Monday, May 21, 2007

O Povo da Malhadinha 7

Uivos

Certa noite de lua cheia Jorge saiu para dar um bordo pela beira do rio. Quando chegou perto ouviu o que lhe parecia serem uivos. Aproximou-se mais e viu, acocoradas sobre as pedras do rio, lavando roupa, três mulheres. As damas continuaram a uivar – pois eram elas que uivavam - e ele voltou correndo para casa, mas só depois de dar uma rápida olhadela para os rostos para ver se as reconhecia. O que ele viu assustou-o, pois eram exemplares extremamente feios do universo feminino. Ao chegar contou sua história para a avó e ela então mangou:

- Meu filho se elas estavam uivando e eram feias são, com certeza, parentas suas da Malhadinha.

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Sunday, May 20, 2007

HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 27




Avião, Morte, Ressurreição.

Ele sentou-se na poltrona marcada 9D no corredor; amarrou o cinto e preparou-se para ler os jornais que trouxera. Jorge sempre levava dois ou três jornais e mais um ou dois livros para ler no avião; com certeza ele não daria conta de todo esse material, mas era precaução, aliás, meio boba, para o caso de ficar sem fazer coisa alguma. O vôo era curto, só três horas, mas cansativo. E quando a aeromoça - agora é comissária de bordo - passou no corredor com seu carrinho e falou, afastando-o de seus pensamentos: “O senhor aceita uma barrinha de cereais? E para beber? Temos suco de caju, suco de manga e guaraná diet”, ele respondeu:

- Aceito. E um suco de caju, por favor.

Mastigando a barra insípida e engolindo com ajuda do suco ele rememora seus pensamentos de há pouco. Já no “check-in” pensava no vôo e como seria, caso o avião caísse. Não que ele tivesse medo de morrer; isto já fazia parte do passado. Ele pensava em como ficariam “as coisas” com a sua morte: como ficariam seus filhos e netos, quem retomaria seu trabalho, a casa da praia seria vendida? aquelas paqueras será que chorariam? Ele agora tinha esses pensamentos intrusivos no dizer de uma amiga (Será que ela choraria?). Eram pensamentos que chegavam e tomavam o lugar daqueles outros, normais (?), do dia-a-dia, mas não chegavam a perturbá-lo em demasia.

Durante a aterrissagem, e nos instantes em que o avião taxiava e aproximava-se da cegonha ele ficou tranqüilo. Então a aeromoça, notando seu largo sorriso zombeteiro perguntou-lhe:

-Precisa de ajuda Senhor?

Jorge pensou antes de responder: “Saio do caixão em que me encontrava e tudo volta ao normal: minha vida besta, a família, a coleção de borboletas e outras coisas, enfim tudo. Tudo normal como era antes da viagem. A única mudança é o novo cenário a descobrir ou redescobrir: pessoas, ruas, monumentos, museus, restaurantes, cinemas, livrarias, o escambau. Tudo o que faz parte da minha vida e da vida de todo mundo.”

-Não, obrigado, acabo de descer das minhas nuvens.

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Monday, May 14, 2007

O Povo da Malhadinha 6


O Povo da Malhadinha 6

Ainda outra história originada do povo dessa fértil terra é sobre a visita que fazia à Velha Senhora o casal amigo que estava na cidade para um batizado. Os três já estavam conversando há tempo e ela se preocupava, pois não havia coisa alguma em casa para oferecer-lhes. Subitamente, entra o netinho preferido e apresenta ao casal dois palitinhos de madeira com dois carocinhos de feijão espetados. Oferece ao casal aquele regalo:

-Tome Senhor! Tome Senhora! Após terem aceitado e degustado a iguaria o casal se despede e vai embora. A vovó pergunta então ao netinho:

- Meu filho aonde você pegou aqueles carocinhos de feijão, pois nós não temos nada! O netinho responde, todo satisfeito:

- No piniquim da Vovó!

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Sunday, May 13, 2007

HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 26


O frembante

Esperando ser atendidos os dois ficaram horas sentados nos bancos desconfortáveis e sujos observando os outros pacientes submetidos ao mesmo suplício. Logo, o vizinho do lado fala que seus parentes nunca o haviam procurado: pais, avós e tios, bem como os primos, ninguém. Só um primo de Minas o tinha convidado para passar uns dias com ele. Assim que chegou à fazenda os dois foram tirar mel no mato:

- Foi a maior aventura! Quando abrimos um dos favos eu vi uma abelha olhando para mim quase me obrigando a retornar aquele olhar meigo... Não havia nada mais lindo!

