Sunday, December 05, 2010

HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 200


HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 200


O DOIDO DO CHICO


O Chico da Dona Hortênsia, aquele que morava na Capital e veio embora, só pode ta doido mesmo. Pois não é que ele comprou, por um dinheirão, vinte mil, uma casa na beira da praia, um verdadeiro palácio aos seus olhos e não passou dois anos ele a vendeu, por oito mil, agora uma verdadeira choupana, aos seus mesmos olhos! A mulher que a vendeu era sabida e a que a comprou também; o único burro ou doido era o Chico.



texto chamadacontinuação do texto/postagem
Leia mais!

Carvalho Motta - Capitalista e Governador


Foi lançado ontem (4/12/2010) o livro "Carvalho Motta - Capitalista e Governador" de autoria de José Xavier Filho. O lançamento se deu na sede do Instituto José Xavier em Granja (Ce). O livro trata de aspectos da vida do Coronel Antonio Frederico de Carvalho Motta comerciante e capitalista de Granja e que ascendeu à Presidência do Estado do Ceará em janeiro de 1912.

O livro poderá ser adquirido (por R$ 20,00) em Fortaleza na Livraria Oboé (Center Um) e em Granja na sede do IJX (Rua Pessoa Anta, 564 - Telefone (085) 99501157 e email: institutojosexavier@yahoo.com.br).

texto chamadacontinuação do texto/postagem
Leia mais!

Friday, December 03, 2010

A VIDA AVENTUROSA DE TROFIM VASEC EM DIVERSOS CAPÍTULOS – 20


TALZINHO E O NAMORO DO ZÉ PRETO

Trofim Vasec andava muito desconfiado. Ele tinha quase certeza do namoro de seu amigo Zé Preto com uma das filhas, a mais bonita, do Senhor Cristóvão. Ele não tinha nada assim a ver com o namoro dos dois, mas como gostava muito do amigo ele se preocupava com o andar do caso. O eslavo gostaria de conversar com o amigo, pois como este era casado e tinha muitos filhos, ele ficava imaginando que Dona Candinha sofreria muito se o namoro fosse descoberto. Essa preocupação e essas razões eram o que aparecia para os amigos de Trofim que também desconfiavam. O Zé Preto não estava nem aí. Podia ser descoberto ou não, o fato é que ele estava apaixonado pela menina e, nada importava como sabemos para quem está apaixonado. (...)



O Zé Preto gostava de viver na corda bamba, pois ele sempre estava falando, discursando em solenidades e festas da Igreja e soltava indiretas ao afirmar que tinha um caráter apaixonado e gostava de apreciar o belo e por ai vai. Dona Candinha ouvia essas falas do marido e ficava desconfiada, mas nunca chegou a descobrir coisa alguma. Só o amigo Trofim e uns poucos mais da roda de cerveja e do bilhar do Seu Tiago é que faziam a ligação entre o Zé Preto e a filha mais bonita do Senhor Cristóvão. Mas, como tudo tem um fim o falatório começou e o Zé Preto ficou encalacrado. O pior de tudo é que, por mais que não se quisesse, interesses políticos foram envolvidos. O namorado e apaixonado Zé Preto tinha um ótimo emprego na Coletoria arranjado pelo Coronel Melo com o Governador do Estado. Era evidente que era um emprego político, pois a qualquer hora o Coronel poderia pedir ao Governador que demitisse seu indicado e, certamente, colocasse outro no lugar. Sendo assim o emprego do Zé dependia de seu comportamento segundo a observação de seu padrinho político.

Era sabido e notório que os apaixonados se encontravam na Igreja, por trás da imagem do Santo Padroeiro. Eles tinham dia certo para os encontros e Trofim era um dos que sabiam qual era dia; se quisesse encontrá-los juntos era ir, pelas nove horas da noite à Igreja e subir até o altar mor e procurar atrás do Santo – lá estariam os dois em colóquio amoroso. Foi lá no alto, bem aos pés do Santo que Trofim descobriu que Talzinho estava metido nesse negócio. Ele não sabe como, mas o danado do Talzinho, ou melhor, sua imagem ou o que estava restando dela, apareceu atrás da imagem do Santo Padroeiro; ficou logo evidente a Trofim que Talzinho estava confabulando com Zé Preto a respeito de algum assunto sério, pelo menos para os dois. Após ele ter descoberto que os dois estavam conversando Trofim resolveu descer e esperar pelo Zé embaixo a fim de esclarecerem os fatos.

Quando o Zé Preto desceu e encontrou-se com Trofim não foi muito difícil para o eslavo descobrir o que tinha levado Talzinho a conversar com o apaixonado. Disse-lhe Zé Preto que Talzinho o tinha ameaçado de contar toda a história de sua paixão a Dona Candinha se ele não deixasse seu emprego na Coletoria e o passasse para seu sobrinho Ramon, o mais novo representante de seu clã. Só restava saber se este jovem aceitaria a negociação, pois o que ele queria mesmo era ser Coronel da Guarda Nacional. Trofim não gostou muito dessa história contada por Talzinho, pois no íntimo ele queria é que o boneco de madeira encostasse as chuteiras e deixa-se de assombrar as moças da cidade, principalmente Lídia a filha encostada de Seu Lalo.



Leia mais!

Thursday, December 02, 2010

"Bactéria que come arsênico abre nova perspectiva para vida fora da Terra"


Leia notícia de hoje no Estado de São Paulo que relata estudos da NASA sobre uma bactéria capaz de substituir o fósforo por arsênico.

texto chamadacontinuação do texto/postagem
Leia mais!

