Sunday, April 12, 2009

HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 122


Partida final

A princípio todas as garotas que ele abordava gostavam de sua conversinha, mas havia um momento, uma virada, que Abdias não sabia identificar qual fosse quando elas começavam a mostrar-se insatisfeitas com seu papo, quase preleções. Não atendiam a telefonemas, mandavam dizer que não estavam, enfim uma série de desculpas esfarrapadas para não falar com ele. Abdias ficava derrotado, pois ele não entendia que seu tempo havia passado. Ele era um velho, seu tempo havia sido outro, havia chegado ao fim do campeonato. Tudo em que ele pegava, era motivo de falta, se transformava em “shit” ou coisa pior: quando tentava chegar perto as meninas pulavam, cheias de dedos, e se afastavam logo, saiam de campo... Uma amiga fiel lhe dizia:
- Abdias encosta as chuteiras rapaz! Ele respondia:
- Ora, há anos não dou nenhum chute...

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Saturday, April 11, 2009

POEMAS BARRETO/XAVIER 67




LÍVIO BARRETO, manuscrito – Naufrágio - encontrado no “Álbum – 1890” de seu amigo Luiz Felipe de Oliveira. (Não está publicado em “Dolentes”.)





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Thursday, April 09, 2009

VISTAS DA GRANJA 89


NOVOS ORATÓRIOS DOMÉSTICOS




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Wednesday, April 08, 2009

HISTÓRIAS DE JORGE RAPOSO 9


Aula de Latim da Escola Régia da Várzea

Nessa segunda-feira Jorge acordou bem cedinho, pois iria ter sua primeira aula na escola do Prof. Agapito. O Professor, formado em Roma, era o responsável pela Aula de Latim da Escola Régia da Várzea, uma das poucas da Província. Funcionava em uma sala na casa de Dona Marieta de Britto na Rua do Azevedo, bem na esquina com a Rua das Flores. O Professor Agapito havia trazido de Roma o mais moderno método de ensino da língua de Cícero e esperava, desde o início, atrair um bom número de estudantes. Ele estava de algum modo preocupado, agora, pois o Inspetor de Ensino havia-lhe prevenido que, se neste ano não tivesse sucesso na matrícula para sua Aula esta seria transferida. Todos sabiam que, após três anos desde sua inauguração, sequer um estudante fora matriculado na Aula de Latim da Escola Régia da Várzea. Ao chegar à Escola Jorge foi recebido com festas, pois estavam vendo e prevendo que ele era o primeiro e, ao fim, poderia ser o único estudante matriculado. Ao voltar para casa o Coronel, seu pai, avisou-lhe que a Escola Régia iria ser transferida para Maranguape, vila próxima à capital, imediatamente. O Professor Agapito estava satisfeito, pois com pretensões políticas, não poderia mais permanecer em um lugar que nem esperanças de desenvolvimento cultural apresentara por longos quatro anos. Iria se engajar na Oposição à Oligarquia dominante na Província.

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Tuesday, April 07, 2009

HISTORIETAS DO MEIO DA SEMANA 77


O casal Talzinho durante o “brunch”

Na foto vemos Talzinho e sua diletíssima e exuberantíssima esposa, tão ativa politicamente como ele, tomaram um saboroso “brunch” no Hotel Beira Rio e na ocasião tomaram diversas providências em relação à administração de sua querida Várzea. Dentre as que foram publicadas pelo jornal da situação hoje estão:
1) animais soltos somente os pertencentes a membros do partido situacionista. A membros do partido oposicionista não se dará permissão para esses animais;
2) árvores serão derrubadas urgentemente aquelas que enfeiam ruas e praças (estas serão relacionadas em portarias a serem expedidas até o final da semana);
3) bancos das pracinhas, seguindo nova tendência do urbanismo moderno, serão retirados e, em seu lugar serão erguidos mais postes e estruturas outras já conhecidas para que os cachorros dos bacanas marquem condignamente seus territórios;
4) será permitido o estacionamento de barcos às margens dos inúmeros buracos e crateras que, com a estação chuvosa, aumentaram de número e profundidade em todos os bairros e ruas da cidade;
5) criação de postos de distribuição, a partir das dez horas da noite, de repelentes de insetos, mediante uma módica taxa;
6) criação de uma equipe voluntária para acabar com o foguetório que se ouve todos os dias quando chegam os produtos de recreação, mesmo que esses sejam de uso permitido, como é agora.

Um segundo “brunch” está agendado, dessa vez na residência do Dr. UpvQr, Secretário Rad/Hoc da Prefeitura quando serão discutidas e certamente aprovadas, para imediata implementação, outras providências.

