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Tuesday, March 18, 2008

O Povo da Malhadinha/O Povo da Granja 45



A Lelé


Maria Nazaré Pereira


Quando começava a viração ela punha, com alguma dificuldade, a cadeira em frente à sua pequena casa de taipa perto da estação, para tomar a fresca. Poucas vezes passei por lá, já bem depois de ter recebido todas as atenções que ela me deu e que eu não valorizei na época. Menino é assim mesmo, eu pensava. Não, não é não, penso agora: como menino, não reconheci ou agradeci o que Lelé fez por mim. Nunca ouvi dela a voz alterada para reclamar algum malfeito de seu afilhado querido. Ela nunca olhava nos meus olhos – ela, uma mulher idosa e eu um pirralho vadio. Ela trazia essa submissão dos tempos antigos, de seus pais e de sua gente, que eu não tinha a menor idéia de quem tivessem sido ou de onde vieram. Tenho desconfiança que em minha casa ninguém sabia também. Certamente ela foi uma das muitas pessoas cujas famílias chegaram à cidade tangidas dos matos pelas secas e ficaram sem ao menos ter um nome completo: Nazaré, a Lelé.

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Tuesday, March 04, 2008

HISTORIETAS DO MEIO DA SEMANA 22

Zezinho, Noélia e Noemezinha

Seu Raimundo e Dona Olinda acordaram cedo e chamaram os meninos. O casal ia para a mata apanhar castanhas para fazer um dinheirinho; era esse o seu ganho. Tomaram café puro, sem leite, sem pão, sem nada; as crianças tomaram um mingau de farinha, nem goma eles tinham. Lá pelas seis horas eles já estavam na mata. Em casa os meninos ficaram brincando; eram o Zezinho, Noélia e Noeme, que era a mais novinha, só tinha um ano; eles haviam se acostumado a brincar sozinhos, era o jeito. Nesse dia os dois mais velhos resolveram explorar o baú que havia sido deixado por uns viajantes estrangeiros que iam para as bandas da Boca do Acre e o apanhariam na volta. Zezinho e Noélia levantaram a tampa do baú e logo pularam pra dentro, para assustar a Noemezinha. Quando eles quiseram sair a tampa não abriu e a caçulinha logo notou que havia alguma coisa diferente e pegou a chorar; só que ninguém ouvia. Ela chorou até se cansar e cair dormindo. Quando Seu Raimundo e Dona Ritinha voltaram de tarde perceberam logo que havia alguma coisa de errado: procuraram por todo lado e deram com o baú; quando levantaram a tampa deram com o Zezinho e a Noélia agarradinhos e roxinhos.
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