GRANJA - PRONTA PARA O MERCADO


texto chamadacontinuação do texto/postagem
Leia mais!

Wednesday, December 01, 2010

GRANJA - BREGUEÇOS DO HAROLDO


texto chamadacontinuação do texto/postagem
Leia mais!

Tuesday, November 30, 2010

AFORISMOS, APOTEGMAS, MÁXIMAS


O cínico é aquele que, ao sentir cheiro de flores, olha em torno à procura de um caixão.

H. L. Mencken (1880 – 1956)


texto chamadacontinuação do texto/postagem
Leia mais!

Sunday, November 28, 2010

HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 199


EU NÃO VOU DAR CARONA

Não! Não vou dar carona a ela de volta. Tem que aprender a se virar. Pensei. Minutos depois estou de volta ao ponto onde presumivelmente ela estaria. Sorriu e embarcou de volta.


texto chamadacontinuação do texto/postagem
Leia mais!

Saturday, November 27, 2010

CONTOS DA RIBEIRA - 48


ALEXIS GALES, ATRIZ DE CINEMA

Na Estação toda a cidade esperava por ela. O telegrama havia chegado para Wallinson Brevis, o dono do Cine Fênix. Ela, a mais famosa atriz de Hollywood, chegaria à cidade no horário das quatro. Logo uma multidão se dirigiu até a estação e pelo meio-dia não se conseguia nenhum lugar perto dos trilhos. O Agente, Seu Farias, estava muito preocupado, pois qualquer deslize de alguém e pronto o trem o esmagaria e isso traria um enorme prejuízo para a Rede. (...)


Alexis Gales, atriz de cinema, estrela de incontáveis filmes de caubói, tinha aceitado o convite de Wallinson para visitar a Ribeira e dar uma demonstração de sua arte. Ela viria acompanhada de seu agente que a trouxera ao Brasil em uma viagem de boa vontade, como era comum no tempo da Guerra. Alexis já tinha estado no Rio de Janeiro e em Nova Iorque no Piauí onde conheceu um dos mais novos teatros da cidade do vizinho estado. Viria também o companheiro de seus mais recentes filmes feitos em Hollywood. Trata-se do ator Clarke Blage que foi seu parceiro em Paixões Ardentes, um caubói de primeira linha e que traz muita emoção, já apresentado no Cine Fênix.
Nem um minuto antes nem um minuto depois o trem para, com um longo silvo, em frente à estação da RVC. Logo a banda do Mestre Zequinha ataca o dobrado Bonnie Annie Laurie de JP Sousa. A atriz apareceu e acenando para o povo desceu as escadas e tomou a direção da estação onde, de braços dados a Wallinson tomou a baratinha do Seu Altino em direção ao Hotel Casa Grande onde ficaria hospedada.

Após um pequeno descanso, pois a viagem havia sido enfadonha e as pessoas que a encontraram em Campos Breves, apesar de serem muito simpáticas, como o esguio crítico de cinema Emanuel B., a deixaram deveras enfadada. De qualquer modo aí pelas seis horas ela estava na varanda florida tomando uma cajuína e comendo raivas, produtos típicos da cidade.

Às oito horas todos da troupe se dirigem ao Cine Fênix na Praça da Igreja para a apresentação oficial. Ao chegarem foram encaminhados para a grande mesa guarnecida por uma toalha de linho bordada pela Fransquinha e adornada, pelas meninas de família da cidade, com enormes buquês de flores naturais. Alexis Gales sentou-se ao centro tendo Wallinson a seu lado direito e seu escorte Clarke Blage no lado esquerdo. A reunião foi iniciada com um discurso de boas vindas pelo crítico de cinema e de literatura de muitas outras coisas JB Tanko. Em virtude da total ignorância dos americanos em relação ao idioma português tomou a palavra Breno Barreto o agente da atriz para o Brasil e agradeceu em nome dos estrangeiros. A reunião foi encerrada com a declamação do Navio Negreiro, do poeta Castro Alves que, apesar de incompreensível para os americanos foi muito aplaudida pela performance dada por Aninha.

Em seguida a esses falatórios todos foi exibido um verdadeiro pot-pourri de cenas significativas de filmes da atriz homenageada. Uma salva de palmas demorada encerrou a reunião. Em seguida todos foram para a Praça da Igreja onde, no coreto, a banda do Mestre Zequinha atacava com as mais modernas marchinhas de carnaval.

A meia-noite Alexis Gales e seu séquito retiraram-se para o Hotel Casa Grande para seu repouso justo a espera do trem das seis horas de volta para Campos Breves.

Os jornais da capital, daí a alguns dias, ao noticiarem a visita exclusiva da a
matriz americana à Ribeira, foram pródigos em elogios ao empresário cinematográfico Wallinson Brevis que havia “proporcionado mais este salto cultural na cidade. A cidade da Ribeira está de parabéns!"




Leia mais!

Thursday, November 25, 2010

GRANJA - PROJETO DE ARBORIZAÇÃO


texto chamadacontinuação do texto/postagem
Leia mais!

Wednesday, November 24, 2010

GRANJA - UMA VISTA DA FEIRA


texto chamadacontinuação do texto/postagem
Leia mais!

Tuesday, November 23, 2010

AFORISMOS, APOTEGMAS, MÁXIMAS





Ler sem refletir, é comer sem digerir.