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Monday, April 06, 2009

HISTÓRIAS DAS TERÇAS 48


Hermenegildo, Luciana e Ella

A enorme rede branca era pequena demais para sua inquietação noturna. Era quase um flagelo o que Hermenegildo sentia todas as noites procurando conciliar o sono. O pior é que ele sabia que, mesmo dormindo não se afastaria da imagem de Luciana. Ela lhe havia contado estar passando pelo mesmo problema. Para outra pessoa isso não seria motivo de preocupação, mas de alegria e satisfação e também de orgulho por terem eles encontrado algo que os casais, geralmente, buscam e dificilmente encontram que É a reciprocidade dos sentimentos. No entanto, agora, a situação parecia estar se modificando e certamente iria ser bem pior. Tudo tinha começado quando ele fora visitar seu Tio Alípio na Lagoa Santa e, deitado na grande varanda deixou-se embalar pela brisa noturna. Como sempre ele demorava muito a conciliar o sono. Mas, desta vez seus pensamentos, ou seriam sonhos, eram bem diferentes; apesar de Luciana ser protagonista deles Hermenegildo notou que a presença d´Ella se fez sentir por diversas vezes e sem motivo aparente. Ele não quis falar com ninguém sobre esses sonhos, mas ficou esperando um chamado súbito de sua amiga de longas datas. Será que Ella estava se sentindo desprezada? Talvez fosse isso. Ele iria investigar.

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Sunday, April 05, 2009

HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 121


O que você tem feito rapaz?

Na Beira mar, logo cedo, o amigo lhe pergunta:
- O que você tem feito rapaz, nunca mais apareceu? Brizamor responde:
- Você quer saber mesmo? Pois foi muita coisa nessas três semanas que não nos vemos. Senão vejamos:
Fui à Várzea e passei uma semana lá, joguei as patas na menina que já me jogava as suas há tempos, arranjei uma namorada que diz “promode”, tomei banho de chuva e de rio quando quase me afoguei, voltei pela estrada nova que já está cheia de buracos, comi peixe na praia que não é pescado lá, mas vai da capital, viajei para a Paraíba onde visitei meu amigo cientista, voltei de lá e fui para Brasília visitar parentes que são assessores do Senado e têm olhos azuis, passei por Garanhuns onde conheci a casa em que nasceu o nosso Presidente, voltei e vendi meu carro e logo comprei outro, mas não o recebi, pois a crise faz com que a montadora não tenha cegonhas disponíveis para a entrega, arranjei uma namorada nova, viajei para o Sertão com ela quando me apossei de um bom número de bois de seu dote, viajei novamente para a Várzea para dar mais coices em quem se atrevesse a falar mal da menina com quem estou saindo. E agora estou aqui fazendo este relato para você. Será que é tudo? Está satisfeito? E você o que conta? Tem chovido muito aqui?

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Saturday, April 04, 2009

POEMAS BARRETO/XAVIER 66


LÍVIO BARRETO, da Padaria Espiritual, dedicou este poema ao amigo Luiz Felipe de Oliveira, transcrito em seu “Álbum – 1890” e depois incluído em seu único livro “Dolentes”

Peregrina
(A Luiz Felippe)

Vem de longe talvez, talvez de perto...
Não sei d´onde ela vem... Por entre a bruma
Do seu mysterio intimo, ressuma
Um poema de dores encoberto.

Faz-se em torno de si como um dezerto
De onde fugiu toda a alegria; e a bruma
De uma saudade immensa se avoluma
No seu olhar de um brilho vago, incerto...

Canta ao piano, à noite, umas balladas
De umas doces tristezas perfumadas,
E uns versos melancholicos, sentidos.

E vem-lhe d´alma no tropel dos seres
Como que fragmentos de illuzões,
Pedaços, restos de um collar de sonhos!...

Abril 91

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Thursday, April 02, 2009

VISTAS DA GRANJA 88

UM NOVO DIA




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HISTÓRIAS DE JORGE RAPOSO 8


ANSELMO RAPOSO, ADVOGADO

Leluli o tinha levado na cadeira de rodas para a varanda, pois estava fazendo um pouco de sol e era bom aproveita-lo. O avô pegou um livro (“Mandrake – a Bíblia e a Bengala” de Rubem Fonseca) e o folheou até a parte onde tinha lido no dia anterior. Logo após retomar a leitura ele largou o livro e começou a pensar em fatos acontecidos há muito tempo em sua vida familiar. Ao cabo de alguns minutos não resistiu e dormiu um sono leve que o permitia sonhar quase acordado; isto acontecia sempre e ele estava acostumado, até gostava, pois parecia ser a indução de sonhos por algum mecanismo que nem ele nem Vanessa sabiam ou tinham ouvido falar.

