Monday, July 04, 2011

HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 229


O CULUMIM VAI TER SANGUE AZUL

Finalmente Elvislane ia ter um filho. Isso depois de anos de tentativas. Ela tinha certeza de que o culumim teria sangue azul, como um nobre de verdade. Como sua mãe dizia ser uma característica de sua família. Era só esperar para reivindicar direitos ao seu querido marido.


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Wednesday, June 29, 2011

Tuesday, June 28, 2011

AFORISMOS, APOTEGMAS, MÁXIMAS


“Há mais coisas entre o céu e a terra do que sonha nossa vã filosofia.”

William Shakespeare (1564 - 1616)
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Sunday, June 26, 2011

HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 228


ELE QUASE MATA A VELHINHA COM SUA SUV

Passar por Amarituba foi uma prova a que ele se submeteu. Foi ali que ele construira sua vida e ficara rico com a venda de coco. Ao cabo de muitos anos ele fora embora. Vendeu todas suas propriedades, comprou um apartamento na Beira mar e passou a caminhar no calçadão. Fez amigos e foi recebido com simpatia por alguns grupos. Passou a tomar uisque puro malte e aprendeu que não precisava tirar o gosto da bebida com limão, como fazia com a velha Serrana que havia sido seu vício. Ao passar por Amarituba, voando em sua Hummer novinha em folha quase atropela a velhinha de cabelos brancos. Não atropelou a velhinha, mas ele próprio foi parar no Hospital da cidade onde chegou a óbito pelas mãos do Dr. Benitim, o novo médico da cidade.


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Saturday, June 25, 2011

Friday, June 24, 2011

HOMENAGEM A JOSÉ XAVIER FILHO NA UENF








Os cientistas Thereza Kipnis (falecida), Wilmar Dias, Lev Okorokov e José Xavier Filho foram homenageados (22 de junho) por seus antigos colegas e colaboradores na Universidade Estadual do Norte Fluminense, em Campos dos Goytacazes (RJ) por suas contribuições no estabelecimento da mesma e pelos avanços da ciência em suas respectivas especialidades.

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Sunday, June 19, 2011

HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 227


BEM ME QUER

Bené encontra uma casa no socavão da serra, abandonada, caindo aos pedaços, suja, imunda. Entra e se depara com salas e quartos em abandono completo. Um dos quartos, cuja porta está encimada por uma placa, tem um frontão, com os dizeres “Bem me quer”. É um quarto de criança com uma penteadeira/aparador, com um espelho grande, vertical, todo enferrujado. Ao aproximar-se do mesmo ele vê a imagem de uma menina – é quase uma menina – de olhos redondos, grandes, que lhe sorri. Ela logo vira o rosto como que enjoada e sai correndo.


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Thursday, June 16, 2011

Wednesday, June 15, 2011

JANUÁRIO E SEUS DEFEITOS 4


Ele era um caboclo forte como o pai. Mas, quem o conhecesse lembraria logo de sua mãe, uma verdadeira dama, como aquelas cujos retratos apareciam nas revistas estrangeiras. Agora, ele tinha muitos defeitos e algumas qualidades. Dois desses, pois andavam sempre em dupla, eram odiar muito e gostar demais.


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Tuesday, June 14, 2011

AFORISMOS, APOTEGMAS, MÁXIMAS

"Amo as mulheres mas não as admiro."

Charles Chaplin (1889 – 1977)


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Sunday, June 12, 2011

HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 226


UMA CASA PARA RECEBER ELLA

-Ella mandou uma mensagem dizendo que ta chegano.
-Quando? Eu quero saber quando!
-Ora... Eu já chamei o Carió pra fazer os reparo. Ele não demora.
-E daí?
-Ora tu ta ocupando a casa macho!
-Cara essa casa fica do lado do sol. Tu vai torrar lá!
-Mas pelaumenos eu posso dizer que tenho uma casa.
-E praquequituqué uma casa?
-Ella, macho! Ella vem me buscar e eu preciso de um lugar decente, todo meu...


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Wednesday, June 08, 2011

Tuesday, June 07, 2011

AFORISMOS, APOTEGMAS, MÁXIMAS

"Toda pessoa espera por um milagre - de sua mente, de seu corpo, de outras pessoas ou, simplesmente, dos acontecimentos."