Marquês de Marica (1773 – 1848)










texto chamadacontinuação do texto/postagem
Leia mais!

Sunday, November 21, 2010

HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 198

A ONÇA COMEU ATÉ O SECRETÁRIO

O Manuel quase mata a onça que andava comendo os porcos lá nas Barrocas. Ela fugiu sem deixar rastro e só apareceu depois de um mês quando deram pela falta do gordo secretário da Prefeitura. A bicha estava dormindo atrás de um armário de ferro depois de ter comido o home.


texto chamadacontinuação do texto/postagem
Leia mais!

Saturday, November 20, 2010

A VIDA AVENTUROSA DE TROFIM VASEC EM DIVERSOS CAPÍTULOS – 19


PEÇAS PARA O MUSEU

Após o desaparecimento de Talzinho lá no Pé da Serra do Zé, comido pela onça que fazia morada na Fazenda do Zé de França e comia todas as suas criações, um grande número de histórias envolvendo este nosso herói começaram a aparecer. Muitos diziam que um lobisomem andava assombrando as pessoas pros lados do cemitério e que a mula sem cabeça passou a aparecer mais vezes na parede do açude; diziam também que o curupira fazia das suas pela Várzea Seca. O que é fato é que a população estava assombrada e, se forem somados os estragos que a onça do Zé de França continuava a fazer era mesmo de assombrar todo mundo. (...)


Foi por esse tempo que o Senhor Bispo encarregou seu povo de procurar imagens de santos nas fazendas para ornamentar o novo museu que ele tinha mandado construir e estava quase pronto para inaugurar. Só da Ribeira tinha ido um monte de coisas, entre alfaias de todos os tipos, sinos, instrumentos musicais, cadeiras e santos de madeira. Pelo sertão adentro todos procuravam o que mandar para o Senhor Bispo. Cemitérios antigos, do tempo dos índios e dos baianos, eram vasculhados à procura de imagens e outros objetos; casas de fazenda com seus santuários eram vasculhadas e seus moradores obrigados a entregar os quadros e santos expostos nas camarinhas. Eles não podiam vender, pois o museu não tinha dinheiro para comprar, mas se não entregassem os objetos o castigo cairia sobre eles.

Quando pessoas, entre as quais estavam Trofim Vasec e Zé de França, participantes de um dos grupos encarregados dessas buscas por objetos pios lembraram que o cemitério poderia ser uma boa fonte de imagens e outros itens foram até lá. Ao chegarem sentiram uma força de atração enorme que os levou até o túmulo onde fora sepultado Talzinho, há poucos meses. Uma pequena investigação os convenceu que o local havia sido profanado. A palavra talvez não seja profanado, mas de qualquer modo o túmulo parecia ter sido aberto e de dentro para fora.

Eles verificaram cuidadosamente que o Talzinho de madeira que havia sido sepultado continuava sepultado, mas de um modo evidentemente diferente do que acontecera no dia de seu enterro. A muito custo eles conseguiram dialogar com Talzinho, mas verificaram que ele se recusava a participar do movimento, isto é, ele não admitia ser doado para o museu sacro do Senhor Bispo. Por mais que seu velho amigo Trofim Vasec tentasse convencê-lo da justeza da causa ele se mostrava irredutível. O nosso amigo eslavo chegou a acenar com muitas vantagens para a cidade assim como para eles agora separados pelo muro intransponível da morte.

Após uma longa conversa Talzinho diz que ele, na situação em que se encontrava agora, tinha até mais liberdade de movimentos e ações do que tinha anteriormente. Ele admitia que não tivesse mais aqueles achaques todos e todos os seus penduricalhos funcionavam a pleno vapor. Ele admitiu que andasse até muito ocupado tentando dar conta de tudo quanto era cabritinha que aparecia nas vargens quando ele vagava nas noites de lua sobre a parede do açude.

Foi com por essa conversa do amigo que Trofim descobriu terem explicação as aparições que assustavam o povo na parede do açude e nas várzeas em dias de lua cheia.



Leia mais!

Thursday, November 18, 2010

GRANJA É NOVAMENTE CAMPEÃ!


RIQUEZA?

Leia notícia publicada no "Ceará Blog" em 15/11/2010:

Pesquisa mostra Granja com o maior índice de miséria entre municípios do CE

Levantamento foi baseado em microdados da PNAD/IBGE.

Por: Luciano Augusto

Levantamento do Centro de Políticas Sociais, da Fundação Getúlio Vargas, revela que o município de Granja, distante 300 km de Fortaleza, é destaque negativo como único do Estado com alto índice de pessoas em situação de miséria.

O mapa brasileiro da pobreza inclui o município cearense com mais de 60% dos moradores vivendo em extrema condição de pobreza.

Segundo reportagem da Folha de S. Paulo, para erradicar a pobreza no país, seriam necessários gastos de mais de R$ 21 bilhões. Somente no Ceará, o custo médio chegaria ao valor de R$ 16,6 mensais por pessoa.

As informações foram baseados em microdados da Pesquisa Nacional Por Amostra de Domicílios (PNAD), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística"

------------------------------------------------------

Todos os que se interessam por Granja e temem pelo futuro de suas crianças sentem-se alegres quando essas notícias e pesquisas de fora ultrapassam os muros da cidade. Estamos cansados de saber que intramuros não há um só sussurro a respeito. Um pouco de reação, pelo menos!

texto chamadacontinuação do texto/postagem

Leia mais!

GRANJA - MÁ PONTARIA


texto chamadacontinuação do texto/postagem
Leia mais!

