Saturday, July 07, 2007

VISTAS DA GRANJA 5 - PARAZINHO






Fotos feitas no Parazinho durante a festa de Nossa Senhora do Livramento (22 de junho a 2 de julho)

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O Povo da Malhadinha 13



Atira Mapoleão!

Historinha famosa entre os “malhadinha” é a que conta o ocorrido entre Antonio Jorge e uma pessoa importante da cidade. Ele acusara de furto um filho dessa pessoa. O pai, como se diz, pediu satisfação a ele:
-Velho mentiroso, dou-te um tiro na boca! Ele não perdeu a calma e, de frente para o outro disse:
-Atira “Mapoleão”. O oponente não atirou... Esse “Mapoleão” era o nome que ele dava a Napoleão de Souza, homem rico da cidade.

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Tuesday, July 03, 2007

HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 33


Coleção particular

Todos na sua família colecionavam alguma coisa; muitos, senão a maioria, colecionavam tudo. Desde selos de correio, carteiras de cigarros, seixos rolados, figuras do sabonete Eucalol, artigos de jornais sobre assuntos de suas preferências individuais, como astronomia, agricultura, secas e o escambau. Ele tinha as suas, como retratos de atrizes de cinema, revistas de quadrinhos, selos (porque não?). Desde cedo ele colecionava, além dessas coisinhas inanimadas, namoradas! Namoradas ou que isso significasse nas diferentes épocas de sua vida. Sua coleção de namoradas parecia um grande “puzzle” com um número de peças indefinido. Havia muitas, de todos os tipos, idades, alturas, formas, cores, inteligências... Ele as “tomava” e, quando acertava, elas se encaixavam perfeitamente nos espaços do quebra-cabeça. No fim de sua vida ele encontrou uma “peça” e achou que ela se encaixaria muito bem em um espaço especial. Quando tentava adicioná-la à sua coleção ela saltava longe do tal espaço; por meses a fio, anos a fio.

Ele achava que se a figurinha ficasse no lugar, ele terminaria todas as suas coleções e entraria em alfa.

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Monday, June 25, 2007

Sunday, June 24, 2007

HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 32


Autógrafo

Ele passou anos vangloriando-se de ter um poema inédito de Carlos Drummond de Andrade (Solidão, não te mereço, / pois que te consumo em vão. / Sabendo-te embora o preço, / calco teu ouro no chão.). É bem verdade que ele estava de posse do poema porque havia escrito ao poeta pedindo-lhe um autógrafo e CDA o havia enviado com sua assinatura sendo que a data da correspondência era 1955. Muitos anos depois, após insinuar esse ineditismo para alguns, ele foi investigar e encontrou na desgraçada da Internet, uma única citação ao poema. Estava publicado desde 1952. Comprou o livro em um sebo e leu o título de “seu poema”: Desperdício.

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Friday, June 22, 2007

O Povo da Malhadinha 11


Velho abestado


Quem conta esta história dos malhadinha é o primo distante da família, Napoleãozinho. Diz ele que estavam discutindo, “no tempo da politicagem danada”, seu bisavô, João Silveira, Antônio Jorge e outros amigos. O velho malhadinha diz, a certa altura:

-Coronel João, tu ainda é meu parente e quer ser muito sabido, mas tu é um grande abestado!

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Wednesday, June 20, 2007

VISTAS DA GRANJA 3

22 de Junho é o início da Festa do Parazinho - Nossa Senhora do Livramento - e pelo menos uma foto para lembrar da igreja enorme:




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Monday, June 18, 2007

O Povo da Malhadinha 10


Meu machado Collins


Quando o primo Antônio Jorge soube do plano de um moleque da “Passagem da onça”, bem pertinho de sua casa, de subir em seu coqueiro preferido para roubar cocos ele disse para o parente Chico:

- Eu pego meu machado Collins e vou cortando o pé do coqueiro e quando ele começar a cair com o moleque agarrado eu digo:


- Acumpãia muleque!