Paul Valéry (1871 — 1945)


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O SALTO DE COREAÚ


Veja aonde está chegando um dos antigos distritos de Granja em matéria de ensino fundamental.
(Clique abaixo)

O POVO Online - Ceará - O salto de Coreaú



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Sunday, June 05, 2011

HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 225



“APPARATCHIKI” CURIOSOS



O Presidente da Comissão que visitava o grande pais do oriente contava para um de seus subordinados ter ficado impressionado com a eficiência do “apparatchik” local. Dizia ele que logo após, logo após mesmo, ter falado com um deles a respeito de assunto de interesse de ambos os países, dirigir-se a outro e falar sobre o mesmo assunto, este já sabia de tudo. Ele não notou os fones que levavam a esses a tradução simultânea do que havia conversado anteriormente. Vai ser difícil chegar até lá. Eles são espertos. Esses foram os comentários do Presidente da Comissão.
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ESCRITOS DA RIBEIRA



NO TEMPO DA GUERRA

1

Corria o ano de 36 e o chefe do partido, com todo seu poder, “nomeou” seu jovem amigo para a Câmara dos Deputados. A princípio, o Tio não concordava, não queria ser deputado, mas como devia inúmeros favores ao Chefão, aceitou o posto. Ele era remediado, não tinha muitas posses ou dinheiro, não tinha nem o suficiente para comprar um terno decente para a posse na Assembleia. Mais uma vez o Chefão o ajudou. Certamente, logo seria reembolsado. Ele foi para a Capital deixando a família na cidade com o compromisso, assumido com sua mulher, de voltar pelo menos uma vez ao mês, trazendo dinheiro para pagar os fornecedores. O Tio era um tipo metido a sabido e, agora como deputado e morando na Capital passou a ser um homem muito bem informado. Quando voltava para Imbotirama dominava as rodas de bate papo nos bares e na calçada do Mercado. (...)


A cidade, à beira mar, era um cemitério de idéias. Pouquíssimas pessoas tinham instrução suficiente para se interessar por ler jornais ou livros. Notícias e boatos, no entanto corriam de boca em boca, como nos tempos das cavernas. Entre as poucas pessoas com instrução algumas possuíam receptores de rádio, daqueles “capelinha”, e mantinham-se atualizadas com o mundo lá fora. Pouquíssimas outras tinham acesso aos exemplares do “Jornal da Manhã” que chegavam até lá, três vezes por semana, graças aos trens que ligavam a cidade a Capital. O Seu Tito e o Seu TH, o farmacêutico e o dono do único bar onde se podia tomar uma cerveja gelada, eram dos poucos que recebiam o jornaleco da situação.

2

Imbotirama, um horror de quente, fervilhava com as noticias vindas da Europa com um enorme atraso. Mesmo com os poucos receptores que existiam na cidade e os rádios de galena não dava para compreender o que ocorria no Velho Mundo. Bom mesmo era ler as noticias em jornais velhos do Rio que o Coronel recebia de seus filhos que moravam na Capital. O Tio enviava, de vez em quando, algumas revistas editadas pelo governo cheias de propaganda dos feitos da administração, como sempre foi e será normal. Entre as notícias algumas falavam da Guerra que logo chegaria às portas do Brasil.

Poucas pessoas, geralmente os rapazes mais jovens, empregados nas casas comerciais dos grandes coronéis, disputavam as notícias que apareciam nos bares e nas esquinas. No começo de 40 passou-se a falar em submarinos alemães que aportavam em pequenos ancoradouros naturais nas proximidades da cidade para reabastecimento, especialmente nos arredores do Guriau. Esse reabastecimento era facilitado por simpatizantes nazi-fascistas da região e parecia constar de água doce, carne seca e, admirem-se, de garotas da redondeza! Não que elas embarcassem nos submarinos, mas tomavam parte em festas nas barracas apropriadas e de todos conhecidas. O samba corria solto até altas horas e os louros e jovens soldados alemães sempre arranjavam um jeito de deixar seu DNA na região. Isto, acreditavam, seria de grande valia no futuro próximo, dominado pelo Terceiro Reich.

