Wednesday, November 12, 2008

O Povo da Malhadinha/O Povo da Granja 74



A Festança
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A festança começou com a distribuição, pelo Nosso Guia, de muito uísque Jockei Clube e vinho Sangue de Boi aos homens e mulheres que estavam organizados em filas concêntricas ao seu redor e que, após receber sua ração de bebida continuavam na fila e se dirigiam para a mesa do bufete para pegar salgadinhos às mancheias, como é o costume nessas festanças, ninguém esperou, pois havia salgadinhos volantes para as personalidades mais importantes. Após uma meia hora as pessoas, já desinibidas, começaram a formar grupinhos de 5 -10 para melhor conversarem, e elas comentavam quase unanimemente a toalete dos membros da Primeira Família – ôps quase que se diz Família Imperial – toda ela mandada fazer nos maiores estilistas da capital. Nosso Guia vestia uma guayabera branca do tipo usado em Cuba feita em linho S120 e impecavelmente engomada e a Primeira Dama portava um longo preto brilhante da lavra de Dona Raimundinha que era da Cidade, mas tinha uma butique na capital, o vestido brilhava intensamente devido aos milhares de lantejoulas e lampadinhas chinesas de Natal que acendiam e apagavam em uma produção do Pedrinho o eletricista mais importante da Cidade. Quando todos estavam quase melados o Nosso Guia deu a ordem para o início do jantar, isto é, início da passagem das pessoas pelas mesas com os diversos pratos expostos e postos à disposição dos famélicos. Havia de tudo, desde as saladas de legumes frescos, frutas da estação, arroz brunido e arroz tipo carreteiro e Maria Isabel, feijão de corda com jerimum, feijão preto cheio de carnes, quase uma feijoada, carnes de vitelo ao molho de pimenta, carnes nobres com cortes argentinos, filés em diversos molhos, aves tipo peru de Natal, galinha seca da Palma, capote ao molho de maxixe, carnes de criação, carnes de porco assada na grelha, camarão ao molho de coco, lagosta com creme de mandioquinha, sirigado com manteiga de fines herbes, enfim era uma infinidade de pratos que daria para alimentar um grupo de umas mil pessoas que era o que rodava em seus círculos, agora uma grande espiral, na cobertura do Hotel Des Fleurs na Beira Mar.
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O texto acima é um fragmento do conto “A Festança” e é mostrado aqui como uma homenagem ao amigo Lira Dutra, moço de valor e coragem da Granja cujo blog dá uma idéia de como se pode resistir na velha Macaboqueira . O endereço do seu blog é: http://www.granjaceara.blogspot.com/

1 comment:

Blogue Granja Ceará said...

A narrativa é, literalmente, de dar água na boca, e olha que é apenas um fragmento(aperitivo). Imagine só quando o conto, digo o prato, estiver por completo.

Além da publica homenagem, claro, gostei do feijão de corda com jerimum, maria isabel (se for galinha caipira, num tem pra ninguém!).

Estou curioso para saber sobre a personagem Nosso Guia.