Friday, September 18, 2009

VISTAS DA GRANJA 110


AQUITEVEAQUIFOIAQUIERA

O progresso chegou à Granja por esse prédio em 1929. Você sabe o que funcionava aí nessa época?


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Thursday, September 17, 2009

O Povo da Malhadinha/O Povo da Granja 90


O COQUEIRO DO ANTONIO JORGE

O compadre Antônio Jorge tinha o maior ciúme dos seus coqueiros.
Muitos dos moleques da vizinhança não respeitavam esse ciúme de tal sorte que subiam nos coqueiros para tirar seus cocos e ele não gostava, ficava zangado por demais. Certa ocasião ele contou o plano que tinha para quando o moleque Ricardo ou outro qualquer tivesse subindo no coqueiro: “-Eu pego meu machado Collin e vou cortando o pé do coqueiro e quando ele começar a vergar e a cair eu digo, acumpanha marvado...”


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Tuesday, September 15, 2009

HISTORIETAS DO MEIO DA SEMANA 100

MUITO DINHEIRO

Senhor,

Esta será, certamente, surpresa para o Senhor. Aceite minhas desculpas antecipadas, pois compreenderá o alcance da mesma. Sou Taofeesi Sicombi, filho do líder maldiano Jones Sicombi, morto em 2008. Ele deixou uma fortuna em muitos lugares na Europa. Após sua morte a família foi proibida de viajar ao exterior e agora o Governo quer confiscar todos esses valores. Alegam que o dinheiro de meu pai - fortuna avaliada em US$ 1 bilhão - é resultado do contrabando de armas. Eu, muito ligado a ele, tenho em meu poder documentos e informações a respeito. Há cerca de cinqüenta milhões de dólares em dinheiro e materiais preciosos. Minha querida mãe é a única pessoa que sabe dessa informação. Antes de ter acesso a esses valores eu tenho de lhe fornecer documentos necessários: a senha para o cofre e autorização do advogado para abri-lo. Eu peço que o Senhor viaje a Amsterdã para receber este dinheiro e transferir pequenas parcelas para sua conta antes que o governo tenha idéia de onde eles estão. Meu pai era um rebelde e a razão pela qual estou fazendo isso é porque se tornará difícil para o governo maldiano associar o dinheiro de meu pai a uma conta de alguém que não é nosso parente. Pretendo comunicar-me com o Senhor via Internet e telefone, mas meu acesso a essas facilidades é muito restrito, atualmente. Além do mais, o clima político no país neste momento, é instável. Após ter recebido a senha e a informação sobre a autorização ao advogado, e quando o Senhor estiver pronto, eu lhe darei as informações necessárias para ter acesso aos 2 kg de ouro AU, 85 g de diamantes e dinheiro vivo (US$ 50 milhões de dólares americanos). O Senhor procederá então para ir à Europa coletar essa fortuna.

Por favor, guarde segredo sobre esta transação.
Aguardo sua resposta.
Sinceramente
Taofeesi Sicombi


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COBRA COM PERNA


Chinesa leva susto ao encontrar cobra com uma perna dentro de seu quarto

Veja esta notícia dada hoje pelo site chinês SCOL.com.cn e reproduzida por muitos outros ao redor do mundo, inclusive o G1: Duan Qiongxiu de 66 anos da cidade chinesa de Suining encontrou em seu quarto uma cobra com uma perna. Ela entregou o animal ao Departamento de Ciências Biológicas da Universidade de Nanchong para estudo.


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Monday, September 14, 2009

HISTÓRIAS DAS TERÇAS 70


PARENTE REITOR

Aproximava-se a época da escolha de um novo Reitor. Como sempre as alianças entre diretores e promessas de cargos dominavam as démarches entre os diversos grupos. Um dos diretores tinha, aparentemente, grande chance. Sua esposa dizia, entretanto, que dificilmente seu marido, parente próximo do Governador, seria Reitor, pois seria demais que as duas maiores autoridades do Estado fossem parentes!