3

Um dos resultados da atividade política na Europa foi que no nosso país recrudesceram as tendências fascistas dos nossos governantes. O governo federal tomou uma medida muito forte e deu um golpe de estado estabelecendo a censura em toda linha, prendendo desafetos políticos e pessoais e fechando as assembleias em todo o país. Os deputados estaduais tiveram seus mandatos cassados e mandados embora para casa quando não, metidos no xilindró. O Tio perdeu seu posto e, portanto, seus gordos vencimentos. Ele se viu, de uma hora para a outra, desempregado. O que é pior é que seus negócios em Imbotirama estavam muito mal. O gerente Nelson não havia conseguido manter a firma em situação de solvência e o passivo era enorme. O Tio, ao voltar, no fim do ano de 36, teve que montar uma escola para adultos onde ensinava desde as primeiras letras até rudimentos de inglês e francês; ele até teve vontade de formar uma turma de alemão, mas pensou duas vezes e desistiu. O fato é que teve muito sucesso, pois muita gente gostava de suas aulas, principalmente as de História Universal. O dinheiro que ganhava dava para sustentar sua família e a de seu recentemente falecido pai. O Tio tinha um grande problema: era muito namorador e isso fazia suas despesas aumentarem a cada namorada que arranjava. Fazer o quê? Talvez a Guerra trouxesse algum benefício. Ele tinha tomado conhecimento que lá para os lados do Guriau havia bastante movimentação e que muitos dos habitantes locais estavam mostrando sinais de rápido enriquecimento, comprando barcos novos, muitos apetrechos modernos de pesca e, casas também.

4

Logo no início do conflito, quando Alemanha e União Soviética assinaram um pacto de não agressão, os grupos comunistas e fascistas da cidade que já haviam entrado em conflito anteriormente, tentaram ser simpáticos. Sua própria natureza, no entanto, não permitia qualquer tipo de confraternização. Aos membros dos dois grupos, nascidos da simpatia por políticas fascistas, totalitárias e antidemocráticas, mas antagônicas, era muito difícil aceitar qualquer parceria. Eles não estavam em guerra.

Logo no primeiro ano da guerra passou a reinar na cidade um ordenamento que a mantinha em “black out” todas as noites. Até parece que Imbotirama estava em pé de guerra. À noite não se acendia sequer uma vela fora de casa. Estas tinham suas janelas veladas com pano negro logo que escurecia, ordens do Senhor Delegado de Polícia, uma fera na luta contra o nazi-fascismo. A cada dia os boatos só aumentavam na cidade. As pessoas eram acusadas, umas de serem admiradoras e partidárias de Hitler, outras de “Papai Stalin”.

Lá pelo meio do ano de 41 a Alemanha rompeu o tratado nazi-soviético da USSR por tropas nazistas. A reação desses admiradores foi de um enorme espanto.

5

Naquela noite escura como breu, quase toda a tripulação do U-Boat 1505, desembarcou na praia de Guriau. Logo mais eles reabasteceriam. Essa já era a segunda ou terceira vez que eles chegavam até o pequeno ancoradouro natural e a população já recebia os jovens louros com simpatia. Miranice estava na praia quando viu de longe o cabo Hans a quem já considerava namorado. Eles se beijaram e após uma ligeira refeição de peixe frito e cerveja na barraca do Zé Peba, foram para a pensão da Dona Margarida onde ficaram até a uma hora. Nessa hora o cabo Hans teve de voltar para o submarino. Ele tinha um pressentimento de que essa seria a ultima vez que se encontrava com a Miranice e disse para ela. A jovem procurou tranqüiliza-lo dizendo: - Meu fio tudo vai dar certo e você vai voltar para morar comigo. Ele riu, deu-lhe um beijo e foi embora.

No dia seguinte, no mercado de Imbotirama todo mundo sabia que Miranice, a filha do “Manoel Barqueiro”, havia ficado noiva de um soldado louro de olhos azuis e cujo nome e procedência eram um mistério. Mas o que era verdade e já era sabido de todos era que alguns pescadores e bodegueiros da praia do Guriau estavam ganhando muito dinheiro e era dólar americano. O Tio, quando soube desses acontecimentos, quis investigar se poderia se beneficiar dessa riqueza. O pior ou o melhor disso é que ele tinha ouvido falar na historia da Miranice, moça muito bonita do Guriau, sobre quem ele já havia posto os olhos: ela havia ficado com um tripulante.

Quase um mês após essas histórias terem aparecido no Mercado da cidade algumas pessoas leram em jornais da capital a notícia de que um U-Boat fora afundado pelo navio “Almirante Peixoto” da Marinha Brasileira nas proximidades de Guriau. Aparentemente não houve sobreviventes.