Então ele cutucou sua vizinha de banco e disse:

- A gente conhece a pessoa pelo frembante!

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Tuesday, May 08, 2007

O Povo da Malhadinha 5


O Coronel e seu amigo

Certa tarde o Coronel foi dar um bordo pela cidade; ele queria ver as obras de limpeza da casa de um amigo, ex-colega de trabalho. Este havia mandado toda sua família para o interior, para uma de suas fazendas, pois isso facilitaria a execução das obras. Mal chegando à casa foi entrando sem bater palmas ou pedir autorização, na suposição de que estivesse vazia. Subitamente, ao sair de um corredor, ele vê seu amigo dando uns amassos em uma de suas (dele amigo) cunhadas. Mais que depressa, pé ante pé, ele retorna, volta para sua casa e conta para um de seus funcionários:

- Estou morrendo de vergonha. O que é que eu queria olhando a casa de ninguém, meu Deus! O outro lhe responde:

- Quem devia ter vergonha era ele!

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Sunday, May 06, 2007

HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 25


Céu-da-boca

Ele era um famoso Biologista Molecular, com grande experiência em clonagem de genes de plantas. Certa ocasião fazia uma conferência para uma assistência de mais de duzentos colegas. Já quase ao final da demorada palestra ele a interrompe para tomar um pouco de água. Ao levar o copo à boca afirma:

- Vou tomar um copo d’água antes que minha língua pregue no céu-da-boca”.

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Monday, April 30, 2007

O Povo da Malhadinha 4


A matraca

Era Semana Santa e a Procissão do Senhor Morto estava passando em frente à sua casa. Ele começou a ficar perturbado com o som da matraca que vinha cada vez mais forte. Era um som forte e metálico; chegava aos seus tímpanos e lhe fazia mal. Ele pergunta quem está batendo o instrumento e alguém responde que é o Pedro Silveira. Ele resmunga para si e para os que estão mais perto:

- Diabo! Este homem ‘tá é doido!

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HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 24


Figuras

A noite estava muito quente e Jorge demorou a pegar no sono. Assim pelas três horas acorda agitado e suado. Ele tinha tido muito trabalho na fábrica, nos últimos dias. Levantou-se e, sonolento, foi até à cozinha. Abriu a geladeira, pegou água em um copo e, mesmo antes de bater a porta, começou a beber. Deixou um resto de água no copo e, olhando de um lado para o outro, como a certificar-se que estava sozinho, jogou o resto de água na parede para ver as figuras ou manchas formadas.

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Monday, April 23, 2007

O Povo da Malhadinha 3


Copo de leite

O velho era mesmo ranzinza. Implicava com tudo e com todos os que não lhe agradavam. E vingativo também. Todas as manhãs, assim pelas nove horas, ele tomava um copo de leite. Só que havia um ritual para isso. O leite era fervido e posto em um copo de vidro para esfriar no peitoril da janela que dava para a rua. Após algum tempo ele fazia um teste com um dedo e tomava o seu leite se estivesse no ponto. Fazia isso todos os dias. Certa vez quando foi pegar o copo seu leite havia desaparecido. Ele não disse nada e, na manhã seguinte fez a mesma operação: pôs o leite para esfriar sobre o peitoril. Quando pegou o copo, o leite havia desaparecido. Isto se repetiu por três dias. Ele então resolveu pregar uma peça no tomador de seu leite. Antes de colocá-lo para esfriar ele adicionou cerca de vinte gramas de sal amargo, mexeu bem e pôs o copo na janela. Não demorou cinco minutos e ele ouviu urros e risos e gargalhadas vindos da Praça do Mercado. O Chiquinho da Dona Joana estava a se contorcer de dor e todo borrado e a molecada gritando...

