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Saturday, January 03, 2009

POEMAS BARRETO/XAVIER 54


MÁRIO BARRETO XAVIER nasceu na Granja (1906) e era filho de Elisa Barreto Xavier e de Ignácio Xavier. Faleceu em São Paulo em 1969.

DIFERENTE

Estavas diferente hoje, com aquela blusa preta – dona de casa.
Desaparecera o ar fatal.
Depois, lá fora, jogando bola com as outras crianças,
e achando o dia lindo.
E era lindo. A garoa morrera na véspera.
Havia céu, muito céu, muito azul, muito, quasi escuro;
e sol, muito sol.
Estavas ora infantil, ora maternal,
contente com a beleza do dia.
Davas aos pássaros os beijos que eu te pedia –
- os lábios finos, claros e frios que eu hei de beijar amanhã... ou depois... ou depois...
Os lábios sem “rouge”.
davas beijos muito finos para os pássaros.
Tu sentias o dia sem mim – eu te sentia.
Teus seios estavam muito castos, muito familiares, muito accessíveis –
Ocultos atrás da velha blusa preta –
Teus seios –
- de onde que queria que os meus filhos vivessem.

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Friday, December 05, 2008

POEMAS BARRETO/XAVIER 50

MÁRIO BARRETO XAVIER nasceu na Granja (1906) e era filho de Elisa Barreto Xavier e de Ignácio Xavier. Faleceu em São Paulo em 1969.


Poema

A virgem indecisa cruza os braços sobre os seios
e espera o poeta silencioso que a levará ao grande leito.
A noite é negra e ampla, ouvem-se metralhadoras longínquas.
Os padres roncam, os juizes estudam a lei de segurança,
os delegados apitam espancamentos.
O poeta silencioso cruza os braços sobre os espancamentos
e espera a grande noite de metralhadoras caladas
que o levará para o Grande Seio.

1936 – agosto

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Wednesday, June 04, 2008

O Povo da Malhadinha/O Povo da Granja 56


Abelhas da Serra

O moço da Capital tomava fotos na Cachoeira das Palmeiras quando chegam duas jovens vestidas de preto que ficam por ali, observando. Logo elas se animam com o banho e talvez com a possibilidade de serem fotografadas – tiram a roupa ficando em suas peças íntimas. Começam a pular e a nadar no imenso e profundo poço formado abaixo da queda dágua; fazem todo tipo de estripulias até que uma delas chega perto dele e diz:

- Você não quer subir na serra pra tirar abelha?

O moço da Capital, curioso como só, aceita o convite e após alguns minutos de caminhada serra acima, a jovem estaca e tirando uma trouxinha de entre os seios diz:

- Trouxe fósforos?

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