Monday, January 10, 2011

HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 205


OS GALOS DO HERALDO


A bodega do Heraldo no Mercado Público atraía muita gente. Ele não vendia merenda, mas tinha um enorme sortimento de bugigangas e também vendia rações para animais. O Heraldo era tipo assim, um filósofo popular. Ele sabe, como todo mundo, que os galos para quem ele vendia rações especiais cantam e logo o dia amanhece. Mas ele tinha uma crença que, jurava ainda poria a prova. O Heraldo dizia que se a gente matasse todos os galos do mundo nunca mais o dia amanheceria. A provar...


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Thursday, January 06, 2011

"A OUTRA PONTA DO FIO": MAIS UM LIVRO DE HILDA GOUVEIA DE OLIVEIRA


A escritora Hilda Gouveia acaba de lançar o romance "A outra ponta do fio" a décima primeira obra de sua autoria. O lançamento aconteceu na Livraria Argumento no Leblon, Rio de Janeiro ontem (5/1). Nossos parabéns à renomada escritora granjense pelo lançamento de mais essa obra.


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Wednesday, January 05, 2011

Tuesday, January 04, 2011

AFORISMOS, APOTEGMAS, MÁXIMAS


“Guerra é Paz. Liberdade é Escravidão. Ignorância é Força”

George Orwell (
1903 – 1950)




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Sunday, January 02, 2011

HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 204

IDÉIAS DE VIRA-LATAS

Quando chegou de Oceania Carlito vinha imbuído daqueles conceitos vira-latas... Com toda certeza ele não seria capaz de duplipensar. Não sei mesmo como o Chefão o nomeou para o Miniamo. Pra fazer o que? Por outro lado poderia ser a preparação para sua vaporização. Vamos esperar para ver.




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Saturday, January 01, 2011

CONTOS NOVOS DA RIBEIRA


O DESAPARECIMENTO DE TROFIM VASEC

O que se passava na Europa era motivo de muita preocupação para Trofim Vasec e sua família. O velho eslavo, depois de ter ficado rico, e ter tido um filho com a herdeira do coronel mais importante da cidade fincou raízes na Ribeira. No entanto, ele sentia saudades da agitação sempre reinante no Velho Continente, onde imperadores e príncipes e presidentes e déspotas em geral eram instalados e depostos do poder com uma frequência que só se via nesta nossa província. Ele resolveu fazer uma viagem à Europa para visitar paises que não conhecia e rever outros onde havia passado parte de sua mocidade errante. (...)

O eslavo aconselhou-se com o seu amigo e consogro Coronel Totonho, homem bem vivido e acostumado a essas viagens. Após muitas conversas e consultas a almanaques e mapas ele preparou um roteiro que incluía paises como a Moldavia, Molvânia, Bulgária, Eslovênia, Rússia e, certamente a Alemanha, França e Itália. Trofim tinha tomado ojeriza pela Inglaterra: não apreciava a pompa ostentada pela família real e por isso havia riscado uma visita a Londres que muito satisfaria seu filho Juca, um apreciador do jeito esnobe de viver dos ingleses. De qualquer maneira Juca acompanharia seus pais e certamente ao lado de sua jovem esposa.

O filho de Trofim era muito namorador, além de gostar de jogar baralho e também de cavalos. Ele possuía um belo exemplar da raça árabe que mantinha no haras de seu amigo Alfredinho, sempre presente nas rodas sociais da capital. Este era sócio no haras de um dos filhos do professor Heraldo Santos famoso por suas diatribes contra o Comendador e seu governo. Até diziam que o Capitão Castro, Subcomandante da Polícia da capital, tinha-o obrigado engolir um jornal onde publicara artigo contra seu chefe e contra ele. Ninguém conseguiu jamais provar o fato, isto é, que o professor Santos havia comido o jornal.

Os dois jovens amigos faziam um bom par, pois gostando de jogar pôquer e de corridas de cavalos eram muito apreciados na sociedade e por isso estavam sempre em evidência nos jornais. Viviam de festas e eram mesmo muito namoradores. Meninas bem jovens os adoravam. Eles as levavam ao haras para passeios a cavalo e as ensinavam a andar de bicicleta, uma nova moda na cidade. Todos iam às festas e partidas no Clube Iracema e brincavam os carnavais sempre em um mesmo grupo.