Wednesday, November 17, 2010

GRANJA - COLETA SELETIVA


texto chamadacontinuação do texto/postagem
Leia mais!

Tuesday, November 16, 2010

AFORISMOS, APOTEGMAS, MÁXIMAS


Nada basta quando o bastante não basta.


Epicuro (341 a.C – 271 a.C)


texto chamadacontinuação do texto/postagem
Leia mais!

Sunday, November 14, 2010

HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 197


TU TÁ COM OSTOPOR!

- Ritinha tu ta é com ostopor! Eu até aposto! E repara bem, isso só passa se tu cumê muita sardinha!

Ritinha quis dizer alguma coisa, mas desistiu. Pediu a prima para comprar umas sardinhas para o jantar


texto chamadacontinuação do texto/postagem
Leia mais!

Saturday, November 13, 2010

AVE MARIA PELA MULTIDÃO



A Ave Maria de Bach/Gounod é uma das composições mais famosas e gravadas sobre o texto de "Ave Maria".

Escrita por Charles Gounod em 1859, a Ave Maria é constituída por uma melodia sobreposta ao Preludio No. 1 em C maior do Livro I de O Cravo Bem Temperado (BWV 846), composta por Johann Sebastian Bach. (Ver Wikipedia).

Bobby McFerrin leva a multidão a cantar esta peça romântica. Veja o vídeo.


continuação do texto/postagem
Leia mais!

CONTOS DA RIBEIRA - 47


FARMÁCIA SÃO PEDRO

A farmácia São Pedro era conhecida em toda a região. O dono, farmacêutico formado na Faculdade da Bahia ainda no tempo do Império, era famoso por produzir medicamentos muito eficazes contra uma série de males. Seu Tito dominava todo o setor de saúde da Ribeira, pois não havia médicos num raio de 20 léguas. Somente em Sobral havia médicos formados, mas nunca estavam à mão para atender a pacientes em lugares tão longes como a Ribeira. (...)

Seu Tito estava acostumado a tratar de doenças dos mais diversos tipos que apareciam na cidade. Sempre com uma margem de sucesso que lhe angariava uma sólida clientela e bastante dinheiro, pois com ele não tinha essa história do “Deus lhe pague”: os pacientes agradeciam o tratamento e a cura e nunca pagavam em moeda sonante. Sempre aparecia algum doente com erisipela, morféia, espinhela caída, câncio e ferida braba, dor de dente, ostoporose e febres dos mais diferentes tipos. Ele lutava contra uma grande concorrência por parte de Mãe Joana e outras rezadeiras que tinham muita freguesia, atuando na periferia da cidade, principalmente no Baixio.

Alguns dos remédios produzidos por Seu Tito eram conhecidos em toda a região e vendidos com grande sucesso. Havia dois produtos muito populares e que tinham uma saída grande em sua farmácia: o “Vida longa” e o “Chá de capororoca”. O primeiro era indicado para ostoporose e o chá, segundo o farmacêutico, ajudava no tratamento da morféia, doença muito temida em toda a região. A casca da capororoca, uma planta do Aumazona, era enviada em pequenos fardos pelo irmão de Seu Tito que tinha um seringal no Alto Envira. O farmacêutico preparava esse chá nos fundos da farmácia onde ele tinha uma espécie de laboratório. Ninguém tinha permissão de penetrar no local que era escuro e mal cheiroso. Aí ele preparava os outros remédios, incluindo o “Vida longa”, que, este tinha um cheiro forte de sardinha. Era também de se notar o cheiro forte do “Chá de capororoca”, pois cheirava a osso queimado.

Seu Tito já estava estabelecido há muitos anos quando apareceu na cidade, vindo das bandas do Pará, um senhor bem vestido e falante que alguns lembravam ser neto de um dos antigos coronéis criadores de gado da região. O Senhor Carvalho tinha vindo à cidade de seu avô a procura do mausoléu de sua família. Sua intenção era trasladar os restos mortais dos seus parentes para o Cemitério de Nossa Senhora da Soledade em Belém onde as mulheres de sua família poderiam rezar a vontade pela alma dos seus antigos parentes.


O Senhor Carvalho foi ao Cemitério e, falando com o Seu Raimundo, o responsável por sua guarda, localizou um dos túmulos que lhe interessavam. Era exatamente o do Coronel Carvalho, o primeiro membro da família a ser enterrado no Cemitério da Ribeira. Localizado o local do sepultamento, marcado com uma lápide de mármore branco, que por sinal estava quebrada, o Senhor Carvalho foi à procura do Padre Venâncio a fim de pedir autorização para a remoção e traslado do que restava do Coronel Carvalho. Após muita conversa o padre dá autorização para o parente fazer a inumação de, no máximo, cinco corpos. Aliás, não eram mais corpos, mas certamente esqueletos bem consumidos pela ação do tempo, dos agentes naturais.

Seu Raimundo foi contratado pelo Senhor Carvalho para abrir os túmulos de cinco parentes, a essa altura, já localizados no cemitério. Foi decidido que a operação se daria à noite e sem qualquer divulgação ou anúncio e somente pelo velho guardador de almas. Os restos, ou melhor, os ossos, seriam de imediato postos em caixas de madeira, identificadas e lacradas para serem levadas para o Pará.