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Sunday, September 13, 2009

HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 141


ESQUECIMENTO

Metade dos colegas dizia que eles tinham um caso e a outra metade tinha certeza. Certa vez Ricardo teve de agir com energia para estancar um boato mais picante. O fato é que nunca chegaram a trocar sequer um beijo. Após meses de assédio, tendo ele se submetido a todos os caprichos dela, surgiu o esperado momento. Combinam que ela iria visitá-lo em seu apartamento. Ele marcou para as três horas da tarde. Quando, às dez da noite ela não apareceu, ele procurou-a entre os amigos:

- É, esqueci.


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Saturday, September 12, 2009

CONTOS DA RIBEIRA 8


A CASINHA

Comprar peixe na Prainha era algo que ele fazia com prazer, gostava muito e nessa manhã tomou seu carro e saiu para lá. Era por atitudes como essa que se dizia ser ele rico, imaginem viajar cinqüenta quilômetros só para comprar peixe... Mas ele tinha outras razões, pois além de comprar peixe ele queria ver a praia, sentar em um daqueles bancos da Beira Mar, só para espairecer, pois estava com a cabeça em burburinho – será que era a falta do remédio? Ele havia esquecido o frasco de Tropital em casa, na capital e, pior, não tinha receita para comprar um novo vidro na Prainha, mesmo se o encontrasse em alguma farmácia. (...)