O fato é que ele começou a se lembrar ou a sonhar sobre a época em que, com seu irmão mais velho, tinham ido ainda crianças estudar no Rio de Janeiro, no começo do século XX. As viagens eram muito difíceis e só se podia ir por vapor ou, ao chegar a Vitória tomar o trem que, na época a ligava a Niterói, “Nique”, como se dizia. Foi isso que eles fizeram. Jorge tinha doze anos e Anselmo, treze. Logo que chegaram foram apresentar-se ao gerente da casa Masson com a qual seu pai negociava; o velho Ribeiro seria seu correspondente, fornecendo-lhes dinheiro, farto na época, indicando pensões e procurando encaminha-los à Faculdade e ao “culégio” para o mais novo. Anselmo já tendo feito os preparatórios passou a freqüentar a Faculdade de Direito e Jorge foi internado em um colégio de jesuítas em Botafogo. Ao fim de dois anos Jorge voltou e passou a estudar no Ceará enquanto o irmão mais velho ficou, pois logo se formaria. Alguns anos depois se soube, através do correspondente, que Anselmo fora acidentado por um carro (Imagine-se a raridade desse acontecimento...) e estava muito mal na Casa de Saúde. Imediatamente Jorge Filho providenciou para que sua mulher, acompanhada de Jorge Neto fosse para o Rio, a fim de cuidar do irmão. O rapazinho estudava em Fortaleza tendo de interromper os estudos; ele estava freqüentando a Fênix Caixeiral e, em breve, tiraria o diploma de Guarda-livros. Ele teria de voltar para a Cidade para ajudar seu pai nos negócios fazendo a contabilidade da firma que era, desde muitos anos de seu pai, mas conservava a razão social antiga: Pereira & Cia. Ltda. Recentemente ele havia admitido dois de seus cunhados. A firma era de Jorge Filho, mas todo mundo sabia, só os familiares não, que seu antigo patrão e sócio, Coronel Pereira, tinha muito capital nela, cerca de R$ 150 contos de reis.

Anselmo recuperou-se logo, mas ficou com seqüelas. Ele ficou com um defeito na perna e no braço direitos. Isto obrigou Jorge Neto a ficar no Rio de Janeiro dando o máximo de assistência ao tio em quem a família nutria esperanças de ver engajado nos negócios do pai. Anselmo não desejava de modo nenhum envolver-se nos negócios na Cidade, mesmo que a firma fosse à bancarrota. Ele havia afirmado certa vez que não iria enterrar-se lá. Após sua recuperação voltou à Faculdade de Direito e formou-se. Envolveu-se com movimentos de esquerda e chegou a filiar-se ao primeiro partido comunista do país.

Vanessa decidiu acordá-lo e convidá-lo para irem a um de seus restaurantes preferidos comerem um belo sirigado acompanhado de um bom cabernet.
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100 Horas de Astronomia


Durante todo o ano de 2009, o Ano Internacional de Astronomia, diversas instituições no Brasil organizaram eventos para marcar sua passagem. O dia de hoje, 2 de abril, marca o início das 100 Horas de Astronomia, evento de caráter internacional que já é julgado "o maior evento de divulgação astronômica de todos os tempos, que ocorrerá em mais de 130 países como parte do Ano Internacional das astronomias, comemorado em 2009. As 100 horas se estendem até o dia 5, domingo. Só no primeiro dia, a programação brasileira conta com mais de 50 eventos - em comparação, nesta quarta-feira, 1º, o programa do Ano da Astronomia no Brasil, disponível na internet, apresenta apenas quatro atividades."

Veja a notícia dada pelo jornal O Estado de São Paulo de hoje 2/4/09 no site:

http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,100-horas-de-astronomia-comecam-com-mais-de-50-eventos,348430,0.htm

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Wednesday, April 01, 2009

ENTREVISTA DO PRESIDENTE DO INSTITUTO JOSE XAVIER

Veja a entrevista que o Presidente do Instituto José Xavier deu ao blog I a Granja:

Entrevista com José Xavier Filho
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Tuesday, March 31, 2009

HISTORIETAS DO MEIO DA SEMANA 76


O médico e a mosca

O médico diz para Juliana, a auxiliar de enfermagem da Emergência que chame o Seu José para tirar a mosca, mas a moça toma uma folha de papel e abana o campo operatório para expulsar o exemplar de Musca domestica que deveria ser da subespécie hospitalis. O moço estava à espera que lhe suturassem um corte profundo na mão causado por um fragmento de vidro de uma taça de vinho. Esta era a quinta vez que ele se cortava com caco de vidro quebrado quando tomava vinho. O médico que o atendeu falou depois que ele contou-lhe a freqüência desses acidentes:

- Porque você não toma seu vinhozinho em copos de plástico?
- De plástico, Doutor? Nem a pau! Ora, a taça que quebrou era de cristal da Boêmia!
- Veja talvez isso seja um aviso, para mudar de bebida ou...
- Ou de copo...
- E esse cristal da Boêmica é caro?
- Boêmia! É caro e é importado.
- Porque você não toma uma cachacinha em copo de alumínio?
- Doutor eu talvez nem vá mais tomar vinho ou cachaça se essa mosca não for morta pela Juliana ou por Seu José.