Quando Seu Raimundo começou a trabalhar no túmulo do Coronel Carvalho ele notou logo que alguma coisa estranha tinha acontecido. Ele encontrou a tampa do caixão fora do lugar e o dito cujo todo destroçado. O velho logo descobriu que os ossos do Coronel não estavam em seu caixão. Ao ser comunicado do fato o Senhor Carvalho, desconfiando de alguma coisa, mandou que Seu Raimundo abrisse logo todos os outros túmulos anteriormente escolhidos. Foi sem muita surpresa que se descobriu que todos os ossos de todos os defuntos escolhidos estavam faltando.


Logo, logo o Senhor Carvalho foi à Delegacia de Polícia para dar queixa da violação dos túmulos de seus parentes. Acontece que o Senhor Delegado não se encontrava e a Ordenança disse que ele teria de ir até a Praia do Pinto, cidade vizinha, para fazer o BO. Depois que ele fez o tal BO e a denúncia foi instaurado um rigoroso inquérito que, após mais de cinco anos ainda não foi concluído. O Senhor Carvalho voltou para o Pará de mãos abanando.


A notícia da violação correu toda a cidade e, os cochichos e fuxicos e boatos corriam soltos pela cidade. Todos diziam que o responsável seria Seu Tito, o farmacêutico. Adiantavam também que os remédios que ele preparava continham pó de ossos de cadáveres e certamente carne humana apanhados de defuntos no Cemitério.

Confrontado com os rumores Seu Tito negou veementemente o fato e sugeriu que aquilo seria intriga de seus desafetos e de membros da oposição. Após as eleições e a volta do Senhor Carvalho para o Pará os boateiros e fuxiqueiros deixaram de mão Seu Tito e suas mezinhas. Ele passou a ser visto de madrugada caminhando pela estrada que ia para a Praia do Pinto com um saco vazio nas costas. Os fuxiqueiros dizem que ele ia visitar o cemitério das crianças.


Leia mais!

Friday, November 12, 2010

Clint Eastwood


O ator norte americano Clint Eastwood, em entrevista à revista alemã TV-Movie afirmou que gostaria de reincarnar como um inseto. Veja matéria publicada pelo "Estado de São Paulo" de hoje.

texto chamadacontinuação do texto/postagem
Leia mais!

Thursday, November 11, 2010

GRANJA - É VERDADE!


texto chamadacontinuação do texto/postagem
Leia mais!

Wednesday, November 10, 2010

AFORISMOS, APOTEGMAS, MÁXIMAS


Há momentos em que a maior sabedoria é parecer não saber nada.

Sun tzu (544 – 496 AC)

texto chamadacontinuação do texto/postagem
Leia mais!

Tuesday, November 09, 2010

GRANJA - O BEBÊ E SUA BABÁ


texto chamadacontinuação do texto/postagem
Leia mais!

Sunday, November 07, 2010

HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 196


A ONÇA COMEU ATÉ O BEZIN

Tava todo mundo com medo. A onça já tinha comido as galinhas, as cabras e os porcos da Cachoeira. Foi então que ela começou a comer os bicho do lado de cá da estrada. O medo cresceu quando ela comeu o Bezin e sua bicicleta sonora. Uns poucos acharam bom, pois agora ninguém mais ouvia a propaganda eleitoral.


texto chamadacontinuação do texto/postagem
Leia mais!

Saturday, November 06, 2010

A VIDA AVENTUROSA DE TROFIM VASEC EM DIVERSOS CAPÍTULOS – 18


O ENTERRO DE TALZINHO

O povo lá na Ribeira diz que o Talzinho morreu durante uma caçada que fez junto com Trofim Vasec quando uma onça o atacou lá pras bandas do Pará, perto da casa do Zé de França. Ocorre que nem todo mundo acreditava nessa história, pois seu corpo não tinha aparecido. O que se dizia e isso era reforçado pela palavra de Trofim era que a tal onça o havia comido inteirinho como o Jacaré comeu o Ivan, lá pros lados da Rússia. Até nisso o Talzinho era importante: imagine que seu desaparecimento era comparado com o de um nobre russo! (...)


O que é fato é que o Talzinho reapareceu ou ressuscitou, aliás, como já fizera algumas vezes no princípio de sua carreira, ainda com o cheiro trazido das montanhas nevadas da Venezuela. Dessa vez ele apareceu mesmo foi na parede do açude do Pará e, o que é de se salientar, assombrando o povo durante as madrugadas frias. As pessoas que o encontravam relatavam histórias bem estranhas. Em uma delas se dizia que o antigo alcaide reclamava pelo fato de não ter encontrado, depois de ter voltado, nenhuma das dezenas de caixas de uísque que havia deixado em sua casa mal-assombrada. Outra dessas incontáveis histórias era aquela de que seu corpo não fora sepultado como ele havia deixado dito em papel registrado no cartório.

Como seria ele sepultado se seu corpo não havia sido encontrado? As pessoas discutiam na cidade. Muitos de seus amigos na Ribeira e em outros lugares onde ele era conhecido, e eram muitos, procuravam solução para esse dilema: enterrar o amigo que não tinha corpo? Uma das soluções mais engenhosas foi aquela aventada por Trofim Vasec. O nosso amigo eslavo sugeriu que se mandasse fazer um boneco de madeira com todas as características físicas de Talzinho, incluindo todas as peças artificiais que ele portava, e o sepultasse como se fosse o original. A princípio não houve acordo, mas com uma boa argumentação do eslavo logo tudo se resolveu.