6


Numa manhã do fim de junho de 1941 a cidade estava cheia de boatos sobre a invasão da Rússia Soviética pela Alemanha Nazista em total desacordo com o tratado de não agressão assinado antes do inicio da guerra. As notícias eram desencontradas e ninguém ousava dar uma explicação que fosse aceita pelos simpatizantes dos diversos credos: comunistas, nazistas, democratas. Todos estavam atônitos. Pelas manhãs o resultado dessas dúvidas aparecia sob a forma de mais suásticas e foices e martelos pintados nas paredes, como se os partidários de cada lado quisessem ganhar a guerra à custa de maior emporcalhamento da cidade. O Delegado de Polícia com base em informes secretos efetuou algumas prisões. Entre os presos estavam dois moradores do distrito de Solitário que, a custa de muita tortura, confessaram ter pintado suásticas em muros da cidade. As informações de seu serviço secreto indicavam que membros de uma família descendente de italianos era responsável por essas pichações favoráveis às políticas nazistas, mostradas por suásticas pintadas em vermelho nos muros do Grupo Escolar e fachadas de casas abandonadas. A respeito das pichações com o símbolo comunista havia a opinião generalizada de que isso era uma manobra fascista para incriminar algumas pessoas gradas, notoriamente simpatizantes do credo vermelho. Ninguém foi preso. Mas, o Delegado de Polícia mantinha uma relação de pessoas sabidamente simpatizantes das idéias comunistas. A bem da verdade diga-se que esses nomes pertenciam a membros de importantes famílias locais. Parecia ser chic ter simpatia pelo credo comunista. Sabia-se que um filho importante da Cidade foi um dos fundadores do Partido comunista em São Paulo.

7

Quando soube que a Miranice tinha pegado um bucho e que o responsável podia ser um soldado alemão, tripulante de um submarino mais tarde afundado, o Tio mais que depressa procurou a menina lá mesmo no Guriau. Ofereceu à filha do “Manoel Barqueiro” emprego na loja do Cassiano. Ele sabia ser o bodegueiro do Mercado um amigo em quem podia confiar. Em Imbotirama a menina podia até freqüentar suas aulas de leitura e se adiantar um pouco. Quem sabe ela não seria alguma coisa na vida. Quanto ao filho ou filha que nasceria daí a pouco era esperar para ver. Se fosse louro como diziam ser o pai ele teria muito sucesso. Miranice não demorou muito na loja do seu Cassiano, pois logo descansou. O menino era um verdadeiro “alemão”, grande, forte e louro de olhos azuis. Ela pediu ajuda ao Tio que a ajudasse a dar um nome bacana ao menino. Se protetor sugeriu que o menino fosse batizado por Adolfo. Miranice passou a freqüentar as aulas de linguagem e de contas e também ajudava na limpeza e arrumação das cadeiras da sala de aula. A jovem morava na casa de uma prima no bairro do Outeiro aonde o Tio ia de vez em quando visitar o Adolfo que logo foi prometido como seu afilhado. Ele não aprovou a idéia, pois pressentia problemas em casa. Ele já tinha muitos filhos e afilhados, não dava mais para ter um outro, principalmente o filho de uma moça tão nova como a Miranice.

8

Como poderia ser explicado o rompimento do pacto de não agressão assinado há pouco tempo entre União Soviética e Alemanha Nazista? Stalin, o “Pai dos Pobres” e Hitler o Führer, o idealizador do Reich dos Mil Anos, figuras excepcionais, de grande prestígio internacional, haviam idealizado esse tratado para, entre outros objetivos, dar um fim ao Capitalismo Internacional, sonho dos idealistas entusiasmados de todos os paises. Era essa uma das interrogações dos poucos, mas influentes, jovens da cidade já bastante envolvidos nos assuntos da guerra. Era essa questão assunto de todas as rodas. Ninguém se acercava de uma roda de cerveja no bar o TH sem que fosse atraído pela discussão, muitas vezes exacerbada, sobre os fatos passados nos cenários diplomáticos e militares da guerra na Europa.