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Sunday, June 17, 2007

HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 31


Sonhos fantásticos

George sonhou com ela. Aquela que sempre lhe dava o que pensar e o deixava mesmo perturbado. Seu sonho foi cheio de fantasias; mais fantasias do que um sonho comum costuma ter. Ele poderia resumir essas fantasias no que havia se passado em alguns poucos minutos de uma noite calorenta. Primeiro ele dormiu a muito custo como sempre e logo, acredita, começou a sonhar. Em seu sonho ele sonhava que estava sonhando pensando que ela estivesse pensando que ele estivesse pensando que...


George cerrou então as pálpebras e se viu na mais completa escuridão.

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Thursday, June 14, 2007

Sunday, June 10, 2007

O Povo da Malhadinha 10


Vingança

O parente Antônio Jorge, um dos malhadinhas puros de origem, tinha um açudeco em sua terra. No inverno, quando este estava cheio, o velho se incomodava com os culumins que tomavam banho em suas águas, pulando, gritando, jogando cangapé; dizia então que mandaria cravar estacas pontiagudas de sabiá no leito do açude, com as pontas logo abaixo da superfície e esperar pelo resultado cheirando rapé. Quando os meninos pulassem n´água e o sangue começasse a toldar a água de vermelho, ele gritaria:

“- Caçoteia marvado”.

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HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 30


Sonho em Bangladesh

Rafael estava tão cansado que dormiu logo após acomodar-se. Ele havia viajado para participar de um congresso em Minas e hospedou-se em casa de um amigo, como todo bom patrício. Acordou muito cedo e notou ter dormido em um quarto que dava para os fundos da casa. Saiu e viu que estava sobre um paredão às margens de um rio caudaloso e de águas barrentas, turvas, cheias de detritos de toda sorte. O paredão tinha uns 20 metros de altura e era branco na parte que confrontava com o rio e estava sujo de limo. Da posição em que ele se encontrava dava para ver ao longe uma imensidão de águas azuis, certamente o mar. As ondas do mar imenso eram contidas, do lado esquerdo por uma espécie de dique com uma passagem que deixava a água entrar quando vinha uma pancada. A água entrava e subia por um canal onde, nas margens, mais adiante, mulheres lavavam roupa. Na outra margem, do lado direito, havia um outro paredão branco, semelhante àquele sobre o qual ele se encontrava. Ambos pareciam corresponder aos fundos de casas elegantes. Quando ele estava saindo viu um casal passando abaixo de onde ele estava:

Eles pareciam ser bengalis e ele se descobriu em Bangladesh.


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Tuesday, June 05, 2007

VISTAS DA GRANJA 1








Nesta série apresento fotos e diagramas da Granja que, espero, ajudarão àqueles que não a conhecem a conhecê-la, e aos nativos a lembrarem como era e admirar - amar ou odiar - o que ela é agora.






















Estas vistas são do Rio Coreaú e foram tomadas em maio de 2007.

























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Sunday, June 03, 2007

O Povo da Malhadinha 9


Balipodo

Certo dia alguém procura o Chico Olímpio e a Avó diz que ele tinha ido jogar “cu-de-bode”, como ela chamava o nosso conhecido futebol (ou balipodo?) com os companheiros. Entre esses estavam os Napoleão, que eram um “terror” na cidade, garotos briguentos, seriam os “bad boys” de hoje. Chico Olímpio chutava muito bem, mas não podia meter gols, pois os meninos não admitiam. Devido a esse jogo “travado” houve uma briga entre Chico e os seus colegas Napoleão. O resultado é que se espalhou o boato de que três deles tinham matado o Chico:

- Mataram o Chico Olímpio! Mataram o Chico Olímpio!

Em verdade não aconteceu nada disso, somente uma pequena rusga entre crianças. O Tio apareceu e socorreu Chico e o incidente estava terminado. Acontece que a Avó prestou atenção a essa balbúrdia e, a partir de então, toda vez que se tratava de algum assunto (e deviam ser muitos...) à mesa, principalmente, ela falava:

- Isso aconteceu no dia que mataram o Chico Olímpio...!

(É bom esclarecer que o Chico Olímpio estava ao seu lado, vivo e bulindo. Ele só faleceu cerca de sessenta anos após o incidente.)

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HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 29


Comadre

O casal morava numa cidadezinha da Serra. Como alguns poucos do lugar eles liam jornais, revistas e ouviam rádio. Quando Kennedy foi eleito eles ficaram fascinados pela “família real americana”, mas “gamados” mesmo pela bela Jackeline. Dona Francisca, a esposa, sabia tudo sobre o casal. Quando, no começo de 62, ela deu à luz decidiram, após muito pouco debate, dar para padrinhos do garoto, o casal Kennedy. Não tiveram dificuldade em escrever-lhes, comunicando a escolha e, lógico, pedindo o seu comparecimento ao batizado, que seria realizado na Igreja Matriz. Esperaram algum tempo pela resposta e esta chegou. Chegou sob a forma de uma carta do Cônsul americano em que ele dizia que o presidente e sua esposa agradeciam a honra de terem sido escolhidos como padrinhos do menino, mas também expondo as dificuldades que o casal teria de comparecer ao batizado. Eles deveriam relevar o fato e, acrescentou o Cônsul, aceitar a sugestão de que o Presidente Kennedy e sua mulher Jackeline se consideravam padrinho e madrinha do garoto. Apesar da frustração inicial o casal logo se acostumou com a idéia de não tê-los presentes na cerimônia. Após a realização do batizado eles passaram a nomeá-los de compadres. Quando, no trágico 22 de novembro de 1962, uma vizinha veio correndo contar a Dona Francisca o que havia acontecido em Dallas – que o Presidente Kennedy havia sido assassinado - ela lamentou e após ter chorado muito disse:

- Cuma num tará a cumade Raqueline !...

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Sunday, May 27, 2007

O Povo da Malhadinha 8



A respeito da Castanhola, atual Várzea, conta-se uma historinha da lavra de João dos Santos, nascido na Malhadinha. Ele ia da Granja para Fortaleza em um caminhão guiado pelo Cabecinha. Quando chegam na Várzea o velho João pergunta onde eles estavam e o Cabecinha responde:

- Coronel! Nós estamos na Castanhola, desça um pouquinho para tomar um cafezinho.

Ele recusa e, com a veemência dos malhadinha adianta:

- Não! Não quero! Já dizia o Luis Felipe que a Castanhola é terra de cavalos bons e matutos ignorantes!

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HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 28







Você tem dois anos

Ele deu um pulo da rede e, esfregando os olhos com as mãos falou alto:

- Esqueci de levar os meninos na escola!

Raimunda, que havia notado sua movimentação, lhe disse:

- Calma, homem, são três horas da tarde!

- Que dia é hoje? Ele perguntou estremunhado.

- Hoje é terça e são três horas da tarde. O Senhor não esqueceu as crianças não. Eles só vão para a escola agora amanhã; o Senhor levou eles de manhã.

Já fazia tempo que isso lhe acontecia. Já fora ao médico e o tal havia dito, baseado em um diagnóstico preliminar (...), que ele estava entre os 2% dos idosos com mais de 65 anos que desenvolveriam uma doença degenerativa grave, tipo de Alzheimer, ou Parkinson, ou Creutzfeldt-Jacob (doença da vaca louca; no seu caso seria do boi [?] louco). Ele estava perdendo matéria craniana do lobo frontal. Adiantou que seria bom que suas observações clínicas fossem corroboradas por um exame de Ressonância Magnética do Crânio.

- Doutor Araripe diga logo, qual é o tempo que tenho?

O doutor responde sem titubear:

-Você tem dois anos, Ricardo!

Ele deu uma gaitada.

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Monday, May 21, 2007

O Povo da Malhadinha 7

Uivos

Certa noite de lua cheia Jorge saiu para dar um bordo pela beira do rio. Quando chegou perto ouviu o que lhe parecia serem uivos. Aproximou-se mais e viu, acocoradas sobre as pedras do rio, lavando roupa, três mulheres. As damas continuaram a uivar – pois eram elas que uivavam - e ele voltou correndo para casa, mas só depois de dar uma rápida olhadela para os rostos para ver se as reconhecia. O que ele viu assustou-o, pois eram exemplares extremamente feios do universo feminino. Ao chegar contou sua história para a avó e ela então mangou:

- Meu filho se elas estavam uivando e eram feias são, com certeza, parentas suas da Malhadinha.