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Ele tinha alguns motivos para querer sair da Várzea. Ele queria esquecer do caso daquela senhora que o incomodava na Capital e que lhe telefonava quase todos os dias. Ainda agora, ontem mesmo, ela havia ligado para contar que o marido, um engenheiro de certo renome, havia jogado o carro com todos, inclusive ela, num barranco da estrada quando iam para Beberibe. Ela pedia socorro a ele, pois achava que o Otávio pretendia deixá-la e ela não queria que isso acontecesse. Ele se perguntava o que ele tinha a ver com essa história. Havia outro motivo também: ele estava cansado de esperar pela Dama e decidiu, então que precisava pensar mais nesse caso. Foi para a Prainha e nem comprou peixe, mas almoçou uma peixada, regada a cerveja no restaurante do João da Mata e depois ficou rodando sozinho na cidade sem destino. Ele não tirava o pensamento da menina – quantos anos ela tinha mesmo? Tão criança e já trabalhava; tinha sido assim com ele no começo de sua vida. Aliás, tinha de ser assim com quem queria ser alguém na vida. Só que no seu caso ele havia trabalhado em um Armazém de gêneros de seu Tio desde os quinze anos. O velho explorava crianças carentes. Ele não podia ser classificado como tal, mas que precisava do emprego era certo. O armazém não era exatamente de seu Tio, ele era somente o gerente. Como era costume, antigamente, as pessoas precisavam ter um parente com certa influência para conseguir uma colocação, um emprego. Esse seu parente por sua vez, quando mais jovem, tinha sido colocado por um parente distante, mas bondoso, quase dono do Armazém. O que é certo é que ele começou a ganhar algum dinheirinho sendo sua função atender a freguesia no balcão e por isso os colegas do colégio o apelidaram de “O Bodegueiro”. O negócio era pequeno, uma bodega para os invejosos como os colegas e sua madrinha, a que ficou na Várzea, mas tinha muitos clientes e de toda versidade. Tinha um capitalista, só podia ser um, pois trajava branco, – linho S120 brilhoso -, fumava charutos cubanos caros, de antes da era Castro, e usava um chapéu Panamá quando ninguém mais os usava. O Sr. Santino chegou a dono de banco, e foi então que eles se entenderam melhor. Apesar de sua fama de mulherengo, ele não era do tipo que a maioria das pessoas chama de “velho enxerido”, mas não saia da “Oitenta” e tinha um cheiro de velho que mal disfarçava com porções fartas de “Leite de Colônia do Dr. Studart”... Certo dia o Sr. Santino o chamou para trabalhar com ele no seu Banco, instalado em um prédio acanhado na Praça dos Leões, ao lado da Igreja do Rosário. “O Bancário” só não chegou a ser gerente porque pediu as contas ao fim de cinco anos de trabalho, pois resolveu estudar seriamente, queria ser alguém na vida, talvez um cientista, se tudo desse certo. Como o seu dinheiro era curto para isso, ele teve de pedir ajuda ao pai que passava por rico, mas não era só alguns da família sabiam e ele não era desses; o velho fazia tudo o que seu único filho queria. Ele guardava boa parte do salário do Banco como economia para o futuro, mas estas mal deram para sapatos decentes, quando precisou. Conseguiu convencer o velho e no final seu Pai o enviou para São Paulo onde estudou por muitos anos, formou-se, fez concurso para a USP – ele era Físico. Ninguém na Várzea sabia o que era isso, ou melhor, o que ele fazia, melhor ainda se ele existia. O casamento do “Físico” – há muito tempo que não o chamavam de “Bodegueiro” ou “Bancário”- com uma jovem paulistana resultou de sua amizade com seu professor e orientador Dr. Manuel Vargas, um verdadeiro polígrafo, reconhecido internacionalmente. Ele casou com a filha do Dr. Vargas e o casal teve dois filhos criados pela esposa, neta de suíços, por parte da mãe. No âmbito familiar ele só cumpria suas obrigações matrimoniais e olhem lá! Ele só se preocupava em cuidar de sua profissão: pesquisa e aula, aula e pesquisa. Era sócio de muitas sociedades de Física e foi eleito para diversas academias e recebeu láureas importantes... Passaram-se os anos, ele aposentou-se e não quis mais trabalhar na Universidade ou mesmo em Física, a princípio muito querida; exercer sua profissão começou a entediar-lhe como um prenúncio de coisa pior. Daí encasquetou de abandonar tudo, família, profissão e voltar para sua terra, mas para fazer o que? O resultado de muito pensar e de causar muito desgosto em casa e no trabalho, foi sua associação com um amigo de infância em uma iniciativa para cuidar de crianças abandonadas da Várzea, ora ele que nunca cuidou de seus próprios filhos! “O varzeano de amanhã”, era esse o nome da instituição que não tinha registro, nem CPF, nem CNPJ, e funcionava em uma sala acanhada na antiga casa dos pais desse seu amigo e da qual ele era o chefe. A instituição, pois era uma verdadeira na cidade, tornou-se popular e era conhecida como OVA. De qualquer modo os dois amigos, no começo da nova atividade, tinham muito dinheiro para tocar a OVA; muito desse dinheiro era de doações de seus dois filhos que moravam nos Estados Unidos, professores de universidades importantes, acho que de Yale ou do MIT. Agora, entretanto, estava tudo despencando, pois ele vez por outra adoecia de uma doença que era como que uma praga na sua família. Seu pai, seu