Essa questão do pacto de não agressão foi muito discutida, mas como ninguém tinha uma explicação para o rompimento entre as duas potências alguém aventou a possibilidade de se pedir ajuda a uma pessoa capacitada para tal. O Joaquim Basto sugeriu o nome do próprio TH, o dono do bar onde eles estavam reunidos. Logo que ouviu seu nome o rapaz avisou não poder participar; pois seu envolvimento com as idéias internacionalista era muito forte e ele certamente não seria uma pessoa indicada para dar uma opinião isenta. O velho Tito que a essa hora já havia fechado a farmácia e ia passando em frente ao bar foi logo dizendo que não se prestaria a isso dado sua ligação com o partido de Plínio Salgado. Foi aí que o jovem Antenor caixeiro em um dos armazéns da cidade e aluno da escola montada pelo Tio, cheio de dúvidas com relação a que partido tomar, resolveu sugerir o nome de seu amigo e professor para explicar o rolo, pois eles todos achavam uma confusão enorme essa história do rompimento entre as duas grandes potências.


9

Após a aula de sexta-feira à noite com o Tio Antenor e alguns amigos mais próximos convidaram o professor para uma cervejinha no TH. O Tio olhou de um lado para o outro para ver se via Miranice, pois ele não deixaria passar a oportunidade para convidá-la para tomar um refresco de maracujá. Infelizmente a bela morena já tinha corrido para casa, certamente para cuidar do Adolfinho. Quando estavam sentados e tendo tomado seu primeiro copo de cerveja Weissbra, - a melhor encontrada no bar do TH -, Antenor fez a pergunta que todos esperavam ele fizesse:

- Querido Professor queremos que você explique pra gente esta coisa do rompimento entre as duas grandes potências e a invasão da Grande Rússia pela Alemanha.

O Tio olhou admirado para os companheiros de mesa e ficou calado a procura de uma resposta. No primeiro momento ele pensou em recusar o convite, mas depois, pensando melhor resolveu aceita-lo. Achou que seria um bom momento para transmitir àqueles jovens preocupados com uma guerra distante sua própria preocupação com a situação mundial e o pouco de informação que tinha. Após ter concordado o líder do grupo, o Antenor, saiu em busca do dono do cinema, único local onde poderia ser reunido um grande número de pessoas, como eles acreditavam. O Chico Pinto foi muito receptivo e cedeu, de graça, o cinema para no dia seguinte o Tio ser ouvido sobre a Guerra Mundial.

10

O cinema estava quase lotado. Tinha gente de todos os cantos da cidade e de todas as classes e condições sociais. Até o Padre Zeferino e a freirinha Maria Alice do Patronato estavam lá. Quando o Tio chegou acompanhado do Antenor e dos demais componentes do grupo que tinham organizado a reunião todo o povo bateu palmas e deram vivas aos jovens. Algumas pessoas notaram a presença da Miranice entre os rapazes. Antenor deu as boas noites e iniciou sua fala que traduzia a preocupação de todo o grupo e ele acreditavam a de todas as pessoas da cidade. Apresentou o seu querido professor como a única pessoa que poderia esclarecer as dúvidas de todos sobre o desenrolar da guerra entre a Alemanha e a Rússia Soviética. Após muitos elogios ao Tio passou-lhe a palavra.

O Tio agradeceu a sugestão de seu nome que, ele próprio julgava não ser merecedor de tamanha honra, mas aceitando a difícil incumbência passou pouco mais de quarenta minutos a descrever a situação antes e depois da invasão da Polônia pelos nazistas. A ocupação dos paises bálticos pela Rússia a repartição da Polônia entre as duas potências tendo e alongado na descrição das políticas expansionistas de nazistas e soviéticos. Após comentar que, tanto a assinatura como o rompimento do tratado de não agressão entre as duas potências ele se deu ao luxo de falar sobre a influência que isso traria para as relações entre o Brasil e os dois paises e a conseqüência para a nossa paz interna.

Ao fim de sua palestra, para a qual não foram permitidas perguntas, o Tio foi aplaudido por muitos minutos e cumprimentado por todos.

O grupo de amigos, liderado por Antenor, dirigiu-se para o bar do TH, onde comemoraram o sucesso do “meeting”. Após sentarem-se e pedir cervejas para todos e longe dos ouvidos do Tio um dos amigos pergunta para Antenor: - Escuta tu entendeste alguma coisa?



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Wednesday, June 01, 2011

Tuesday, May 31, 2011

AFORISMOS, APOTEGMAS, MÁXIMAS



"O sábio teme o céu sereno; em compensação, quando vem a tempestade ele caminha sobre as ondas e desafia o vento."


Confúcio (551 a.C. – 479 a.C.)



