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Wednesday, May 27, 2009

HISTÓRIAS DE JORGE RAPOSO 15


Canoa na bruma

A cidade havia amanhecido sob uma densa bruma que, certamente, iria permanecer por muitas horas sobre os escombros dos incontáveis casebres de taipa da Beira do Rio, já destruídos pelas pesadas chuvas. Jorge estava lá perto, sentado em um banquinho de madeira em frente à bodega do Tito, fumando seu inseparável cachimbo e apreciando a correnteza que, de vez em quando trazia um animal morto pelas enchentes. Será que ele veria o corpo de algumas das pessoas que haviam desaparecido lá pela Boca do Acre e certamente desceriam as águas até o mar? Não custava nada esperar e matar sua curiosidade. Não demorou muito tempo e, num resto da madrugada, ele viu uma canoa passar bem em frente; apertou o olhar e conseguiu ver três vultos: na proa ia o Talzinho, logo atrás ia Talfilho e, remando, com força parecia o gerente da loja. Esta embaixada estacou em frente ao armazém onde se guardavam os mantimentos doados por dezenas de pessoas para serem distribuídos entre a população afetada pela catástrofe – eram centenas, senão milhares. Jorge viu que sob as ordens de Talzinho, os outros dois homens desceram, arrombaram a porta do armazém com um pé de cabra e encheram a canoa com tudo que era gênero: feijão, arroz, farinha, óleo e o que coube dentro da canoa. Ele ficou só imaginando para onde eles iriam levar aqueles alimentos já destinados ao povo faminto da sofrida cidade.

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Sunday, April 19, 2009

BRUMA NA GRANJA


Quem já viu bruma na Granja? Eu nunca vi... Até hoje.

Foto tomada hoje, Dia do Índio, às 06:45 (19 de abril de 2009) na Rua Pessoa Anta.

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Saturday, April 04, 2009

POEMAS BARRETO/XAVIER 66


LÍVIO BARRETO, da Padaria Espiritual, dedicou este poema ao amigo Luiz Felipe de Oliveira, transcrito em seu “Álbum – 1890” e depois incluído em seu único livro “Dolentes”

Peregrina
(A Luiz Felippe)

Vem de longe talvez, talvez de perto...
Não sei d´onde ela vem... Por entre a bruma
Do seu mysterio intimo, ressuma
Um poema de dores encoberto.

Faz-se em torno de si como um dezerto
De onde fugiu toda a alegria; e a bruma
De uma saudade immensa se avoluma
No seu olhar de um brilho vago, incerto...

Canta ao piano, à noite, umas balladas
De umas doces tristezas perfumadas,
E uns versos melancholicos, sentidos.

E vem-lhe d´alma no tropel dos seres
Como que fragmentos de illuzões,
Pedaços, restos de um collar de sonhos!...

Abril 91

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