O Toquinho, marceneiro de mão-cheia da cidade, foi o encarregado de fazer toda a obra: o boneco de madeira e o caixão. Madeira de primeira foi adquirida na Serraria do Chico Silva e, em poucos dias o Toquinho entregou no Armazém de Trofim a encomenda. Isso foi feito à noite para que ninguém desconfiasse de nada. O Toquinho foi pago com uma verba especial do Banco do Sertão que tinha dinheiro para tudo, inclusive para enterros de bonecos.

No dia seguinte Trofim Vasec reuniu os amigos da cidade e os companheiros da caçada em que Talzinho havia desaparecido e anunciou, do portão do Mercado, que o corpo do amigo, já erodido, havia sido encontrado e seria sepultado da maneira desejada por ele.

O Padre Pedro foi convocado e logo no dia seguinte o caixão com o Talzinho de madeira foi levado para as últimas cerimônias religiosas. Após todas as solenidades a que o morto ilustre tinha direito organizou-se o féretro que saiu da Praça da Igreja e dirigiu-se ao Cemitério. Houve um grande acompanhamento incluindo-se a Banda Alegria de Viver de Mestre Antoninho, formado pela Filarmônica e que tocava as mais belas peças de Souza, o grande compositor americano. Os sinos repicavam o tempo todo até a chegada ao Cemitério. Lá a cerimônia foi simples e só algumas poucas autoridades usaram da palavra, entre essas estava o Peba Preto que era viciado em discursos à beira de sepultura.

Não foram os poucos que observaram que Talzinho não tinha obtido o favor de ser sepultado como ele desejava. Ele passou sua vida dizendo que queria ser sepultado no mausoléu que mandou construir no Pará. Isso certamente daria o que falar por muito tempo ainda.


Leia mais!

Thursday, November 04, 2010

GRANJA - DE PRIMEIRA QUALIDADE...


texto chamadacontinuação do texto/postagem
Leia mais!

Wednesday, November 03, 2010

GRANJA - FALEM DE MIM...


texto chamadacontinuação do texto/postagem
Leia mais!

Tuesday, November 02, 2010

AFORISMOS, APOTEGMAS, MÁXIMAS


O homem que não lê não tem mais mérito que o homem que não sabe ler.

Mark Twain (1835 -1910)



texto chamadacontinuação do texto/postagem
Leia mais!

Sunday, October 31, 2010

HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 195


SEU NOME É DERROTA

Dona Anita, esposa de Seu Joaquim, estava grávida, já passando dos nove meses. Era um domingo e Seu Joaquim estava jogando futebol, coisa que ele mais gostava de fazer, mais do que tudo no mundo. Quando terminou o jogo ele estava de cabeça inchada, pois seu time tinha perdido de três a zero. Ele foi pra casa e, logo que chegou sua mulher começou a sentir as dores do parto. Ele saiu de casa contrariado e foi até a outra rua para chamar Dona Tereza, a parteira da cidade. Quando eles chegaram a criança, uma menina, estava nascendo. Após o nascimento e as congratulações de toda a vizinhança, alguém perguntou como seria o nome dela. Seu Joaquim pulou na frente de todo o mundo e disse: - Derrota!

texto chamadacontinuação do texto/postagem
Leia mais!

Saturday, October 30, 2010

CONTOS DA RIBEIRA 46


UMA VIAGEM COM ELLA AO TANQUE DO MEIO

Não tinha jeito ele tinha de viajar. O velho Coronel dava as ordens e ele obedecia. Era muito difícil não atender aos pedidos do patrão. Ele iria apesar dos inúmeros sintomas de doenças que se apresentavam em seu frágil corpo. O Coronel não era pessoa adequada para ouvir seus queixumes. Ele tinha de procurar alguém, talvez um médico ou um farmacêutico para lhe atender. Ele tinha muitos achaques mesmo, não era brincadeira. (...)

Em qualquer lugar de seu corpo Zé Ricardo identificava uma mazela associada. Nos dedos dos pés ele tinha deformações, mas isso era bobagem, pois ele tinha mesmo era três unhas encravadas afora aquelas que eram pretas devido às topadas quando andava de chinelas de couro. As dores no traseiro limitavam sua capacidade de montar a cavalo, o que era um problema. Suas costas doíam demais e ele não podia mais levantar nem mesmo uma cangalha para encilhar um burro. O pior era que ele tirava água do joelho a toda hora: chegava a mais de um litro por dia. Ele já estava se preocupando com isso. Fumar lhe dava uma tosse muito forte que não passava com nenhum lambedor. Ele precisava visitar ou o Seu Totas ou o Dr. Djalma. O primeiro era mais fácil, pois era somente farmacêutico, já o doutor era muito importante e dificilmente o atenderia, mesmo a mando do Coronel Totonho. Ele foi até a farmácia do Seu Totas onde este o examinou e receitou-lhe umas pastilhas esverdeadas, umas pílulas do mato e mais um clister de sabugueiro. Que ele voltasse em uma semana. O velho farmacêutico lhe assegurava que depois disso ele poderia viajar para qualquer lugar mesmo pro Tanque do Meio como ele havia dito.