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Sunday, May 29, 2011

HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 224


UM BURACO MAL CHEIROSO

Os dois amigos até parece que iam tirar as respectivas mães da forca. Estavam com pressa, pois tinham ouvido notícias alarmantes sobre a cidade. Ao chegarem perto da ponte sobre o Rio viram, ainda na bruma matinal, as torres da velha igreja colonial, totalmente degradada. Logo depois de cruzarem a ponte já carcomida pela ferrugem eles viram a cidade. Antiga como a própria colonização da região. Ricardo e Rogério tiveram uma surpresa, pois toda a cidade, construída sobre uma colina onde ficava a Igreja, agora mergulhava em um enorme buraco onde as ruas e casas e tudo mais se misturavam a um miasma, tremendo mal cheiro que permeava todo o espaço.
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JANUÁRIO 3


JANUÁRIO E OS GONZOS

Havia uma casinha no meio dos matos que ele nunca havia notado. Januário apeou do cavalo, subiu ao alpendre e abriu a porta. Entrou com os gonzos fazendo um barulho de ferrugem. Quando fechou a porta sentiu uma vontade enorme de sair para ouvir os gonzos novamente. Resultado é que não viu sentada em uma cadeira uma jovem exuberante que, certamente, esperava por uma palavra sua. E lá fora o sol cegava seus olhos.

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Friday, May 27, 2011

Tuesday, May 24, 2011

AFORISMOS, APOTEGMAS, MÁXIMAS


"Nem todo problema que um rapaz tenha com sua namorada se deve ao modo capitalista de produção."

Herbert Marcuse (1898 – 1979)


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Sunday, May 22, 2011

HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 223


ESTOU NO ELENCO

Você pergunta sobre meus planos. Meus planos estão terminados. Estou pronto para ir. Só falta ver esse cáuboi, pois eu pertenço ao elenco e não sei ainda como é que o filme termina.
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Friday, May 20, 2011

PREVENDO A CHEGADA D´ELLA

VEJA MATÉRIA VEICULADA HOJE (20/5) NO JORNAL "BOM DIA BRASIL" SOBRE TESTE QUE PREVÊ A VERDADEIRA IDADE BIOLÓGICA DAS PESSOAS PELA ANÁLISE DO TAMANHO DOS TELÔMEROS.



texto chamadacontinuação do texto/postagem
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Thursday, May 19, 2011

VEJA E COMPRE O LIVRO "HISTORIETAS"

O livro "Historietas", de autoria de José Xavier Filho, está à venda no site Calaméo (http://pt.calameo.com/books/000660040ea86110991ed). Você poderá consultar algumas páginas da obra e decidir sua compra. O link é este que está aí abaixo:
























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Wednesday, May 18, 2011

BLOG DO ALON FEUERWERKER

Não posso me furtar a indicar para leitura esse texto do Alon Feuerwerker sobre assunto tão atual como é a questão de promover a escrita errada. Vejam o "Exemplo a imitar":

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Exemplo a imitar (18/05)

Para serem o que são hoje, os chineses precisaram antes livrar-se da herança da Revolução Cultural, que eles mesmos tinham inventado. Talvez devêssemos copiá-los nessa decisão. Os resultados são suficientemente bons para servir de referência

Em qualquer avaliação séria, a comparação do desempenho escolar de estudantes brasileiros e chineses dá um resultado, digamos, comparável ao que seria o placar de um eventual jogo de futebol entre o catalão Barcelona e o pernambucano Íbis.

Antes que me acusem de preconceito, defendo-me argumentando que o Íbis é paradigma de propaganda da própria ruindade. Deve haver algum time da Catalunha que perderia fácil para Santa Cruz, Náutico ou Sport, mas infelizmente não conheço.

Voltando à coluna, a supremacia chinesa sobre nós não chega a espantar, pois aquele país disputa com os Estados Unidos e os melhores centros europeus e japoneses a liderança em formação e educação.

Enquanto isso nós patinamos.

As melhores universidades chinesas já ombreiam em qualidade com as do assim chamado Primeiro Mundo. A ultrapassagem é apenas questão de (pouco) tempo.

As nossas? Vêm muito atrás.

O moderno progresso chinês não brotou espontaneamente. É resultado também de uma ruptura política. A ruptura com a Grande Revolução Cultural Proletária dos anos 60 e 70 do século passado.

Resumir é sempre complicado, mas aquele movimento decorreu de uma luta interna no Partido Comunista, entre o então líder Mao Tse-tung e os adversários “direitistas”. Resumindo, Mao radicalizou a revolução para concentrar poder.