avô, seu bisavô e até o padre judeu novo que deu início à família, todos foram afetados por ela. Todos esses aí morreram da tal doença, dela não, mas de fome, pois não comiam. Era por isso que ele gostava e se obrigava a comer. Todos diziam que não tinha nada a ver uma coisa com a outra, mas o resultado é que ele sempre tinha sobrepeso, era gordinho. Fazia regime, mas não adiantava muito. Ele adorava comidas que engordavam, mas havia duas coisas que ele sabia que não engordavam muito e ele gostava demais era peixe do mar, e só do mar, e chocolate amargo. Andava com os bolsos cheios de chocolate amargo, mas caro e viajar cinquenta quilômetros só para comer peixe... Após almoçar no restaurante do João da Mata, um caboclo ex-pescador que, junto com sua velha índia tinham aberto este restaurante na beira da praia, muito frequentado pelo povo de dinheiro da Prainha e das outras cidades da redondeza, como a Várzea. Dona Mundica fazia um peixe com molho de camarão que era um manjar dos deuses; tinha umas entradas de caranguejo que eram de arrepiar os nervos (Será que os nervos arrepiam?). A refeição tinha que ser regada a cerveja, pois eles não tinham vinho branco, - um costume de São Paulo - que ele preferia. Depois do almoço e de ter tomado um licorzinho de genipapo, gentileza de Dona Mundica, tomou o carro e saiu rodando sozinho pela cidade, sem destino. Seus pensamentos voavam, mas sempre a Dama era uma protagonista das tragédias e comédias que passavam em seu cérebro amalucado, talvez nessa altura já cheio de cavidades germânicas. Após ter rodado por um bom tempo subitamente deu-lhe a idéia de comprar uma casa na Prainha. Ele pensou em uma casinha de pescador, bem simples, de preferência à beira mar. “O Chefe” mesmo quando era “O Físico” sempre pensou em ter uma espécie de refúgio onde pudesse se isolar. Viver na Várzea era muito difícil, mesmo nos fins de semana quando a sede da OVA não abria, pois muitas pessoas os procuravam pedindo favores que nunca se negava a atender. Morando na Prainha ele esperava que tivesse um pouco mais de tranqüilidade. Quando passou perto de um enorme cajueiro em uma pracinha ele viu um grupo de pessoas conversando e resolve perguntar se sabem de alguém que tivesse, por acaso, uma casinha para vender. Logo um dos três rapazes que estão conversando diz que sabe sim quem tem uma casinha na Rua da Praia e pode vender. É sua mãe, o rapaz diz e pergunta se ele quer conhecer a casa ou casinha que ele não quer iludir o forasteiro. “O Chefe” diz que sim que quer conhecer e abre a porta do carro para o rapaz. Seguem até a Rua da Praia e o rapaz indica onde ele deve parar. Estaciona em frente a uma casinha branca com uma porta e duas janelas pintadas de azul, bem simpática, à sua vista. O rapaz desce e logo abre a porta da casinha e permite a entrada dele. A tal casinha está quase caindo aos pedaços por dentro e ele avalia que vai ser preciso um grande serviço até pô-la em condições de alguém morar. A família que morara ali até há poucas semanas havia deixado alguns móveis como uma cama e o estrado de palha, mesa e quatro cadeiras e um armário; havia também um pote de barro ainda com água que ele provou para ver se estava fria com um caneco de flandres deixado ao lado sobre o banco dos potes. Perguntou quanto os vendedores, se não era ele mesmo, queriam pela casa. O rapaz disse logo: - Nós estamos pedindo vinte e cinco mil. Ele fez uma proposta mais baixa e, após uma negociação bem rápida chegaram ao valor de dezenove mil reais. Ele puxou do talão de cheques e, com sua caligrafia vacilante, preencheu um com o valor acertado e passou ao moço dizendo que viesse no outro dia para irem juntos ao cartório finalizar a transação. Decidiu que dormiria essa primeira noite na casinha para experimentar seu novo domicílio. O rapaz olhou meio desconfiado, mas saiu correndo para o Banco para depositar o cheque antes de qualquer surpresa vinda desse sujeito muito estranho. Como já era tarde ele resolveu se estirar sobre o colchão imundo que cobria a cama de molas à sua espera ali, encostada à parede do quarto. Antes de deitar-se encheu o copo com água e o colocou ao lado, pois tinha necessidade de se resguardar de algum incêndio que pudesse ocorrer enquanto estivesse dormindo ou mesmo matar a sede durante a noite. Esses talvez não fossem problemas, mas a presença de baratas e ratos foi-lhe assegurada logo que a porta que dava para o quintal e a da frente foram fechadas. O ruim mesmo é que não havia energia e por consequência luz elétrica, mas ele acendeu uma vela das grandes para queimar a noite toda, pois não queria ficar no escuro. “O Chefe” demorou muito a conciliar o sono, o que era quase normal nos últimos anos. No meio da noite acordou inquieto e viu a casa invadida por uma luminosidade que ofuscava a luz da vela ao lado da cama. Ele esfregou os olhos e viu então, de cócoras ao lado, um homem idoso ou que parecia ser. Ele tinha o cabelo grisalho, bem comprido, amarrado atrás em um rabo-de-cavalo, estava vestido em uma roupa larga de chita listrada, mas desbotada pelo uso e fumando um pequeno cachimbo que exalava um cheiro suave e embriagador de ervas orientais. A sombra de sua figura na parede era bem maior do que seu corpo e tudo isso aumentava no “Chefe” a sensação de