Thursday, March 13, 2014

RESOLVIDO O PROBLEMA DAS CHUVAS E DAS SECAS NO PAÍS


No Palácio Imperial D. Pedro II leu no Jornal da Manhã: "Não temos como evitar chuvas. É uma situação com que temos de conviver. O que temos de procurar fazer é melhorar a infraestrutura e até tirar essas pessoas de regiões mais vulneráveis". Aí se virou para o Visconde de Sinimbu e perguntou:
- E no Ceará o que será que eles fizeram com as jóias da minha coroa que eu mandei pra lá? Será que isso ajudou?
Como o Ministro não respondesse o Imperador continuou:

- Agora talvez seja de bom alvitre trocar o Nordeste e o Sudeste de posição, tipo assim, o Nordeste vai para o Sudeste e este vai para o lugar daquele. Talvez isso possa ser resolvido pelo Capanema com sua Geografiazinha. Aí resolveríamos de uma tacada só o problema das chuvas no Sudeste e o problema das secas no Nordeste. 

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Sunday, March 09, 2014

RUI, O CARRASCO – HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 361


Um verdadeiro carrasco, durão, um cara chato, mas mesmo assim muitas jovens trabalhavam em seu escritório. Havia uma em especial com quem ele trocava olhares (...). Certo dia Rui chamou-a e perguntou:
- Dorinha porque você olha tanto para mim? 
- Doutor Rui olhe, eu não sei o que esta acontecendo cum nóis.
Ele a olhou fixamente nos olhos e pediu que continuasse o que estava fazendo; ele daria um jeito.

Grj fev14



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Thursday, March 06, 2014

ELLA ou ELE (ou seria ELLE?)



Caminhando pelo shopping Carlito notou que muitas pessoas olhavam em sua direção e, imediatamente desviavam o olhar. Será que seu olhar era forte ou pesado, talvez de mau agouro? Ou isso tinha a ver com Ella? Ele andava meio cabreiro após ter assistido um filme recente, quando ouviu um dos atores chamar ELLA de ELE (ou seria ELLE?). 

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Monday, March 03, 2014

ÁGUA DA BOA– HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 360


- Ói aí dotô! Cheguemo na Santelena! É engraçado né? Todo canto tem nome. Vamo pará ali naquele café.  Lá parece que é uma negoceira só. Ali no “Café dos doisirmão”.
- Qual?
- Aquele qui tem um carro pipe na frente. Possa sê qui tem água dá boa.
- E da pra tomar banho?
- Não, é só pra usar nas casa.

- Vamos la então. 

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Thursday, February 27, 2014

HISTÓRIAS DE JORGE RAPOSO 10 - PROCISSÃO DE SÃO JOSÉ



À tardinha vai ter procissão de São José. Era sempre uma procissão grande, não acabava nunca. Quando chegaram a Praça começou a chover. Sabiam que a Flora e a Madrinha estavam na casa da Censa, à espera do cortejo. A Mãe bateu à porta, alguém abriu e ela entrou. Constrangido, ficou esperando. Passado algum tempo, impaciente, bateu palmas e uma mulata velha, desgrenhada e desdentada atendeu, era a Madrinha que sorriu para ele dizendo que a Mãe estava lá e logo sairia. Ela saiu e ele apoiou-se na parede, caindo, quase derrubando um pedaço desta. Como num sonho sentou-se no chão e começou a chorar com remorso de nunca ter olhado pela Flora e pela Madrinha. A procissão chega e eles a acompanham novamente até a igreja onde ele vai tentar... Tentar o quê?

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Monday, February 24, 2014

SONHOS E PESADELOS- HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 359


Sonhos mostrando sucessos impossíveis de acontecer ou obter Claudino tinha sempre. Sonhava noite e dia. Durante a noite sua especialidade eram aqueles violentos que envolviam brigas, tiros e pancadarias, como aquele em que ele era xerife e se defendia do bandido a quem perseguia. Tentava escapar rolando por baixo das carroças e terminava caindo da cama. Nisso ele chamava atenção das pessoas da casa. Tudo voltava ao normal até o dia raiar. Quando, à tardinha, saia para seus passeios na cidade e às noites pelos bares Claudino tinha outro tipo de sonho. Estes eram sofisticados. Geralmente sonhava com garotas de antigamente ou de conhecimento recente. Eram episódios de via única nos quais a garota lançava uma centelha de interesse, mas logo depois retirava os avanços. Em sua mente, entretanto, restava alguma esperança. Ele ficava por dias e meses seguidos remoendo diálogos solitários tentando levar os fatos a uma solução. Normalmente esta lhe era sugerida por algo como descobrir que a inspiradora de seu sonho era comprometida ou jovem demais e só desejava ser gentil. Tudo parecia terminar aí, mas logo seus sonhos recomeçavam.