Alguns meses antes de Trofim ter feito seus planos para uma verdadeira viagem sentimental correu o boato na cidade implicando o jovem Juca em um namoro escandaloso com uma mocinha da sociedade. Ela chamava-se Edilse e era a única filha do temido Capitão Castro um homem altamente atrabiliário. Todos sabiam que, apesar de ser um jovem advogado, Juca era um rabo-de-burro, vivendo sempre a procura de um rabo-de-saia.

Quando Juca começou a aparecer em público com a filha do Capitão Castro, na Praça da Lagoinha, este logo descobriu a marmota e chamou o moço às falas. Após algumas reprimendas e vendo que os dois não se desgrudavam o militar concordou, em termos, com o namoro. Se ele tivesse demorado mais uns dois meses teria tido motivos bem evidentes do passo em falso dado por sua filha, pois, logo, logo a menina apareceu com uma barriguinha que crescia a cada dia. Posta em confissão ela admitiu estar grávida de alguns meses e o pai era mesmo o gostosão Juca Vasec, agora seu namorado por consentimento do pai brabo.

O capitão mandou de imediato fazer os preparativos para o casamento, pois seria impensável que uma filha sua, Capitão Castro, pudesse ter um filho sem ser casada.
Apesar da fama de durão o Capitão tinha de se curvar a certas exigências da vida e como era um homem sem muitos recursos vivia de “achaques” aos homens importantes da capital. Um destes era o próprio Coronel que só não lhe cobrava o que já lhe emprestara devido ao pavor que o Capitão lhe incutia dado o conhecimento de suas ligações com a Casa Bordani, respeitada por seus negócios de importação e exportação.

O casamento realizou-se na Igreja da Praia Grande que servia a mais alta sociedade da capital. O celebrante foi um padre italiano recém chegado e que seria famoso daí a alguns anos por seu envolvimento em histórias muito mal contadas. Mas, até ai nada de mais. Foram tantos os convidados que a igreja ficou superlotada. Eram convidados de honra o Comendador Presidente da Província e todos os seus secretários; membros do alto comércio e das finanças e representantes de potências estrangeiras. Havia alguns convidados amigos da Ribeira. A recepção foi na chácara do Coronel Salgueiro, de longa data sócio do Coronel Totonho que era quem bancava toda a festança.

O jovem casal, pelo fato de Juca ser neto desse coronel passou a gozar de muito prestígio e ser convidado para tudo que era de festa na cidade e, principalmente em Palácio, dada a velha amizade entre o Comendador e seu avô. Isso até a jovem esposa ter sua barriga bem aumentada e ficar evidente que não poderia viajar para a Europa com uma criança recém nascida. O jeito que se deu foi adiar a viagem por alguns meses até que a criança estivesse com o pescoço duro. O bom dessa história do neto de Trofim é que ele nasceu em Palácio, pois o Comendador exigiu que a filha do Capitão Castro, nora do eslavo e ainda por cima esposa do neto de seu amigo Coronel Totonho, tivesse as melhores condições para um parto perfeito. Isto só poderia suceder se a criança nascesse em Palácio. O que é certo é que o menino nasceu como devia: um rapaz forte e bonito. Ele tinha traços eslavos, mas lembrava muito sua ascendência portuguesa e nativa. Daí a alguns meses estava pronto para viajar com sua família para a Europa.

A viagem foi marcada para o mês de abril e todos os preparativos foram feitos para que tudo desse certo. Nosso Trofim alugou um andar inteiro no “Hotel de la Paix”, no Boulevard Saint Étienne, em Paris, onde a comitiva manteria seu ponto de apoio para as viagens pelo continente. Um dos problemas sérios que tiveram de ser resolvidos prendeu-se ao fato que Edilse, a jovem mãe, não era uma boa produtora de leite e em conseqüência do que seu filho era alimentado por amas e muitas vezes com leite de cabras. Agravando a situação e pela premência de tempo não foi possível levar uma ama de leite na viagem. Nem Rosa nem Mundinha, tradicionais amas de leite da Ribeira, que bem poderiam sanar esse problema, estavam em período de amamentação, pois seus novos partos só se dariam daí a três ou quatro meses. Após muita discussão, Trofim e sua esposa, aconselhados por seus consogros, resolveram levar na viagem uma cabra recém parida com a finalidade exclusiva de prover leite para seu neto. A cabra, um animal forte, de boa raça, foi comprada ao Zé Manoel da Redonda e trazida para a capital. Os filhos do dono tinham posto um nome na cabra que foi logo adotado pela família de Trofim: “Bonita”. Ela ficou em Palácio para ir se acostumando com a programação de ordenha que era feita pelo próprio Trofim, homem acostumado a esse mister, pois vinha das lonjuras da Europa pastoril e era mestre nessa arte em sua fazenda no Tanque do Meio. Ele talvez estivesse querendo lembrar de seus tempos de errante pelas lonjuras da Molvânia, Bulgária e Eslovênia antes de visitar novamente esses países.

Chegado o dia do embarque toda a família Vasec, acompanhada por amigos da Ribeira e da Capital, estavam na hora aprazada, na Ponte metálica. A travessia até o navio, o “Maranhão”, foi feita sem nenhum incidente e todos ficaram alojados em três camarotes da primeira classe. “Bonita” foi alojada em uma baia especial no porão provida de suficiente ração para a produção do precioso liquido que iria alimentar o neto de Trofim por toda a viagem. Pela programação da “Compagnie de Bateaux du Brésil” a viagem até o Havre demoraria cerca de 30 dias e, se o tempo fosse bom a família chegaria a Paris no início do verão.

Tudo se passava como planejado, sem surpresas e todos da comitiva estavam alegres e satisfeitos. O neto de Trofim estava bem, pelo menos no que diz respeito ao aproveitamento do leite que a cabra embarcada produzia. O velho eslavo havia estabelecido uma rotina de todos os dias, lá pelas cinco horas da manhã, descer até o porão onde ficava a baia exclusiva para ordenhar a cabra que nunca reclamava, mas já dava sinais de exaustão de sua produção láctea. Trofim preocupava-se com a possibilidade de o animal deixar de produzir e assim prejudicar a alimentação de seu neto. Ele imaginou que se desse à cabra alguma alegria, ou melhor, alguma coisa que ele próprio achasse que seria alegre para ela, o animal continuaria a dar seu precioso leite até o navio chegar ao Havre. Foi assim que ele e a cabra passaram a circular pelo convés do “Maranhão” todos os dias depois da ordenha que se processava, como dito, às cinco horas da manhã. “Bonita” ia amarrada a uma correia de couro presa ao pulso de Trofim, pois certamente ela não poderia andar sozinha sobre o convés.

Esses passeios tornaram-se comuns e todos os passageiros cumprimentavam o velho eslavo e sua dedicação ao animal e, logicamente, ao seu neto. Todos sabiam que “Bonita” havia sido embarcada com a missão única e exclusiva de produzir leite para a criança. A cabra já estava acostumada com os caminhos que tinha de seguir entre as cadeiras de descanso para os passageiros e os cordames que lhes dificultavam a passagem. Tudo corria bem até que certa manhã o animal assustou-se, aparentemente, com a passagem de um enorme vapor que apitou no exato instante em que cruzava com o “Maranhão” já perto do congestionado porto francês. A cabra, lembrando seus ancestrais, deu um pinote e soltando-se da mão de Trofim continua com seu balé de saltos por entre os passageiros já a essa hora tomando banho de sol no convés. O velho eslavo correu-lhe atrás, mas o jovem animal não podia ser alcançado de maneira alguma. Em determinado momento “Bonita” encarou a balaustrada do navio e, pensando talvez estivesse em frente a um muro lá na fazenda de seu antigo patrão pulou para o mar gelado. Trofim não teve dúvidas pulou atrás do animal. Esta foi a última vez que passageiros e tripulantes que presenciavam a cena viram os dois.



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Wednesday, December 29, 2010

Tuesday, December 28, 2010

AFORISMOS, APOTEGMAS, MÁXIMAS

Eu fiz um acordo com o tempo, nem eu fujo dele, nem ele me persegue, um dia a gente se encontra.

Mário Lago (1911 – 2002)


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Monday, December 27, 2010

HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 203


O PASSADO PASSOU

- Será que a gente pode tirar o nome dele? Perguntou o amigo.
- Tirar de onde companheiro?
- Ora, você sabe...
- Mas isso é impossível! Além do que, ele está na Internet, está por toda parte!
- É verdade, mas eu tenho um amigo que sabe mexer com esse negócio e me garante que vai até o Google e retira qualquer coisa!
- Mas tudo isso pra que, camarada?
- É mesmo! Talvez não seja mesmo necessário ir tão longe.



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Monday, December 20, 2010

GRANJA - MERCEARIA E BAR




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AFORISMOS, APOTEGMAS, MÁXIMAS

A guerra contra os privilégios nunca terá fim. Sua próxima grande campanha será a guerra contra os privilégios especiais dos desprivilegiados.

H. L. Mencken (1880 – 1956)




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Sunday, December 19, 2010

HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 202

ELE VAI TIRAR A MÃE DA FORCA.

Sendo o Sócio Gerente da fábrica de ventiladores em Pocinhos Ricardo contratou um advogado famoso para defender sua Mãe, mas não deu; ela foi condenada à forca. O dia da execução foi marcado e já se construía a geringonça. Na manhã do dia ele pegou sua Pajero Preta, novinha em folha e saiu a mais de mil em direção ao local do enforcamento... De longe ele viu o corpo de sua mãe balançando no ar.



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Wednesday, December 15, 2010

Sunday, December 12, 2010

HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 201

O JUMENTO FILÓSOFO

O garoto cochilava, já tarde da noite, no banco da praça, à espera da D-20 que o levaria pra casa, lá no Sítio do Toco. Ele tinha assistido aula do curso de Filosofia dada pelo Professor Telêmaco. O garoto toma um susto e é despertado por um jumento que comia seu caderno de anotações. Ele ficou imaginando a transformação que o jegue sofreria: ele talvez se transformasse num perfeito prefeito.

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Friday, December 10, 2010

CONTOS DA RIBEIRA - 49


CLARIMUNDA DA RIBEIRA

Ele não frequentava a Igreja, nunca estudou no Seminário e nem mesmo foi coroinha, só ia a missas de sétimo dia de velhos conhecidos. Não acreditava em muitas coisas e carregava consigo um grave defeito. Era um eterno apaixonado, muito embora os objetos de suas paixões não tomassem conhecimento delas. Rogério levava assim sua vida que, por sinal, já estava dando sinais de grande desgaste. Aqui e ali ele tinha dúvidas, ou melhor, alguma garota lhe deixava dúvidas se ele ainda não poderia ter sucesso com esses seres estranhos. (...)

Foi num dia de domingo na Beira-rio que, fazendo sua caminhada diária, cruzou com ela. Ainda de longe ele havia notado seu caminhar meio desengonçado, rebolativo e quando cruzaram caminho ela olhou bem dentro de seus olhos; Rogério logo sentiu um incômodo, como se tivesse sido ferroado por uma abelha. A partir dessa ferroada, Clarimunda, pois era esse o nome da garota, não lhe deu mais trégua. Além dos encontros, ou melhor, dos cruzamentos diários na Beira-rio, ela encontrava pretextos vários para ir até a sua bodega para um dedo de prosa e adoração.

Esse ataque continuou por muito tempo até que ele foi completamente enredado na teia, não de abelhas que não as têm, mas numa teia de aranha negra, bem tecida e forte. Por mais que ela lhe satisfizesse em seus mínimos desejos Rogério não conseguia compreender qual o motivo desta tão grande atração que Clarimunda sentia por ele, é lógico, além de seu charme especial. Apesar de não entender as razões da jovem, sendo ela bem mais nova do que ele, Rogério passou a admitir que ela fosse preparar algumas frugais refeições, lavar algumas peças de roupa em sua casa, visto ser um rapaz solteiro e comer fora, costumeiramente.

A amizade entre os dois já ia a bom caminho e Rogério já se achava quase que enfeitiçado pela jovem; aliás, todos os seus amigos e parentes achavam que alguma coisa de sério iria acontecer com os dois. Foi então que Rogério passou a notar um comportamento muito estranho de Clarimunda. Ele notou que todas as sextas-feiras ela só aparecia em sua casa depois das 10 horas da noite. Por mais que ele procurasse a razão para isso não encontrava nada que justificasse o que acontecia. Nessas ocasiões ela levava sempre um potinho com uma ceia especial, geralmente um doce, que preparava para seu namorado.

Rogério queria tirar a limpo qual a razão do comportamento de sua nova amiga. Não que ele se importasse muito, mas é que gostava de tudo muito certinho em sua vida e isso estava-lhe atrapalhando os pensamentos. Ele resolveu investigar o fato começando pela vizinhança de Clarimunda. A menina tinha vindo do interior, de um lugarejo próximo ao Ibuassu; ninguém sabia sobre seus pais. Ela podia até ser uma invenção ou alucinação de Rogério. De qualquer forma ele perguntou a muita gente, com muito vagar a fim de não chamar atenção. Ninguém sabia de coisa alguma, mas todos diziam que ela só falava em seu namorado, que era bonito e delicado e muito dedicado.

Essa procura levou Rogério a descobrir que a casinha em que sua namorada morava dava os fundos para o Cemitério de Santa Eulália. O moço deu um jeito de observar Clarimunda a partir do interior do cemitério. Numa sexta-feira ele foi bem cedo até o cemitério e, dando um agrado para o zelador, conseguiu sua permissão para entrar no campo santo. Ao entrar, escondendo-se por trás de túmulos antigos, ficou a espreita, mirando a parte de trás da casinha de sua namorada. Já estava escuro quando ele foi recompensado e viu a jovem sair pela porta dos fundos de sua casa e entrar para o cemitério através de uma abertura muito estreita que ele só conseguiu ver com muito esforço e porque notou que ela chegava perto da parede do lado externo e logo aparecia do lado interno, assim bem rapidinho. Rogério viu que ela se dirigia para uma parte do cemitério onde estavam sepultadas pessoas importantes, dos tempos antigos da cidade. Ele também observou que Clarimunda levava alguma coisa em suas mãos e, espichando bem o pescoço ele viu que era uma pequena bolsa escura.

Rogério ficou na dúvida se acompanhava Clarimunda em seu périplo e suas ações no cemitério ou se passava através da abertura na parede para sua casa e a examinava. Ele preferiu acompanhá-la com cuidado e ver se descobria o que sua namoradinha fazia nesse lugar não de todo adequado para ela, pensava ele. Rogério viu quando ela chegou a um túmulo antigo e meio que desabando e, ajoelhada, começou a cavar a superfície usando um objeto, talvez uma pazinha de jardim, que retirara da pequena bolsa escura. Não demorou muito e ele ouviu um som de metal sobre madeira e acreditou que a jovem havia atingido alguma estrutura abaixo da superfície. Por sua atitude parecia que ela já havia mexido anteriormente no caixão, pois certamente, era um caixão de que se tratava. Com o coração batendo apressadamente ele não arredou o pé e viu que Clarimunda retirava um pequeno osso enterrado no local e o colocava, juntamente com a pá, na bolsa escura que trazia.

A moça se dirige então, de volta à abertura na parede do cemitério e a atravessa sem dificuldade alguma chegando à sua casa. Rogério deixa passar alguns minutos e vai até o local e tenta passar por essa abertura, mas não consegue, pois ela é estreita demais. Ele não sabe como Clarimunda conseguiu atravessá-la, mas resolve pular o muro e ficar de espreita na porta da cozinha que se encontrava semiaberta.

O que ele viu causou-lhe um grande espanto. Clarimunda pegou o pequeno osso que aparentava estar muito frágil e o reduziu a pó utilizando um almofariz de pedra e um pistilo. Certamente a quantidade de osso que ela trouxera foi suficiente para a preparação que faria, pois Clarimunda adicionou um líquido azulado guardado em uma pequena garrafa de vidro que estava ao lado dos outros ingredientes e apetrechos. Após ter misturado bem o pó de osso com o líquido ela retira um colher de sopa bem cheia com a mistura e adiciona à pequena panela onde alguma coisa estava fervendo sobre o fogão. Após ter mexido bem os ingredientes ela apagou o fogo e verteu a mistura em um potinho tudo por tudo igual aos que ela lhe levava em outras sextas-feiras. Logo, logo Rogério sai apressado e, sem dar boas noites para nenhum dos vizinhos sentados em frente às suas casas vai para a sua.

Sem ter que esperar muito ele pressente a chegada de Clarimunda que, por esse tempo já tem a chave de sua casa. Ela entra e logo lhe diz:

- Boa noite, meu bem! Você está bem?
- Tudo bem...
- Eu trouxe um potinho de doce de caju em massa para você. Acabo de tirar do fogão. Acho que está delicioso. Você quer experimentar logo?

Sem esperar por seu consentimento Clarimunda põe uma boa quantidade de doce em um pratinho e da para Rogério. Ele come o doce sentindo uns pedacinhos que lhe parecem ser fragmentos de castanha de caju.


Texto: Kézia Sena (http://cartaskelus.blogspot.com/2010/07/bastou-um-olhar.html)
Foto: Mariana Neto
Modelo: Camilla Savi



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GRANJA NA TV - CARAVANA VERDES MARES

Vejam abaixo vídeos sobre matérias apresentadas pela TV Verdes Mares em abril de 2010.(Vídeos postados por jordanyxp.)








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Thursday, December 09, 2010

A VACA NÃO SAI DO BREJO

O Senador Demóstenes Torres (DEM) publicou, recentemente, o artigo acima (A vaca não sai do brejo) no "Blog do Ricardo Noblat". No artigo o Senador analisa os resultados publicados no relatório "De olho nas Metas 2010", elaborado pela organização não governamental "Todos pela Educação" que mostra que a inclusão e a qualidade do ensino no País só serão satisfatoriamente fechadas em 2050. Clique no link abaixo para ler o artigo.

Artigo : A vaca não sai do brejo


Globo Online



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GRANJA - SEDE DA PREFEITURA MUNI IP L




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Wednesday, December 08, 2010

Tuesday, December 07, 2010

AFORISMOS, APOTEGMAS, MÁXIMAS




No passado eu não compreendia porque não encontrava respostas às minhas perguntas; hoje não compreendo como podia acreditar que pudesse perguntar. Entretanto, eu não acreditava, perguntava somente.

Franz Kafka (1883 – 1924)





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Sunday, December 05, 2010

HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 200


HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 200


O DOIDO DO CHICO


O Chico da Dona Hortênsia, aquele que morava na Capital e veio embora, só pode ta doido mesmo. Pois não é que ele comprou, por um dinheirão, vinte mil, uma casa na beira da praia, um verdadeiro palácio aos seus olhos e não passou dois anos ele a vendeu, por oito mil, agora uma verdadeira choupana, aos seus mesmos olhos! A mulher que a vendeu era sabida e a que a comprou também; o único burro ou doido era o Chico.



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Carvalho Motta - Capitalista e Governador


Foi lançado ontem (4/12/2010) o livro "Carvalho Motta - Capitalista e Governador" de autoria de José Xavier Filho. O lançamento se deu na sede do Instituto José Xavier em Granja (Ce). O livro trata de aspectos da vida do Coronel Antonio Frederico de Carvalho Motta comerciante e capitalista de Granja e que ascendeu à Presidência do Estado do Ceará em janeiro de 1912.

O livro poderá ser adquirido (por R$ 20,00) em Fortaleza na Livraria Oboé (Center Um) e em Granja na sede do IJX (Rua Pessoa Anta, 564 - Telefone (085) 99501157 e email: institutojosexavier@yahoo.com.br).

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Friday, December 03, 2010

A VIDA AVENTUROSA DE TROFIM VASEC EM DIVERSOS CAPÍTULOS – 20


TALZINHO E O NAMORO DO ZÉ PRETO

Trofim Vasec andava muito desconfiado. Ele tinha quase certeza do namoro de seu amigo Zé Preto com uma das filhas, a mais bonita, do Senhor Cristóvão. Ele não tinha nada assim a ver com o namoro dos dois, mas como gostava muito do amigo ele se preocupava com o andar do caso. O eslavo gostaria de conversar com o amigo, pois como este era casado e tinha muitos filhos, ele ficava imaginando que Dona Candinha sofreria muito se o namoro fosse descoberto. Essa preocupação e essas razões eram o que aparecia para os amigos de Trofim que também desconfiavam. O Zé Preto não estava nem aí. Podia ser descoberto ou não, o fato é que ele estava apaixonado pela menina e, nada importava como sabemos para quem está apaixonado. (...)



O Zé Preto gostava de viver na corda bamba, pois ele sempre estava falando, discursando em solenidades e festas da Igreja e soltava indiretas ao afirmar que tinha um caráter apaixonado e gostava de apreciar o belo e por ai vai. Dona Candinha ouvia essas falas do marido e ficava desconfiada, mas nunca chegou a descobrir coisa alguma. Só o amigo Trofim e uns poucos mais da roda de cerveja e do bilhar do Seu Tiago é que faziam a ligação entre o Zé Preto e a filha mais bonita do Senhor Cristóvão. Mas, como tudo tem um fim o falatório começou e o Zé Preto ficou encalacrado. O pior de tudo é que, por mais que não se quisesse, interesses políticos foram envolvidos. O namorado e apaixonado Zé Preto tinha um ótimo emprego na Coletoria arranjado pelo Coronel Melo com o Governador do Estado. Era evidente que era um emprego político, pois a qualquer hora o Coronel poderia pedir ao Governador que demitisse seu indicado e, certamente, colocasse outro no lugar. Sendo assim o emprego do Zé dependia de seu comportamento segundo a observação de seu padrinho político.

Era sabido e notório que os apaixonados se encontravam na Igreja, por trás da imagem do Santo Padroeiro. Eles tinham dia certo para os encontros e Trofim era um dos que sabiam qual era dia; se quisesse encontrá-los juntos era ir, pelas nove horas da noite à Igreja e subir até o altar mor e procurar atrás do Santo – lá estariam os dois em colóquio amoroso. Foi lá no alto, bem aos pés do Santo que Trofim descobriu que Talzinho estava metido nesse negócio. Ele não sabe como, mas o danado do Talzinho, ou melhor, sua imagem ou o que estava restando dela, apareceu atrás da imagem do Santo Padroeiro; ficou logo evidente a Trofim que Talzinho estava confabulando com Zé Preto a respeito de algum assunto sério, pelo menos para os dois. Após ele ter descoberto que os dois estavam conversando Trofim resolveu descer e esperar pelo Zé embaixo a fim de esclarecerem os fatos.

Quando o Zé Preto desceu e encontrou-se com Trofim não foi muito difícil para o eslavo descobrir o que tinha levado Talzinho a conversar com o apaixonado. Disse-lhe Zé Preto que Talzinho o tinha ameaçado de contar toda a história de sua paixão a Dona Candinha se ele não deixasse seu emprego na Coletoria e o passasse para seu sobrinho Ramon, o mais novo representante de seu clã. Só restava saber se este jovem aceitaria a negociação, pois o que ele queria mesmo era ser Coronel da Guarda Nacional. Trofim não gostou muito dessa história contada por Talzinho, pois no íntimo ele queria é que o boneco de madeira encostasse as chuteiras e deixa-se de assombrar as moças da cidade, principalmente Lídia a filha encostada de Seu Lalo.



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Thursday, December 02, 2010

"Bactéria que come arsênico abre nova perspectiva para vida fora da Terra"


Leia notícia de hoje no Estado de São Paulo que relata estudos da NASA sobre uma bactéria capaz de substituir o fósforo por arsênico.

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GRANJA - PRONTA PARA O MERCADO


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Wednesday, December 01, 2010

GRANJA - BREGUEÇOS DO HAROLDO


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