insegurança, pois era como se existissem duas pessoas a mais no quarto. O velho mirava o chão no espaço onde ficava a vela, não permitindo que se distinguissem bem suas feições. Só quando fazia um movimento pendular, balançando a cabeça durante a conversa, talvez para enfatizar algum ponto, ele conseguia ver suas feições. Ele relutantemente aceitou aquelas visões e foi estimulado por sua forte presença. E daí passou a encarar a figura. Esta lhe disse, então, que ele deveria conhecê-lo, pelo menos de fotografias antigas guardadas na casa de seus parentes da Várzea. E que ele estava ali para ajudá-lo na situação em que se achava. “O Chefe” quis saber que situação era essa à qual ele se referia e como ele havia tomado conhecimento e como poderia ajudá-lo se acaso houvesse tal situação. O velho começou então a desfiar uma porção de “histórias” fantásticas, e outras com algum fundo de verdade. Seu discurso, sem muita solenidade e de retórica simples, era de um modo geral convincente: - Todo mundo acredita que você e os seus parentes têm a mania de ficar doente de uma doença antiga que vem matando vocês desde os tempos antigos. Vocês dizem que ela tem por causa uma sensibilidade muito grande e que pode também resultar de amores não correspondidos. Nós – e não queira saber quem sejamos “Nós” – acreditamos que a segunda parte seja correta, pois sabemos que você se sente atraído por mocinhas jovens e isso parece aumentar seus problemas, inclusive os sinais dessa doença. Temos certeza que esse comportamento vem desde os tempos em que você era um jovem professor de Física, lá em São Paulo. Não é verdade? - Você parece saber tudo, então porque está perguntando? Ele falou meio espantado com aquela intimidade. - Bom isso é só para nós nos familiarizarmos... É verdade mesmo que eu, “Nós” aliás, sabemos tudo sobre você. No meu caso eu acho até que você pode me chamar de seu anjo da guarda... - Essa é boa! - Mas voltemos: segundo sabemos, desde muito tempo, você aproxima-se de jovens, mas só quando tem certeza que elas são receptivas, lançam para você aqueles olhares venenosos... Você não gosta de levar um não, não é verdade? Aparentemente você cria na sua mente essas condições... Veja bem essa situação de agora: você acredita que essa tal Dama, como você a chama, poderia ter um caso com você! Santa ingenuidade! - É eu acho que você está certo. E porque isso? - Talvez pelo fato de que você só se aproxima quando tem certeza ou quase que a jovem é capaz de torná-lo alegre, feliz. Mesmo que seja só na sua cabeça. Você gosta de ver e ouvir refletido na pessoa tudo que diz como se ela lhe compreendesse desde os primeiros momentos da relação. Não é verdade? - É sim. Parece mesmo que você me conhece e eu até diria que você tem treinamento psicológico, será? - Não! Coisa nenhuma... Minha experiência vem de outros campos... - Você diz que eu dou preferência nos meus relacionamentos a jovens e sobre as pessoas mais velhas, de minha idade o que acontece? Você, com seu conhecimento do meu eu, deve saber isso. É alguma coisa que me perturba. Ele já entrou na conversa de seu anjo da guarda... - Veja bem, talvez você tenha descoberto bem cedo que as jovens se entusiasmam com seu discurso, sua experiência, seu charme sempre juvenil e a princípio lhe dão atenção. Você gosta, pois parece ser alguma coisa que alimenta sua mente jovem – todos dizem... E acrescente a isso a enorme dose de fantasia que vai por sua mente... Depois, quando elas descobrem que você só tem isso para lhes dar – fantasias - desistem. Veja bem, isso é um sinal da falta de experiência e ao mesmo tempo, não contraditoriamente, é um sinal de bom senso, pois elas não vêm perspectivas em associar-se com você. - Está certo. E eu também nunca vejo. Talvez seja nessa fase que eu comece a me achar um velho enxerido e que tenho o famoso cheiro de velho que afugenta as jovens. - Não sei. Isso é alguma coisa que você decide: como as jovens lhe acham e a partir daí, se quiser, tomar alguma medida. - Tudo bem e com as senhoras de minha idade, o que acontece? - Nesses casos a reação comum parece ser resultado da grande experiência dessas pessoas com objetivos diferentes dos seus: elas querem estabilidade, querem casar... Alguma coisa que você não tem ou não quer dar. - E você acha que eu aceno para situações estáveis no caso das jovens? - Não! Também não. Já falamos a respeito. Nesse aspecto está uma grande variante de seu comportamento com relação a essas pessoas. - Se eu fosse tomar tudo isso ao pé da letra seria algo muito complicado. Mas acredito que haja alguma verdade no que você me diz. - Eu vou voltar para continuarmos essa conversa. - Acho que faltou alguma coisa em suas lições. - Eu sei a que você se refere. As, digamos assim, jovens que têm idade entre esses dois extremos sobre que falamos. - É verdade, você não disse nada sobre elas. - Entre mulheres deste segmento é onde você deveria procurar sua alma gêmea, por razões óbvias. Voltaremos a falar sobre isso. - Está certo, mas tem um pequeno problema. Eu vou deixar esta casa e vou para a Várzea. Vou lhe deixar meu endereço lá... - Ah! Como você é bobinho... Ao ouvir essas palavras “O Chefe” notou que a luminosidade que acompanhava o “seu anjo da guarda” desaparecia e com ela ele próprio. 11/2/09