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Monday, March 30, 2009

HISTÓRIAS DAS TERÇAS 47


“Semelhanteidades”

A AmbientoChemicals proporcionava-lhe um ótimo ambiente de pesquisa e pagava-lhe muito bem. Mas o jovem doutor era muito inquieto e, apesar da dedicação que ele tinha à indústria, genuinamente cearense, ele não se sentia satisfeito. Jonas, aliás, Doutor Jonas, resolveu colaborar com seus conterrâneos e fortalecer o Departamento onde se graduara. Logo que foram abertas vagas para a posição de Professor Adjunto de Química Orgânica Ambiental ele candidatou-se para a posição. Doutor Jonas já era bastante conhecido por suas publicações em periódicos nacionais os mais diversos e não se importava muito com essa história de citações nem de publicar no exterior. Ele estava mesmo interessado era em dar aos estudantes de sua terra uma boa formação técnica e prática. Em seu primeiro seminário, obrigatório para os novos concursados, ele observou que, daquele departamento, do qual agora era parte, “é de onde se oriunda os químico” e que as substâncias pesquisadas pelo colega Rivaldo (citado assim nominalmente) tinham “semelhanteidades” químicas com os compostos estudados por ele. Ao final o novel professor foi aplaudido de pé pela assistência.

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Sunday, March 29, 2009

"Gente branca de olhos azuis"



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HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 120

Sílvio na Beira Mar

A Beira Mar pela manhã está sempre lotada de senhoras e senhores fazendo suas caminhadas e corridas diárias. Muitas dessas pessoas já se conhecem, pois se vêem quase todos os dias. Certa manhã Sílvio caminhava logo atrás de uma senhora quando notou que ela deixou cair uma carteira. Mais que depressa ele a apanha e, aproximando-se dela diz:
- A Senhora deixou cair... Ela olha para ele e para a carteira e diz com um olhar já agradecido:
- Obrigado! Ele, para não perder a piada, diz:
- De nado... Ela olha de volta e retruca:
- Na piscina do Náutico? Como ele não esperava por essa resposta saiu de perto sem mais nenhuma piada...
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Saturday, March 28, 2009

POEMAS BARRETO/XAVIER 65


LÍVIO BARRETO – O Lucas Bizarro da Padaria Espiritual em seu único livro – póstumo – "Dolentes" produziu este poema:

O único olhar

A Antônio de Carvalho

O único olhar que iluminou meu sonho,
Sonho de amor que me aclarou a vida;
Luar de crença do meu céu tristonho,
Rápida luz de estrela foragida,

Há quanto tempo, há quanto! No medonho
Subterrâneo da Ilusão perdida,
Não vem trazer-me, cândido e risonho,
A luz guiadora a esta alma combalida!

Outros olhares vejo noutro rosto:
Fluxuosos como o brando mar de Agosto,
E às vezes puros como um céu risonho...

Mas na minh´alma abandonada, pia
A estrige augura da melancolia
Chorando o olhar do meu primeiro sonho!

- 93 –

A ilustração acima é: By the Light of the Silvery Moon I
de Heinz Voss

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Friday, March 27, 2009

VISTAS DA GRANJA 87

Cães não deveriam estar presos?





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Wednesday, March 25, 2009

HISTÓRIAS DE JORGE RAPOSO 7



MARIANA DO ESPÍRITO SANTO

Novamente era um domingo de muita chuva e ele estava só em casa. Resolveu ver um DVD de caubói que havia ganhado de um amigo. Era um dos velhos clássicos espaguetes: “O dólar furado”, com Giuliano Gemma. Jorge já o tinha visto, mas era sempre uma atração para ele.

Após ver o filme na sala permaneceu na cadeira enquanto Suzana, que não gostava de caubóis terminava de aprontar o almoço. Ia comer sozinho, o que não achava nada bom. Enfim, era a sina dele. Esperando ele reclinou-se mais na cadeira e caiu num torpor gostoso e começou a sonhar.