Nem uma semana tinha passado e o Zé Ricardo, mesmo tomando todos os remédios passados por Seu Totas, não melhorava nada. O pior é que ele, por cima de tudo, tinha pegado um defluxo enorme que não se acabava com nada desse mundo. A Rosa e a Joana, sem que ninguém soubesse prepararam mais clisteres e diversas mezinhas que só elas tinham a receita. Mas o Zé Ricardo nada de melhorar. Estava chegando o dia da viagem e ele não ficava bom. Foi aí que a Rosa e a Joana notaram que, logo que se afastavam da camarinha onde ele se deitava o homem ficava um pouco mais adoentado. Essa coisa foi seguindo pelos dias até que elas, diante de outros sinais, resolveram fazer uma investigação. Foi a Rosa que se encarregou de tirar a limpo o que parecia ser uma assombração. A Cumade Rosa era uma negra enorme, gorda e muito simpática e agradável. Ela era dessas de sair dos seus azeites para ajudar qualquer um: amigos pobres e gente rica. Porque ela não ajudaria o Zé Ricardo nesse transe difícil? Combinou com a Joana e armou uma rede do lado de fora da camarinha onde estava o melhor positivo do Coronel Totonho. Depois que o cabra adormeceu a Rosa deitou-se e ficou na escuta para ver o que acontecia. Quando foi lá pela madrugada ela ouviu uma conversa que vinha do quarto onde estava o Zé Ricardo. Parece que tinha uma outra pessoa e essa reclamava dele por não ter ainda se despachado (...). O doente argumentava que não podia, pois tinha de fazer uma viagem por mandado do Coronel, tinha de cumprir essa determinação. A voz fraca, mas dava para ser ouvida pela Rosa, argumentava que não, que ele lhe devia isso e que ela já tinha esperado muito, desde o dia em que ele levou a estrepada no pé. Como o Zé parecia não concordar com o chamado insistente dessa voz a Rosa ouviu então a ordem: - Pois bem você vai para o Tanque do Meio, mas eu vou-lhe acompanhando. Qualquer coisa você vai comigo. A partir daí a Rosa não ouviu mais nada, senão o ronco alto do Zé Ricardo.

Mais uma semana de tratamento intensivo o positivo do Coronel Totonho saiu da rede e foi até ao Armazém para receber as ordens,pois ele se acreditava curado das mazelas que o tinham acometido nas últimas semanas. O Coronel entregou-lhe um encerado contendo dois contos de réis e uma carta para o Capitão Sócrates lá no Tanque do Meio. O povo espiculava na Ribeira a respeito de qual seria o interesse do Coronel. Alguns achavam que ele queria se associar ao Capitão em um barco de pesca de camurupim, mas ninguém sabia ao certo, lógico.

O fato é que o Zé Ricardo aprontou a mula que ele sempre usava e tocou pros rumos do Arataim e do Pará, chegando a Jijoca, Solidão e no Acaraú para chegar no Tanque do Meio depois de bem uma semana de viagem. Ele chegou lá arrasado, com as costas doendo e cheio de furúnculos. Como era de se esperar a gripe voltou a lhe atacar. Procurou o Capitão Sócrates, um baixinho invocado, pescador de primeira que, ao receber o positivo, foi logo lhe oferecendo uma pinga. O Capitão pegou os dois contos e foi logo entregar pro chefão, o Coronel Dias que era na verdade o dono do negócio. Enquanto eles preparavam os documentos para enviar para o Coronel Totonho. Bem perto da beira do tanque tinha uma bodega onde o Zé Ricardo se arranchou pra dormir e esperar as ordens dos homens pra voltar pra Ribeira. A dona da bodega armou uma rede que, de tão suja, o caboco tinha que se deitar com o chapéu cobrindo a cara, senão o cheiro matava ele. Quando foi de madrugada o Zé Ricardo começou a dizer umas palavras que ninguém entendia. A dona da bodega levantou da sua rede e ficou sentada ao lado dele para ver se entendia alguma coisa. Ela depois contou pra todo o mundo o que ouvira. Ela disse para todos inclusive o Coronel Dias, o Capitão Sócrates e todos os fregueses que tinha visto uma mulher vestida toda com um vestido branco brilhoso que conversava com o caboco. A mulher dizia que já estava cansada de esperar por ele e que não admitia mais que ele não lhe atendesse logo. Não tinha esse negócio de só se entregar quando chegasse na Ribeira. Ele tinha que ir com ela era agora mesmo. Não tinha de tomar nem cachaça, nem café. Diz a bodegueira que depois disso o caboco, positivo do Coronel Totonho lá da Ribeira, deixou de falar; ela então botou um caco de vidro na frente da boca dele pra ver se ele respirava. Ela também não mais ouviu a voz da mulher de branco.

Leia mais!

Thursday, October 28, 2010

GRANJA - É TÃO COMUM...


texto chamadacontinuação do texto/postagem
Leia mais!

Wednesday, October 27, 2010

GRANJA - MAIS UM NASCER DO SOL SOBRE O COREAÚ


texto chamadacontinuação do texto/postagem
Leia mais!

Tuesday, October 26, 2010

AFORISMOS, APOTEGMAS, MÁXIMAS

Estupidez até pode ter um certo charme. Ignorância não.

Frank Zappa (1940 – 1993)


texto chamadacontinuação do texto/postagem
Leia mais!

Sunday, October 24, 2010

HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 194


TU VIU O QUE O HOME DICHE?

- Cara tu viu o que o home diche?
- Eu não.
- Pois ele diche que o “Bicho ruim” tinha era baticum! E diche na televisão!
- Foi mesmo? E qui diabo é baticum?
- Macho eu num sei não, mais se o home diche é porque é fei mermo!

texto chamada
continuação do texto/postagem
Leia mais!

ANA MARIA XAVIER

Veja entrevista com Ana Maria Xavier feita por Lisiane Mossmann e publicada em sua coluna BOLSA S/A no jornal O Povo de hoje (24/10/2010):



continuação do texto/postagem
Leia mais!