Segundo os conceitos da Revolução Cultural, a luta de classes que penetra todas as esferas da atividade humana se manifesta, em consequência, também no campo da cultura.

E é necessário produzir uma nova cultura, das classes oprimidas, para contrapôr à das classes opressoras. Mas aí surge o problema. O que seria essa tal cultura dos opressores, a cultura a eliminar?

Bem, já que segundo o marxismo a ideologia dominante numa certa formação social é a ideologia da classe dominante, o critério maoísta-reducionista -bem desenhado na Revolução Cultural- deixa sob suspeição todo conhecimento pré-existente.

Não será exagero dizer que hoje a China é o que é porque lá atrás enterrou esse dogmatismo, e bem enterrado. Quando Mao morreu o PC chinês rompeu com o maoísmo, e o entorno mais próximo do ex-líder foi removido das posições de poder.

Tudo para que o país pudesse avançar.

Quem tiver curiosidade deve pesquisar pela trajetória da “Gangue dos Quatro”.

Os resultados da experiência chinesa ajudam a defender por que o Brasil precisa se livrar rapidamente de um certo maoísmo tardio, inclusive no terreno educacional. Para o qual a libertação dos explorados e oprimidos passa não pela superação da ignorância, mas pela revelação da beleza nela contida.

Daí que falar português errado seja bonito, por expressar a condição cultural dos oprimidos, enquanto explicar para a criança pobre que existe o certo e o errado, no falar e no escrever, é preconceito de classe.

Em termos práticos, o resultado é o reforço das diferenças sociais. O culto do pobrismo só atrapalha mesmo é os pobres.

Quem tem dinheiro pode procurar para o filho uma escola particular que ensine bem português, matemática, ciências, história, geografia. Quem não tem e depende da escola pública vê diariamente o filho voltar para casa sabendo o mesmo tanto que sabia quando saiu pela manhã.

O resultado prático do pobrismo é o pobre servir de cobaia no laboratório do relativismo. Claro, pois não consta que os espertos defensores do vale-tudo pedagógico deixem seus próprios filhos, netos ou sobrinhos à mercê.

E assim o suposto impulso revolucionário revela o que é, na essência: o culto da acomodação e da inércia. Ainda que arrogantes. Uma autêntica pedagogia da opressão.

E mascarada da forma mais cruel, com tintas libertárias.

Os chineses, que inventaram essa coisa, decidiram livrar-se dela rapidinho. Talvez devêssemos imitá-los nisso. Os resultados recomendam.

Coluna (Nas entrelinhas) publicada nesta quarta (18) no Correio Braziliense.


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Tuesday, May 17, 2011

AFORISMOS, APOTEGMAS, MÁXIMAS

“Quem não sabe por no gelo seus pensamentos não deve se entregar ao calor da discussão”

F. Nietzsche (1844 - 1900)


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Sunday, May 15, 2011

HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 222

UM SONHO ESTRANHO

Rubinho passou a noite acordado, uma tremenda insônia. Ao deitar pelas onze horas ele pensou que dormiria bem, pois havia recebido um telefonema de uma amiga querida. Qual o quê! Ele ouviu todas as batidas do grande relógio na sala, horas e meias horas. Todas. Lá pelas seis horas resolve levantar. Tomou um banho quente e preparou-se para mais um dia. Sentado à mesa do café lembra o sonho que tivera há pouco: ele montava um cavalo alazão que caminhava a trote lento acompanhando uma marcação circular no curral da fazenda de seu pai. O animal parava de vez em quando diante de uma espécie de estação; eram 12 e entre cada uma delas havia um pequeno marco diante do qual o cavalo balançava a cabeça para um lado e pro outro.

Agora Rubinho não sabe se dormiu ou sonhou. Talvez não tenha acontecido nem uma coisa nem outra.


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Saturday, May 14, 2011

JANUÁRIO 2


JANUÁRIO VAI À PESCA

Pescar com bombas de dinamite era o seu fraco. Assim parecia. No domingo Januário saiu em seu barco pretendendo jogar umas bombas no Poço Fundo, bem no meio do rio. A cada remada com o braço esquerdo ele avançava um pouco e quando passava o remo para o braço direito e puxava a água ele sentia agora que voltava um pouco. Quando deu meio dia ele observou que não havia saído do lugar.


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