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Sunday, April 22, 2007

HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 23



Caminhada

Ela parece uma gazela ao caminhar pela borda pintada de amarelo do calçadão. Não obedece às "leis de trânsito", pois tanto na ida quanto na volta ela vai por ali. Seu cabelo é solto e ela usa um boné de pala grande contra o sol inclemente; veste uns shortinhos discretos e camisetas que sugerem ter estado em Noviorque. Traz preso a um dos braços um radinho ou um medidor de alguma coisa. Será de batimentos cardíacos? Caminha com um passo mais apressado que o dele de tal sorte que se cruzam por três vezes durante a caminhada de uma hora. Ele tem, por isso, oportunidade de examiná-la nos mínimos detalhes. O caminhar apressado de uma corça salienta seu rosto de miss, seu busto firme e uma bundinha de anjo barroco. Ela chama a atenção de todos - homens e mulheres. Nunca trocou um olhar com ele, pudera! Ela é a garota mais bonita que caminha no calçadão.

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Monday, April 16, 2007

O Povo da Malhadinha 2


Japi

Dona Joana, “malhadinha” por excelência, era personagem de muitas historinhas que corriam pela cidade. Essa, contada com muita graça pelo velho Jorge Raposo, falava sobre um visitante ilustre que, sentado em um confortável sofá de palhinha na Sala Verde da Casa Grande, conversava sobre assuntos os mais diversos com a velha senhora. Em baixo desse sofá se aninhava o cão de estimação da casa. De vez em quando o ilustre visitante soltava ventos mal cheirosos. Ela, importunada, dizia:

- Sai daí “Japi” senão este homem te mata!

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Sunday, April 15, 2007

HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 22


Casamentos

O casal morava em uma fazenda para os lados do Trapiá, ao pé da Serra Grande. O Coronel Cândido e Don’Ana, sua esposa, tinham doze filhos: oito moças casadouras e quatro rapazes bons de enxada. Bem pertinho, morava seu compadre Francisco Inácio; que tinha quatro filhos machos, bons de trabalho também. Certo dia Lourenço e Sabino, filhos do compadre Francisco Inácio pedem a mão de Tomázia e Clara duas das filhas do Coronel. Este logo aprovou o casamento com os dois irmãos e os quatro foram constituir suas famílias. Nove meses depois as duas coitadinhas morreram durante o parto e os bébés também. Não passou muito tempo e Lourenço e Sabino voltaram à fazenda do Coronel e, encabulados, girando os chapéus nas mãos falam ao compadre de seu pai:

- Coronel as meninas morreram e nóis quer casar de novo.

O velho olhou pros rapazes e, depois de um curto tempo disse:

- Tá bem! Vocês escolham duas das mais velhas que ficaram e podem casar. Agora tem uma coisa.

- E o que é Coronel?

- Se vocês matarem as bichinhas, adeus viola, não tem mais outro casamento não!

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Monday, April 09, 2007

O Povo da Malhadinha 1

O que é a Malhadinha
(A foto tenta mostrar restos de uma antiga casa de morada - uma tapera - na Malhadinha.)


No sopé da Serra Grande há uma terra que, nos bons tempos suportava muitas famílias - a Malhadinha. Existem diversas pequenas fazendas que têm esse nome: Malhadinha de cima, Malhadinha de baixo, Malhadinha do Niterói, Malhadinha do Batista e por aí vai.
Durante a grande seca de 1877-1879 muitos de seus moradores abandonaram suas fazendas e se fixaram na cidade (na Granja). Aí se estabeleceram e criaram suas famílias. Muitos de seus hábitos, costumes e maneira de viver foram conservados no novo ambiente. Correm na cidade diversas historinhas, verdadeiras ou apócrifas, mas que divertem seus habitantes e os que a conhecem desde muitos anos. Muitas dessas histórias são oriundas do “povo” da Malhadinha. Esse nome foi e ainda é usado hoje para designar aquelas pessoas nascidas nessas fazendas, caracterizadas por terem um espírito por demais sardônico, mordaz, irônico, que têm gênio irascível, são muito críticas e, muitas vezes intratáveis, o que incomodava (ou incomoda) seus interlocutores.

Réa cabeluda Dona Joana, mãe de Francisco Raposo, era “malhadinha”, de primeira. Ela usava uma enorme saia, aliás, saias, pois eram muitas e que chegavam ao chão e escondiam seus pés de tal sorte que, quando andava parecia um grande barco deslizando mansamente sobre a água. Usava também um coque com seu cabelo grisalho fixado por um pente de casco de tartaruga. Certo dia, estando ela na janela, passa um moleque que se sente no direito de dirigir um gracejo à velha:

– Eu te como réa cabeluda! Ela retrucou rápido como um raio:

– Rái comer tua mãe que é pelada!