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Thursday, February 20, 2014

A BERAMAR


Era provável  que não fosse ela debruçada na janela da casa perdida na caatinga. Não era provável, mas a jovem parecia com sua amiga de muitos anos. Ela havia desaparecido de sua mente. Isso já fazia tempo e ele nunca a procurou, ao contrário, tinha querido afastar-se dela o mais possível. Mas, agora lá estava aquela figura a lhe olhar com olhos enormes, mais do que normais. Ele pede ao motorista para se aproximar. Quando chega perto ele tem certeza que é a dita cuja, pois ao responder-lhe às boas tardes ela fala:

- Oi Seu Acaço o senhor ainda anda na Beramar?


FZA (28/3/12)

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Monday, February 17, 2014

IDA AO MERCADO - HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 358



No taxi para o hotel ele admirou-se da cidade: ruas cobertas com argila vermelha e fina, muitas casas com cobertura de palha. Passou por casarões abandonados logo chegando diante de um enorme portão que se abriu por encanto. Foi recebido por um atendente nativo vestido de vermelho, amarelo e verde. Tinha chegado ao Five Stars Hotel onde aconteceria o Congresso. Registrou-se e saiu para o Great Market. Lá se vendia de tudo – desde feijão novo, queijo de gazela, vestidos de seda francesa, paletós de casimira inglesa, sapatos italianos, jóias de ouro, prata, âmbar e brilhantes, bicicletas e automóveis. No rápido passeio não viu produtos para higiene pessoal, a não ser uns galhinhos secos e muito jornal velho. Tomou de volta um taxi cujo chofer, um negro simpático era fascinado por Nova Iorque e tinha planos de conhecer Cocacapana. Ao chegarem ao English Quarter pararam em um sinal vermelho. Logo saltou à frente um vendedor de bugigangas oferecendo rolos de papel higiênico, macio, por um dólar cada. 

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CURIOSIDADE ORIENTAL


O Poeta veio de longe só para fazer a divulgação de seu livro sobre a China, visitada por ele recentemente. Em entrevista a televisão local a repórter, conhecida como de muito bom nível, fez-lhe algumas perguntas. Ela começou com estas duas:
-“Cuma” é a China? e “Cuma” vivem os chineses?

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Monday, February 10, 2014

A PISTOLA DO BENJAMIM – HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 357


O restaurante estava cheio e foi difícil estacionar. Havia uma vaga apertada entre duas HighLuxes pretas. Desceram e logo fizeram o pedido. Após se deliciarem com a galinha e depois, com a sobremesa, eles pedem a conta, pois era preciso voltar logo. Quando chegam ao carro João vê uma Discovery cinza estacionada atrás de seu Uno. Ele reclama, fala alto, e xinga o responsável. Subitamente aparece o moço: uma lapa de homem, com os bíceps e todos os outros ceps aparecendo e com vontade de brigar. João tenta disfarçar, mas o moço está bravo e o destrata e tenta agredi-lo. João abre o porta-luvas, puxa uma arma e aponta pra ele. O que aconteceu ninguém lembra direito. O certo é que João estava caído com a cara quebrada e empunhando a pistola preta de brinquedo do Benjamim. 

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Thursday, January 30, 2014

O GIZ DA PROFESSORA


O moço era estudante e professor ao mesmo tempo, pois era aluno de Biologia e professor em cursinhos. Certa vez, assistindo aula de Biologia Molecular, quando a Professora terminou de falar encerrando a aula, ele ergue a voz e diz:

 - Um momento Professora! Não largue o giz, pois a senhora ainda vai ter de me responder a uma questão e vai precisar dele! 

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Sunday, January 26, 2014

ELE SE CHAMAVA GOUVINDIJIE – HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 356


- Como é seu nome?
- Ah! É muito feio...
- Não existe nome feio. Deixa eu te contar. Um amigo meu tinha o nome de Gouvindijie. Não era de Souza ou Pereira. Gouvindijie só. Um dia ele foi se casar em Sobral.
No cartório o tabelião perguntou à noiva:
- O seu nome?
- Maria de Fátima de Souza.
- E o seu?
- Gouvindijie.
- Gouvindijie de quê?
- Gouvindijie. Só.
- Não pode. E o sobrenome?
- Não tenho...
- Tá bom. Então não caso vocês. Podem ir embora.
- Pois é, se um nome desses é feio, o seu não pode ser tão feio assim. Enfim, qual é o seu nome?

- Deusalina...


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Thursday, January 23, 2014

A SÊCA É FOGO


Olharam pra várzea e só viram secura. Os matos feito cinza e os gados com a ossada de fora, caindo de sede e de fome. Conversaram.  O resultado foi que a Velha jogou os meninos no carro de boi e foi pra Cidade procurar o filho homem. Talvez ele desse esperança, além de um pouco de comer e de beber. O Velho ficou na tapera cuidando do gadinho que restou. Depois de mais um mês de sol ele, procurado pelos vizinhos, não mais foi visto. Daí eles também foram embora.