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Sunday, May 20, 2007

HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 27




Avião, Morte, Ressurreição.

Ele sentou-se na poltrona marcada 9D no corredor; amarrou o cinto e preparou-se para ler os jornais que trouxera. Jorge sempre levava dois ou três jornais e mais um ou dois livros para ler no avião; com certeza ele não daria conta de todo esse material, mas era precaução, aliás, meio boba, para o caso de ficar sem fazer coisa alguma. O vôo era curto, só três horas, mas cansativo. E quando a aeromoça - agora é comissária de bordo - passou no corredor com seu carrinho e falou, afastando-o de seus pensamentos: “O senhor aceita uma barrinha de cereais? E para beber? Temos suco de caju, suco de manga e guaraná diet”, ele respondeu:

- Aceito. E um suco de caju, por favor.

Mastigando a barra insípida e engolindo com ajuda do suco ele rememora seus pensamentos de há pouco. Já no “check-in” pensava no vôo e como seria, caso o avião caísse. Não que ele tivesse medo de morrer; isto já fazia parte do passado. Ele pensava em como ficariam “as coisas” com a sua morte: como ficariam seus filhos e netos, quem retomaria seu trabalho, a casa da praia seria vendida? aquelas paqueras será que chorariam? Ele agora tinha esses pensamentos intrusivos no dizer de uma amiga (Será que ela choraria?). Eram pensamentos que chegavam e tomavam o lugar daqueles outros, normais (?), do dia-a-dia, mas não chegavam a perturbá-lo em demasia.

Durante a aterrissagem, e nos instantes em que o avião taxiava e aproximava-se da cegonha ele ficou tranqüilo. Então a aeromoça, notando seu largo sorriso zombeteiro perguntou-lhe:

-Precisa de ajuda Senhor?

Jorge pensou antes de responder: “Saio do caixão em que me encontrava e tudo volta ao normal: minha vida besta, a família, a coleção de borboletas e outras coisas, enfim tudo. Tudo normal como era antes da viagem. A única mudança é o novo cenário a descobrir ou redescobrir: pessoas, ruas, monumentos, museus, restaurantes, cinemas, livrarias, o escambau. Tudo o que faz parte da minha vida e da vida de todo mundo.”

-Não, obrigado, acabo de descer das minhas nuvens.

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Monday, May 14, 2007

O Povo da Malhadinha 6


O Povo da Malhadinha 6

Ainda outra história originada do povo dessa fértil terra é sobre a visita que fazia à Velha Senhora o casal amigo que estava na cidade para um batizado. Os três já estavam conversando há tempo e ela se preocupava, pois não havia coisa alguma em casa para oferecer-lhes. Subitamente, entra o netinho preferido e apresenta ao casal dois palitinhos de madeira com dois carocinhos de feijão espetados. Oferece ao casal aquele regalo:

-Tome Senhor! Tome Senhora! Após terem aceitado e degustado a iguaria o casal se despede e vai embora. A vovó pergunta então ao netinho:

- Meu filho aonde você pegou aqueles carocinhos de feijão, pois nós não temos nada! O netinho responde, todo satisfeito:

- No piniquim da Vovó!

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Sunday, May 13, 2007

HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 26


O frembante

Esperando ser atendidos os dois ficaram horas sentados nos bancos desconfortáveis e sujos observando os outros pacientes submetidos ao mesmo suplício. Logo, o vizinho do lado fala que seus parentes nunca o haviam procurado: pais, avós e tios, bem como os primos, ninguém. Só um primo de Minas o tinha convidado para passar uns dias com ele. Assim que chegou à fazenda os dois foram tirar mel no mato:

- Foi a maior aventura! Quando abrimos um dos favos eu vi uma abelha olhando para mim quase me obrigando a retornar aquele olhar meigo... Não havia nada mais lindo!

Então ele cutucou sua vizinha de banco e disse:

- A gente conhece a pessoa pelo frembante!

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Tuesday, May 08, 2007

O Povo da Malhadinha 5


O Coronel e seu amigo

Certa tarde o Coronel foi dar um bordo pela cidade; ele queria ver as obras de limpeza da casa de um amigo, ex-colega de trabalho. Este havia mandado toda sua família para o interior, para uma de suas fazendas, pois isso facilitaria a execução das obras. Mal chegando à casa foi entrando sem bater palmas ou pedir autorização, na suposição de que estivesse vazia. Subitamente, ao sair de um corredor, ele vê seu amigo dando uns amassos em uma de suas (dele amigo) cunhadas. Mais que depressa, pé ante pé, ele retorna, volta para sua casa e conta para um de seus funcionários:

- Estou morrendo de vergonha. O que é que eu queria olhando a casa de ninguém, meu Deus! O outro lhe responde:

- Quem devia ter vergonha era ele!

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Sunday, May 06, 2007

HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 25


Céu-da-boca

Ele era um famoso Biologista Molecular, com grande experiência em clonagem de genes de plantas. Certa ocasião fazia uma conferência para uma assistência de mais de duzentos colegas. Já quase ao final da demorada palestra ele a interrompe para tomar um pouco de água. Ao levar o copo à boca afirma:

- Vou tomar um copo d’água antes que minha língua pregue no céu-da-boca”.

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Monday, April 30, 2007

O Povo da Malhadinha 4


A matraca

Era Semana Santa e a Procissão do Senhor Morto estava passando em frente à sua casa. Ele começou a ficar perturbado com o som da matraca que vinha cada vez mais forte. Era um som forte e metálico; chegava aos seus tímpanos e lhe fazia mal. Ele pergunta quem está batendo o instrumento e alguém responde que é o Pedro Silveira. Ele resmunga para si e para os que estão mais perto:

- Diabo! Este homem ‘tá é doido!

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HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 24


Figuras

A noite estava muito quente e Jorge demorou a pegar no sono. Assim pelas três horas acorda agitado e suado. Ele tinha tido muito trabalho na fábrica, nos últimos dias. Levantou-se e, sonolento, foi até à cozinha. Abriu a geladeira, pegou água em um copo e, mesmo antes de bater a porta, começou a beber. Deixou um resto de água no copo e, olhando de um lado para o outro, como a certificar-se que estava sozinho, jogou o resto de água na parede para ver as figuras ou manchas formadas.

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Monday, April 23, 2007

O Povo da Malhadinha 3


Copo de leite

O velho era mesmo ranzinza. Implicava com tudo e com todos os que não lhe agradavam. E vingativo também. Todas as manhãs, assim pelas nove horas, ele tomava um copo de leite. Só que havia um ritual para isso. O leite era fervido e posto em um copo de vidro para esfriar no peitoril da janela que dava para a rua. Após algum tempo ele fazia um teste com um dedo e tomava o seu leite se estivesse no ponto. Fazia isso todos os dias. Certa vez quando foi pegar o copo seu leite havia desaparecido. Ele não disse nada e, na manhã seguinte fez a mesma operação: pôs o leite para esfriar sobre o peitoril. Quando pegou o copo, o leite havia desaparecido. Isto se repetiu por três dias. Ele então resolveu pregar uma peça no tomador de seu leite. Antes de colocá-lo para esfriar ele adicionou cerca de vinte gramas de sal amargo, mexeu bem e pôs o copo na janela. Não demorou cinco minutos e ele ouviu urros e risos e gargalhadas vindos da Praça do Mercado. O Chiquinho da Dona Joana estava a se contorcer de dor e todo borrado e a molecada gritando...

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Sunday, April 22, 2007

HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 23



Caminhada

Ela parece uma gazela ao caminhar pela borda pintada de amarelo do calçadão. Não obedece às "leis de trânsito", pois tanto na ida quanto na volta ela vai por ali. Seu cabelo é solto e ela usa um boné de pala grande contra o sol inclemente; veste uns shortinhos discretos e camisetas que sugerem ter estado em Noviorque. Traz preso a um dos braços um radinho ou um medidor de alguma coisa. Será de batimentos cardíacos? Caminha com um passo mais apressado que o dele de tal sorte que se cruzam por três vezes durante a caminhada de uma hora. Ele tem, por isso, oportunidade de examiná-la nos mínimos detalhes. O caminhar apressado de uma corça salienta seu rosto de miss, seu busto firme e uma bundinha de anjo barroco. Ela chama a atenção de todos - homens e mulheres. Nunca trocou um olhar com ele, pudera! Ela é a garota mais bonita que caminha no calçadão.

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Monday, April 16, 2007

O Povo da Malhadinha 2


Japi

Dona Joana, “malhadinha” por excelência, era personagem de muitas historinhas que corriam pela cidade. Essa, contada com muita graça pelo velho Jorge Raposo, falava sobre um visitante ilustre que, sentado em um confortável sofá de palhinha na Sala Verde da Casa Grande, conversava sobre assuntos os mais diversos com a velha senhora. Em baixo desse sofá se aninhava o cão de estimação da casa. De vez em quando o ilustre visitante soltava ventos mal cheirosos. Ela, importunada, dizia:

- Sai daí “Japi” senão este homem te mata!

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Sunday, April 15, 2007

HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 22


Casamentos

O casal morava em uma fazenda para os lados do Trapiá, ao pé da Serra Grande. O Coronel Cândido e Don’Ana, sua esposa, tinham doze filhos: oito moças casadouras e quatro rapazes bons de enxada. Bem pertinho, morava seu compadre Francisco Inácio; que tinha quatro filhos machos, bons de trabalho também. Certo dia Lourenço e Sabino, filhos do compadre Francisco Inácio pedem a mão de Tomázia e Clara duas das filhas do Coronel. Este logo aprovou o casamento com os dois irmãos e os quatro foram constituir suas famílias. Nove meses depois as duas coitadinhas morreram durante o parto e os bébés também. Não passou muito tempo e Lourenço e Sabino voltaram à fazenda do Coronel e, encabulados, girando os chapéus nas mãos falam ao compadre de seu pai:

- Coronel as meninas morreram e nóis quer casar de novo.

O velho olhou pros rapazes e, depois de um curto tempo disse:

- Tá bem! Vocês escolham duas das mais velhas que ficaram e podem casar. Agora tem uma coisa.

- E o que é Coronel?

- Se vocês matarem as bichinhas, adeus viola, não tem mais outro casamento não!

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Monday, April 09, 2007

O Povo da Malhadinha 1

O que é a Malhadinha
(A foto tenta mostrar restos de uma antiga casa de morada - uma tapera - na Malhadinha.)


No sopé da Serra Grande há uma terra que, nos bons tempos suportava muitas famílias - a Malhadinha. Existem diversas pequenas fazendas que têm esse nome: Malhadinha de cima, Malhadinha de baixo, Malhadinha do Niterói, Malhadinha do Batista e por aí vai.
Durante a grande seca de 1877-1879 muitos de seus moradores abandonaram suas fazendas e se fixaram na cidade (na Granja). Aí se estabeleceram e criaram suas famílias. Muitos de seus hábitos, costumes e maneira de viver foram conservados no novo ambiente. Correm na cidade diversas historinhas, verdadeiras ou apócrifas, mas que divertem seus habitantes e os que a conhecem desde muitos anos. Muitas dessas histórias são oriundas do “povo” da Malhadinha. Esse nome foi e ainda é usado hoje para designar aquelas pessoas nascidas nessas fazendas, caracterizadas por terem um espírito por demais sardônico, mordaz, irônico, que têm gênio irascível, são muito críticas e, muitas vezes intratáveis, o que incomodava (ou incomoda) seus interlocutores.