Sonhou que havia encontrado na Cidade, muitos anos depois de ter saído para estudar e trabalhar, uma moça muito jovem e, a seus olhos, muito bonita. Quando ele a viu pela primeira vez e com o intuito de conversar sobre assuntos profissionais e ela aproximou-se dele, com uma jinga no andar, e começou a falar ele ficou quase mudo: -Bom dia, Doutor Raposo. -Bom dia. Como é seu nome? -Ih? Tenho um nome complicado. Mariana do Espírito Santo. -Não se incomode, pois estou acostumado a encontrar pessoas com os mais diferentes e estranhos nomes. Cheguei a colecioná-los de diversos tipos e formatos. Imagine que tive uma estudante com o nome de Clara Luz da Aurora Boreal! -Eu não acredito... -Pois é! E de onde você é? -Da Cidade mesmo. Enquanto ela falava, ele se interessava mais e mais. Ela se expressava com correção e delicadeza. Aos olhos de Jorge ela era uma estrela brilhante no meio de um matagal espinhento e hostil, como era a Cidade. Após alguns minutos de conversa sobre muitos assuntos, livros principalmente, ele achou que tinha encontrado a pessoa adequada para o que queria. E talvez para outros fins, quem sabe? O fato é que ele se apaixonou por ela. Somente após muito tempo é que ele descobriu que o relacionamento com a moça era um caso de “não-amor”. Ele chegou a escrever poemas tendo produzido um com o título de “Morro abaixo, morro acima” (sic), sem métrica alguma, pois não entendia de poesia. Jorge gastava a maior parte de seu tempo com pensamentos solitários em torno dela. Ele enveredou por um caminho perigoso, pois acreditou que Mariana estivesse correspondendo às suas estrepitosas investidas. Até que se convencesse de que isto não acontecia levou muitos meses. Ele se interessava por tudo que lhe dizia respeito, até pelos papagaios de sua casa... Como ela dizia ser viciada em livros ele os fornecia às pencas; tudo que era literatura. Imaginava que poderia ser uma espécie de Pigmaleão para ela e, em troco, ela sua Galatéia. O interessante é que a menina o entusiasmava freqüentemente e, freqüentemente o desiludia. Este jogo demorou bastante tempo até que ele desistiu. Não foi, evidentemente, de moto próprio, mas provocado por um outro “não-amor”, este também cruel. Jorge se achava repetindo os mesmos movimentos (ou não movimentos) já conhecidos desde muito tempo: olhava para uma mulher bonita e, devido a algo que acreditava perceber, se enredava totalmente na tolice de achar que estaria sendo correspondido. Na maior parte dos casos isto não acontecia ou ele não investigava. O resultado é que seu estado de frustração a respeito de mulheres era sempre realimentado por esses erros infantis de alguém sem qualquer experiência. Ele a via claramente agora estendendo sua pequena mão para ele e fazendo sinais para ele se aproximar. Quando ele chegou bem perto acordou e sentiu a presença de Suzana chamando-o para o almoço.
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Tuesday, March 24, 2009

HISTORIETAS DO MEIO DA SEMANA 75


Secretário Ad hoc

As reuniões eram sempre acaloradas, pois se discutiam assuntos que beneficiariam ou prejudicariam alguém do grupo. O secretário, funcionário de carreira, sempre faltava a esses encontros dando as mais esfarrapadas desculpas. Acreditam alguns poucos que ele as evitava para não ouvir as muitas bobagens ditas. Tudo o que se discutia tinha de ser registrado em atas que mofavam nos livros especialmente adquiridos para isso. Era essencial que houvesse alguém para registrar as discussões, não importando seu nível. Em uma das reuniões, não atendidas pelo secretário, o diretor indicou um dos colegas para fazer a ata. Ao final todos leram, a maioria sem importar-se, o que esse colega havia escrito sobre sua indicação para secretariar a reunião:

- Atenção! O doutor Roberto será o secretário RAD/ROC desta reunião.

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Monday, March 23, 2009

ONE DEGREE LESS - UM GRAU A MENOS

Siga o link para saber mais sobre essa campanha que garante a diminuição da temperatura das casas - e do globo - pela simples iniciativa de pintar os telhados de branco (ou cores claras):


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HISTÓRIAS DAS TERÇAS 46


Num acredito nessa história!

- Você sabe o que Júlio César me contou?
- Não. O que foi...
- Ele me falou que viu aquela menina e tal... Enfim, aquela moça com quem ele paquerava...
- Qual? A Zélia?
- Essa mesma. Pois é. Ele disse que ficou tão atrapalhado quando a Zélia olhou pra ele que até esqueceu do chocolate amargo que estava tomando com a menina lá de Ocara. Ele disse que saiu correndo pra se esconder das duas!
- Duvido!
- É. Eu também... Num acredito nessa história. Eu sei que a menina lá de Ocara tem verdadeiro horror a chocolate, seja ele doce ou amargo...

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Sunday, March 22, 2009

HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 119


O amigo sefardita

- Olha, dizem que ele é fascista, simpatizante nazista... Ainda existe isso aqui?
- Ora, rapaz! Tem em toda a parte!
- Será por isso que ele é versado em alemão? O rapaz sabe a língua de Goethe e, como o cantor, filosofa em alemão...
- Ele tem mesmo umas tendências antissemitas, você já notou?
- O diabo é que o homem descobriu essa história de análise genômica de ancestralidade e descobriu alguma coisa que não lhe agradou.
- E o que foi?
- A análise mostrou que ele descende de judeus sefarditas, da península ibérica!
- Ih rapaz e que diabos ele vai fazer?
- Não sei... Mas não vai perguntar, não...
(A imagem é de Jean Lafitte, pirata de origem sefardita)

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Saturday, March 21, 2009

POEMAS BARRETO/XAVIER 64


LÍVIO BARRETO – O Lucas Bizarro da Padaria Espiritual deixou no “Álbum - 1890”, de Luiz Felippe de Oliveira diversos poemas e fragmentos ainda hoje inéditos. Um exemplo é o poema abaixo:

Ocasos

As dolorosas lágrimas vertidas
Na solidão austera e tenebrosa;
Os meus palácios e a visão radiosa
Das minhas torres de luar vestidas,
Todas as minhas ilusões perdidas!
Bem como um sonho em noite silenciosa
Que se desfaz na asa misteriosa
De umas notas ao longe, doloridas...
. . . . . .
Da-se singelo e cândido noivado,
Daquela nossa mística amizade
Desse himeneu suavíssimo, risonho...
Só resta ao coração despedaçado: -
- Na dolorosa noite da saudade
A casta ausência do passado sonho!...

