,
Dentro de mim eu trazia...

E quantas apaixonadas
Do fogo que n´alma ardia
Passaram, inebriadas
De desejo e fantasia?...

Todas se foram de leve,
As horas de vida breve,
Desfeitas, logo ao nascer,

Deixando só por lembrança
As cinzas de uma esperança,
Que não se pode esquecer...

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Saturday, January 17, 2009

POEMAS BARRETO/XAVIER 56


RAUL S. XAVIER (1902 – 1985)

SAUDADE

Tôda a minha desventura
De um mal sem nome provém,
De uma desdita sem cura,
Como a não teve ninguém.

É saudade que perdura
E de muito longe vem
Esta exquisita amargura,
Com sabor até de um bem.

É somente uma lembrança
Daquela vaga esperança,
Que o tempo há muito levou,

Da crença agora perdida,
De uma ilusão mal vivida,
Do que fui e hoje não sou.

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Saturday, October 04, 2008

POEMAS BARRETO/XAVIER 42


RAIMUNDO MAURO OLIVEIRA FILHO, Maurinho (1949-1980), é o representante da quarta geração dos poetas Xavier/Barreto.

SONETO DO AMOR DISTANTE

Na bruma azul da tarde, o mar erguia
Tua lembrança morna, apaixonado
Por este negro corpo malfadado,
Enquanto ao longe eu ouvia uma sinfonia.

Tu caminhavas entre a maresia
(Mal tua sabias que eu te estava olhando!)
Como quem faz alguém quando sonhando,
E o sol lá fora desaparecia.

E veio a noite, teu vulto mulher
Eu vi também, como uma pessoa qualquer
Mas com um pudor que eu nunca vira antes...

E a noite foi-se, teu vulto também
Foi-se com as trevas e se fez no além,
E entre caminhos eu me vi, distante...

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