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Sunday, April 08, 2007

HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 21


O Talzinho (Foto aos 12 anos)

O venezuelano Saulo, colega de faculdade de Jorge, contava histórias fabulosas de seu povo, daquelas que passavam de geração a geração. Uma delas dizia que, certo dia, um caçador das montanhas ao entrar na "Piedra del Padre" em Barinas, nos Andes venezuelanos viu no chão e enrolada em pano sujo, uma criança bem novinha. Ao tomá-la nos braços notou ser ela, tipo assim, estranha, pois tinha muito pelo no rosto, costas e membros; era prognata e produzia sons muito agudos. O caçador levou-a para a aldeia e a entregou às únicas pessoas que poderiam criá-la, D. Emerenciana e seu esposo, o Coronel, pois não tinham filhos. A velha senhora ficou muito alegre e passou a cuidar do menino, pois que era um “chico”, com muito desvelo, como se fosse de seu próprio sangue. A criança cresceu, como todas elas, mas tinha dificuldades em comunicar-se com as outras e aprender a ler. Certo dia apareceu na aldeia um estrangeiro, parece que um engenheiro sueco e, ao dar uma espiada no menino, foi logo dizendo:

- Este criança ser descendente de Neandertal!

Ninguém sabia o que era isso. O sueco tentou explicar, mas sem êxito. A partir daí o garoto passou a ser conhecido como “Talzinho”, devido a esse parentesco, talvez longínquo, com alguém que ninguém sabia quem fosse. Ao completar quinze anos Talzinho resolve sair de casa e ganhar o mundo, a procura de algum parente ou de alguém parecido com ele. Foi para Caracas. Ele era eshperto e logo se relacionou com políticos e fez carreira no comércio e outras atividades menos nobres. Certo dia, indo a um pronto socorro ele encontrou uma jovem que era sua cara. Logo fizeram amizade, namoraram e rapidamente casaram. Talzinho resolve, então, voltar para sua aldeia nas montanhas. Chegando lá e devido a contactos políticos feitos pelo Coronel, logo se enfronhou na política local. Passou a fazer discursos inflamados contra tudo e contra todos e comprou votos quando chegou a hora. Facilmente elegeu-se alcaide na primeira eleição. A cada quatro anos havia uma nova eleição, mas ele não poderia concorrer. Acontece que, logo na primeira oportunidade, dias antes do registro das candidaturas, Talzinho morre de um enfarte fulminante. Depois de muito choro de todo o povo, que já o adorava, e após alguns poucos dias, Talzinho reaparece e candidata-se novamente. É eleito por uma grande maioria de votos e a mesma historia se repete por nove pleitos. Sem falhar Talzinho "morre" ao chegar perto da eleição e “ressuscita” para concorrer e ganhar mais um mandato. Diz o Saulo que ainda hoje o Talzinho reina nas montanhas de sua terra.

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Sunday, April 01, 2007

HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 20

Na missa

Os dois amigos foram à missa de sétimo dia de um companheiro de gandaia. Estavam contrariados e tristes pelo desaparecimento do Edgar, pinguço e raparigueiro como eles. Quando o padre Osvaldo, da Igreja do Alto, começou sua homilia e falou sobre o amigo deles dizendo que o Edgar era uma pessoa muito boa, de atitudes corretas, bom marido, bom pai, caseiro e tinha horror à bebida e era cumpridor de seus deveres conjugais e não se envolvia com mulheres de vida airosa, os dois se entreolharam e disseram quase ao mesmo tempo:

-Vambóra Zé, nóis ´tamo na missa errada!

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Sunday, March 25, 2007

HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 19

Receita grátis

Doutor Horácio, o farmacêutico da esquina, adorava dar conselhos e receitas a suas clientes. Certo dia apareceu na farmácia Dona Francisca, sua vizinha bonitona. Conversa vai, conversa vem, ele sugeriu: “Quando viajar a cavallo, em vapor, automóvel e estrada de ferro, quando fizer viagens ou longos passeios a pé, quando apanhar sol ou chuva, toda a vez que molhar os pés, sempre que tomar banhos demorados de mar ou em rio, todas as vezes que levar grandes sustos ou tiver de repente uma grande contrariedade a Senhora deve tomar uma Colher de Chá de Regulador Gesteira e logo em cima Meio Copo de Água!”


