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Thursday, January 01, 2009

O Povo da Malhadinha/O Povo da Granja 80


O saudosista

Raimundo do Espírito Santo - 8

O rio está imundo, pois as pessoas jogam lixo mesmo no que se chama piscinão e, como não abrem as comportas do açude que o alimentam, não há água corrente – resultando uma enorme podridão. O calçamento das ruas está esburacado, pois obras de saneamento não foram concluídas. Praças que existiam antes não existem mais; os passeios foram destruídos, e as árvores cortadas pelo tronco, mostram que o suposto remodelamento dos passeios está suspenso. O prédio da Estação Ferroviária, a cada dia que passa, perde um pouco de sua estrutura. O shopping, supostamente moderno, tomou o lugar do velho casarão do século XIX que, este sim, tinha uma casinha lá fora para as necessidades de todos os dias. A estas observações retruca Raimundo:
- Ah! Como lembro da velha Macaboqueira de antigamente...

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Wednesday, July 16, 2008

O Povo da Malhadinha/O Povo da Granja 62


Raimundo do Espírito Santo - 4

O bisneto do Tenente Wolf

O velho Raimundo do Espírito Santo gostava muito de seu neto e mais ainda por ser ele descendente direto dos primitivos habitantes da Ibiapaba, pois que sua bisavó era índia pura. Ele também não negava achar de muita valia o menino ser filho de padre e bisneto de um guerreiro valão, o bárbaro Tenente Wolf. Com toda essa mistura de sangue nobre ele só não queria que o menino fosse ser caixeiro de loja na Granja. Não houve por onde evitar essa sina, pois a antiga Macaboqueira era um celeiro de comerciantes ricos e espertos que davam guarida a jovens ambiciosos, ou nem tanto. Quando o menino ficou taludinho sua mãe, que era de uma raça teimosa, mandou o menino, contra a vontade do avô, para aprender a ser homem de verdade com o Coronel. O garoto aprendeu tudo com ele só não a ganhar dinheiro.

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Wednesday, July 02, 2008

O Povo da Malhadinha/O Povo da Granja 60


Raimundo do Espírito Santo - 2
Do Arraial da Macaboqueira para a Vila Viçosa



O velho Raimundo do Espírito Santo lembra, ainda agora, buscando em sua espantosa memória, o episódio que viveu quando chegou a Serra. Ele e seus companheiros estavam sentados à beira do riacho, descansando da longa caminhada desde o Arraial da Macaboqueira. Subitamente eles ouvem passos na mata e, quando dão fé vêem uma mulher índia, muito jovem e muito bonita que os ameaçava com um tacape. Ameaçava por quê? Imaginou ele levantando-se para encará-la. Para sua surpresa ela começa a correr e ele decide seguí-la. A corredora foge por uma boa meia légua, serra acima, perseguida por Raimundo. Ao chegarem a uma corredeira, no alto, ele consegue derrubar a jovem índia que logo se aninha mansamente em seus braços dando origem assim a mais uma família na Serra.

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