
Coleção particular
Todos na sua família colecionavam alguma coisa; muitos, senão a maioria, colecionavam tudo. Desde selos de correio, carteiras de cigarros, seixos rolados, figuras do sabonete Eucalol, artigos de jornais sobre assuntos de suas preferências individuais, como astronomia, agricultura, secas e o escambau. Ele tinha as suas, como retratos de atrizes de cinema, revistas de quadrinhos, selos (porque não?). Desde cedo ele colecionava, além dessas coisinhas inanimadas, namoradas! Namoradas ou que isso significasse nas diferentes épocas de sua vida. Sua coleção de namoradas parecia um grande “puzzle” com um número de peças indefinido. Havia muitas, de todos os tipos, idades, alturas, formas, cores, inteligências... Ele as “tomava” e, quando acertava, elas se encaixavam perfeitamente nos espaços do quebra-cabeça. No fim de sua vida ele encontrou uma “peça” e achou que ela se encaixaria muito bem em um espaço especial. Quando tentava adicioná-la à sua coleção ela saltava longe do tal espaço; por meses a fio, anos a fio.
Ele achava que se a figurinha ficasse no lugar, ele terminaria todas as suas coleções e entraria em alfa.
Todos na sua família colecionavam alguma coisa; muitos, senão a maioria, colecionavam tudo. Desde selos de correio, carteiras de cigarros, seixos rolados, figuras do sabonete Eucalol, artigos de jornais sobre assuntos de suas preferências individuais, como astronomia, agricultura, secas e o escambau. Ele tinha as suas, como retratos de atrizes de cinema, revistas de quadrinhos, selos (porque não?). Desde cedo ele colecionava, além dessas coisinhas inanimadas, namoradas! Namoradas ou que isso significasse nas diferentes épocas de sua vida. Sua coleção de namoradas parecia um grande “puzzle” com um número de peças indefinido. Havia muitas, de todos os tipos, idades, alturas, formas, cores, inteligências... Ele as “tomava” e, quando acertava, elas se encaixavam perfeitamente nos espaços do quebra-cabeça. No fim de sua vida ele encontrou uma “peça” e achou que ela se encaixaria muito bem em um espaço especial. Quando tentava adicioná-la à sua coleção ela saltava longe do tal espaço; por meses a fio, anos a fio.
Ele achava que se a figurinha ficasse no lugar, ele terminaria todas as suas coleções e entraria em alfa.
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Dona Joana, mãe de Francisco Raposo, era “malhadinha”, de primeira. Ela usava uma enorme saia, aliás, saias, pois eram muitas e que chegavam ao chão e escondiam seus pés de tal sorte que, quando andava parecia um grande barco deslizando mansamente sobre a água. Usava também um coque com seu cabelo grisalho fixado por um pente de casco de tartaruga. Certo dia, estando ela na janela, passa um moleque que se sente no direito de dirigir um gracejo à velha:




