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Wednesday, February 18, 2009

HISTÓRIAS DE JORGE RAPOSO 2


Opção

O rio estava a toda largura e rugia com tal intensidade que era ouvido até no Alto do Cemitério. Jorge caminhava tentando afastar-se dele, mas parece que o rio exercia uma descomunal atração em seu espírito de tal sorte que, em pouco tempo, ele chegou a sua margem. Logo fincou os pés na areia úmida e ficou mirando o emaranhado de espuma formado pela queda da água da barragem e que descia em grande velocidade em busca de seu destino. Jorge sabia que o rio era perigoso, não tanto por seu formidável caudal, mas pelo fato de que ele só sabia nadar “de cachorrinho” o que seria morte certa se caísse na água. Quanto mais esses pensamentos racionais ele tinha mais a atração se exercia. Era uma verdadeira luta entre o bom, que era ficar olhando o belo espetáculo e o horror que seria – ele imaginava, não tinha experiência – cair na água e ser arrastado pelas águas barrentas. No primeiro caso ele poderia conservar a lembrança das imagens do rio cheio, mas no segundo ele não teria como livrar-se do seu destino ditado pelo passo errado.

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Friday, September 19, 2008

POEMAS BARRETO/XAVIER 40


LÍVIO BARRETO (1870 - 1895)

NOTURNO


Por estas horas da noite,
Lentas e misteriosas,
Quando dos ventos o açoite
Arranca um frêmito às rosas,

E, pensativas, as almas
Se elevam, calmas, piedosas,
Ao sonho, piedosas, calmas,

Do crisol das fantasias
Sobem átomos risonhos:
As pombas das utopias,
As andorinhas dos sonhos.

Amor! Amor! Se despertas
Doiram-se os cimos medonhos
Das penedias desertas.

Velhos amores murmuram
Dentro do meu coração;
São almas presas, procuram
Ao luar a redenção.

E vão (constância que admiro!)
Do sonho à recordação
E da saudade ao suspiro.

Deus a suprema coragem
Uniu à suprema dor:
Dá-me heroísmo a sua imagem
Mas, mata-me o seu amor.

E a alma de luta em luta
Morre de horror em horror
E de cicuta em cicuta.

Velhos amores! Estrela
Das brumas do meu passado!
Brilha na sombra o olhar d´ela
Tão nobre... mas tão magoado!

Cobrem nuvens a amplidão,
Chora o mar desesperado...
Silêncio, meu coração!

-94-

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