- 24 nov 90 –
A quadro acima é "Hymenaeus Travestido Durante um Sacrifício a Príapo" (1634-1638) de Nicolas Poussin e encontra-se no Museu de Arte de São Paulo

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Friday, March 20, 2009

VISTAS DA GRANJA 86


A Rua Lívio Barreto é uma das mais extensas da Cidade, pois vai desde as margens do Coreaú até ao "São Raimundo", depois do "Alto do Cemitério". Aqui temos duas visões dessa rua tomadas na altura da Rua Pesso Anta (antiga Rua do Azevedo).

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Wednesday, March 18, 2009

Urgente, eleitores fantasmas!

Eleitores fantasmas!

Houve muita reclamação por parte do partido oposicionista sobre votos fantasmas na eleição passada. Isto parece não ter sido verdadeiro, pois nos chegaram documentos que comprovam ser isto uma falácia. Para provar o ponto publicamos a fotografia encaminhada juntamente com as atas da eleição no distrito de Craíbas e que prova a presença dos eleitores ditos fantasmas. Perguntamos: se são fantasmas como podem ter sido fotografados e, por cima, durante o nobre ato de votar?

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HISTORIETAS DO MEIO DA SEMANA 74


Aos oitenta anos na academia

A academia de ginástica ficava bem perto da avenida que desembocava na praia onde todos os jovens da cidade e pessoas de sua idade se exercitavam em caminhadas todas as manhãs. Ela teimava como era de tradição em sua família, e nunca ia encontrar com as amigas que usufruíam essa dádiva da cidade: o espaço, o sol, a vista e a conversinha agradável sobre a vida das que não estavam no momento. Na academia ela tinha o treinador, quase exclusivo, um moço forte que a punha, com certa dificuldade na esteira onde ficava até ele notar que ela estava cochilando: “Dona Wanda vamos passar para a mesa de massagens.” Ele nunca dizia que ela estava cochilando, era um acordo tácito entre os dois, ou melhor, entre todo o povo da academia e a velhinha de 80 anos que freqüentava e pagava religiosamente as mensalidades. Ricardo amparou-a até a sala reservada para as sessões de massagem e ajudou-a a deitar-se de bruços. Ele mesmo começou a fazer massagens em suas costas e, ao fim de dois minutos começou a ouvir pequenos ruídos logo identificados como roncos incipientes que Dona Wanda emitia. Ele deixou-a dormitando e foi cuidar de outra paciente (?). Após quinze minutos ele resolveu acordá-la e dar por encerrada a sessão diária: “Dona Wanda, a senhora está bem melhor hoje.” E ela: “É meu filho, mas eu acho que você não passou seus dedos sobre meu braço, eu senti falta...” Ele sorriu e ajudou-a a se preparar para deixar a Academia.

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Tuesday, March 17, 2009

HISTÓRIAS DE JORGE RAPOSO 6

Paris, Avenue Pétain

Deitado na sua rede vermelha Jorge pensava, nessa tarde, na temporada passada na França. Assim que chegou a Paris ele foi para um hotelzinho que ficava bem perto da Sorbonne onde iria estudar. Após as formalidades de matrícula e do exame de francês ao qual se submeteu e, no qual, com surpresa, foi aprovado, tratou de procurar um apartamento. Penou durante dois dias, caminhando pelas ruas perto da universidade, com o jornaleco que trazia anúncios de apartamentos e vagas em repúblicas. Não achou um sequer e, desesperado, essa era mesmo a palavra toda vida odiada por ele, mas cabia bem na situação, procurou o escritório de ajuda da universidade e foi consultar uma senhora que cuidava de apartamentos bem próximos à universidade. Ao chegar ao bloco de apartamentos da Avenue Pétain apresentou-se a Madame Viot e, quando ela soube que ele era brasileiro tudo se modificou. Contou-lhe, a simpática velhinha, que havia trabalhado na Embaixada de seu país no Rio, tendo conhecido o Presidente e sua esposa, por sinal, no dizer dela, ambos muito simpáticos. O resultado é que ao fim do quarto dia em Paris ele estava alojado com outros três companheiros em um apartamento espaçoso no prédio do qual ela era a gerente. Não seria por falta de espaço que os quatro brigariam nessa intimidade, nova para ele. Seus companheiros eram o Raymond Shieh, ex-piloto da Força Aérea de Formosa que faria mestrado em Física; o Oswald Sawabimi, jordaniano cuja família morava na cidade, aluno de graduação, um “bon-vivant”. Jorge sempre recorda hoje de Oswald e imagina se ele ainda vive e como estaria vendo o atual quadro no Oriente Médio; ele era radicalmente antiocidental! O outro companheiro era o Bob, um americano de Iowa. Jorge e ele nunca travaram diálogo que fosse interessante e o brasileiro nunca conseguiu gravar seu sobrenome. Ele faria pós-graduação em Sociologia.