Saturday, October 23, 2010

A VIDA AVENTUROSA DE TROFIM VASEC EM DIVERSOS CAPÍTULOS – 17


A ONÇA QUE COMEU O TALZINHO

Onças apareciam no Pé da Serra do Zé, um serrote na Tiaia, onde a vida selvagem ainda era encontrada com facilidade. Elas atacavam tudo que era de animal de quatro e de duas patas: bezerros, cabras, cabritos, galinhas e capotes. Nada escapava mesmo no chiqueiro. As notícias chegavam até a cidade e todos queriam que os Poderes Públicos tomassem providências. Nada acontecia. Os PPs estavam dominados por Talzinho já fazia muitos anos e eram mais lentos do que todos os PPs em qualquer outro lugar, talvez com a exceção da Capital. Talzinho não se importava com nada que levasse os PPs a fazer alguma coisa. Nem o esgoto Talzinho queria que os PPs resolvessem botar pra funcionar. Era uma merda pura. Cheiro horrível. Escorrendo pra dentro do rio. (...)

De qualquer modo Talzinho e seu amigo Trofim resolveram caçar a tal onça e eliminar mais esse perigo a seus colégios eleitorais. A bicha comia eleitores também. Os dois marcaram o dia da caçada e Talzinho e Trofim foram para o Preá ao encontro do Zé de França, o dono da terra onde andava aparecendo a pintada. Cada um levou seu rifle Winchester e muita munição, pois não tinham muita prática de atirar em animais de quatro patas – eles sabiam atirar em animais de duas patas como perus e galinhas e outros. Levaram também muita paçoca e rapadura para os cabocos que iriam acompanhá-los na caçada e muitas comidas chiques para eles. O estoque de uísque black label que levavam era grande; muita água de coco e uma pequena fábrica de gelo portátil, último modelo trazida dos Estados Unidos por Talzinho quando de sua última viagem.

A primeira parada foi no Preá, na Casa Forte que era uma das residências de Talzinho, aquela em que a Maga Patalógica morava e dava muitas tudo e muitas esmolas. Foi no Preá que os dois e mais seus companheiros de partido, ops de partida, rezaram na capela mandada construir especialmente por Talzinho e na qual ele teria suas exéquias quando passasse dessa para a melhor. Após terem rezado bastante e completado a matalotagem trazida da cidade com uma buchada de bode completa, muito queijo e muita cachaça para os cabocos eles puseram o pé no mundo. Iam a cavalo e os ajudantes tangiam uma meia-dúzia de jumentos com a carga. Como eles tivessem saído de madrugada chegaram na Vage da Quintura, na casa do Zé de França antes do meio-dia. Aí demoraram ajeitando tudo e se preparando pra sair na madrugada para a Serra do Zé que é onde apareciam as pintadas.

Uma boa hora antes do sol nascer eles se puseram a caminho; Talzinho montado em sua égua estradeira e Trofim um cavalo branco emprestado de seu sogro. Logo próximo de onde se sabia que a onça atacava, eles apearam e montaram campana pelo resto do dia esperando que a bicha aparecesse. Quando foi lá pela madrugada do outro dia, com todos já de barriga cheia e cabeça rodando com o black label e a cachaça eles, ou melhor, o Zé de França, que conhecia os modos das onças, começou a notar a movimentação do que seria um enorme animal, talvez faminto e pronto a atacar. Ele avisou a todos sobre a aproximação da bicha e todo o grupo ficou esperando. Os cabocos de olhos esbugalhados de medo e os home importante, morrendo de medo, mas sem poderem demonstrar. Era época de eleição e ninguém queria dar o braço a torcer, demonstrar medo, ou coisa que o valha. Tinha de fazer como o home la de cima, que era corajoso pra caramba, enfrentava tudo, principalmente os bicho de dois pés e de pena.

O fato é que a pintada apareceu já à luz do dia e ficou a espreita por muito tempo. Ninguém queria atirar na bicha, pois a caça a qualquer animal era proibida e quem o fizesse ganhava uma multa bem grande. Pior era que essa multa era dada por um sujeitinho chefe da repartição que cuidava dos bichos e plantas selvagens e de quem ninguém do partido de Trofim e Talzinho gostava. O jeito foi esperar por um movimento da bicha e, atirar em legítima defesa. Isso era permitido. Todo mundo se espantou quando a onça parece que escolhendo a dedo sua vítima, deu um salto enorme e abocanhou, sem mais aquela, o nosso querido Talzinho. Quando o Zé de França notou o velho estava já bem dentro do bucho da bicha. Daí foi Trofim quem deu um tiro com a Winchester e matou a bicha com o amigo lá dentro dela.

Foi um Deus nos acuda até que faca de cá, faca de lá, conseguiu-se abrir o bucho da onça e retirar o Talzinho lá de dentro. Ele já tinha sido digerido um pouco, principalmente as partes extremas: pernas e braços e a cabeça branca. Não teve jeito o nosso amigo Talzinho desaparecia, na flor de sua senectude, comido por uma onça, preservada na Natureza por seu arquiinimigo o chefe da repartição que cuidava dos bichos e das plantas.

Observação final: a onça teve sua pele retirada, espichada e seca ao sol do Pará; como ela não podia ser exposta Trofim levou-a para sua nova casa no Alto que foi herdada de Talzinho. Assim ela ficou escondida dos fiscais do Obama.

Leia mais!