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Wednesday, March 21, 2007

CADERNOS DO INSTITUTO JOSÉ XAVIER


Os dois primeiros volumes que compõem a coleção Cadernos do Instituto José Xavier (Novos Poetas Granjenses e Passagem pela Granja) poderão ser adquiridos (ao preço de R$ 10,00 cada) em livrarias de Fortaleza: Ao Livro Técnico (sete pontos de venda), Livraria Acadêmica, Livraria Lua Nova, Editora UFC, OBOÉ (Center Um). Alternativamente você poderá utilizar o telefone (85) 3458 3224 para fazer sua encomenda.

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Monday, March 19, 2007

HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 18

Papagaios

Assobia Jorginho, assobia forte!

Jurandir gritava para ele ajudar, com seu assobio, o vento chegar; sem vento não podia soltar o papagaio novo que ele havia comprado dos meninos por dostões. Eram dois irmãos: o Jurandir e o Chico. Eles eram mestres em muitas coisas como fazer papagaios e soltá-los, soltar fogos nos dias de festa da Igreja, fazer carrinhos de madeira e carrinhos de rolimã. Os papagaios vinham completos: a carretilha, uma gerinconça feita de madeira que suportava um carretel grande de linha zero, vazio e uma manivela que fazia com que o carretel girasse por meio de um eixo de arame; a linha a gente comprava e ajudava a passar o pó de vidro com cola, se quisesse usar o cerol. Quando ficou pronto o seu, Jorginho atendeu ao pedido do Jurandir: - Assobia Jorginho, assobia forte! Certa noite, durante uma novena de São José, após uma tarde inteira soltando papagaios os dois irmãos começam a soltar foguetes de um tiro comprados no bar do TH. Depois de ter soltado uma meia dúzia o Chico foi soltar o seu último. Sùbitamente ouviu-se aquele papôco danado e quando os meninos olharam para o lado dele o Chico estava com a mão levantada pingando sangue. Foram ver e viram o Chico sem o dedão da mão esquerda.

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Sunday, March 11, 2007

HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 17

Pedrinha de açúcar

Um cafezinho, assim pelas três horas da tarde, era uma coisa que ninguém admitia faltasse em casa. Certo dia Jorge estava lendo sossegado quando Benedita o chama para tomar seu cafezinho. Ele senta-se à mesa, absorto, e põe o café na xícara adicionando duas colherinhas de açúcar cristalino. Passa um longo tempo mexendo, pensando longe. Começa a tomar seu café em pequenos goles. De repente ele sente algo sólido na boca. Acreditando fosse uma pedrinha de açúcar que não dissolvera ele começa a sugá-la para sentir sua dissolução na boca e o gostinho do açúcar. Após uma demora mais que aceitável para que a pedrinha dissolvesse, ele começa a imaginar o que ela seria se não fosse açúcar, o que estava parecendo. Seria um pedacinho de louça da xícara ou uma casquinha de um grão de café que ultrapassara todo o processo de preparação da bebida desde a moagem do grão até a filtração? Intrigado ele trouxe o pequeno grão para a ponta da língua e, pegando com dois dedos, com cuidado para que não caísse, examinou o agora misterioso objeto. Quando o aproximou aos olhos notou que o tal objeto não era nada mais nada menos do que o corpo ou o que restava dele, de uma mosca.
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Sunday, March 04, 2007

HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 16

Companhia da Fraternidade

Todos os domingos eles se reuniam no sitio que fora da família e era ocupado agora somente por sua mãe, já idosa. Eles iam almoçar com ela, saborear um de seus muitos pratos típicos: buchada de bode, de cabrito, panelada, ensopado de miolos, tripas ao molho de alcaparras, feijoada à moda, rabada e o escambáu. Em um domingo chuvoso, reunidos, eles descobriram que estavam todos desempregados. Após muita conversa e muita cerveja eles resolveram botar um restaurante aproveitando os dotes de sua mãe. Obtida a concordância desta os sete irmãos começam uma discussão a respeito do nome da nova casa. Um deles sugeriu: "A cozinha da D. Nenen", já outro: "A toca do sertão", ainda outro sugeriu: "Buchada & Cia". Eles não haviam chegado a um acordo quando sua mãe falou com sua vozinha mansa: - Eu acho que fica bom é assim, "A cantina dos sete irmãos e sua mãe".

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