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Monday, January 20, 2014

SONHO NO HOSPITAL– HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 355

        

Era noite alta e eles viajavam pela nova estrada. O Sancho puxava 120 no carro novo. Rômulo, amarrado pelo cinto, cochilava. Ele já se habituara às manias motorísticas do rapaz, não se preocupava. Chegando ao trevo ouve um tremendo ruído; o carro capota até um riacho seco. Rômulo acordou sobre uma maca num corredor de hospital, talvez em Granjeiro. Porque estava a 200 km do trevo de Itaporanga não sabia. Ele espera um tempão, pois viu já ser meio-dia e continuava sem atendimento. Daí apareceu uma senhora de jaleco branco e crachá com o nome: “Dra. Sueños”.
        - Buenos dias amigo. O que siente usted?
        - Nadie. Estoy bien.
        Rômulo achou que logo acordaria, mas voltou a dormir com a injeção que a Dra. Sueños lhe aplicou.



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Monday, January 13, 2014

NO LABORATÓRIO – HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 354


No laboratório Rafael fazia muitas experiências. Misturava dois líquidos, um azulado e outro avermelhado. Essa não dava certo; nada de roxo aparecia. Seu orientador começou a gritar:
- Seu isso, seu aquilo, seu aquilo outro, você não sabe fazer nada de nada, de coisa nenhuma! Estraga tudo! Você nunca vai passar de abestado. Larga tudo isso. Vai embora!
Rafael fica indignado. Larga tudo e tenta agredir o orientador; aos gritos encaminha-se em sua direção e da-lhe  um murro no rosto:

- Você me paga por tudo seu velho gaga! Nesse instante ele, como não conseguiu se equilibrar ao tentar sair da rede funda onde dormia, deu um murro na guarda da cama próxima. Acordou no chão com algumas escoriações.

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Monday, January 06, 2014

A SOLUÇÃO PARA AS SECAS – HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 353



Em discurso para um grande publico a Autoridade diz:

- A seca ta muito grande e nós precisamo ta fazendo alguma coisa pra minorar o sofrimento dos nossos pobres irmãos habitantes dos sertões. Talvez a gente podemo ta transferindo as chuvas que estão caindo no Espírito Santo pro Nordeste. Talvez só um pouco mais de tecnologia – adiante dos carros pipe – esteja resolvendo a situação.

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Monday, December 23, 2013

FORMIGAS, BALÕES E NATAL - HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 352




Certo dia Chiquinho viu formigas e baratas por toda a parte. Bilhões delas. Saiam de fendas abertas em um lajedo lá fora. Depois começou a vê-las em casa, no teto, formando imensos balões coloridos, cheios de formiguinhas e baratinhas. Viu esses balões formando tipo uma árvore de Natal. Era perto da data e a árvore entomológica foi incorporada à decoração natalina da sala.

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Sunday, December 15, 2013

TA TUDO MORTO - HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 351





Assim que o sol se pôs o Velho disse pro Chiquinho:
- Vai lá menino e traz as cabras pro curral. O menino saiu e daí a meia hora voltou sem trazer as cabras.
- Cadê os bicho menino?
- Ta tudo morto Pai. Eu acho que eles foram beber e não tinha mais água no poço...

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Sunday, December 08, 2013

ÁGUA DO POTE - HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 350


Ao chegarem a Solidão eles procuram um lugar pra matar a sede. O calor das duas da tarde era mesmo infernal. Não viram nada que se parecesse com uma bodega. Havia na beira da rua uma casinha e uma senhora na porta espiando a aproximação deles.
- Tem Coca zero?
- Não...
- Tem café?
- Também não...
- Num tem nada pra beber?
- Tem água ali naquele pote.
- Pode dar um copo? O calor ta brabo...
- Só tem uma coisa...
- E o que é?
- É que no pote tem umas piabinhas e eu tenho de coar a água num paninho e ele ta sujo.



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Monday, December 02, 2013

MORRER DE RAIVA DUPLAMENTE - HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 349

   
Era a maior sujeira: lixo derramado, águas servidas paradas, porcas e seus bacurins fuçando as poças, galinhas, cachorros e o mais que havia de animais famintos no bairro. Os moradores tristes observavam a cena formada pelo moço cercado por três cães esquálidos e pulguentos que o atacavam alternadamente. Subitamente um deles dá-lhe uma mordida no calcanhar. Ele ficou muito assustado e saiu quase correndo para o Posto de Saúde, a quase um quilômetro. Com os cachorros em seu encalço ele só pensava em como seu padrinho Zé Ferreira tinha morrido de raiva, duplamente. 

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