Os quatro reuniram-se logo na primeira noite para traçar algumas regras básicas de convivência. Tudo era novo para ele, pois fora a experiência militar no Tiro de Guerra, nunca tinha morado fora de casa. Raymond avisou logo que não entraria na cota para alimentação, pois ele tinha seus costumes e compraria comida e faria suas próprias refeições. Restaram o americano, o jordaniano e ele para racharem despesas. O jantar seria preparado por Oswald, os pratos, Jorge os lavaria e o americano ajudaria na limpeza, além de comer demais. Esse arranjo não demorou muito tempo, pois o americano desistiu e, escondido usava a comida dos outros, principalmente os queijos e vinhos. Oswald e Jorge ao descobrirem isso quase o matam. Consumada a separação daí a pouco os dois notaram que o americano continuava roubando seus suprimentos. Houve um novo pega violento que só terminou com a retirada do americano do campo inimigo ou amigo dependendo de que lado se olhasse a coisa.

Estudar era sua missão de todas as noites. Não tinham televisão, mas ele comprou um radinho para ouvir música e se embalar enquanto estudava os assuntos indicados por seu orientador depois que ele o sondou sobre sua famosa sabedoria. Esta, lá, simplesmente não existia. Havia os cursos e seminários semanais, de freqüência e domínio obrigatórios dos assuntos tratados. Era uma carga extremamente pesada para alguém que ainda não dominava a língua e sem acesso aos bancos de respostas dos alunos veteranos. O fim do semestre trouxe os resultados: ele havia passado em somente uma das quatro disciplinas que cursava e isso era imperdoável, não só para ele e seu ego, mas para o seu orientador que tinha tido um interesse por ele acima da medida.
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Monday, March 16, 2009

HISTÓRIAS DAS TERÇAS 45

Mandatos sem fim

A questão da saudade é muito forte, foi isso que pensaram todos quando souberam ter Talzinho voltado às suas raízes indígenas nas montanhas geladas da Venezuela. Mas o motivo era muito mais prosaico: ele foi encontrar-se com seu padrinho, o Governador Llaves, El Caudillo Mayor e, de acordo com seu segundo, trocar idéias sobre um assunto caro aos dois: como fazer para eleger-se indefinidamente alcaide de suas respectivas cidades.
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Sunday, March 15, 2009

HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 118


Sonhando juntos

Deitado Waldomiro acorda a menina ao seu lado e conta o sonho que tivera ainda há pouco: Os dois estavam namorando na Praça da Matriz e de repente ela dá um grito e diz: - Wal eu estou vendo a figura da mamãe, com uma colher de pau pra bater em mim e dizendo que eu estava me entregando a você, e de graça! Ele diz então pra ela: - Veja! Você está no meu sonho! Francisquinha diz estremunhada: - Não, Wal você é que está no meu, pois a única diferença é que, no meu, nós estamos na cama fazendo amor quando mamãe chega com um cabo de vassoura e bate com força nas suas costas.

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O PALIMPSESTO DE ARQUIMEDES

O palimpsesto de Arquimedes, um dos mais famosos, acaba de ser decifrado pelo Museu de Arte Walters, de Baltimore, Estados Unidos. Por baixo do manuscrito e das iluminurass medievais, os cientistas extrairam o texto perdido de sete ensaios de Arquimedes.

(De Lola Galán Em Madri, EspanhaTradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves
Visite o site do El País)

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Saturday, March 14, 2009

POEMAS BARRETO/XAVIER 63


LÍVIO BARRETO – O Lucas Bizarro da Padaria Espiritual deixou no “Álbum - 1890”, de Luiz Felippe de Oliveira diversos poemas e fragmentos ainda hoje inéditos. Um exemplo é este “pensamento” que transcrevemos aqui:


“Antes de libertar a mulher é preciso pensar na libertação do homem; escravos não podem conceder a liberdade a escravos; é impossível cuidar da dignidade d´outrem quem não comprehende a sua.”