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Friday, September 11, 2009

POEMAS BARRETO/XAVIER 88


Lívio Barreto é o autor deste poema.


MAGOADA

Corpo de anjo, coração de hiena!
PAULA NEI



Vais desdenhosa e pálida passando
No vitorioso azul da adolescência.
Como uma flor ao sol se estiolando,
Perdendo as cores e perdendo a essência.

Freme teu riso arregaçando a rosa
Do lábio ungido de ironia e dor!
E és sempre a mesma, cândida orgulhosa, -
Olhar de hiena, coração de flor!

E hás de viver assim eternamente
Altiva e fria, irônica, impassível,
Alma d´anjo mimosa e rescendente
Cedo crestada ao sopro do impossível!

Subiste ao céu no teu amor primeiro
D´onde caíste inopinadamente!
E viste frio, ó coração ardente!
Morrer teu sonho branco e feiticeiro!

Tem o triste gemer das casuarinas
O teu sereno olhar, deusa sombri -,
E a luz crepuscular da nostalgia,
E a majestade de um palácio em ruínas!

Granja – 1882


continuação do texto/postagem

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Thursday, September 10, 2009

VISTAS DA GRANJA 109


AQUITEVEAQUIFOIAQUIERA

Na esquina em que Pessoa Anta e João Pessoa ainda hoje conversam encontramos essa casa que substituiu um belo prédio derrubado a bem do progresso (?) Você sabe como ele era conhecido?

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Wednesday, September 09, 2009

O Povo da Malhadinha/O Povo da Granja 89


RAIVA

Certa vez Raimundo Maçambique viajava com sua mulher na garupa. Subitamente o alazão estaca quando uma cabra cruza, aos pinotes, a estrada. O Maçambique cai da sela de mau jeito e sente que quebrou a perna direita. Ele consegue se por de pé e resmunga:

- Já que eu quebrei uma vou quebrar a outra! Com isso pegou uma pedra grande e jogou sobre a perna esquerda até quebrá-la.

