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Wednesday, April 22, 2009

HISTÓRIAS DE JORGE RAPOSO 10


Procissão de São José revisitada

Meu avô estava à janela esperando pela passagem da procissão de São José. Ele está bem doente, mas não se rende, quer ver a imagem do santo padroeiro passar, levada pelos Irmãos vestidos com suas opas vermelhas. Ele me chama para ficar a seu lado e eu tenho que trepar em um banquinho de madeira para poder ver a seu lado a passagem dos fiéis. Bem que eu poderia ir para a calçada, mas ficar a seu lado me dava uma sensação de proteção que eu sabia não mais poderia vir dele. Talvez pudesse vir do meu tio que acompanhava a procissão vestido em sua opa vermelha de Cavaleiro Cruzado e carregando um enorme castiçal com uma pequena vela cuja chama tremula na brisa da tarde; meu tio carregava um semblante pesado, mas eu sabia que aquilo não correspondia à realidade: quando eu precisasse ele estaria ao meu lado.


(A ilustração é de Ilya Repin: A Religious Procession Amongst the Oak Trees ,1878 e você poderá melhor vê-la no site abaixo:
Ilya Repin. A Religious Procession Amongst the Oak Trees. 1878)

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Wednesday, April 15, 2009

HISTÓRIAS DE JORGE RAPOSO 10


Procissão de São José

- Jorge, hoje tem a procissão de São José e era bom a gente acompanhar.

Ela me comunica com autoridade. Eu balanço a cabeça, concordando. Era uma procissão muito grande e não acabava nunca. Quando chegamos à Praça da Igreja começou a chover forte. Sabíamos que, na Praça, a Flora e a Madrinha estavam em uma casa de taipa, a casa da Censa Lisboa e lá também estava o Carlos, todos à espera do cortejo e, agora, que a chuva passasse. Ela bateu à porta e a Madrinha abriu e Ela entrou. Constrangido, fiquei esperando. Passado algum tempo, impaciente, bati na porta e uma velha mulata desgrenhada e desdentada atendeu, era a Madrinha que sorriu para mim dizendo que a Flora estava lá dentro e logo, logo, sairia. Ela sai e eu me apóio na parede e, caindo, quase derrubo um pedaço desta. Sento no chão e começo a chorar com remorso de nunca ter olhado pela Flora e pela Madrinha. A procissão chega e nós a acompanhamos novamente até a igreja onde vou tentar... Tentar o quê?

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Sunday, March 08, 2009

HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 117

Encontro na casinha

A procissão de Santo Eustáquio já tinha começado e a menina se juntou às amigas bem na frente. À medida que os fieis iam se movimentando, acompanhando o cortejo, ele esperava chegar sua vez de entrar no cordão. Quando a cabeça estava entrando na Praça da Matriz Madrinha Rita abriu a porta de sua casinha e esperou pela passagem da menina. Com a porta aberta e puxada pelos braços da madrinha ela pula para dentro da casa e fica no quarto da frente esperando. Madrinha Rita, de volta para a porta aberta, espera agora a passagem dele que só demora o tempo de um toque de matraca. Logo que Waldomiro passa a madrinha o puxa e ele pula para dentro. Sem nenhuma surpresa ele encontra a menina enquanto Madrinha Rita sai acompanhando a procissão e já rezando pelo futuro afilhado.
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Monday, June 30, 2008

NOSSA SENHORA DO LIVRAMENTO DO PARAZINHO

A festa de Nossa Senhora do Livramento do Parazinho, nesta época do ano, na Granja, permite momentos de culto intenso e traz recordações e muitas saudades a todo granjense ausente de sua terra.
Mostramos aqui dois pequenos filmes feitos no dia da festa de junho de 2007 - a procissão - na impossibilidade de apresentar cenas deste ano.

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Wednesday, March 05, 2008

O Povo da Malhadinha/O Povo da Granja 43

Titio – My Uncle

Antônio Frota Angelim

Toda noite, assim pelas oito horas, ele chegava para visitar o amigo. Tinha de ser depois da janta, pois antes era impossível a conversa devido à confusão do momento. Ele sentava-se em uma cadeira de palhinha, dura, certamente, para os seus quase setenta anos e continuava a fumar os seus inseparáveis cigarros fedorentos, de fumo negro, “Peito-de-vaca”; ele nunca ficava sem um deles aceso entre os dedos, pois sempre que chegavam ao toco e ameaçavam extinguir-se, ele acendia outro na brasa escarlate do anterior. Titio mantinha essa brasa acesa à custa de muito sopro e essa operação lhe dava um encanto particular, embora de trágico prenúncio. Não sei por que, mas nessas ocasiões ele me lembrava as procissões da Semana Santa, quando as acompanhava usando sua opa vermelha de irmão do Santíssimo. Ele imprimia às suas feições toda a solenidade do ato religioso que talvez nem o padre que o dirigia mostrasse. Essa mesma solenidade ele impunha em quase todas suas aparições públicas, como cavalgar seu cavalo branco, todo garboso lembrando mais ainda um cavaleiro medieval, indo a caminho das Imburanas.

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