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Friday, March 13, 2009

A WEB FAZ 20 ANOS

Vinte anos de World Wide Web, a maior invenção do século que passou. Siga o link para ler uma das milhares de notas que sairam hoje, 13 de março, o dia de seu aniversário.
http://www.softwarelivre.org/news/12927


A figura acima foi tirada de Exame Informática (http://exameinformatica.clix.pt/noticias/hardware/1001954.html)

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Thursday, March 12, 2009

VISTAS DA GRANJA 85


Não apuramos o nome que dão a essa estrutura em arco - folhas de carnaubeiras(?) - na entrada da cidade; ela é elegante e bonita. É uma pena que ao seu lado e concorrendo com ela em toda a cidade existam dezenas, senão centenas, de outras estruturas e marcas que carreiam as horríveis e deprimentes velas, símbolo de uma época infindável.

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Wednesday, March 11, 2009

HISTÓRIAS DE JORGE RAPOSO 5


Chambre de passarinhos

Sentado diante do computador, depois de ter passado vista rápida em diferentes “sites” ele
notou que o assunto dominante do dia era um filme sobre relacionamento entre adolescentes. Falava-se sobre namoro, ficar, e todas esses novos conceitos que ele não alcançava. Seu tempo tinha passado e ele estava pouco a pouco se acostumando com esse fato. Fechou os olhos e cochilou um pouco como parecia ser sua sina de velho insone: tirar uma pestana quando ficava quieto, a qualquer hora do dia.

-O que os dois estão fazendo aí, atrás da porta? Perguntou sua mãe.

-Nada, Mamãe.

-Nada, Titia.

-Vão já brincar lá no jardim. Quero ficar vendo vocês dois. Já se viu uma coisa dessas? Sua mãe falou enquanto consertava as meias do pai.

A amiguinha era parenta próxima e vivia em sua casa brincando e brigando com ele. Quando foi no seu aniversário ela chegou junto dele e entregou-lhe um pacote:

-Taí Jorginho o presente que trouxe para você. Ele, vermelho que nem um pimentão, disse:

-Obrigado. Não abriu o pacote até que os adultos, sua mãe inclusive, gritassem:

-Abre Jorginho, vamos ver o que ela te deu!

A muito custo ele começou a abrir o pacote e deparou-se com alguma coisa feita de pano. Quando retirou todo o cordão e o papel de embrulho ficou surpreso e mudo, pois o presente era um chambre branco com anjinhos azuis bordados na frente. Todo mundo caiu na risada e batendo palmas diziam:

-Vai ser casamento na certa!

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HISTORIETAS DO MEIO DA SEMANA 73


Você quer ganhar 10 milhões de dólares?

Odiamu Yusef era o gerente geral da filial do Site Bank em Burkina Faso. Após algumas operações mal sucedidas para o banco, mas muito bem para ele, Yusef abriu uma conta no União dos Bancos Suíços, em Zurique, com depósitos no valor de 10 milhões de dólares americanos, em nome de seu avô, já falecido Dedemu Yusef. Yusef imaginou que encontraria alguém que o ajudasse a recuperar todo esse dinheiro. Seu plano foi posto em prática quando ele enviou uma mensagem por correio eletrônico para uma lista de assinantes do Yahoo e que dizia assim:

“Eu sou o Sr. Adamu Yusuf, contador do Site Bank em Burkina Faso e gostaria de saber se você está interessado em receber uma transferência de 10.5 milhões de dólares para sua conta. Eu gostaria de apresentá-lo como o parente mais próximo do nosso freguês recentemente falecido Dedemu Yusef cuja conta está bloqueada no UBS, em Zurique, mas pronta para resgate. Se senhor concordar envie para meu endereço seus dados para que eu e meus associados possamos dar início ao processo de transferência bancária.”

A mensagem terminava com a afirmação de que o candidato escolhido receberia 10% dos fundos recuperados.

1541 respostas foram recebidas e encaminhadas para o Escritório de Investigações de Crimes Contra o Sistema Bancário de Burkina Faso.

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Monday, March 09, 2009

HISTÓRIAS DAS TERÇAS 44

O negócio é fácil Pai!

Raimundo chegou à fazenda guiando uma Hylux novinha em folha. O velho João, que tinha acabado de desmontar da burra, perguntou:
- Filho onde é que você arrumou esse carro?
- Pai é um negócio bom que o Francisco e eu descobrimos.
- E que negócio é esse, menino?
- Só mostrando é que você vai acreditar Pai...
- Pois eu quero saber.
- A gente vai ter de ir pra cidade pra lhe mostrar.
- Então vamos.
Dois dias depois eles chegam à cidade e saem com o Francisco para a rua. O velho está interessado e quer ver logo esse negócio. Eles vão para a Beira-Mar e o Francisco se encosta a uma Hylux preta e abre a porta com um araminho e põe a bicha para funcionar. O velho vê aquilo e não acredita. Raimundo o convida para entrar no carro e os três saem em alta velocidade em direção ao Norte.
- E agora? Pergunta o velho.
- Bom, agora a gente vende pro compadre Zé Fernandes que já encomendou e racha o dinheiro. O negócio não é fácil, Pai?
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