(Ver figura em: http://marlondesign.arteblog.com.br/5/)

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Tuesday, September 08, 2009

HISTORIETAS DO MEIO DA SEMANA 99


CUNHÃ, DE ONDE VOCÊS VÊM?

À noitinha as duas amiguinhas caminhavam pelas calçadas desviando-se das cadeiras de balanço ocupadas pelas madames em animadas conversas. Quando chegam em frente à casa da Velha Senhora estacam a um sinal desta:
- Cunhã, de onde vocês vêm? Quem é teu pai, quem é tua mãe?
- Nóis somo fia do Zé Rodrigues...
- Qui é qui tu sabe faze? Perguntou a Velha Senhora a mais bonitinha.
- Eu...
- Tu num sabe de nada, só que sabe é de namorar, de procurar home, caboca! Tu devia te da respeito e ir guia um fogão ou lava ropa no ri!
- Sim Senhora dona. Ta certo...
Enquanto isso o Poeta e o Coronel conversavam na esquina, sem se darem conta do que acontecia a dois passos de onde estavam.


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Sunday, September 06, 2009

HISTÓRIAS DAS TERÇAS 69


DESCOBRINDO A MAZELA

- Madrinha, você sabe que meus créditos estão acabando e eu, eu não, nós não resolvemos este assunto.
- Mas que assunto rapaz?
- Veja, eu vivo me consultando com os mais diferentes médicos, das mais diferentes especialidades. Tudo isso por quê? Será que eu estou mesmo muito doente ou é porque eu quero descobrir alguma mazela que me fará ser levado por Ella?
- Lá se vem a besteira, rapaz...
- Verdade. Eu acho que essa busca por um mal que me leve tem uma explicação...
- E qual é?
- Eu acho que eu queria levar você comigo...
- Não entendo.
- Veja: pode ser que a busca dessa tal mazela definitiva demore tempo suficiente para você se resolver...
- Eu? Ta loco, menino?



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HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 140


PERAMBULAÇÃO

Quando ele a viu, acompanhada de uma amiga, em plena Praça do Mercado às dez horas da noite pensou logo em Melanchta. Ele tinha certeza que Juliete não tinha a menor idéia de quem fosse essa pessoa. Entretanto ela estava agindo exatamente como a bela mulata que passeava pelas páginas alvas da novela. Ela estava perambulando e, certamente, teria sucesso em sua perambulação nessa noite enluarada.

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Saturday, September 05, 2009

CONTOS DA RIBEIRA 7


SEUS 36 DENTES

Sua pele está sempre lustrosa e ela está sempre toda penteadinha, pois o Adroaldo, seu tratador, cuida mesmo muito bem dela; de vez em quando ele, furtivamente, dá-lhe um beijinho na boca, treinando para quando encontrar uma namorada que lhe permita beijá-la, pois ele nunca fez esse carinho com fêmea nenhuma. (...)

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Nessas ocasiões ela mostra os grossos beiços e quase todos os 36 dentes, bem alvos, mas já um pouco desgastados. Adroaldo também se ocupa, nesses momentos, em retirar restos de folhinhas verdes do capim gordura que ela, há pouco mastigara. Quando seu treinador, o Bené, aparece no haras ela começa a relinchar, mas ninguém sabe o que isso significa, mas o fato é que ela, quase sempre, junta suas perninhas finas e tortas e dá-lhe violentos coices. O Bené adora essas demonstrações de amor e ódio, pois sabe que seus coices são exteriorizações de seu amor equino. Ela nunca se deixa montar, se bem que está sendo preparada para ser uma campeã dos prados. Provavelmente, quando aparecer um Cavaleiro Andante, ela permita exteriorizações de carinho mais próximo.

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Friday, September 04, 2009

POEMAS BARRETO/XAVIER 87


Lívio Barreto é o autor deste poema.

PERDÃO

Perdão! Alma de flor mimosa e pura,
Dilacerada pelo sofrimento!
Perdão, meiga e radiosa criatura,
Por tua mágoa, pelo meu tormento.

