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Sunday, July 12, 2009

HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 134


O Palm ou a vida!

Ele pensou: finalmente chegou minha vez. Sempre pensava como seria seu fim, mas levar um tiro de um pé-de-chinelo drogado não era seguramente sua primeira escolha. Olhou pro sujeitinho: era um camarada igual a muitos outros que já vira a não ser pela cara de drogado. E o revólver, pequeninho, pretinho, com toda certeza, era de plástico, de brinquedo? Depois de ter passado seu relógio novo seria a vez do celular e depois a carteira, mas quando ele "achou" mesmo que a arma era de brinquedo começou a fazer cera para entregar o Palm que estava no bolso da calça jeans apertada. Olhou novamente para o revólver pequenininho na mão do Zé-ninguém e resolveu não entregar sua agenda/Palm/celular. O cara era um bronco: não percebeu o engate da primeira marcha e daí a arrancada com os pneus cantando foi um átimo, um instante. O revólver era de brinquedo... Do alto, Ella riu, pois isto não estava em seus planos.

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Monday, April 13, 2009

HISTÓRIAS DAS TERÇAS 49

O Chico da Clara

Estavam os dois hospedados no mesmo quarto do Hotel Glória. Um deles estava de calça e paletó pretos, camisa branca, gravata também preta e chinelos de couro cru, muito claros, que contrastavam com o resto da indumentária. Os óculos eram pretos, também! E, como sempre, com a barba preta e espessa por fazer. O Chico da Clara, era assim que ele era conhecido, divertia-se à custa do colega de quarto, que tentava ler um romance, com a televisão ligada no canal de corridas de cavalos, com o volume nas alturas. Subitamente seu celular, que tem um chip da Claro, toca e ele fica falando e rodopiando, como que dançando animadamente no quarto feito um doido e gritando: - Onde ta a Crara? É mió você dizê logo sinão eu vô dar umas porradas aí em todo mundo! Agora o colega divertia-se com a cena.

O autor da obra "Dancers" é Botero, pintor colombiano.
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Wednesday, June 11, 2008

O Povo da Malhadinha/O Povo da Granja 57


Celular, atas e buracos na estrada

Ele acordou e logo viu que estava em uma cama de hospital com a perna direita enfaixada. Não havia ninguém no quarto e ele tentou lembrar por que estava ali. Ele havia saído de Cariré em sua Hilux preta guiada pelo Chiquinho – era o apelido do Francisco, motorista de muita prática na estrada – e vinha para Fortaleza. Lembra bem que a certa altura da viagem o Zezinho correndo feito um louco e falando ao celular com o aparelho na mão esquerda – não usava o viva-voz – desviava-se freneticamente dos buracos guiando com a direita. De repente ele vê vendedores de ata no acostamento e pede:

- Para aí Manézinho, quero comprar umas atas.

Após ter comprado atas bem maduras os dois voltam para a “deusa negra” e continuam a viagem. O Livinho retoma a sua luta com o celular na esquerda e com a direção na direita; ele abre uma das atas. Após ter expelido alguns caroços da fruta o que ele lembra é de ter falado:

- Larga o telefone Bonequinho, olha o buraco!

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