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Friday, October 24, 2008

POEMAS BARRETO/XAVIER 45



LÍVIO BARRETO (1870 - 1895)

DESLUMBRAMENTO

Por sobre nós a azul silenciosamente
Se arqueia, ébrio de luz, de paz, de sons, de amor,
E apenas da águia errante a asa viril e ardente
Põe naquela cor casta a nódoa de outra cor.

Vê-se ao longe esverdear melancolicamente
Das montanhas senis os flancos onde o ardor
Do sol retine e bate irresistìvelmente,
Penetrando-lhe a entranha e haurindo-lhe o frescor.

No entanto a águia possante, as asas espalmadas,
Sobe, até sentindo as penas abrasadas
Volta e procura a serra, exausta de vigor...

Também minh´alma um dia ao azul puro e radioso
Abriu o cálix branco ébrio de amor e gôzo,
Para depois fechá-lo ermo de gozo e amor!


-1893-

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Monday, June 30, 2008

HISTÓRIAS DAS TERÇAS 29


Pensamento solitário

Como de costume ele caminhava meio distraído pelo calçadão. Cheio de pensamentos e diálogos solitários. Estava se encaminhando para o único “cyber café” da cidade para dar uma espiada em seus e-mails. Ao chegar à lojinha viu que ela estava acessando um micro, certamente lendo e-mails também. Ele deu boa noite, extensivo a todos e sentou-se à espera de uma vaga. Quando houve uma, ele sentou-se e começou a mexer no micro. Logo em seguida ela sai e dá boa noite sem ter-lhe dirigido a palavra além do cumprimento formal. Após a moça ter saído ele comenta com o jovem dono que as mulheres são engraçadas... O jovem responde:

-Vai atrás dela que ela está esperando por ti ali adiante.

Ele foi e qual não foi sua surpresa quando viu que lá estava ela, parecendo um anjinho barroco, esperando por ele, embaixo de um poste iluminado. Quando ele se aproxima para dizer alguma coisa acorda junto ao seu carro estacionado em frente ao Alfredo da Peixada, na Avenida Beira Mar...

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