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Thursday, January 01, 2009

O Povo da Malhadinha/O Povo da Granja 80


O saudosista

Raimundo do Espírito Santo - 8

O rio está imundo, pois as pessoas jogam lixo mesmo no que se chama piscinão e, como não abrem as comportas do açude que o alimentam, não há água corrente – resultando uma enorme podridão. O calçamento das ruas está esburacado, pois obras de saneamento não foram concluídas. Praças que existiam antes não existem mais; os passeios foram destruídos, e as árvores cortadas pelo tronco, mostram que o suposto remodelamento dos passeios está suspenso. O prédio da Estação Ferroviária, a cada dia que passa, perde um pouco de sua estrutura. O shopping, supostamente moderno, tomou o lugar do velho casarão do século XIX que, este sim, tinha uma casinha lá fora para as necessidades de todos os dias. A estas observações retruca Raimundo:
- Ah! Como lembro da velha Macaboqueira de antigamente...

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Thursday, May 29, 2008

O Povo da Malhadinha/O Povo da Granja 55


Acorda menino!

O Pai gritava com o Filho que dormia:

- Levanta rapaz! Vai cuidar da vida! O Fulano foi para a Estação bem cedo e encontrou uma bolsa cheia de dinheiro.

O Filho acordando respondeu:

- Vou não porque quem acordou mais cedo foi quem perdeu o dinheiro.

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Tuesday, March 18, 2008

O Povo da Malhadinha/O Povo da Granja 45



A Lelé


Maria Nazaré Pereira


Quando começava a viração ela punha, com alguma dificuldade, a cadeira em frente à sua pequena casa de taipa perto da estação, para tomar a fresca. Poucas vezes passei por lá, já bem depois de ter recebido todas as atenções que ela me deu e que eu não valorizei na época. Menino é assim mesmo, eu pensava. Não, não é não, penso agora: como menino, não reconheci ou agradeci o que Lelé fez por mim. Nunca ouvi dela a voz alterada para reclamar algum malfeito de seu afilhado querido. Ela nunca olhava nos meus olhos – ela, uma mulher idosa e eu um pirralho vadio. Ela trazia essa submissão dos tempos antigos, de seus pais e de sua gente, que eu não tinha a menor idéia de quem tivessem sido ou de onde vieram. Tenho desconfiança que em minha casa ninguém sabia também. Certamente ela foi uma das muitas pessoas cujas famílias chegaram à cidade tangidas dos matos pelas secas e ficaram sem ao menos ter um nome completo: Nazaré, a Lelé.

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Thursday, March 06, 2008

VISTAS DA GRANJA 35 - DOUTOR PRIVAT, O ABANDONO DE HOJE










O povoado talvez nunca tenha sido maior do que o que se depreende das fotos, mas o abandono cruel é visível desde a destruição da pequena estação da RVC, quase a seu lado, até a pobreza atroz de suas moradas. Na Escola não há aulas, pois está em reparos, o Posto de Saúde está fechado, pois está caindo aos pedaços, a água do chafariz é salobra, a Igreja está de pé, mas o padre não vai lá, pois certamente sujará os sapatos no estrume de gado. Os habitantes já estão contando as poucas visitas dos políticos neste ano de eleições municipais. Dr. Privat morreu de uma queda de cavalo, mas hoje não há cavalos, nem burros, nem jumentos, nem motos, só cabras e porcos a procura de comida.

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