Perdão! E a minha voz endolorida
Suba como uma prece a ti, perdão!
Num lamento de alcíone perdida
De longes mares pela solidão!

Meiga senhora pálida e mimosa,
Meu verso chora dolorosamente,
Como a queixa sentida de uma rosa
Ao sol que a queima rúbido e fremente.

Meu amor que soluça ajoelha e eleva
Para ti esta súplica: Perdão!
Trenó que passa e vai de treva em treva
Rolar de coração em coração.

- 95 –


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Thursday, September 03, 2009

VISTAS DA GRANJA 108


AQUITEVEAQUIFOIAQUIERA

Esta estrutura, já quase no chão, é fácil de ver. Mas, você a reconhece?

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AQUECIMENTO GLOBAL


O aquecimento global ganhou, nesta semana, um inimigo. Notícia dada na Folha de São Paulo de hoje remete a um Relatório publicado ontem (2set09) pela Royal Society no qual ela pede ao Governo Britânico para financiar um estudo/programa anual a fim de resolver dúvidas sobre o uso de técnicas de geoengenharia. “O termo se refere à manipulação da atmosfera e da superfície da Terra para contrabalançar as emissões de gases do efeito estufa.” Veja a matéria completa na FLSP de hoje.


Este texto está completo. Veja mais na FLSP de hoje.

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Wednesday, September 02, 2009

FIM DA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL


O FIM DA SEGUNDA GUERRA – ASSINATURA DO ARMISTÍCIO COM O JAPÃO

Após seis anos do início na Europa Central (em 1 de setembro de 1939) chega ao fim – oficialmente - a Segunda Guerra Mundial. No dia 2 de setembro de 1945, há 64 anos, o Japão assinou o tratado de rendição incondicional em uma cerimônia a bordo do navio USS Missouri, na Baia de Tókio.

Fonte: Wikipédia a Enciclopédia livre (
veja e leia)


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O Povo da Malhadinha/O Povo da Granja 88


A PONTE

Maçambique foi casar na Granja com "A moça Bela", filha do "home” Joaquim da Cruz. O casamento foi marcado para as sete horas e bem antes disso os noivos seguiram para a cidade com um acompanhamento de mais de cento e cinquenta cavaleiros. Após a cerimônia foram todos até o rio para dar água e lavar os animais e pegar a estrada de volta. Ao chegar ao rio o Maçambique viu A Ponte e não olhou mais pra ninguém, nem pra a noiva: só tinha olhos para a ponte; todos procuravam falar com ele e nada, pois não respondia a ninguém, nem à noiva. Após ter apeado do cavalo o deixou de lado, sempre de olho na ponte. Quando todos terminaram de lavar os cavalos e os selar chamaram o Maçambique para ir embora, pois o banquete iria começar. Nem selar seu animal ele selou, alguém o fez por ele, e ele não quis levar a noiva na garupa, ela foi com outro. Quando chegaram a casa o banquete "tava o maior do mundo", era convidado pra todo lado, música a toda altura - uma festança só. Foi aí que o Maçambique, o noivo, falou bem alto: - Agora todo mundo fique aí que eu vou voltar, só venho quando eu medir aquela ponte pra saber quantos palmos ela tem de largura!

(Adaptação de um relato feito por Napoleão Saldanha)


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Tuesday, September 01, 2009

HISTORIETAS DO MEIO DA SEMANA 98


AUGÚRIO

Enormes pássaros. Alguns eram pretos, outros, de cores vivas. Evoluíam sinuosamente no céu claro em grupos de 10 ou 15 e passavam em frente a ele, da direita para a esquerda. Um dos grupos voltou (da esquerda para a direita) e aquele que parecia ser o chefe ou guia ficou parado, bem à sua frente, batendo a ponta da asa, como que acenando para os outros que passavam, despedindo-se. Quando voltou à sua casa soube, pela mulher, que o jogo da Loto que ela havia feito e posto em seu nome, havia sido premiado.


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