Réa cabeluda Dona Joana, mãe de Francisco Raposo, era “malhadinha”, de primeira. Ela usava uma enorme saia, aliás, saias, pois eram muitas e que chegavam ao chão e escondiam seus pés de tal sorte que, quando andava parecia um grande barco deslizando mansamente sobre a água. Usava também um coque com seu cabelo grisalho fixado por um pente de casco de tartaruga. Certo dia, estando ela na janela, passa um moleque que se sente no direito de dirigir um gracejo à velha:

– Eu te como réa cabeluda! Ela retrucou rápido como um raio:

– Rái comer tua mãe que é pelada!

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Sunday, April 08, 2007

HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 21


O Talzinho (Foto aos 12 anos)

O venezuelano Saulo, colega de faculdade de Jorge, contava histórias fabulosas de seu povo, daquelas que passavam de geração a geração. Uma delas dizia que, certo dia, um caçador das montanhas ao entrar na "Piedra del Padre" em Barinas, nos Andes venezuelanos viu no chão e enrolada em pano sujo, uma criança bem novinha. Ao tomá-la nos braços notou ser ela, tipo assim, estranha, pois tinha muito pelo no rosto, costas e membros; era prognata e produzia sons muito agudos. O caçador levou-a para a aldeia e a entregou às únicas pessoas que poderiam criá-la, D. Emerenciana e seu esposo, o Coronel, pois não tinham filhos. A velha senhora ficou muito alegre e passou a cuidar do menino, pois que era um “chico”, com muito desvelo, como se fosse de seu próprio sangue. A criança cresceu, como todas elas, mas tinha dificuldades em comunicar-se com as outras e aprender a ler. Certo dia apareceu na aldeia um estrangeiro, parece que um engenheiro sueco e, ao dar uma espiada no menino, foi logo dizendo:

- Este criança ser descendente de Neandertal!

Ninguém sabia o que era isso. O sueco tentou explicar, mas sem êxito. A partir daí o garoto passou a ser conhecido como “Talzinho”, devido a esse parentesco, talvez longínquo, com alguém que ninguém sabia quem fosse. Ao completar quinze anos Talzinho resolve sair de casa e ganhar o mundo, a procura de algum parente ou de alguém parecido com ele. Foi para Caracas. Ele era eshperto e logo se relacionou com políticos e fez carreira no comércio e outras atividades menos nobres. Certo dia, indo a um pronto socorro ele encontrou uma jovem que era sua cara. Logo fizeram amizade, namoraram e rapidamente casaram. Talzinho resolve, então, voltar para sua aldeia nas montanhas. Chegando lá e devido a contactos políticos feitos pelo Coronel, logo se enfronhou na política local. Passou a fazer discursos inflamados contra tudo e contra todos e comprou votos quando chegou a hora. Facilmente elegeu-se alcaide na primeira eleição. A cada quatro anos havia uma nova eleição, mas ele não poderia concorrer. Acontece que, logo na primeira oportunidade, dias antes do registro das candidaturas, Talzinho morre de um enfarte fulminante. Depois de muito choro de todo o povo, que já o adorava, e após alguns poucos dias, Talzinho reaparece e candidata-se novamente. É eleito por uma grande maioria de votos e a mesma historia se repete por nove pleitos. Sem falhar Talzinho "morre" ao chegar perto da eleição e “ressuscita” para concorrer e ganhar mais um mandato. Diz o Saulo que ainda hoje o Talzinho reina nas montanhas de sua terra.

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Sunday, April 01, 2007

HISTORIETAS DE SEGUNDA-FEIRA 20

Na missa

Os dois amigos foram à missa de sétimo dia de um companheiro de gandaia. Estavam contrariados e tristes pelo desaparecimento do Edgar, pinguço e raparigueiro como eles. Quando o padre Osvaldo, da Igreja do Alto, começou sua homilia e falou sobre o amigo deles dizendo que o Edgar era uma pessoa muito boa, de atitudes corretas, bom marido, bom pai, caseiro e tinha horror à bebida e era cumpridor de seus deveres conjugais e não se envolvia com mulheres de vida airosa, os dois se entreolharam e disseram quase ao mesmo tempo:

-Vambóra Zé, nóis ´tamo na missa errada!

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