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Saturday, November 15, 2008

POEMAS BARRETO/XAVIER 48

"There cometh a dream of the past to me,On the desert sands by the autumn sea."
© This work is the property of the University of North Carolina at Chapel Hill. It may be used freely by individuals for research, teaching and personal use as long as this statement of availability is included in the text.
POEMA POR PAUL HAMILTON HAYNE (1830-1886).
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LÍVIO BARRETO (1870 - 1895)

O SEGREDO DO VENCIDO

Solidão! solidão! Mortalha enorme,
Noite maior em mim que na amplidão,
Que me estrangula o amor no coração,
Que tenta erguer-se e fatalmente dorme!

Polvo negro e brutal que constringe
A alma em seus tentáculos viris,
Só me deixando ver os alcantis
Como através do olhar frio da Esfinge.

És, coração, cheio de amor e mágoas,
Eterno oceano a combater as frágoas
Da dúvida cruel, do tédio amargo!

Fere-te a entranha a tromba do penedo,
Mas da ferida guardas o segredo
E, blasfemando, vais chorar ao largo...

- 92 –

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Friday, October 17, 2008

POEMAS BARRETO/XAVIER 44



RAUL S. XAVIER (1902 – 1985)

ESFÍNGE


Quanto mais tu prometes, mais duvido,
E quanto mais tu negas, mais eu creio;
Até dos teus sorrisos eu receio
Conserves inviolável o sentido.

Nem mesmo num olhar irrefletido
Descerras o mistério que, em teu seio
Esquivando-se, foge ao meu anceio
De comigo também tê-lo escondido.

Se quanto mais seduzes, mais tu finges
É que assim a malícia das esfinges,
Nos teus lábios, disfarça o que não quer;

Acreditando, sempre descrendo...
Demônio... deus... não sei quem me está vendo,
Através dos teus olhos de mulher.

1951
A gravura representa Édipo e a Esfinge (Charles Rickett)

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